A Nuvem
5 Arco e Íris
Notas iniciais
Charlotte ficou analisando meus dados, tirados pela máquina fotográfica por uns 10 minutos.
–Hm... Vocês podem ir.- Ela disse, ainda analisando os dados.
Seguimos pelo caminho do Oeste.
–Você vai ver, essa é a melhor parte.-Ele sorriu.
Continuamos andando até chegar em um local onde havia vários lotes de casas. Algumas placas estavam em cada lote: Flor, Estrela, Cometa e muitos outros.
–Nas placas estão escritas o apelido de cada um que vive aqui. O seu lote é logo depois do meu.-Explicou.
–É muito longe?-Perguntei, aquele caminho parecia não acabar.
–Não, essa é a minha.-Ele mostrou uma casa arredondada azul, como uma meio circulo. Na parte direita havia uma luneta gigante. As cercas brancas indicavam onde acabavam seu lote.
–Essa é minha casa, e ali é meu observatório.-Ele apontou para a luneta.
–É bem... Incomum.-Falei.
–É isso o que eu mais gosto nela.-Ele sorriu, denovo.
Ele andou um pouco à mais para a esquerda e disse:
–Essa é a sua, acho que somos vizinhos.
A casa, que ele dissera que era minha, era bem bonita. Largas janelas. O teto parecia ser feito de vidro, a cor das paredes eram brancas e havia várias flores cultivados num jardim ao lado da casa.
–Acho que eu consigo viver nela.-Eu disse rindo.
–Eu também.- E sorriu.
Não sei o que foi aquilo. Mas fiquei corada.
–Bom você pode entrar... A chave está comigo.-Ele explicou abrindo os bolsos da roupa.
Ele deu uma chave amarelada para mim. Andamos até a porta da minha nova casa e a abri. Dei de cara com a sala, bem decorada, mas oque mais me chamou atenção foi duas crianças no meio dela. Usavam um macacão de jeans, e ele estava sujo de tinta, de todo tipo de cor.
–Ué... Acho que você confundiu a casa...-Falei.
–Tenho certeza que é essa. Seu nome está na placa da frente.
As crianças olharam para nós dois.
–Ohhh, então é ela a filha do Palavra.- Os dois disseram juntos.
–Arco e Íris, oque vocês tão fazendo aqui?-O Astronauta perguntou.
Pelo jeito, Arco deveria ser o menino. Ele tinha um cabelo curto e usava um óculos. E Íris era a menina, tinha os cabelos amarados para trás.
–É que vimos o Caixa, trazendo alguns pacotes para cá e viemos ver o que é.-Eles falaram como se fosse normal invadir a casa de uma pessoa.
O Astronauta me olhou como se tivesse compreendido as crianças. Como se fizera aquilo também.
–E como entraram?-Perguntei.
–Ué, pela janela.-Eles responderam como se fosse óbvio.
A janela estava escancarada e a cortina estava balançando com o vento.
–E será que podem sair?- Qualquer pergunta era válida.
–Claro.-Os dois se levantaram e pularam pela janela.
A porta estava aberta, mas ok.
Dei uma volta pela casa. Era muito melhor do que eu imaginava, foi como se alguém tivesse lido minha mente para descobrir do tipo de decoração que eu gostava e feito aquilo.
–Fui eu mesmo que fiz. Acho que temos o mesmo gosto pelas coisas.- Ele sorriu, olhando nos meu olhos. Estava fazendo aquilo novamente. Me sentia exposta quando ele usava essa tal habilidade.
Corei, denovo.
–Por que você muda de cor assim? É a sua habilidade?-Ele disse chegando mais perto da minha cara.
–P-Preciso tomar u-um ar!- eu disse desesperada. Alguém se aproximar de mim não era muito comum. Aliás, isso nunca tinha acontecido.
"Eles ficam bonitinhos juntos, não acha?"
"Não, acho que eles são muito diferentes."
"Você não entende dessas coisas"
"Hunf!"
"Não me diga que vai ficar bravo por causa disso?"
"Só não vou ficar, porque quero ver até quando ele vai esconder aquilo dela."
"Espero que isso aconteça logo"
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