A Nova Vida de Rose
5 Karaokê
Notas iniciais
{POV da Ann}
Ele me levou na picape, eu não sabia onde estava a preferência de ir para a escola de ônibus tendo um carro daqueles. O meu verdadeiro susto foi quando conheci a sua casa.
Era um palácio gigantesco, as pessoas já estavam por ali se divertindo com bebidas alcoólicas e jogos de dança, a maioria do lado de fora circundando a piscina que brilhava em diversas core. A festa me lembrava dos eventos depois das estreias que costumávamos ter nos Estados Unidos, ela me convidava para ficar ali. Foi a mão de Kin que me fez subir os degraus para o seu quarto.
O quarto dele era até três vezes maior que o meu, trabalhado no visual clean, a única coisa que destoava ali era o lugar onde seu computador ficava, o computador parecia um transformer recolhido, tão caro como tudo ali, mas ao seu redor haviam várias placas mãe e fios soltos, posicionados de tal forma que pareciam ter muita utilidade ou viessem a ter.
{Fim do POV da Ann}
—Somos os primeiros? -- Ela perguntou se sentando na cama dele um pouco deslocada.
—Os outros devem estar lá fora, sofrendo muito, vou lá busca-los e algumas bebidas também, o que você gostaria, senhorita – Kin já falava indo em direção a porta.
—O que você trouxer está bom – ela continuou olhando ao redor.
—Ok, fique a vontade – ele deu um sorrisinho de alguém que apronta algo.
Ela continuou correndo os olhos e os dedos pelo quarto, apreciava o recinto e os detalhes do quarto e foi surpreendida com alguém entrando no quarto sem nem bater antes. Ele entrou já fazendo a pergunta, seu torso nu e o cabelo ainda um pouco molhado do banho, embora já estivesse vestindo uma calça jeans.
—Kin, você pegou o meu... – ele também foi surpreendido pela moça no quarto de seu irmã – oi – ele falou meio envergonhado.
—Oi – ela falou desviando os olhos dos dele.
Ann não gostava daquele rapaz, ele fazia mal para o próprio irmão quando estava no seu grupinho de amigos babacas. Quando famosa ela participava de campanhas anti-bullying e o que ele fazia nunca estivera em nenhum roteiro, sempre era um brutamontes que fazia o mal para um menino indefeso e não um cara tipo ele. Cabelos bagunçados em cachos escuros como os de um anjo e olhos profundamente verdes.
—Você veio com o meu irmão? – ele perguntou com uma cara de interrogação, como se o irmão fosse incapaz de ter amigas como ele.
—Sim, ele me chamou para ficar aqui.
Newt parou e pensou um pouco no que dizer, a situação estava embaraçosa para ambos, principalmente para ele que nem parecia ter acabado de tomar banho.
—Ah... – ele disse finalmente – eu já te vi?
—Não, eu sou nova na sua escola – ela falou seca.
—Prazer, Nova-na-escola – ele finalmente entrou no quarto depois de ficar pendurado na porta durante toda a conversa – eu sou o Newt – ele falou com um sorriso e estendendo o braço para um cumprimento.
—É, eu sei – ela continuou seca, sem comprimentá-lo, apenas finalmente levantando os olhos para encarar o rapaz, deixando-o desnorteado com a conversa.
—Bom, se cansar do meu irmão e quiser descer pra festa – você está convidada também.
—Ah, claro.
Para a sorte dos dois Kin entrou com Damiano, Regina e Leyla. Newt deixou o quarto esquecendo-se até mesmo da pergunta que tinha para KIn.
Vendo o estado da amiga Kin lhe pergunta se está tudo bem, ela responde que sim e ele então diz animado como sempre levantando as garrafas:
—Então vamos jogar Roleta Russa!!
Os outros comemoraram, mas Rose apenas pulou para trás em desespero, lembrando de um filme que ela fez que falava sobre o tema e um cara morria e saía perseguindo a todos, era legal a história, mas na ficção.
—Com bebidas, Zé Gotinha – ele falou rindo.
Enquanto não chegava o porre eles ficavam ali sentados no chão girando a garrafa, fiéis a brincadeira, Ann já era acostumada com bebidas alcoólicas, Tor costumava lhe dizer nas festas: “Cada ponto de audiência é um shot de tequila”, esta era a vida glamorosa dos famosos, embriagar-se para não se deprimerem ou entrar em depressão para evitar que os outros se deprimissem.
E o pai de Ann estava agora numa depressão profunda.
Lembrar destas coisas fazia ela tomar com mais convicção os shots, até que sua bexiga já não aguentava mais.
—Banheiro? – ela disse chapada.
—Zé Gotinha vai gotejar? – Kin falou deitado no chão numa posição que não era comum de um ser humano, a menos que ele estivesse possuído – corredor primeira porta – ao menos ainda se lembrava da planta de sua própria casa.
A garota deixou no quarto uma Leyla abraçada em uma poltrona, um Damiano que estava esquecendo da sua homossexualidade dando em cima de Regina que também parecia ter esquecido deste detalhe do amigo e Kin alertando os dois sem muito êxito de que aquilo ia dar merda.
Ao sair do banheiro escutou alguém cantando num karaokê no andar de baixo.
—Que bosta – ela disse consigo mesma.
E desceu as escadas tomando uma atitude, as botas lhe incomodavam no pé então ela apenas as retirou e deixou ali na escada mesmo, chegou no térreo gritando para que lhe dessem a próxima música.
Newt percebeu a garota pegando o microfone e se aproximou para ver, uma bebida em sua mão e a blusa um pouco aberta, ele também não estava em seu melhor estado, mas ainda assim estava melhor do que ela.
—Que música você vai querer? – Newt lhe perguntou com o controle na mão.
—Qualquer uma minha – ela falou tapando o microfone.
(Lovin’ So Hard – Becky G)
Pensou se tratar de alguma de Ann Rose já que ela era amiga do seu irmão e ele era fã daquela cantora, sua cabeça ainda fazia alguns raciocínios breves.
Ao contrário do que se esperava a voz dela, mesmo estando bêbada, saiu límpida e perfeita como sempre, seus movimentos eram um tanto quanto desengonçados, mas estavam próximos de serem o que ela fazia nos shows.
Os amigos desceram do andar de cima correndo por reconhecerem a voz, Regina quase caiu tropeçando nas botas que a cantora havia deixado nas escadas.
Ao terminar ela conseguiu depois de um tropeço ficar parada e sorrir para as pessoas que começaram a aplaudir e gritar para ela, olhou rapidamente para Newt que batia palmas olhando-na com uma mistura de surpresa e satisfação. Do meio de todas aquelas pessoas surgiu o seu amiguinho, como ela o chamou quando ele chegou até lá.
—Amiguinhooo – ela disse aplaudindo idiota.
—Você é a Ann Rose – ele disse olhando no fundo dos seus olhos com um tom acusatório, sua expressão era misturada como a do irmão, no entanto em sua mistura acrescentava-se uma histeria.
Ann foi atingida por alguns minutos de sobriedade, o seu rosto saiu imediatamente da alegria para uma expressão de pânico, a porta não era muito longe, ela podia fugir, ela ia fugir, foi o que ela fez.
Correu entre a multidão até a porta, jogou-se contra ela e de alguma forma conseguiu abri-la. Lá fora chovia, mas não importava, saiu correndo com os pés descalços, no meio do caminho talvez pegasse um táxi ou correria até em casa, a cidade não era tão grande e a casa ficava não a muitas quadras dali.
Viu a luz de um carro vindo atrás dela e apressou o passo, facilmente o carro a alcançou e ela desistiu de correr, já voltava a ficar fraca por causa da bebida.
—Onde você está indo nessa chuva? – para sua surpresa era Newt no carro.
—Eu preciso voltar para casa – ela dizia em desespero.
—Eu sei que não se deve aceitar carona de desconhecidos, mas me deixe te levar.
Algo dentro dela simplesmente confiou no irmão do seu amigo.
Ao chegar em casa ela apenas disse obrigada e saiu do carro ainda cambaleando e andando nas pontas dos pés como se ainda estivesse usando as botas. Tamanha foi a sua surpresa quando entrou em casa:
—Onde você estava este tempo todo!
Seu pai estava de pé em sua frente com um semblante preocupado, ele correu até a filha e a abraçou com força. Sua alegria não se continha em seu corpo, tanto que um pouco do que já estava dentro passou para fora no fim do abraço.
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