Notas iniciais
Devo admitir que nunca fui de escrever one-shots, mas acho que vou abrir uma exceção desta vez. Pretendo com "A Odisséia dos Universos" te apresentar mais do que uma história de ficção científica. A fic traz consigo uma abordagem sobre os segredos do nosso universo e sobre a questão do existencialismo. Enfim, espero que gostem.

"All in all you're just another brick in the wall." — Pink Floyd

*

Meu nome é Walter Klovis, trabalho como pesquisador na estação espacial SkyThunder. Esse é meu diário particular. O ano é 2225. O ano terrestre, aliás. É impressionante ver a maneira como a humanidade evoluiu nos últimos séculos. Se é que podemos chamar os seres que vivem na Terra hoje de seres humanos. Atualmente, as pessoas preferem viver no mundo virtual, o que é algo fácil de entender, devido à liberdade que ele traz. No mundo virtual, você pode ser o que quiser, desde um simples camponês até um deus supremo onipotente. Talvez seja mais fácil para elas viver em um mundo onde você é o que quiser, do que viver numa realidade onde você deve ser o que te obrigam a ser. Mesmo assim, ainda existem pessoas que preferem viver na realidade física, por mais cruel, injusta ou feia que ela possa ser. Basicamente, a população universal está dividida em três "mundos":

Mundo 1: o mundo da realidade virtual, que eu acabei de explicar.

Mundo 2: o mundo fisico-terrestre, onde vivem os pouco mais de 2 bilhões de pessoas que preferem viver suas vidas tal qual as pessoas do século XXI viviam. Se bem que com a tecnologia atual, o mundo real é apenas uma realidade virtual ainda não atualizada.

Mundo 3: e existe o terceiro mundo, que chamamos de mundo cósmico, aquele fora da Terra, onde ficam as colônias espaciais. O terceiro mundo é onde vivem os humanos que escolheram viver em outro planeta. Iniciamos com a chegada do homem à Lua em 1969, depois com as missões em Marte no meio do século XXI, até construirmos mega estações especiais e finalmente, explorarmos outros planetas e conhecermos vida inteligente fora do nosso planeta azul.

Aos poucos fomos dando passos cada vez maiores na tecnologia.
Em 2001, a Apple lançou o iPod, dando início à uma nova linha de mídias portáteis. Em 2004, a SanDisk lançou o primeiro cartão SD que suportava 1GB de memória. Em 2008, cientistas japoneses conseguiram extrair imagens pensadas diretamente de um cérebro. Em 2011, o primeiro espaçoporto comercial foi inaugurado. Em 2018, a poliomielite foi erradicada. Em 2029, surgiram as inteligências artificiais semelhantes às dos humanos. Em 2035, foram criados hologramas realistas. Em 2040, o Dr. Bernard Griffin inaugurou a mega estação espacial Heavely Miracle, inclusive há boatos de que nessa época ele havia construído uma máquina do tempo; até o momento isso não foi confirmado. Em 2045, os primeiros seres humanos são mandados a um exoplaneta, é nesse período que ocorre nosso primeiro contato com vida extraterrestre inteligente. Em 2059, o petróleo é abandonado como forma de combustível; também nesse ano os primeiros humanos passaram a viver permanente em Marte. Em 2062, um ano após a volta do Cometa Halley, a nanotecnologia entrou para a indústria de consumo. Em 2073, já existiam mais de dez trilionários do mundo; Bernard Griffin foi o primeiro a arrecadar um trilhão de dólares. Em 2080, o primeiro elevador espacial tornou-se operacional; hoje em dia é algo que usamos diariamente. Em 2100, a inteligência artificial fundiu-se com a inteligência humana, ampliando-a. Em 2160, algumas pessoas já viviam duzentos anos. No início deste século, em 2200, já existiam humanos que passavam 168 horas por semana no mundo virtual. Em 2210, devido a diminuição da interferência humana no mundo real, graças às migrações para o mundo virtual, uma boa parte da Terra está sendo reflorestada; habitats naturais que haviam se extinguido estão voltando aos poucos.

E agora, tudo indica que estamos à beira de mais um evento que marcará para sempre a história da humanidade, da mesma forma que todos os outros citados anteriormente marcaram.

A SkyThunder tem como objetivo pesquisar sobre as formações cósmicas e vigiar o funcionamento das colônias terrestres nos outros planetas do Sistema Solar.

Recentemente, descobrimos que o ex-planeta Plutão estava se aproximando de Netuno. Segundo nossos cálculos, dentro de dois anos Plutão estaria mais próximo do Sol do que Netuno. Consequentemente, sua gravidade afetaria o planeta. Isso poderia influenciar na órbita dos satélites da colônia que existia por lá. Por isso, eu e meu colega Alan Mitchell ficamos encarregados de estudar o funcionamento dos satélites do local. Mas o nosso telescópio descobriu algo que nos intrigou ainda mais. Não era Plutão que estava interferindo, mas sim uma misteriosa estrela. E põe misteriosa nisso!

Em primeiro lugar, a estrela era um pouco menor do que o Sol, mas sua gravidade parecia ser cinco vezes superior ao nosso astro.

Segundo, a estrela não era quente, apesar de brilhar. Sua temperatura era de aproximadamente 65º C. Para você se nortear, a temperatura máxima que o planeta Terra chega é de menos de 60º C. Com certeza, uma estrela emitiria um calor bem maior do que apenas cinco graus a mais do que a temperatura da Terra.

Terceiro, nunca se constatou a presença daquela estrela por ali. O Sistema Solar já foi mapeado centenas de milhares de vezes. Sempre que havia alguma atualização nesse mapeamento, era algo ínfimo. Como que uma estrutura tão assombrosa como essa estrela passou despercebida tantas vezes?

E por último, o mais intrigante.

Analisando a velocidade de rotação de uma estrela, é possível deduzir um número exato, ou pelo menos bastante aproximado, da quantidade de anos de uma estrela. Em outras palavras, é possível adivinhar a idade de uma estrela.

Porém, segundo os cálculos, essa estrela teria aproximadamente 15,4 bilhões de anos. Pode ser um número inocente para um leigo, mas vale lembrar que o universo possui cerca de 13,8 bilhões de anos, de acordo com todas as pesquisas feitas até agora sobre a idade do universo. Há 13,8 bilhões de anos atrás, toda a matéria do universo se dispersou de um único ponto, e continua se afastando até hoje.

Então, essa estrela é mais velha do que o universo? Ela já existia antes do Big Bang? Como isso é possível?
É isso que eu e Alan estamos tentando descobrir. Refizemos os testes sobre a idade da estrela, tudo aponta para o mesmo número: 15,4 bilhões. 1,6 bilhão de anos a mais do que o universo. Teria essa estrela surgido 1 bilhão e 600 milhões de anos antes da explosão que deu origem ao universo?

Apresentei esse questionamento numa assembléia que realizamos na SkyThunder alguns dias depois da descoberta. Estavam presentes inúmeros cientistas. Entre eles, Evan Griffin, o bisneto do grande gênio Bernard Griffin.

— Isso é impossível! — um dos cientistas me refutou. — Não existia nada antes do Big Bang, nem mesmo o tempo. Como é possível que uma estrela tenha tal idade? Seus cálculos estão errados!

— Não estão. — Alan respondeu, levando os cálculos até o cientista.

Ele concorda que de fato, não havia nenhum equívoco no cálculo da idade da estrela.

— Não é apenas a idade dessa estrela que nos assombra. — continuei. — Todas as suas características peculiares vêm tirando nosso sono desde que a descobrimos. Além disso, de onde ela veio? Ela apareceu misteriosamente perto da nossa colônia em Netuno.

Evan Griffin levanta a mão.

— Ah, Dr. Griffin, pode falar.

— Quero uma reunião a sós com vocês, Sr. Klovis e Sr. Mitchell.

— É realmente necessário? — Alan perguntou.

— Extremamente necessário.

— Ok. — eu disse. — Todos, com exceção do Dr. Evan Griffin, estão dispensados.

Todos saíram. Ficamos apenas eu, Alan e Evan.

— O que queria nos dizer, Dr. Griffin? — Alan perguntou.

— Matéria escura. — disse, olhando para nós.

— O quê? — perguntei.

— Matéria escura. Isso explica a alta densidade da estrela.

A matéria escura é uma espécie de matéria que envolve quase todo o universo. Imagine um cookie, esses com pingos de chocolate que você encontra facilmente nos mercadinhos. Vamos usar o cookie para representar o universo. Imagine que o biscoito é matéria escura que nos envolve e que cada pingo de chocolate são as galáxias e estruturas cósmicas que vemos normalmente. Ou seja, a maior parte do universo está formada por essa matéria escura.
Porém, não podemos ver essa matéria, por isso ela recebe o nome de "escura". Também não podemos tocá-la, e ao que tudo indica, ela também não emite cheiro ou som. A única prova que temos de que ela existe é a sua gravidade. Se há matéria, há massa. Se há massa, há gravidade.

— O que quer insinuar, Dr. Griffin? — perguntei.

— Quero dizer que essa estrela possui uma espécie de "revestimento" de matéria escura ao seu redor. Isso explica o motivo de sua gravidade parecer muito grande para o seu tamanho.

— E quanto ao surgimento dela? Como explica essa estrela ter aparecido do nada?

— Boa pergunta, Walter. Vou te responder com outra pergunta: você já ouviu falar da quinta dimensão?

— Quinta dimensão? As três primeiras são altura, largura e profundidade. Acredito que esteja considerando o tempo como a quarta dimensão. Qual seria a quinta?

— O espaço e o tempo na sua totalidade. Talvez essa estrela seja um objeto da quinta dimensão. Talvez ela estivesse originalmente a milhões, talvez bilhões de anos-luz daqui. Mas por ser um objeto de cinco dimensões, espaço e tempo são coisas fúteis para ela.

— Está dizendo que essa estrela está acima das três dimensões de espaço e uma de tempo?

— Exatamente. Isso explica o possível revestimento de matéria escura em sua volta.

Comecei a entender o raciocínio de Evan. A matéria escura ainda é um mistério, porém alguns astrônomos já formularam algumas teorias sobre ela. Eles acreditam que a matéria escura é simplesmente matéria normal, mas que está localizada a milhões ou bilhões de anos-luz da nossa localização. Porém, de alguma forma, essa matéria está localizada na quinta dimensão. Eis o ponto chave. Para nós, seres de três dimensões, essa matéria deve estar à longas distâncias de onde estamos, mas do ponto de vista da quinta dimensão, ela estaria bem perto de nós.

— Ei, vocês dois! — Alan nos chamou a atenção. — Me expliquem melhor isso. Não estou entendendo esse papo de "dimensões".

— Vou tentar te explicar. — disse Evan, desenhando num quadro digital. — Imagine uma linha reta na horizontal, essa linha não pode, em nenhum momento, se inclinar para a vertical. Ela só pode ir para trás e para frente, em nenhum momento ela pode virar para a esquerda ou direita. Isso é um plano de uma dimensão.

— Agora, vamos traçar outras linhas de mesmo tamanho na vertical e depois ligá-las, formaremos um quadrado. Se colocarmos um ponto hipotético dentro desse quadrado, ele poderá ser mover em quatro direções: frente, trás, esquerda e direita, mas não pode ir para baixo ou para cima. Isso é um plano de duas dimensões. Agora, vamos colocar outro quadrado de mesmo tamanho paralelo a esse que já temos e ligaremos seus vértices. Formaremos um cubo. Se colocarmos o mesmo ponto hipotético nesse cubo, ele poderá se mover livremente para trás, para frente, para a esquerda, para a direita, como já fazia antes, mas agora, poderá também se mover para baixo e para cima, pois a noção de profundidade foi adicionada. Isso é um plano de três dimensões, o plano onde todos nós vivemos. Agora, mais uma vez, vamos elevar uma dimensão. Pegaremos esse cubo e o aumentaremos em outra direção. Não na horizontal, nem na vertical, nem na diagonal, numa direção reta entre essas três. Infelizmente, não posso mostrar essa direção, pois ela é quadridimensional, e nós somos seres tridimensionais. Mas, ao fazermos isso teremos essa forma geométrica.

Evan desenha o que aparenta ser um cubo dentro de outro cubo, com os vértices de ambos ligados.

— Isso é o que chamamos de tesseract. Na verdade, é uma representação em 3D de um tesseract. Um verdadeiro tesseract teria todos os ângulos em igual comprimento. Por estarmos em um plano de três dimensões, não podemos ver um tesseract de verdade. Mas perceba que ele possui cubos em seus lados, da mesma forma que um cubo possui quadrados em seus lados.

— Uau. — Alan disse, tentando assimilar tudo.

— Agora, veja bem. — Evan continuou. — Se imaginar uma quarta dimensão já é trabalho difícil. Imagine uma quinta dimensão.

Evan desenha no quadro digital uma outra figura geométrica. Era um tesseract dentro de outro tesseract com os vértices de ambos ligados.

— Isso é um cubo de cinco dimensões. Pode notar que existem tesseracts nos seus lados, da mesma forma que existem cubos nos lados de um tesseract e quadrados nos lados de um cubo.

— Se pudéssemos enxergar em cinco dimensões, poderíamos ver toda a história do universo, desde o Big Bang até o momento atual. — complementei.

— Então, se sua teoria estiver correta, essa estrela pode ser de grande importância para entender a origem e o funcionamento do universo. — Alan disse.

— De fato. — disse Evan. — Por isso, quero a ajuda de vocês. Precisamos mandar uma sonda robótica para analisar essa estrela. Não apenas poderemos descobrir segredos sobre a origem do universo, como também poderemos desvendar os grandes mistérios da matéria escura. E não se preocupem com dinheiro, eu financiarei essa pesquisa.

E foi assim que tudo começou.

*

No dia seguinte, mandamos uma sonda robótica em direção à estrela StrongAstro; este foi o nome que demos à ela.

A sonda robótica foi inventada pelo próprio Evan Griffin. Ela era controlada a partir de uma tecnologia wireless, guiada por nós da nossa própria base.

A sonda se dirige até a estrela. Acoplada à ela tinha uma câmera, que usávamos para ver em tempo real todo o trajeto.

A sonda está há poucos metros da StrongAstro. É possível notar a presença de um campo gravitacional ao redor da estrela. Evan aperta um botão e a sonda começa a fazer análises do local. Podíamos acompanhar os resultados na mesma tela que reproduzia as imagens da câmera. Os cálculos mostravam uma enorme força de atração, quase tão grande quanto a de um buraco negro. Porém, não havia nada que pudesse explicar tal força gravitacional; nada, além da presença de matéria escura naquele lugar.

— Vamos aproximar mais a sonda?.- perguntei.

— Isso é seguro? — Alan me retrucou.

— Para nós, sim. — Evan respondeu. — Para a sonda, talvez não.

Aproximamos a sonda ainda mais. De repente, a força gravitacional faz a sonda ser engolida pela estrela.

Nós três ficamos boquiabertos com tal acontecimento. A StrongAstro sugou nossa sonda como se fosse um buraco negro. Porém, com um efeito diferente. Um buraco negro teria transformado a sonda em um "espaguete" e a engoliria em forma espiral aos poucos. A estrela, por sua vez, simplesmente a puxou para dentro de uma vez.

A tela mostrou apenas uma tela branca por alguns longos minutos. Foi quando vimos o que parecia ser uma área distante do universo. Uma área repleta de estruturas semelhantes à Nebulosa de Órion. A câmera filmava uma visão de cima. Eu, Alan e Evan estávamos maravilhados com aquilo tudo. Não sabíamos bem o que havia acontecido. Evan tentou verificar a localização da sonda e os dados diziam: "unknown". Seja lá onde ela estava, era longe, muito longe.

Não conseguíamos mais guiar a sonda, ela estava vagando por conta própria.

Depois de um tempo, vimos algumas estruturas esféricas que inicialmente achamos ser planetas. Mas logo vimos que na verdade eram enormes bolhas. Eu disse enormes? Gigantescas! Colossais! Eu diria bolhas do tamanho de... universos.

Nem eu, nem Alan tínhamos algum palpite sobre que lugar era aquele, mas Evan ousou responder:

— O multiverso. — disse.

— O quê? — perguntei.

— É o multiverso. O local no espaço formado pelo nosso universo... e todos os outros. Cada bolha dessa é um universo. Em cada uma dessas bolhas há um planeta Terra, em alguns deles, existem outros Evan Griffins, Walter Klovis e Alan Mitchells fazendo exatamente o que estamos fazendo agora. Podem estar usando roupas diferentes ou mesmo terem nomes diferentes. Em alguns, talvez o meteoro que matou os dinossauros não passou pela Terra, os humanos não existam e os dinossauros evoluíram a ponto de se tornarem a raça dominante em seu respectivo universo, tal qual os humanos fizeram neste. Todos esses universos estão vivendo em conjunto... neste multiverso.

Olhamos para um lado, e vimos um universo escuro. Sim, eu sei que o universo é escuro. Mas naquela bolha não era possível ver o conjunto de galáxias que víamos nos outros. Aquela bolha também era relativamente maior que as outras.

— Estão vendo aquele universo? Ele tem, ou melhor, ele tinha 10¹⁰⁰ anos a mais do que o nosso. Ele está morto agora. Toda sua matéria foi degenerada. Tudo que existe nele agora são fótons, neutrinos, elétrons e pósitrons, que não interagem entre si. Esse universo continuará expandindo para sempre, mas sua essência está morta. Daqui há trilhões, quadrilhões, quintilhões, ou até mais do que isso, o mesmo acontecerá com o nosso. Esse evento é conhecido como "Big Rip".

Eu e Alan ficamos sem palavras.

Perto daquele universo "morto", uma forte luz começa a brilhar, e uma grande quantidade de matéria começa a formar uma nova bolha, que expande-se aos poucos.

— Vejam. — Evan disse. — É um Big Bang. Um novo universo está surgindo. Enquanto um morre, outro nasce. E assim, o multiverso prossegue. Infinitamente.

Enquanto olhávamos aquilo totalmente mudos, a sonda começa a se afastar rapidamente. Algo a estava puxando de volta para onde entrou.

O mesmo clarão branco de antes toma conta da tela. Agora, a sonda está de volta ao nosso universo. Sua localização volta a aparecer no radar. Já podemos controlá-la de novo. Porém, a StrongAstro desapareceu. Tudo que víamos agora na tela era o planeta Netuno.

*

Marcamos uma conferência uma semana depois. Mostramos as imagens para todos os presentes na sala de reuniões. As reações foram as mesmas que eu, Alan e Evan tivemos.

Muitas perguntas ainda não foram respondidas.

O que era a StrongAstro afinal? Uma estrela de cinco dimensões? Um portal? A própria face da matéria escura? Difícil responder.

Depois da conferência, Evan disse que estava interessado em iniciar uma pesquisa que tinha como objetivo explorar outro universo além do nosso.

Evan acredita que algum outro universo do multiverso tenha de alguma forma "colidido" com o nosso. O resultado desse encontro de realidades resultou na StrongAstro. Esse universo vizinho ao nosso poderia muito bem ter 1,6 bilhão de anos a mais do que o universo em que vivemos. Isso explicaria, de certa forma, a suposta idade da suposta estrela. Pode ser que aquela estrela, que em nossa realidade desafiava as leis da física, fosse algo normal no universo de onde veio. Talvez em alguma outra realidade, tenha aparecido outra StrongAstro. Quem sabe por um triz, nós não conhecemos seres interuniversais?

Por enquanto, tudo ainda está no campo das hipóteses.

Evan se parece um pouco com seu bisavô. Há 185 anos, Bernard Griffin tinha feito uma declaração que pretendia ir além da Via Láctea. Hoje, nós já podemos ir muito além da galáxia em que nosso sistema solar se encontra. E me orgulho em dizer que eu, juntamente com Alan Mitchell e Evan Griffin mandamos uma sonda para além, muito além, do que qualquer outro ser humano já foi.

Espero que a StrongAstro retorne algum dia. Ela deve ter muito mais coisas a nos ensinar.

Fui até minha cabine. Tentei tirar um cochilo, não consegui.

Passei horas refletindo sobre a existência. Sei que é algo clichê, mas não deixa de ser fascinante.

Eu sou um ser humano. Vivo em um planeta de 12.742 km de diâmetro. Esse planeta está em um sistema solar de 1,5×10¹³ km de diâmetro. Esse sistema solar está em uma galáxia de 100.000 anos-luz de diâmetro. Essa galáxia está em um universo de pelo menos 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. E agora, descobrimos que esse universo está em um multiverso com proporções ainda maiores.

Afinal, quem sou eu mesmo?

A descoberta do multiverso trouxe ainda mais coisas a serem descobertas. Igual como foi quando Nicolau Copérnico descobriu que os planetas orbitavam o Sol.

Buscar conhecimento sobre o mundo 3 é uma incessante jornada repleta de novidades a serem desvendadas.

Notas finais
Então, é isso. Espero que a história tenha agradado a todos. Que vocês tenham gostado de ler ela tanto quanto eu gostei de escrever. Até a próxima! ^^ ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!