A Nova Vida de Kevin
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Liguei o carro e dirigi em direção a livraria. Desliguei o ar-condicionado do carro e abri a janela deixando a brisa da noite, invadir o interior do carro. Não demorei muito pra chegar na pequena e minúscula livraria. A balconista barra vendedora me deu logo um sorrisinho, assim que passei pela porta de vidro. Ela já me conhecia, mas eu sempre esquecia o nome dela.
"Kevin" disse ela, dando um sorriso que mostrava suas covinhas. Eu tentava acreditar que ela gostava realmente de mim, afinal, a maioria dos vendedores são bem simpático para conseguir vender facilmente seus objetos/produtos.
"Olá." responde
"Tudo bem com você?" perguntou ela.
"Arram." falei dando de ombro.
"Legal." disse ela "Você quer ajuda pra escolher algum livro?"
"Não, obrigado. Deixa que eu me viro."
"Ok, então..." respondeu, desistindo.
Fui pra sessão de ficção, dei uma olhada rápida e avistei o livro "O Chamado do Cuco" da JK Rowling, fazia um tempo que queria le-lo, peguei um exemplar sem olhar o preço fui ao caixa... Entreguei o livro a vendedora lendo o nome dela no crachá.
"Quanto que custa Priscila?" tentei ser simpático, como uma forma de me desculpar.
"É R$39,90" respondeu ela, depois de usar a maquina que ler o código de barra do livro.
Dei uma nota de R$50,00, falei que ela podia ficar com o troco e sai..
Não voltei pro carro, fui pra uma praça que estava do outro lado da rua, me sentei no banco e comecei a folear o livro, lendo a sinopse do livro, dei uma analisada no mesmo e dei uma cheirada no livro, sim tenho essa mania estranha, gosto do cheiro de livro novo, faço isso sempre. Depois de cheirar o livro, comecei a ler o primeiro capitulo, quando comecei a ler o mesmo paragrafo, umas três vezes, percebe que não estava com paciência pra ler no momento. Fechei o livro e olhei pra frente, tentando desviar o olhar de um casal que tava se 'pegando' no banco ao lado. Me levantei do banco e xingando baixinho, voltei pro carro.
Quando cheguei no carro não dirigi de imediato, fechei a porta e depois encostei a cabeça na janela e comecei a lembrar, mais uma vez, porque ultimamente estava pensando muito nisso, de quando fui mais o Caio pra festa do amigo dele no primeiro dia das férias.
Era sábado ao por do sol e eu estava no dormitório organizando minha pilha de livros que só fazia aumentar a cada dia quando Caio entrou no quarto, ele estava bem eufórico, feliz por algum motivo, mas eu não sabia o motivo.
"Iae Kevin!" disse ele assim que entrou.
"Hey, oi." respondi.
"Cara, não acredito que você está arrumando livros no primeiro dia de férias?! Mano, é dia de comemorar. Fim das provas, sem professor chato, sem trabalho, sem provas, só curtição. Haha" comentou ele.
"Eu sei. Mas preciso me organizar, não é porque é férias que as coisas mudaram pra mim."
"Sem essa. Vamos festejar hoje? Tomar umas cervejas. Júlio vai da uma festinha hoje pra comemorar. Vai está cheio de garotas e vai ter uns carinhas lá também." completou, tirando a camisa e me deixando meio constrangido.
"Deixa pra próxima." respondi
"Ah cara, você vai sim. Vai ser legal." disse ele, entrando no minúsculo banheiro.
Comecei a pensar que eu deveria me enturmar mais com o pessoal da faculdade e fazer amizade. Não devia ser tão ruim assim.
"Tudo bem, Caio. Eu vou, ok?" falei um pouco alto, porque ele tinha ligado e começado a cantar no chuveiro.
"Legal..." respondeu ele, continuando a cantar uma que eu não conhecia e horrivelmente.
O problema era escolher uma roupa legal. Nunca tinha ido a uma festa de universitários, o que sabia é que tinha muita cerveja e curtição. Tirei todas as minhas roupas das gavetas em baixo da cama e as que tavam no pequeno guarda-roupas que eu dividia com Caio e joguei tudo amontoado na cama e comecei a procurar uma roupa bacana. O que acabou sendo um problema, porque não encontrei nada que eu me agradasse. Me sentei na cama e comecei a pensar que tinha sido uma péssima ideia aceitar o convite. Então, acabei pegado as primeiras roupas que vi na minha frente, uma bermuda jeans azul com uma camiseta de algodão preta simples, foi quando ele saiu abotoando a bermuda de malha fina e uma camisa de botão que nunca tinha visto ele vestido.
"Pensei que estivesse pronto." perguntou ele enxugando o cabelo.
"Me troco rápido." respondi.
"Beleza, cara." disse pegando o perfume na mesinha de cabeceira. "Olha vou avisar os caras pra irem andando e daqui a pouco veio aqui buscar você!"
"Tudo bem." falei.
"Mas vamos no seu carro, ok?"
"Claro." responde indo pro banheiro
"Volto em 15 minutos." falou saindo pela porta do dormitório.
Tomei banho rapidamente, me vesti, coloquei meu tênis all star, mesmo em dúvida se estava combinando, passei perfume, penteei o cabelo, joguei as roupas de qualquer jeito na gaveta, quando percebi que alguém estava bem atrás de mim. Era ele.
"Pronto?" perguntou.
"Sim, vamos." Fomos para o meu carro que estava no estacionamento, entregando a chave pra ele.
Quando estávamos chegando próximo ao centro da cidade, ele pegou a estrada de barro, onde tinha algumas árvores, nunca tinha ido para aquele lado, mas logo fui percebendo um barulho de som, e comecei a avistar os estudantes ao redor de um casarão. Tinha uma terreno enorme onde as pessoas haviam estacionado os carros. Caio estacionou um pouco distante dos carros, então descemos.
Mal havíamos saído do carro alguém já gritou: "Iae Caio!" "Iae vey, tranquilo?" respondeu ele. Quando entramos na casa, tinha mais gente dentro e comecei a me perguntar como é que coube aquele povo todo naquela casa que aparentemente parecia maior por fora do que por dentro. Alguém veio ao nosso encontro, um cara magro, negro, estava de bermuda jeans e sem camisa, com apenas uma corrente no pescoço e um par de brinco nas orelhas.
"Caio!" gritou ele, por causa do som alto.
"Júlio!" gritou de volta. Eles deram um forte e rápido abraço e se soltaram.
"Você veio velho!" disse o tal Júlio.
"Claro, mano. Não perderia por nada." respondeu. "Esse é o Kevin!" completou Caio
"Hey Kevin, beleza cara? Você não é de menor é?" perguntou Júlio, me olhando de baixo pra cima.
"Claro que não." responde
"Tô brincando." comentou ele rindo. "Fique a vontade vey, você bebi alguma coisa?" perguntou.
"Não, to bem, obrigado." falei.
"Ok, então... Vem aqui Caio, quero te apresentar umas amigas" disse ele, segurando pelo braço do Caio.
"Volto já Kevin, fique de boa aqui e tome umas cervejas." falou Caio no meu ouvido, depois acendeu um cigarro e saiu com o Júlio.
Fiquei uns minutos rodado na pista, enquanto via umas meninas que dançavam em cima de uma mesa que mais parecia mesa de bar, elas faziam umas coreografias sensuais, ao enquanto tocava "I Follow Rivers". Sai dali e decidi pegar uma cerveja, e tomei quase a metade em dois goles e continuei circulando, quando eu havia tomado duas cervejas, fiquei com vontade de ir ao banheiro, mas não sabia exatamente onde ir. Então subi a escada, provavelmente o banheiro pudesse ser no 2º andar. O segundo andar estava lotado também, tinha um corredor grande onde três casais se pegando, no corredor tinha cinco portas, pensei que o banheiro poderia ser uma daquelas, e abri a primeira porta da minha esquerda, dei de cara com mais dois casais transando dentro do quarto, o primeiro casal a garota estava por cima do cara, na cama e o outro a garota tava fazendo sexo oral no cara, encostados na parede. Fechei a porta rapidamente, quando o casal que estava em pé começaram a me xingar, enquanto o que estavam na cama, começaram a rir freneticamente. Tive uma crise de riso depois que fechei a porta, enquanto alguns estudantes começaram a me olhar, se perguntando se eu tava drogado. Quando percebe que estava quase fazendo xixi nas calças e corri procurando o banheiro, segurei no braço da primeira garota que passou por mim, perguntei onde ficava o banheiro e me indicando a terceira porta, ela se soltou e desceu as escadas.
Eram três da manhã quando encontrei o Caio no lado de fora da casa, ele estava muito bêbado e sozinho. Não sabia o que tinha acontecido com ele, óbvio que ele tinha bebido muito, mas por que ele estava lá fora sozinho? Talvez tivesse saído pra tomar um ar, ou alguém tinha deixado ele lá fora. Me aproximei dele e parecia que ele tinha acabado de vomitar.
"Caio?" chamei me aproximando.
"Hey Kevin, olha você ai... Pensei que estava por ai chupando algum cara!" disse ele meio grogue e rindo, mesmo bêbado e sujo de vomito ele ainda era lindo.
"Acho que alguém bebeu demais." comentei
"Tô muito bêbado, mano." falou tentando se levantar, sem sucesso.
"Vem que eu te ajudo." Levantei ele, com um pouco de dificuldade. Ele estava fedendo a vomito, tabaco e álcool. Vendo a situação, um cara que não sei o nome, me ajudou a colocar o Caio no banco traseiro do carro, agradeci a ele e comecei a dirigir para o campus.
Eu não tinha bebido muito e com o esforço pra levantar ele, o álcool tinha passado. Quando chegamos no campus, lá estava muito silêncio, muitos estudantes tinham voltado pra casa. Estacionei, enquanto Caio sussurrava alguma coisa que não tava entendendo, desci e ajudei ele a sair do carro. Abri a porta do dormitório e levei ele logo pro banheiro, o ajudei a tirar a roupa, deixando o completamente nu. "Você deve está amando me ver pelado." disse ele, mas eu ignorei. Liguei o chuveiro na água fria e o ajudei a entrar em baixo d'agua. Deixei ele no chuveiro e fui procurar alguma coisa pra ele vestir. Peguei uma cueca limpa e uma camisa de algodão que ele costumava vestir pra dormir e voltei ao banheiro, ele estava com um aspecto melhor e o banho frio ajudou ele a melhor, dei uma toalha enxuta pra ele, e passei a roupa limpa pra ele. Depois ajudei ele a sair do banheiro e o coloquei com dificuldade na cama, ele estava consciente, peguei o lençol e o cobri. Quando fui me afastar, ele pegou no meu pulso e me puxou com força e eu me desequilibrei e meio que cai por cima dele, com o rosto próximo do dele e por impulso, sem pensar, eu o beijei na boca, pensei que ele ia me da um soco ou algo do tipo, mas não, ele retribuiu. Não foi um beijo erótico nem pornográfico, foi mais um beijo de carinho, amor e ternura que demorou alguns segundos. Depois de nos beijarmos, olhei nos olhos dele e ele sorriu, depois apagou. Fui pra minha cama e depois fiquei relembrando o beijo, no que pareceram horas. Nunca tinha sido beijado daquela forma, até que finalmente dormi.
Despertei com o barulho de chuva e percebi que ainda estava no carro e que eu havia cochilado lá mesmo, passei as mãos nos olhos e dirigi de volta para o dormitório.
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