A Ordem de Drugstrein

15 Teste para Magos - Parte 3


Notas iniciais
Como será definido o duelo entre Karion e Kayan?

Capítulo 014

Teste para Magos (Parte 3)

Os dois magos estudaram-se durante alguns segundos.

Os cabelos castanhos e longos de Karion se movimentavam conforme ele andava e Kayan começava a sentir uma certa repulsão por aquelas marcas que ele carregava embaixo de ambos os olhos.

O Atreius, por sua vez, permanecia parado enquanto o adversário transcrevia um semi-circulo a sua frente. Por fim, ele próprio foi o primeiro a atacar, percebendo que era o que seu oponente desejava.

O rapaz lançou um feitiço crisis com o máximo de aura que conseguiu reunir. Isso fez com que uma grande massa de fogo surgisse da união de suas mãos. Assim que ele estendeu ambos os braços em direção do adversário, o imenso turbilhão de chamas se propagou contra o mesmo.

Karion, entretanto, não esboçou qualquer tipo de defesa. Ao invés disso, tratou de contra-atacar. Suas mãos se envolveram em eletricidade e, ao estende-las uma para cada lado, raios foram lançados formando uma espécie de arco em direção a Kayan.

A eletricidade era muito mais veloz que a quantidade massiva de fogo, portanto chegaria ao alvo muito mais rápido. Praguejando por ter que abandonar o feitiço para se defender, Kayan usou sua aura para impulsioná-lo para trás em saltos de pouco mais de dois metros.

Os raios atingiram o solo onde o rapaz deveria estar. Marcas de queimadura demonstravam que a potência da eletricidade devia ser muito alta.

Os raios não pararam enquanto o Wigg continuava a conjurar o feitiço em questão. Após ter se esquivado cinco ou seis vezes, Kayan quase foi atingido por uma rajada exemplarmente poderosa. Então, resolveu arriscar-se um pouco mais e contra-atacar. O rapaz conseguiu um tempo para se agachar e tocar o chão de pedra da arena. Assim que o fez e conjurou o feitiço clayn, uma espécie de onda de rocha e terra começou a rasgar o piso em direção ao adversário. A arena teria que ser reparada antes do próximo duelo.

O Wigg utilizou uma defesa simples, porém eficiente. Karion estendeu seu braço direito e, em seguida, fez um escudo de energia para parar o ataque do adversário. As pedras caíram e a terra se desmanchou, levantando muita poeira, que estava atrapalhando a visibilidade do rapaz.

Com o feitiço de ar, ele fez com que o vento se agitasse muito, formando uma verdadeira ventania que afastou toda a poeira e a terra do local, deixando apenas as pedras maiores.

Kayan não hesitou em aproveitar a oportunidade. Desferiu, contra o adversário, o raio mais poderoso que conseguiu conjurar com um tangrea. O Wigg, por sua vez, não teve tempo de levantar sua defesa e, tudo o que pode fazer foi aumentar a aura em torno de seu corpo.

A descarga elétrica atingiu seu alvo com perfeição. O corpo do rapaz, apesar de alto, forte e pesado foi arremessado alguns metros para trás, sendo arrastado pelo chão ao final.

— Acabou! – Mathen exclamou ao ver o que havia acontecido.

— Ainda não, tem duelos que não acabam apenas com um feitiço decisivo – Sarah repreendeu o amigo enquanto esperava para ver o que aconteceria.

Karion Wigg, então, levantou-se com um sorriso prepotente no rosto. Aparentemente, o ataque de Kayan não tinha causado muito dano.

— Você quer me atacar com minha própria esfera primordial? Então veja um tangrea de verdade!

A quantidade de energia que foi reunida em tão pouco tempo foi incrível. Duas vezes mais poderoso que o que Kayan havia lançado, um raio seguiu em linha reta contra o rapaz.

O Atreius percebeu que não teria tempo para se esquivar e, portanto, decidiu se defender da melhor maneira que pode. Estendeu o braço direito para frente e, apoiando-o com o esquerdo, fez com que um escudo de energia aparecesse.

O impacto foi estrondoso e diversos raios se espalharam por todas as direções. A pressão foi ficando cada vez maior enquanto o mago da eletricidade continuava a mandar energia para o feitiço. Por fim, Kayan não conseguiu mais aguentar e sua defesa se desfez em uma explosão de luz.

O Atreius foi arremessado para trás, mas manteve seus pés firmes no chão. O raio do adversário dissipou-se enquanto ele abaixava, apoiando-se no joelho direito e urrando de dor. O braço direito jazia inerte ao lado do corpo; ele estava muito queimado e ferido. O rapaz segurava-o com o esquerdo numa tentativa de lutar contra a dor cruciante.

— Parece que acabou – disse Karion em um tom arrogante e provocativo.

— Só acaba quando um de nós dois estiver caído.

Apesar das suplicas que os amigos faziam para que ele parasse, Kayan levantou-se e pôs-se novamente em posição de ataque. Ele pretendia continuar o duelo mesmo que tivesse que utilizar apenas o braço esquerdo.

No instante seguinte, porém, sem que ninguém conseguisse ver ao certo o que aconteceu, Spaak estava atrás do rapaz, tocando-lhe o ombro saudável. Ele lançou um feitiço e o rapaz ficou inconsciente no mesmo momento.

— Se o orgulho não o permite parar, eu faço isso por ele.

Com as ordens do mestre, dois auxiliares apressaram-se com a maca. Eles levariam o rapaz até a enfermaria para que fosse tratado por um mago branco.

* * *

A noite começava a cair na região de Drugstrein e uma maga de aparência muito idosa começava a acender as lamparinas do hospital do castelo.

Foi essa iluminação que acordou Kayan, que permaneceu deitado por alguns minutos repassando seu duelo: ele havia perdido.

Constatou que seu braço direito estava envolto em ataduras e sob o efeito de um feitiço ressin. Embora ainda não estivesse totalmente curado, estava melhorando consideravelmente e não doía mais.

Ele apressou-se em calçar as botas e colocar a camiseta para, então, sair sorrateiramente da sala, pois sabia que os magos e magas brancas não o deixariam sair facilmente.

Em seguida ele rumou direto até a divisão dos aprendizes, onde ainda poderia habitar até que os testes tivessem terminado e novos jovens começassem a chegar.

Assim que entrou no salão comum encontrou seus dois amigos lhe esperando. Sarah estava com uma cara preocupada e Mathen aparentou ficar muito mais descontraído quando viu que o amigo estava bem.

— Como está seu braço? – perguntou-lhe a garota.

— Está melhorando, apenas meu orgulho ficou manchado – respondeu com um sorriso sem graça.

— Você e mais alguns poucos ficaram com um duelo a menos que os demais, mas irão recuperar amanhã. Os mestres disseram que os testes terminarão no máximo em mais dois dias – Mathen começou a falar. – E adivinhe, sua próxima adversária será a Thays.

A notícia, de certa forma, animou o rapaz. Em seguida, ele perguntou como os amigos haviam se saído.

— Consegui vencer dois adversários até agora – Sarah respondeu, confiante. – Estou tendo sorte, pois eles são muito fracos. Amanhã terei outro duelo muito fácil.

— Eu já não tive muita sorte. Acabei perdendo meu segundo combate – respondeu Mathen, logo em seguida.

A conversa ainda durou alguns minutos. Após isso, porém, Kayan resolveu se retirar para descansar e terminar de se recuperar para o combate que estava por vir.

* * *

Na manhã seguinte, enquanto os raios de sol iluminavam boa parte dos campos do castelo, Kayan resolveu caminhar um pouco sozinho antes dos testes que se reiniciariam dali a uma hora.

Após alguns minutos ele começou a se sentir muito mais disposto aos novos duelos que enfrentaria naquele dia. Seu braço havia se recuperado completamente e a idea de enfrentar Thays era animadora.

Enquanto ele pensava em voltar para o castelo, deparou-se com alguém que não esperava: Spaak estava sentado sobre uma pedra, o sobretudo vermelho esvoaçava-se enquanto ele apreciava o horizonte.

— Olá, Kayan – ele cumprimentou o garoto mantendo-se de costas para ele.

O jovem mago, então, aproximou-se dele e, permanecendo de costas para o mestre, recostou-se na rocha de maneira a ficar um nível abaixo de onde ele estava sentado.

— Oi Spaak.

Um pequeno período de silêncio se seguiu antes que o Firyn resolvesse o quebrar.

— Como está seu braço?

— Está bem – Kayan hesitou, mas, por fim, fez a pergunta que lhe perturbava. – Por que você fez aquilo? Por que me fez parar?

Ambos mantiveram um tom de voz pacifico e racional, mesmo enquanto conversavam sobre algo um pouco delicado.

— Porque se eu não fizesse isso você poderia acabar se machucando seriamente. Poderia até mesmo ficar incapacitado de continuar com o teste.

— Eu ia vencer o duelo – o rapaz afirmou com convicção.

— Não, não ia.

Kayan parou e pensou um pouco. Não queria admitir, mas o mestre tinha razão.

— Karion é assim tão melhor que eu?

Spaak ponderou sua resposta para algo que não ofendesse o garoto, a seguir, disse o que devia dizer.

— Kayan, você é um excelente mago. Entretanto, sempre existe alguém melhor. Karion é evidentemente o mago mais forte deste teste. O nível dele é quase o de um mestre.

A afirmação do Firyn fez com que o Atreius se sobressaltasse por alguns segundos.

— Como ele ficou assim tão poderoso? Soube que ele falhou ao tentar esse teste há dois anos.

— Realmente. Ele era um mago bem mediano, mas agora ele está muito poderoso. Não sei que métodos ele usou. – O mestre fez mais uma pausa. – Se você se esforçar, tenho certeza de que poderá superá-lo em um futuro não tão distante.

O que o mestre lhe disse o animou um pouco, mas ele não disse nada, apenas sorriu; uma reação que Spaak não poderia ver.

— Acho melhor irmos até o local do teste, está quase na hora.

Após afirmar isso, o Firyn desceu da rocha em que estava com um salto e, acompanhado por Kayan, seguiu em direção à torre onde os testes eram realizados.

* * *

Kayan e Thays encaravam-se, olho no olho, enquanto esperavam o sinal para começarem.

— Parece que nosso desejo vai se realizar – disse Kayan em meio a um sorriso.

— Pois é. Veremos quem é o melhor agora.

— Não sei se vou conseguir lutar com tudo o que tenho. Não quero te ferir.

— Se me subestimar estará me causando uma dor pior que a dor física, Kayan.

O rapaz riu.

— Não irei lhe subestimar. Não acho que te vencerei caso eu não lute a sério.

Luen deu o sinal para que começassem. Imediatamente após isso, executando o feitiço crisis, Thays fez com que chamas surgissem e tomassem a forma de uma serpente-dragão de fogo. Ela a manipulou para que atacasse Kayan.

— Eu disse que não te subestimaria, mas quero que não faça isso comigo, Thays. Acha que pode me vencer com esse ataque medíocre?

A garota sorriu pouco antes de fazer com que outra criatura de fogo surgisse ao seu lado. Ela transcreveu um semi-circulo e investiu contra o outro mago.

— Agora está melhor!

Kayan estendeu cada um de seus braços em uma direção. Ao fazer isso, invocou um escudo de energia com cada uma de suas mãos.

A pressão que as chamas faziam contra ele era muito grande. Porém, o mago tinha poder suficiente para suportar toda a força do ataque.

— Defendeu muito bem – afirmou Thays enquanto desfazia os feitiços. – Mas vamos ver por quanto tempo consegue manter essa defesa.

Enquanto conjurava o feitiço crisis, a garota percorreu a extensão da arena em grande velocidade. Ela usava sua aura para impulsionar suas pernas enquanto com grande maestria fazia com que os dragões-serpente surgissem com gestos agressivos.

Em pouco mais de cinco segundos, dez feitiços pairavam no ar apenas esperando o momento para atacarem seu alvo. A garota fez o sinal derradeiro e eles investiram com força e velocidade total.

Kayan utilizou um clayn para que a terra e as pedras ao seu redor se movimentassem e começassem a cercá-lo, formando uma incrível barreira ao seu redor. Os ataques da adversária a atingiam, mas não conseguiam quebrá-la. Algumas chamas chegavam transpor as defesas do Atreius, mas elas não eram capazes de feri-lo graças a poderosa aura que o envolvia.

Em seguida o rapaz desfez sua defesa em prol de um ataque. A cúpula que se formou a sua volta foi desfeita e centenas de rochas foram arremessadas contra a Cyren.

A maga apressou-se em erguer suas defesas e foi feliz em seu ato. As pedras que se chocavam contra a barreira de energia enchiam o local de poeira e, por mais que tentasse, ela não conseguia ver seu adversário.

Ela ouviu a movimentação de Kayan às suas costas, porém, era tarde demais para reagir. Correntes foram conjuradas pelo rapaz, que utilizara um aurus paginne, e cercaram a garota. Sem reação, ela foi presa por elas e erguida no ar.

— Muito bem. Acho que acabou.

O rapaz sorriu. Thays devolveu-lhe o sorriso antes de argumentar.

— Ainda não acabou!

Ela forçou sua aura contra as correntes conjuradas por seu adversário. Após um grande esforço elas se partiram e a maga pousou suavemente ao chão.

Thays agitou seu braço direito em uma meia lua de baixo para cima. Uma lâmina de fogo foi conjurada e arremessada contra Kayan, que tentou se esquivar, mas recebeu um corte cauterizado no lado esquerdo do corpo.

Ele conjurou um feitiço ao mesmo tempo em que era atacado. A garota não teve tempo de se defender adequadamente e foi atingida em cheio por uma forte rajada de água. Ela foi arrastada alguns centímetros, mas manteve-se em pé graças a força de sua aura.

Kayan, então, conjurou eletricidade unindo sua duas mãos. O raio seguiu em direção a garota que, com um aurus pinn, amparou-o em um escudo de energia.

A eletricidade se espalhou por todos os lados e, assim como Kayan havia planejado, foi conduzida pela água que encharcava o corpo da garota. A aura de Thays não foi suficiente para aguentar o ataque e a garota caiu ao chão, inconsciente.

Ainda atordoado devido a difícil batalha, Kayan saiu da arena e seguiu até uma parede próxima, onde se recostou e deixou que seu corpo escorregasse até o chão, onde se sentou.

— Que garota difícil. Se eu bobear ela acaba me alcançando.

* * *

O último teste ainda durou mais um dia além daquele em que Kayan e Thays se enfrentaram. Ambos venceram todos os seus duelos e foram aceitos para Drugstrein na quarta rodada. Karion e seus irmãos conseguiram esse feito na terceira, assim como Sarah, para o espanto da maioria dos presentes.

Mathen conseguiu isso apenas na quinta rodada, quando estava começando a ficar preocupado graças a duas derrotas seguidas. Fedrick e alguns outros alunos que participaram do curso junto com Kayan também foram aprovados.

Dois dias após tudo isso passado e eles já terem escolhido seus uniformes e seus quarto, foram convocados a comparecer a uma sala de reunião que era utilizada pelas muitas equipes de Drugstrein.

Seus uniformes eram bem parecidos, assim como o de todos os magos, sendo que apenas as cores mudavam. Uma calça de algodão, e uma camiseta do mesmo tecido eram a base da vestimenta; manga longa para o inverno e curta no verão. Esta peça era presa no pescoço com presilhas de prata, terminando em uma gola em formato de V. Um cinto com pequenos bolsos laterais e botas de cano baixo, ambos feitos de couro, completavam a indumentária. Kayan escolheu o preto; Sarah, o branco e Mathen optou pelo marrom.

O trio estava ansioso, pois seriam apresentados ao mestre que deveria guiá-los no início de suas carreira.

Uma grande surpresa tomou conta de suas expressões quando eles viram um mestre trajando vestes azuis e uma capa vermelha entrar na sala. Ele era alto e seus longos cabelos ruivos agitavam-se a cada passo que ele dava.

— Boa tarde. Meu nome é Spaak Firyn e eu serei o mestre referencial de vocês três.

O sorriso em seu rosto mostrava que a brincadeira da apresentação era para combinar com a expressão de surpresa que invadia o rosto de seus discípulos.

Notas finais
Alguém esperava que Kayan perdesse o duelo? E o que acharam do confronto entre ele e a Thays? Nos próximos capítulos teremos o foco em outros magos ao invés do trio Kayan, Sarah e Mathen. Aguardem. Críticas, sugestões, comentários? Se gostou deixe um comentário, se gostou mais ainda favorite e deixe uma recomendação. Se não gostou, comente também e aponte onde devo melhorar. Vejo vocês no próximo capítulo.