A Ordem de Drugstrein
57 Sellene Rovkraz - Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 056
Sellene Rovkraz (Parte 1)
Sobre um rústico trono de pedra sentava-se uma mulher alta, que trajava calças e um colete de couro negro sobrepostos por um manto de mesma coloração. Seus olhos eram de um castanho escuro e os cabelos de uma tonalidade pouca coisa mais claro. A expressão em seu rosto era um misto de alegria e insanidade.
— Muito bem, meus servos, aproximem-se – disse ela, em seu tom autoritário.
As seis criaturas que se aproximavam possuíam pelos por todo o corpo e focinhos alongados entre os seus olhos mesquinhos. Aqueles gnolls estavam muito longe de sua terra natal.
A mulher sentada no trono tocou o cristal no cetro de cada um deles e a translucides do objeto tornava-se turva e enegrecida. As criaturas olhavam para aquilo de maneira maravilhada, seu olhar transmitindo uma luxuria por poder.
— Agora vão e protejam minha mais nova conquista. Seus irmãos já estão lá fora patrulhado os arredores de minha cidade. E não se esqueçam: assim que ele chegar me avisem.
Assim que eles saíram do recinto a mulher recostou-se em seu rústico trono e ali permaneceu imersa na escuridão.
* * *
O retorno ao castelo de Drugstrein era aguardado por muitos magos e até mesmo servos da ordem. O grade salão de festas do castelo estava com pouco menos da metade das pessoas que haviam estado no casamento de Sakuro há algumas luas, mas a alegria dos presentes era a mesma.
Kayan e Sarah não possuíam nenhuma família no castelo – exceção de Radamanthys que já os acompanhava –, então ficaram um pouco para trás apesar de saberem que havia muitos amigos lhes aguardando.
— Já decidiu se você vai falar com ela ou não?
— Acho que não será necessário, Sarah. Antes de partirmos nós conversamos e ela disse que quando eu voltasse para casa nós estaríamos juntos.
— Muito estranho ver a Thays admitindo uma derrota.
— Pois é, mas nisso ela não tem nem chance de competir contra você.
Um sorriso curvou os lábios de Sarah ao ouvir aquele comentário. Logo após isso eles entraram no salão. A primeira pessoa que apareceu para recepcionar Kayan foi Mathen e ele acabou por tirá-lo de perto de Sarah devido ao fato de Ellien se aproximar da garota ao mesmo tempo.
— Vocês dois ainda não estão se falando? – perguntou referindo-se ao amigo e à garota.
— Não é bem o caso, observe bem – respondeu-lhe Mathen.
Aquilo foi uma surpresa para Kayan. Não era apenas Ellien que fora falar com Sarah. Junto a ela estava Fedrick e o braço do rapaz envolvia a cintura da garota.
— Eles estão juntos!
— Pois é, eu disse que esse negócio deles ficarem na mesma equipe podia resultar nisso.
— Você deve estar um pouco chateado com a situação.
— Não exatamente, mas é um pouco estranho. De certa forma minha amizade com o Fedrick não é mais a mesma. Mas, mudando de assunto, você e a Sarah entraram juntos e abraçados. Isso quer dizer o que eu imagino que seja?
Kayan abriu um grande sorriso de satisfação.
— Sim! Nós finalmente estamos juntos.
— Você precisa muito me contar como isso aconteceu. Pensei que vocês tivessem ido para uma guerra, como um relacionamento pode surgir no meio disso tudo?
— Meio que simplesmente aconteceu enquanto estávamos sozinhos em uma caverna e sendo perseguidos por quarenta orcs.
— Ah sim, coisas do cotidiano, não é?
O comentário do Muscort fez com que os dois amigos caíssem na risada. Naquele momento a comida e a bebida começaram a ser servidos e ambos apressaram-se em pegar uma caneca de vinho e um pedaço do javali assado.
* * *
No outro lado do salão encontrava-se Nathie. A garota segurava um corno de hidromel entre as mãos, mas não sentia vontade de comer nada. Na verdade, apesar da alegria dos presentes, ela estava um pouco cabisbaixa e isolada.
— O que houve com você? Por que está aqui sozinha?
Anita aproximou-se da amiga enquanto arrastava uma cadeira e se sentava ao seu lado. A Sttiken trazia consigo comida e bebida e estava bem agitada.
— Nada demais. Apenas não estou muito animada.
Sentou-se de frente para Nathie e colocou o corno de hidromel e a pão de especiarias que trazia sobre a mesa ali perto.
— Vamos lá. Pode desabafar comigo.
Nathie levantou o rosto e encarou a amiga nos olhos. Por um momento pensou em apenas desconversar, mas sabia que precisava conversar com alguém. Anita era uma das pessoas em quem a garota mais depositava sua confiança e amizade então ela percebeu que ela seria a pessoa ideal para se falar sobre o que sentia.
— Estou triste porque o Karion não voltou para a ordem – disse por fim.
— Nossa! É mesmo! Ele o irmão que sobreviveu simplesmente sumiram no meio do caminho e não apareceram mais por aqui. Ele sempre foi meio estranho mesmo, mas desaparecer assim... mas, espere aí, quer dizer que você e ele...
Antes que Anita terminasse seu raciocínio, Nathie acenava-lhe afirmativamente com a cabeça.
— Nunca iria imaginar que você poderia se interessar por alguém como ele. Mas até que ponto vocês estavam envolvidos?
— Estávamos completamente envolvidos, Anita. Mas ele queria manter nosso relacionamento escondido por algum motivo que ele não sabia me explicar direito.
Anita ficou algum tempo pensativa e sem saber exatamente o que dizer para a amiga. Aquela era uma situação difícil, mas alguma coisa teria que ser dita, mesmo que não fosse o que Nathie gostaria de ouvir.
— Desculpe-me pela sinceridade, mas se ele sequer se despediu de você quando partiu, quer dizer que não se importava com você tanto assim.
Os olhos da garota de cabelos cacheados começaram a ficar marejados, mas ela fez um grande esforço para que eles não transbordassem. Em sua concepção, Karion não merecia sequer suas lágrimas.
— E pensa que eu não sei disso? Ele só gostava era do meu corpo. Eu é que fui uma tola e achei que o que eu sentia por ele poderia ser correspondido. Mas não se preocupe comigo, Anita, eu vou superar isso e esquecer aquele sujeito. Vou mesmo.
Um momento de silêncio constrangedor pairou no ar até que Anita resolveu quebrá-lo.
— Tenho novidades para você que talvez te deixe mais animada. Nossa equipe vai mudar. Tudo ideia da Aghata.
— Mudar? Como?
— A Aghata fez uma proposta para a Thays agora há pouco e ela aceitou vir para a nossa equipe.
Nathie pensou por um tempo o que aquilo significava. Sentiu-se até meio idiota por não ter reparado em um fato tão comum até então.
— Mas as equipes são de apenas três pessoas.
— Exatamente. E é por isso que a partir de amanhã você estará liderando a equipe que era da Thays.
Aquela novidade sim surpreendeu a maga.
— Então a Aghata acha que sou capaz de liderar? – observou, um pouco mais animada.
— Sim. Ela disse que será uma boa experiência para você e que você já está pronta para ela. Além disso, ela irá preparar a Thays e eu para o próximo exame para mestres que vai ocorrer daqui a algumas luas.
— Gostei disso! Minha própria equipe. Temos que beber para comemorar. Vamos lá!
Um pouco mais empolgada, Nathie pegou o pulso de Anita e quase a arrastou para a mesa de bebidas.
* * *
Um pouco afastadas da maioria das pessoas encontrava-se uma mesa. Tal mesa continha um pouco de comida e um jarro de vinho. Além disso, duas belas mulheres conversavam alheias à música e agitação que movia o ambiente.
— Acho que você está meio chateada com a situação, não é, Thays?
— Sabe, Aghata, eu já sabia que isso ia acontecer. O Kayan ama a Sarah de verdade e aquela tonta sente o mesmo por ele. Estava na cara que isso ia acontecer assim que eles ficassem sozinhos. Mesmo assim, ver os dois assim juntos não é muito legal.
— Entendo o que você quer dizer.
Num momento de silêncio entre as duas, Aghata não conseguiu evitar em olhar para Spaak, que segurava um corno de bebida em sua mão direita enquanto conversava de maneira séria com o granmestre Aikos Fixue e o mestre de elite Ashtar Asford. Ela desviou o olhar assim que ele percebeu que era observado e encarou-a de volta, com um olhar um tanto quanto constrangido.
— O que houve, Aghata?
— Vou confessar que também não estou muito feliz, Thays.
A mestra parou de falar para tomar um gole de seu vinho e dedicar mais um olhar para Spaak, desta vez bem mais discretamente.
— Eu já sabia que o Spaak evitava se envolver demais com uma única mulher, mas ainda assim eu me deixei levar.
— Você e o Spaak estavam namorando?
— Não exatamente. Mas estávamos juntos, sim – um pouco mais de vinho. – Mas ele tem me evitado ultimamente. Acho que o que tínhamos acabou. E eu que estava certa de que ele também sentia algo por mim.
— E aqui estamos nós. Duas desiludidas.
— Mas não vamos deixar um relacionamento que não deu certo nos desanimar – disse Aghata ao se levantar. – Vamos lá com a Anita e a Nathie beber mais um pouco.
— Tudo bem – forçou-se a ficar em pé. – E depois vamos contar para o Fedrick e para a Ellien a novidade sobre nossas equipes.
* * *
Sarah servia-se de empada de lampreia enquanto conversava com Fedrick e Ellien. O casal, não parecia estar com fome, mas mantinham um corno de vinho sempre à mão.
— Então você e Kayan finalmente estão namorando – afirmou Ellien. – Acho que a Thays não vai ficar nada feliz com isso.
— Ela não pode dizer que não sabia que isso podia acontecer, não é?
— Exato, Fedrick. Além disso, o Kayan deixou bem claro que não sentia por ela o mesmo que ele sente por mim, então acho que ela não tem mais nenhuma esperança de ficar com ele.
— Certo – disse Ellien. – De certa forma isso é bom para ela. E para você também, por que você sabe que ela não vai tentar reconquistar o Kayan.
Sarah pausou seu garfo por um instante e encarou a amiga como se ela tivesse lhe dito algo realmente assustador.
— Ah não, Sarah, não me venha com esse olhar. Eu conheço a Thays muito bem e sei que ela não faria isso.
Um pouco mais calma e após pensar um pouco mais no assunto, Sarah acabou por concordar.
— Apesar de ela e eu não nos darmos muito bem, acho que concordo com você, afinal.
— Agora chega desse assunto e vamos falar um pouco sobre o que aconteceu nessa guerra. Aposto que o Spaak e o Kayan se destacaram muito contra esses povos bárbaros.
— Você está certo, Fedrick. Mas o Kayan nem se destacou tanto assim. O que mais me chamou a atenção foi quando o granmestre Radamanthys apareceu com os reforços. Eu nem acreditei na quantidade de poder que ele possui.
— Meu pai já me falou do quanto ele é poderoso. O granmestre Sakuro também é muito forte e não fica muito atrás. Mas, para ser sincera, não queria ver todo esse poder em ação não, porque isso ia significar uma situação de perigo de verdade – acrescentou Ellien
— Ellien, a Thays já está ali há algum tempo, acho que ela quer falar com você pelo jeito que olha para cá de vez em quando – avisou-lhe Fedrick
— Então acho melhor eu sair daqui. Vou ali com o Kayan.
Sarah deixou o casal de amigos onde estavam e caminhou pelo salão até encontrar o Atreius, que ainda estava conversando com Mathen. Assim que se aproximou do rapaz ele apressou-se em abraça-la.
— Agora que você já conversou com a Ellien, fique conosco. O Mathen sentiu sua falta também.
— Olá, Sarah, bem vindo de volta! Então vocês finalmente estão juntos?
— Sim! – respondeu enquanto olhava para Kayan e sorria. – Ainda bem que o Kayan não desistiu de mim.
— Ele me contou a história. Vocês dois. Numa caverna fria e isolada. Será que foi só um beijo mesmo que aconteceu ali?
O comentário do Muscort fez com que a garota corasse violentamente. Iria responder, mas sabia que o amigo não iria parar de lhe provocar se assim o fizesse. Sua sorte foi que, naquele momento, Spaak aproximou-se do grupo para mudarem de assunto.
* * *
O crepúsculo se aproximava no terceiro dia após o retorno dos magos que combateram os povos bárbaros ao castelo de Drugstrein. A Cyren encontrava-se sobre uma das muitas sacadas que adornavam as torres do enorme castelo. A brisa suave agitava seus cabelos azulados, que ela havia cortado até a altura dos ombros, mudando, assim, seu visual.
Lá de cima ela observava o pátio do castelo sem demonstrar grande interesse quando ouviu uma voz atrás dela. Ela sabia muito bem de quem era aquela voz e isso a surpreendeu um pouco. Demorou-se um pouco antes de se virar apenas para esconder sua expressão facial.
— Olá, Kayan, não esperava que você me encontrasse aqui.
— Pois é. Parece até que você está me evitando – disse o mago negro ao se aproximar para ver o mesmo que ela observava.
— Ela tem se esforçado bastante nos feitiços da esfera do fogo – respondeu ela, observando a garota treinando nos campos do castelo. – Acho que faz isso apenas motivada por você.
— A Sarah tem se esforçado muito desde que tivemos que enfrentar os povos bárbaros. Ela não quer mais ter que ser protegida o tempo todo e servir apenas como suporte para a equipe.
Respondeu para a amiga, mas voltou ao assunto anterior rapidamente.
— Como você está, Thays?
— Estou bem – mentiu.
— E você pensa que me engana? Eu já percebi que você está meio chateada.
Ela pensou um pouco em suas palavras antes de responder. Nesse meio tempo, permaneceu olhando para o pátio do castelo enquanto cruzava um braço sobre o outro de maneira que suas mãos se apoiassem em seus cotovelos.
— Você tem certa razão, Kayan, mas eu já sabia que cedo ou tarde isso iria acontecer. Eu fui uma tola ao deixar-me envolver com você pensando que seus sentimentos pela Sarah poderiam mudar.
— Não penso assim. Acho que você tentou lutar por aquilo que você desejava – fez uma pausa enquanto deixava a garota pensar sobre aquilo. – Você se arrepende?
— O pior é que eu não me arrependo nem um pouco, Kayan – criou corajem e se virou para encará-lo direto nos olhos. – Mas eu sei que você a ama e ela sente o mesmo por você. Talvez o sentimento dela seja até mais forte que o meu devido ao tempo e as coisas que vocês dois já passaram juntos. Eu vou mudar, Kayan. Vou me concentrar em outras coisas e enterrar esse sentimento que tenho por você.
— Vai ser o melhor para você – fez mais uma pausa antes de perguntar o que realmente queria saber. – Você quer que eu me afaste? – Antes que ela respondesse, porém, ele continuou. – Você ainda continua sendo uma boa amiga para mim e eu não queria que nos afastássemos, mas vou entender se for o que você preferir.
A garota virou-se novamente, pensativa. Ela não observava mais o solo e sim as primeiras estrelas que começavam a surgir timidamente no céu.
— Não quero que se afaste – disse ao se virar novamente. – Se você fizer isso, vou ficar todo o tempo me lembrando daquele Kayan que você era enquanto estávamos juntos. Não. Eu prefiro continuar te vendo e continuar a falar com você, assim posso perceber que você é uma outra pessoa. Espero que você tenha entendido o que eu quis dizer.
— Acho que sim, mais ou menos. Espero que você encontre alguém que também te faça feliz, Thays.
Kayan caminhou em direção à saída, mas antes de se afastar virou-se novamente para algumas últimas palavras.
— Seu novo corte de cabelo ficou muito bom, embora eu preferisse ele longo.
E saiu, deixando-a a para trás com um meio sorriso no rosto.
* * *
Início da manha em Drugstrein.
Kayan levantou-se preguiçosamente e lavou o rosto pouco antes de abrir a janela de seu quarto. Observou um dia limpo naquele inicio de outono e decidiu visitar a cidade de Bereth, uma vez que há tempos que não revia as amizades que mantinha antes de se tornar um mago de Drugstrein.
Procurou por uma calça simples e uma túnica de algodão. Não pretendia vestir seu uniforme de mago naquele dia. Por último, logo após calçar suas botas, arrumou um pouco os cabelos com o auxilio de um espelho de prata polida e deixou seus aposentos.
Dois andares abaixo na mesma torre ele bateu em uma das portas de madeira do corredor circular. Minutos mais tarde ela se abriu e uma Sarah sorridente surgiu por trás da porta. Ela utilizava um vestido leve, curto e bem revelador, o que impeliu Kayan para dentro do quarto enquanto fechava a porta.
Nenhuma palavra foi trocada antes que o rapaz abraçasse a Harppon enquanto a beijava. Enquanto o clima se aquecia ele a conduziu gentilmente até a cama, onde ela se deitou. Sem parar de beija-la, Kayan acariou a perna da garota, levando sua mão em direção à cintura de Sarah, levantando seu vestido no processo. Rapidamente a garota barrou as investidas do rapaz, segurando sua mão com a própria.
— Opa! Parece que alguém está bem animado hoje.
— Realmente. E não tinha como eu me sentir diferente depois de te ver vestida desse jeito.
— Vou começar a me trocar antes de te receber no meu quarto.
— Não! Não faça essa maldade.
O dialogo foi novamente interrompido por um beijo tão intenso quanto o anterior. Desta vez Kayan desceu seus lábios pelo rosto da garota até chegar em seu delicado pescoço, onde beijou de maneira suave e carinhosa. Suas mãos não ficaram quietas e tentaram novas investidas, que foram bloqueadas novamente.
— Kayan... ainda não...
Um pouco decepcionado, ele voltou a selar os lábios de Sarah antes de sair de cima dela e se deitar ao seu lado.
— Sarah... eu só queria me aproximar um pouco mais de você.
— Eu sei disso, Kayan, mas eu ainda não me sinto preparada para isso. Espere só mais um tempo.
O casal ficou em silêncio por um tempo até que Sarah virou-se para Kayan para beijá-lo novamente.
— Não fique chateado. Eu sei o que você quer e nós vamos ter essa intimidade. Mas eu nunca estive assim tão próxima de alguém como estou de você e não quero apressar as coisas.
— Acho que vou ter que esperar o seu tempo, não é mesmo? Só espero que ele não seja muito longo.
— Sabia que você ia me entender.
Um novo beijo para encerrar de vez aquela conversa.
— Mudando de assunto. Eu pretendia ir para Bereth hoje. Quer ir comigo?
— Claro! Você me levou para lá apenas uma vez. E ainda éramos apenas amigos naquela ocasião. Quero saber como as pessoas daquela cidade irão reagir ao nosso relacionamento.
— Então espero você se trocar e nós já vamos.
Apesar das claras intenções de Kayan permanecer nos aposentos de Sarah enquanto ela se trocava, ele foi expulso do quarto da garota. Minutos mais tarde eles cavalgavam em direção à pequena cidade onde Kayan havia nascido.
Bereth, no entanto, não estava movimentada como deveria estar naquele horário da manhã. Fato que Kayan achou muito estranho.
— Tem algo muito estranho aqui, Sarah. Os comércios estão todos fechados.
— Mas as pessoas estão em suas casas. Posso ouvir algum barulho vindo de algumas delas.
Instintivamente a garota expandiu sua aura para identificar qualquer vestígio de magia no ambiente. Rapidamente o encontrou.
— Kayan, existem seis auras mais fracas aqui e uma mais poderosa vindo do pequeno castelo dos Beren.
O mago negro desmontou seu cavalo e foi imitado pela namorada. Caminhou em direção as auras que ela havia lhe indicado.
— Vamos descobrir o que esta acontecendo aqui.
Conforme iam avançando, percebiam que os habitantes da cidade estavam todos escondidos, possivelmente por causa daquelas misteriosas auras que podiam ser sentidas na cidade.
Não demorou muito para que eles percebessem o que estava aterrorizando a cidade. Altos e esguios, com o corpo coberto em pelos e roupas rústicas de couro, seis gnolls avançavam contra o casal de magos.
Sem perder tempo, Kayan conjurou uma labareda de fogo contra o mais avançado dos inimigos, já imaginando que eles se protegessem com uma barreira. Isso não aconteceu e o gnoll foi incinerado inesperadamente.
O motivo para isso era que os demais intencionavam uma poderosa investida, que veio através de potentes rajadas de chamas negras. Aquilo foi muito surpreendente para ambos os magos, que não hesitaram em se unir para conjurar uma barreira de energia que amparou completamente os feitiços adversários.
— Durhan crisis? Gnolls não eram capazes de conjurar apenas feitiços da esfera fogo e terra, Sarah?
— Teoricamente sim, por tudo o que estudei sobre criaturas. Acredito que os cristais negros nos cajados deles tenha algo a ver com isso.
— Depois pensamos nisso. Recue ao meu sinal. Avançarei entre as chamas negras e, assim que você estiver fora do alcance delas, conjure uma barreira de pedras na minha frente.
Sarah não fazia a menor ideia do que o rapaz pretendia com aquilo, mas confiava nas habilidades do Atreius e apenas concordou com um aceno de cabeça.
— Agora!
A barreira se desfez assim que Sarah se afastou e Kayan passou pelas chamas negras por uma brecha muito estreita. Enquanto Sarah conjurava a barreira de pedras, ela viu que Kayan criava uma lâmina negra com o giudecca. Em seguida, ele espalmou a mão esquerda e conjurou um crisis katris contra a barreira que Sarah havia criado.
A explosão fez com que uma grande quantidade de poeira enchesse o ar. Labaredas de chamas negras e raios negros foram vistos por Sarah, que estava de fora de toda a confusão. Quando a poeira baixou, ela viu que todos os cinco haviam sido dilacerados pela lâmina negra de Kayan.
— Muito estranho esses gnolls aqui, tão ao sul do continente. Será que isso tem a ver com a aura no castelo?
— Acho que sim, Kayan – respondeu-lhe Sarah ao se aproximar. – Quer perguntar algo para os aldeões?
— Não. Vamos até o castelo.
Eles caminharam por mais alguns minutos cientes de que quem quer que estivesse no castelo já havia sido alertado da presença do casal na cidade. E, de fato, a mulher de cabelos castanhos e roupas de couro coladas ao corpo os aguardava logo em frente a pequena muralha da fortificação.
— Seja bem-vindo, Kayan Atreius. Eu sou Sellene Rovkraz.
O sorriso meio insano da mulher indicava que aquilo não poderia significar boa coisa. Um medo súbito apoderou-se de Sarah enquanto Kayan exibia um semblante preocupado.
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