A Ordem de Drugstrein
62 Invasão - Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 061
Invasão (Parte 1)
Faltava menos de quinze dias para o exame para mestre e, enquanto a maioria dos magos treinava ou tentava conter sua ansiedade, Kayan aproveitava os dias de folga com sua namorada.
Ainda ofegante, Sarah girou seu corpo de cima do de Kayan e deitou-se ao seu lado. Sua perna sobre a dele, a mão direita fazendo um carinho em seu peito.
— O que é essa expressão de surpresa? – perguntou ela antes de lhe beijar.
— Onde é que você aprendeu essas coisas?
— Pedi umas dicas pra Nathie, só pra aumentar nossas opções. Espero que tenha gostado.
— Acho que você pode pedir mais dicas pra ela, porque eu gostei, e muito.
O casal havia voltado de sua viagem no dia anterior e não havia tido tempo para ficarem sozinhos até então. Sendo assim, naquele dia eles haviam resolvido aproveitar para fazerem coisas de casal.
— Eu estive pensando, Sarah, quando eu for um mestre ganharei novos aposentos na torre dos mestres.
— Sim, aposentos maiores, com um banheiro com uma grande banheira, lareira e todo o conforto que os mestres merecem.
— Mas eu vou ficar em uma torre do outro lado do castelo, então eu estive pensando... será que você não quer dividir esses novos aposentos comigo?
Sarah sorriu ao receber o convite e respondeu prontamente.
— Claro que eu quero. Assim vamos ficar sempre juntos. Só acho que se fizermos isso você nunca vai se casar comigo.
— Não é verdade. O Sakuro dividiu seus aposentos com a Katherine por anos e por fim se casaram com aquela grande festa.
A conversa do casal foi interrompida por batidas na porta e uma voz que chamava pela garota.
— Sarah, está aí?
O casal entreolhou-se surpreso. Kayan saiu da cama e vestiu seus calções enquanto Sarah puxava um cobertor para cobrir completamente sua nudez. O Atreius, então, abriu a porta.
— Ah! Kayan, então você esta com a Sarah, assim poupa o trabalho de ir até os seus aposentos.
Quem estava ali era um jovem mago que havia deixado de ser um aprendiz há pouco tempo. Tanto Kayan quanto Sarah o conheciam, mas não eram próximos. O Atreius iria perguntar o que ele desejava, mas o rapaz disse logo, sem rodeios.
— O castelo está cercado, vistam-se e sigam até o grande salão, o granmestre Grendolow está lá e outros mestres também.
A urgência podia ser percebida na voz do rapaz, e ele não esperou por respostas, apenas seguiu para os aposentos ao lado, avisar aos próximos magos.
— O que significa isso, Kayan? – perguntou-lhe Sarah, preocupada, enquanto ele procurava as peças de seu uniforme para se vestir.
— Ele disse que estamos cercados, você consegue sentir alguma aura?
— Não. As paredes de Drugstrein possuem encantamentos que impedem a leitura da aura. Preciso chegar ao topo de uma das torres ou em alguma área aberta.
— Tinha me esquecido disso. Vamos ter que descer até o grande salão para descobrirmos o que está acontecendo.
Kayan terminou de se vestir enquanto Sarah também levantava-se da cama e procurava por seu uniforme. Minutos mais tarde, o casal chegou ao grande salão, que já estava repleto de pessoas. O primeiro conhecido que Kayan viu foi seu mestre da esfera da destruição.
— Mestre Arthuro, o que esta acontecendo? – perguntou afobado.
— Um ataque surpresa por parte da Ordem de Zeneth.
— Mas eles deviam ser nossos aliados! – exclamou Sarah, surpresa.
— A Ordem de Drugstrein foi fundada há mais de dois mil anos por três famílias de magos, os Drugstrein, os Atreius e os Zeneth. Entretanto, trezentos anos mais tarde, houve um desentendimento entre os Zeneth e os Drugstrein e uma nova ordem foi fundada. Hoje em dia não existem mais Drugstrein ou Zeneth, mas a rivalidade entre ambas as ordens perdura até agora.
Kayan explicou brevemente o que se recordada das aulas de história de Wesmeroth.
— Exatamente como Kayan explicou – concordou Arthuro antes de detalhar os fatos para o casal. – Assim que caiu a noite, o granmestre da Ordem de Zeneth Mikael Kolluvan III liderou um ataque surpresa ao nosso castelo. Nossos vigias alertaram os magos que estavam na taverna que se apressaram para formar uma resistência enquanto o granmestre Grendolow planejava nosso contra ataque. Atualmente três dezenas de nossos magos e mestres mantêm uma barreira contra os primeiros ataques, mas eles não suportarão por muito tempo.
— Não podia ser em pior hora – exasperou-se Kayan. – Três de nossos granmestres e cinco dos mestres de elite estão fora do castelo.
— Além disso, dois terços de nossos magos estão em missão – completou Arthuro. – Parece que eles sabiam exatamente quando atacar.
— Atenção, não podemos esperar mais – pronunciou-se o granmestre Grendolow em sua voz grave e imponente. – Teremos que ataca-los de frente, não há tempo para uma estratégia mais elaborada. Conforme os demais magos forem acordados receberemos reforços aos poucos.
Após o comando, todos saíram do grande salão e atravessaram o pátio do castelo. Sarah pode sentir a enorme quantidade de auras que estavam atacando. Havia mais de trezentos inimigos ali fora. Assustada, ela apertou a mão de Kayan com força.
— Não se preocupe, Sarah, eu vou te proteger.
Tudo o que a garota pode fazer era concordar com o namorado. Estava com um mau pressentimento sobre aquilo. Ela tinha o namorado ao seu lado, um dos magos mais poderosos de Drugstrein, mas muitos de seus amigos não teriam tal apoio. Mais do que por sua segurança, Sarah temia ter que conviver com a dor de perder um de seus entes queridos mais uma vez.
Grendolow assumiu a liderança da investida e, quando os magos que suportavam a barreira afastaram-se para repousar após o grande esforço, ele conjurou um poderoso crisis katris que dividiu os inimigos e deu-lhes uma trégua em seus ataques.
Kayan pode ver quando o granmestre de cabelos brancos e barba muito bem aparada encarou o homem de cabelos negros e longos a sua frente. Apesar disso, o jovem mago não poderia prever qual dos dois granmestres sairia vitorioso daquele embate.
* * *
Nathie, Fedrick e Ellien foram uma das poucas equipes que conseguiu se manter unida quando todo aquele alvoroço teve início. Eles haviam voltado de uma missão naquele mesmo dia e encontravam-se na taverna quando foi dado o sinal do ataque.
Quando o conflito teve seu início real eles foram atacados por dois magos de Zeneth. A Durgan tinha plena ciência de suas capacidades como maga em um duelo, mas temia pela vida do casal, que não podiam ser considerados magos de grande poder.
— Enfrentem a moça de cabelos brancos. Eu fico com o cara musculoso – comandou ela enquanto preparava um golem de pedra e terra para testar as capacidades de seu adversário.
O mago alto e musculoso exibia-se enquanto retirava sua túnica para o combate, ficando apenas com os calções. Quando o golem avançou contra ele, o mago envolveu o punho direito em chamas e esmurrou-o, causando uma grande explosão. O constructo foi destruído no processo.
— Eu não queria ter que enfrentar uma garotinha, mas guerra é guerra – afirmou ele em meio a um sorriso prepotente.
— É machão? Então venha ser derrotado pela garotinha aqui.
Desafiado, o mago avançou com os punhos em chama. Nathie não esboçou reação alguma até que ele estivesse muito próximo dela. No momento em que ele atacou, a Durgan utilizou sua agilidade ampliada pela aura para se esquivar e, aproveitando a abertura, conjurou uma lâmina de vento diretamente contra o abdômen do adversário.
Apesar da aura que o protegia, um largo corte sangrou em seu corpo. Irritado, ele avançou novamente numa tentativa de derruba-la de uma vez por todas.
Daquela vez Nathie não esperou e manipulou a terra do ambiente para formar uma grande onda contra seu oponente, que esquivou-se habilmente e continuou com a investida desenfreada.
Apoiando a mão esquerda no ombro do adversário quando o mesmo atacou, Nathie saltou sobre ele em uma acrobacia ao mesmo tempo em que conjurava uma grande coluna de rocha atrás do inimigo. Ela ainda girava no ar quando o homem foi atingido nas costas e arremessado para o alto, perdendo a consciência assim que caiu no chão.
Em seguida ela pensou em ajudar seus companheiros de equipe, que estavam com certa dificuldade, mas aquilo não foi necessário porque Spaak havia acabado de passar por ali e derrubado a maga inimiga com um simples feitiço.
Foi naquele momento que algo lhe chamou a atenção. Não muito longe dali, um mestre de Zeneth enfrentava uma equipe de três magos. O rapaz tinha os cabelos castanhos e longos e sob seus olhos havia duas pequenas e características tatuagens. Seu sobretudo verde escuro se agitava a cada movimento que fazia para lançar um feitiço. Ela conhecia muito bem aquele rapaz.
— Ellien, estamos com poucos magos para suporte. Acho melhor você recuar até mais próximo do castelo e dar suporte aos feridos. Fedrick, leve-a em segurança.
O casal aceitou a decisão de sua líder de equipe e fez como ela lhes disse para fazer. Nathie, por sua vez, correu até onde viu aquele rapaz derrubar os três magos com certa facilidade.
— Karion! Por que você está fazendo isso? – questionou ela, a aflição de tê-lo como inimigo apertando-lhe o coração.
— Veja só se não é minha antiga amante. Vai ser uma pena machucar esse corpo tão bonito que você tem.
Um sádico sorriso curvou os lábios do Wigg enquanto ele falava. Com os olhos marejados, Nathie questionou-o novamente.
— Por que você nos abandonou? Por que se uniu à Ordem de Zeneth?
— Você sabe qual é a minha ambição, não é? Eu quero tornar a família Wigg grande e prestigiosa novamente. Para isso, achei melhor me unir a uma ordem com os mesmos ideais. Além disso, preciso de uma boa consorte para gerar herdeiros poderosos.
— Agora entendo... – concluiu com pesar. – Você não considera uma Durgan a sua altura. É por isso que nunca quis assumir nosso relacionamento. Eu não passava de um brinquedo para você.
Karion não respondeu-lhe com palavras e, sim, com um sorriso cheio de maldade.
— E agora você acha que pode me enfrentar sozinha?
— Mas ela não estará sozinha. Faz tempo que queria uma revanche contra você.
Nathie pode sentir a poderosa aura sendo emanada de Thays. A garota parecia determinada e se alguém pudesse ajudá-la desejava que fosse aquela garota.
— Vocês duas contra mim. Isso será interessante.
Nenhuma outra palavra foi proferida. Ao invés disso, Thays conjurou uma poderosa labareda de chamas que tomou a forma da cabeça de um dragão. Um combate de grande proporção estava para se iniciar.
* * *
Spaak havia percorrido uma boa extensão do campo de batalha tentando ajudar os magos menos poderosos de sua ordem. Até aquele momento ele já havia derrubado quatro inimigos, livrando alguns dos seus de grande perigo. Apesar disso, naquele momento ele próprio enfrentava um grande desafio.
O homem de meia idade possuía os cabelos cinzentos penteados para trás, seu sobretudo marrom com a bainha prateada indicava-o como um mestre de elite dentro da Ordem de Zeneth. Spaak conhecia muito bem aquele homem. Era Kibaou Durch, membro de uma poderosa família de magos e candidato a um futuro granmestre.
— Pensei que você também fosse um mestre de elite, Spaak.
— Abdiquei de meu cargo por motivos pessoais. É uma pena que tenhamos que nos encontrar em lado opostos do campo de batalha.
— Realmente, mas não há nada que possa ser feito a este respeito.
Sem mais dialogo, o homem conjurou uma potente rajada de água contra Spaak, que viu-se obrigado a uma esquiva, uma vez que não havia tempo para barreiras. Aquele ataque mal havia passado e muitos outros foram lançados contra ele.
A desvantagem era grande pra Spaak. Ele era da esfera do fogo e enfrentar um inimigo tão poderoso da esfera da água não seria nada fácil.
O mestre de cabelos rubros concentrou-se enquanto se esquivava das diversas investidas até conseguir conjurar uma barreira para bloquear as ofensivas. O jato de água era tão forte que ele foi arrastado alguns metros para trás enquanto continha-o. Seu contra-ataque veio na forma de uma onda de terra que se dirigiu contra o inimigo com grande velocidade.
Kibaou saltou, impulsionado por sua aura, e evitou completamente o ataque do adversário. Em pleno ar ele conjurou um poderoso tangrea, que foi evitado por uma barreira de rocha. Assim que se defendeu, Spaak conjurou um crisis katris contra seu oponente. A explosão de fogo continha todo o poder que Spaak poderia utilizar, mas seu oponente conseguiu evitá-la com uma barreira.
Apesar da defesa evitar que fosse ferido, o Durch foi lançado para trás com a força da explosão, quando atingiu o solo, em pé, percebeu que Spaak avançava em sua direção. O mestre havia conjurado seu crisis char e as correntes flamejantes haviam sido lançadas com velocidade.
Sem muito tempo para reagir, Kibaou foi atingido no ombro esquerdo e, mesmo com sua aura o protegendo, teve um corte bastante severo. Spaak não pretendia dar nenhuma trégua e continuou seu ataque. Seu inimigo, porém, era habilidoso e conseguia evitar suas investidas com maestria.
O Firyn atacava sem parar, temendo que se perdesse aquela ofensiva não poderia mais derrotar aquele poderoso oponente. Experiente como ele era, também prestava atenção ao seu redor e foi graças a isso que conseguiu saltar para trás pouco antes de uma enorme coluna de gelo surgir de onde ele estava.
— Esperto, conseguiu perceber minha artimanha, mas agora perdeu sua ofensiva.
Com aquelas palavras, Kibaou conjurou mais um poderoso jato d’água. Ainda em movimento após se esquivar do último ataque, Spaak apenas pode tentar defender-se com suas correntes, que foram sumariamente destruídas pelo poder do adversário.
O corpo de Spaak foi atingido em cheio pela água, que possuía força suficiente para derrubar uma parede de pedras. A aura de Spaak conseguiu suprimir boa parte do dano, mas assim mesmo ele foi lançado para trás e caiu no chão.
Quando tentava se levantar, viu que mais um poderoso jato d’água vinha em sua direção para esmaga-lo contra o chão. O ataque nunca chegou a atingi-lo, pois uma poderosa corrente elétrica passou ao seu lado e interceptou a água, sendo conduzida diretamente contra o conjurador, que viu-se obrigado a encerrar o feitiço e saltar para trás.
— Parece que desta vez sou eu quem vai salvar a sua pele, Spaak.
Aghata estendia uma mão ao seu lado, ajudando-o a se levantar. O mestre sabia que não poderia derrotar aquele adversário sozinho e sorriu para a moça. Ele estava feliz em lutar ao lado dela mais uma vez. Na verdade ao vê-la na sua frente daquele jeito ele sentiu uma enorme vontade de abraça-la e beija-la, tê-la para si naquele mesmo local, mas forçou sua mente a afastar aqueles pensamentos e concentrar-se na luta que teriam que enfrentar.
— Dois mestres contra um não me parece justo, mas acho que minha ordem vai ter que lidar com a desvantagem numérica aqui, não é mesmo?
Após estas palavras, Kibaou Durch avançou para mais um ataque.
* * *
A batalha entre Mikael Kolluvan e Grendolow Maxwel estava sendo intensa. Kayan podia presenciar a mesma de perto, uma vez que ele e Sarah encontravam-se ali perto, enfrentando um dos mestres da Ordem de Zeneth.
Grendolow possuía maestria na esfera da magia branca e do fogo e, para aquele combate, ele utilizava todo o seu arsenal de magia do fogo. Mikael, por sua vez, afastava suas ofensivas com seus feitiços de vento.
Cada novo feitiço uma explosão de fogo surgia, enegrecendo o terreno e mantendo todos os demais combatentes afastados daquele duelo isolado. Para quem observasse, parecia que o granmestre de Drugstrein estava pressionando cada vez mais seu adversário. Sarah, que podia muito bem ler a aura dos dois sabia que essa não era bem a realidade.
Mikael era um mago experiente e sabia que a idade avançada cobrava seu preço em seu oponente. O que ele fazia era se defender enquanto esgotava as forças de Grendolow.
O granmestre de Drugstrein também sabia disso, mas não havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso exceto dar tudo de si para derrubar seu oponente antes de se esgotar.
Tudo mudou quando o Kolluvan saltou após uma grande explosão e Grendolow percebeu uma abertura em sua defesa. O feitiço utilizado não foi simples chama e sim algo de alto nível chamado crisis raryn. Um raio de energia avermelhado surgiu da mão do granmestre e atingiu a lateral do tórax do seu oponente. O raio de energia superaquecido poderia incinerar qualquer objeto ou ser vivo, mas a poderosa aura de Mikael garantiu que ele apenas sofresse severas queimaduras.
Furioso, Mikael saiu da defensiva e, ainda em pleno ar, conjurou uma lâmina de vendo que causou uma comoção de ar tão grande que até quem estava a mais de trinta metros do local pode sentir.
Grendolow defendeu-se com uma barreira e tudo parecia que acabaria bem para o velho mago, mas uma linha vermelha pode ser vista por entre suas roupas em uma diagonal em seu corpo, indicando que ele havia sido cortado e sangrava.
Novas lâminas de vento foram lançadas a uma incrível velocidade, porém, com intensidade um pouco menores. Estas eram defendidas com perfeição pelo Maxwel, que sentia-se cada vez mais pressionado.
Percebendo que não venceria daquela maneira, Grendolow deixou sua defesa de lado, tendo seu ombro esquerdo dilacerado por uma lâmina de vento. Utilizou esse tempo para conjurar mais um crisis raryn que poderia por um fim àquele duelo.
Mikael sorriu quando conseguiu utilizar um escudo de energia para amparar o raio de energia superaquecida. Assim que bloqueou o feitiço ele pode manipular sua aura e desviar o curso do raio para passar ao seu lado. Ao mesmo tempo em que se defendia, Mikael conjurou um tangrea com sua mão direita. O feitiço atingiu Grendolow em cheio e, assim que o fez, o Kolluvan uniu sua mão esquerda à direita para enviar mais aura para o feitiço. Uma careta de dor apareceu em seu rosto quando o ferimento anterior cobrou seu preço.
Arremessado para trás com o poder do feitiço adversário, Grendolow perdeu a consciência lentamente enquanto Mikael gargalhava com sua vitória.
— Isso não é nada bom – sussurrou Sarah sabendo o que aquilo significava.
Kayan, por sua vez, não teve tempo de pensar naquilo. Ele lutava ativamente enquanto Sarah apenas lhe dava algum suporte. Apesar de estar enfrentando um mestre, a vantagem do Atreius era visível.
A garota podia perceber que a batalha estava empatada, mas com um granmestre de vantagem as coisas poderiam virar para o lado de Zeneth. Foi um alivio para ela ver que Arthuro havia se adiantado em tomar o lugar de Grendolow para enfrentar Mikael.
— Kayan, vou tentar ajudar o granmestre.
Ela tomou sua decisão ao ver que era apenas uma questão de tempo até que o namorado vencesse aquele duelo.
— Tome cuidado.
Ele não tentou impedi-la. Devido à batalha entre os dois granmestres o local estava relativamente vazio em termos de inimigos e, se alguém tentasse chegar até Sarah, Kayan sabia que poderia chegar até ela antes.
A garota verificou o estado do granmestre. Ele estava muito ferido, mas fora de perigo de vida. Ela utilizou um ressin para curá-lo. Sarah sabia que ele provavelmente não se levantaria antes do final do combate, mas queria curá-lo do mesmo jeito.
O duelo entre Arthuro e Mikael teve um ritmo diferente do anterior. Como o mestre de elite utilizava a esfera da destruição, seu poder ofensivo era tão grande quanto o do granmestre. Por isso, Mikael não manteve uma postura defensiva e poucas vezes Arthuro teve a oportunidade de realmente atacar, vendo-se obrigado a se defender das ofensivas do adversário.
— Sarah, você já curou os ferimentos mais graves do granmestre Grendolow. Vou substituir o Arthuro para que você o cure.
Kayan havia derrubado seu adversário e já estava pronto para o próximo combate.
— Kayan, não! Você não pode enfrentar um granmestre.
— Não vou enfrenta-lo sozinho, por isso você precisa curar o Arthuro. Juntos eu sei que podemos vencer esse combate.
— Tome cuidado.
Sarah não tentou impedi-lo. Sabia que não conseguiria dissuadi-lo daquilo e, além disso, ela sabia que ele poderia suportar alguns segundos de combate enquanto ela curava o mestre. O rapaz deu um beijo rápido na namorada antes de avançar para o combate.
— Mestre Arthuro, recue até a Sarah, eu mantenho o Mikael ocupado.
Confiando na habilidade do discípulo, o Magnum recuou até a maga branca. Ele sabia que o corte que havia recebido o debilitaria e ele precisava estar em sua melhor forma se quisesse ter alguma chance de vencer contra um granmestre.
— Um reles mago contra mim? Por acaso é algum tipo de piada, garoto?
— Se bem me lembro, consegui te ferir em meu exame para mestre há um ano.
— Pura sorte.
Apesar das palavras do granmestre, ele se lembrava muito bem e não poupou esforços para derrubar Kayan com suas lâminas de vento.
Ciente de que escudos de energia não seriam tão eficientes diante de tanto poder ofensivo, Kayan concentrou toda sua aura em seu corpo para se esquivar dos ataques.
Ele sabia que o granmestre já havia sido ferido por Grendolow e havia também um sinal em seu braço de que um durhan tangrea o havia castigado um pouco. Se eles não podiam bater de frente com tamanho poder, poderiam drenar as forças do oponente aos pouco enquanto revezavam para atacá-lo.
Apesar de se manter na defensiva, Kayan pensava em uma maneira de deixar sua própria marca no adversário, para contribuir com sua derrota. E suas tentativas eram com uma labareda de fogo sempre que encontrava alguma oportunidade.
Não faltou esforço por parte de Kayan, mas após algum tempo de combate ele não havia conseguido nenhum sucesso. Foi quando Arthuro voltou para a disputa e o jovem Atreius recuou até onde estava Sarah.
— Você esta todo cortado e sangrando, Kayan.
— O maldito é forte e rápido. Não consegui sair ileso de seus feitiços por mais que eu estivesse concentrado apenas nisso.
— Fique parado que vou te curar pra você voltar a ajudar o Arthuro.
Sarah conjurou um ressin sobre Kayan e os cortes mais profundos começaram a se fechar rapidamente. Foi quando tudo aconteceu. Rápido demais. Imprevisível demais.
Um raio elétrico avançou contra Sarah em uma velocidade avassaladora. Quando o casal percebeu já era tarde demais para qualquer reação e a garota foi atingida de frente pelo poderoso feitiço, sendo arremessada para trás em grande velocidade.
— Sarah!
Sem pensar duas vezes, Kayan saltou atrás dela com toda a força que sua aura conseguiu lhe imprimir. Estaria completamente vulnerável a um ataque caso Arthuro não avançasse contra Mikael com seu giudecca.
Kayan conseguiu amparar a queda de sua namorada, segurando-a. Ele abaixou-se e apoiou-a em seus braços. Todo o corpo da garota tremia e alguns resquícios da energia elétrica ainda surgiam eventualmente. Ela não estava ferida, exceto pelos dedos das mãos e provavelmente de seus pés que estavam queimados, pois o dano real era em seus órgãos internos.
Ele precisava de um mago branco, mas não havia nenhum por perto. Kayan sentia-se impotente ao ver a mulher que amava naquele estado e não ser capaz de conjurar um simples ressin para curá-la.
— Você vai ficar bem Sarah. Vou te levar para um mago branco.
— Ka... Kayan... me desculpe. Eu... eu te amo.
Aquelas foram as palavras que a garota proferiu com grande dificuldade enquanto seus olhos se fechavam lentamente. Tentou levar sua mão direita até o rosto do namorado, mas ela caiu sobre seu corpo, já sem forças.
— Eu também te amo, Sarah – respondeu-lhe Kayan em meio ao desespero. – Não me deixe, Sarah, por favor...
Ele não queria admitir. Não queria acreditar naquilo. Mas o que ele via e sentia não podia ser negado. Kayan abraçou o corpo daquela garota com ternura e pesar. Abraçou o corpo da mulher que amava enquanto se agarrava às suas últimas e vãs esperanças.
— SARAH!
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