A Nova Vida de Rose
4 Botas
Notas iniciais
"Rosa, me atende"
Ann estava com a cara amassada contra o travesseiro quando recebeu a mensagem, era cedo para dormir, mas ela se deu ao privilégio de passar a sua sexta a noite ali, até que o seu aparentemente melhor amigo apareceu na porta da sua casa.
—Kin? O que diabos você está fazendo aqui?
—Eu vim te buscar pra festa, ué.
Ann demorou um tempo para se lembrar do que o amigo dizia. "Claro, a festa do Newt".
—Você se esqueceu? — Kin perguntou tirando-na do transe em que estava.
—Não, eu só achei que fosse ser mais tarde.
Kin dá uma risadinha seguida de um branco sorriso.
—Você não ia querer chegar lá tarde demais, com quem você conversaria sendo a única sóbria da festa toda?
—Como?
—Vamos logo dar um jeito em você — ele a empurrou para dentro da casa — onde é o seu quarto?
Enquanto procurava fitou o pai da amiga que como sempre estava sentado naquela posição, um arrepio lhe percorreu a espinha e o susto foi aparente para Ann.
—Aquele é o meu pai — ela disse sem jeito.
—Olá — ele disse para o homem que como já era de se esperar não fez nenhum movimento.
—Vamos nos arrumar então — ela puxou-o para o seu quarto tentando fugir da situação desconfortável, esta seria a sua primeira falha na manutenção da identidade secreta.
No quarto a garota já foi pegando qualquer coisa do armário e indo para o banheiro se vestir.
—Ah, pelo amor de santa Beyoncé, não precisa desse tipo de frescura, pode se trocar aqui, não tem nada demais aí pra mim — ele disse apontando para o corpo de Ann.
Ela foi tirando a blusa meio sem jeito quando se lembrou que seria muito estranho se Rosa tivesse uma tatuagem no exato mesmo lugar que Ann, então devolveu a blusa para a sua posicão e disse carinhosamente:
—Ainda não — e entrou no banheiro sem esperar qualquer argumentação.
Ao sair do banheiro já vestida com um moletom branco e uma calça jeans gasta ela foi a sua penteadeira passar um mínimo de maquiagem, Kin olhava em sua cabeceira uma foto.
—Você é fã mesmo de Ann Rose — ele disse.
—Como? ela disse passando o pó na bochecha fingindo não ter se assustado com o nome artístico.
—É, você tem uma foto dela de infância aqui.
Pensando na burrada que havia cometido ela parou por um tempo antes de entrar na onda dele.
—É, é uma foto original inclusive, foi bem cara...
Kin continuou fitando por um tempo a foto e depois a olhou vestindo aquelas roupas.
—Não, não, não, não. Você só pode estar de palhaçada com a minha cara.
Ele mal se dirigia para ela, ia direto para o guarda roupa buscar qualquer coisa que fosse melhor que um moletom e um jeans.
— Que foi? — ela se virou para ele.
— Que foi que eu estou te levando pra uma festa. Festa. Não à cracolândia.
— Eu pensei que fossemos ficar no seu quarto e comer algumas coisas.
— Sim, e até a decoração do meu quarto tá mais bem vestida que você.
Ela riu.
— Não ri não Zé Gotinha — ele se referiu ao moletom largo e branco — toma, vai lá se vestir, enquanto isso já esquenta a chapinha que a gente vai dar um jeito nessa Merida aí.
Kin separou pra ela uma jaqueta de couro preta, um cropped de mesma cor e uma saia justa e branca.
—Que tal? — ela disse quando voltou, Kin fuçava no armário em busca de mais coisas — O que você está fazendo aí? — ela tentou falar com o máximo de neutralidade possível.
— Botas! — ele comemorou tirando do armário botas que iam até o joelho , as mesmas de um show recente dela.
— Botas! — ela confirmou pegando a peça de roupa rapidamente das mãos do amigo e já as vestindo para que ele pudesse visualizar o traje completo e com sorte não notar quão exclusivas elas eram.
Ele visualizou tudo com orgulho e em seguida puxou-a para o banheiro, a prancha esperando sobre a pia.
—Se puder tirar os óculos seria melhor para mim aqui — ele falou batendo a pranchas
Ao tirar os óculos Kin deu uma pausa olhando para ela no espelho. "Hum, loucura minha" ele pensou, e pôs se a trabalhar no trabalho que fora de um ótimo cabeleireiro de Hollywood: embaraçar o máximo possível os cabelos de Ann.
Prendeu de lado o cabelo agora bem menos embaraçado e fez uma maquiagem rápida, no entanto um pouco mais decente.
— Agora podemos ir — ele disse tirando os óculos das mãos de Anne e entregando uma carteira.
Desceram as escadas, Ann falou com o pai que continuou pleno, deu-lhe um beijinho na bochecha e saiu.
A pulga na orelha de Kin retornou quando estava dirigindo o carro e a amiga se debruçou contra a janela, as semelhanças eram incríveis.
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