A Observadora
3 Parte III
Eu gosto de observar o movimento das coisas ao meu redor, os humanos são meu passatempo, sabe, o comportamento deles diante das situações, é por isso que sempre vou a lugares movimentados, como este simples cruzamento de avenidas em São Paulo.
Me aproximo daquele barzinho na esquina, um local simples, as mesas e cadeiras um pouco empoeiradas, havia uma mesa de sinuca e alguns senhores bebendo pinga no balcão. Sento em uma mesinha lá fora, de onde posso observar o vazio interno de cada pessoa.
De onde estou consigo ver o cruzamento das avenidas, o semáforo, a faixa de pedestres e as pessoas. Ah! As pessoas. Doces ou amargas, claras ou escuras, grandes ou pequenas. Quem diria que no meio de uma multidão há tantos corações vazios. Ninguém se observa, ninguém se cumprimenta, talvez só um " obrigado " ou um " com licença ", mas não há nada demais, não há um "que belo dia!" ou um "será que hoje chove?", não há conversas únicas, não há diálogos inúteis, não há nada, só o barulho do silêncio, só o barulho dos carros, das motos, dos corações.
Os carros, as buzinas e o estresse repentino do congestionamento diário, as palavras grosseiras de motoristas apressados, corações cheios, cabeças vazias. Nada ali naquelas avenidas estava fora do lugar, exceto uma coisa. Na minha diagonal, dentro de uma loja qualquer, há um homem, com um café, sentado em uma mesa do lado de fora. Observando o movimento das coisas ao seu redor, talvez ele seja como eu, como nós. Poxa vida, quase me esqueci, está faltando um drink. Peço no balcão, me vem um café em um copo de vidro empoeirado e doce como se não houvesse uma dosagem, pronto agora está perfeito, agora nada mais está fora do lugar, exceto eu.
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