A Nova Uzumaki
14 especial 2 - super Niji
Notas iniciais
Ainda era de madrugada. O clima gelado de outono não alcansava o interior da casa. Principalmente o quarto do casal, onde Naruto e Hinata se encontravam dormindo tranquilamente, abraçados um no outro. O loiro a rodeava com os braços fortes, puxando-a para si, enquanto a morena só enterrava o rosto no peito do marido. A noite estava tão boa... o lugar onde repousavam estava tão bom...
Mas algo tinha que estragar.
O choro de bebê ecoou por todo o quarto, graças à babá eletrônica na cômoda, acordando o casal.
– Hum... — Naruto e Hinata resmungaram ao mesmo tempo.
– Ok... é minha vez, eu vô lá. — O loiro declarou, se sentando meio grogue.
– Não, pode deixar, Naruto-kun. — Hinata falou, incrivelmente já de pé.
– Mas você já foi das duas outras vezes... — Naruto tentou argumentar, embora ainda esfregasse os olhos.
– E vou mais essa. — A morena rebateu. — É sério, pode deixar comigo. — Ela deu um leve selinho no loiro, fazendo esse sorrir bobamente. — Volte a dormir.
Como ainda estava sonolento, Naruto não argumentou muito mais, e logo Hinata pôde ir ver o que Niji queria. Chegou no quarto da filha e, pegando-a do berço, verificou tudo: Frauda suja, fome, cólica. Mas Niji continuava a resmungar.
– Mas o que foi, Niji? — Hinata questionou para a menina. — Conta para a mamãe.
– Kame! Kame! — A pequena repetia.
E a morena finalmente entendeu. Olhando para o chão ao lado do berço, encontrou o motivo do choro de sua filha: Havia deixado sua tartaruga de pelúcia cair.
– Pronto, meu anjo. — Hinata falou docemente, devolvendo a pelúcia para Niji, que instantaneamente parou de resmungar.
Ela devolveu a filha no berço, vendo-a dormir quase na mesma hora. Hinata sorriu pelo modo como a filha se agarrava no bichinho. A tartaruga fora um presente de Hanabi, que deu á Niji no dia em que a mesma nasceu. E essa não largou mais.
Conferindo uma última vez se estava tudo certo com a pequena, Hinata voltou para seu quarto. Deitou-se na cama que dividia com Naruto, logo sentindo o mesmo abraçá-la por trás.
– Qual foi a emergência? — Perguntou o loiro, com a voz rouca pelo sono.
– Nada de mais, apenas a tartaruguinha que caiu. — Ela respondeu, virando-se para o marido.
– Eu nem sei o que faria sem você, Hinata. — Naruto falou carinhoso. Porém, logo deu um sorriso sapeca. — Mas da próxima vez pode deixar que eu vou, tá? Sou pai dela também.
– Eu sei, Naruto-kun. — A morena suspirou. Sentia-se um pouco mal por privar aqueles momentos do marido. Tudo bem que acordar em plena madrugada não era um momento dos melhores, mas fazia parte de ser pai. — Mas é que eu quero cuidar da Niji uma última vez. Afinal, a minha licensa à maternidade acaba amanhã.
–----------------------------
A manhã começou como normalmente começava: Com o café. Mas diferente dos outros dias, algo estava faltando. Ou melhor, alguém.
– Pai, cadê a mamãe? — Boruto foi atrás de Naruto na cozinha para perguntar.
O loiro mais velho deu uma olhada para as filhas na mesa e, sertificando que elas não conseguiriam ouvir, respondeu:
– A sua mãe tomou café mais cedo. Ela vai tentar sair sem a Niji ver.
– Ahh, então a mamãe vai voltar pro trabalho hoje. — Boruto deduziu, e viu o pai assentir. — Mas será que ela precisa mesmo fazer isso? Não acho que a Niji vá dar chilique.
– Depois do escandalo que você fez — Naruto olhou acusador para o filho. — Nós preferimos não arriscar.
Boruto apenas mostrou a língua para o mais velho antes de correr de volta para a mesa, onde estavam as irmãs. E falando nelas, Naruto tinha de agradescer a Himawari. Se não fosse pela morena distrair a irmã, Niji já teria dado pela falta de Hinata há muito tempo.
Mas uma hora ou outra, a pequena iria reparar na ausência da mãe. E isso aconteceu logo após o café, quando o restante da família Uzumaki se reuniu na sala.
Boruto, como sempre, ligou seu video game, dessa vez colocando o Mario Card para Himawari poder jogar também. Enquanto assistia ao Warior e a Daisy correndo em uma pista maluca e tentava entender como um carro podia escorregar numa casca de banana, Naruto nem reparou que Niji olhava ao redor, como se procurase algo.
– Papa. — Ela chamou, e o loiro a olhou. — Mama?
– Ah... ahn... — Naruto suava frio, não sabia o que responder. Tudo bem que Niji era a mais tranquila do trio, mas assim como os irmãos talvez ela não gostasse de se separar de Hinata no primeiro momento. — A mamãe foi... foi... no mercado! — Falou a primeira coisa que lhe veio na cabeça. E suspirou de alívio quando a filha assentiu com a cabeça, voltando a olhar para a TV.
Mas Boruto viu aquilo, e ficou encarando o pai mortalmente, como se dissesse "Que feio, mentindo para a própria filha". Porém, mais espantoso do que aquela mirada mortal, era que o loiro mais novo continuava a apertar os botões so console. Mesmo encarando-o, Boruto conseguiu esquivar de duas cascas de banana, de uma poça de óleo e ainda pegou um prêmio surpresa!
"Como ele não consegue acertar shurikens no alvo, mas consegue fazer isso sem nem olhar pra tela?!" — Naruto se questionava.
– A mamãe? — A vozinha de Himawari fez os dois congelarem. — Mas ela não tinha ido trabalhar hoje?
– Tabiá...? — Niji murmurou.
Mesmo sendo ainda um bebê de quatro meses, ela sabia mais ou menos o que aquela palavra significava. Seu pai saía para trabalhar quase que todos os dias, e geralmente só voltava pouco antes dela dormir. Os olhinhos de Niji começaram a se enxer de lágrimas. Sua mãe também sairia para trabalhar todos os dias agora? Ela ficaria sozinha?
– Mama... — Murmurou baixinho, a princípio. — MAMA! — Mas da segunda vez já foi um berro.
– Argh, vou só o que você fez, sua linguaruda! — Bolt brigou com Himawari, enquanto via o pai desesperado, tentando acalmar Niji.
– Calma, meu arco-íris, calma. — Naruto tentava tranquilizá-la. — Olha, o papai vai ficar com você hoje! Você gosta do papai, não gosta?
– Hum... — Niji encarou a face do pai por alguns segundos. — NÃO! MAMA!!
– Não...? — Agora quem murmurou foi Naruto, que de repente se encolheu num canto da parede, com uma haura depreciva ao redor. — Ela disse não... ela me odeia... sou um fracasso como pai...
– Tou-chan, recomponha-se, seja homem! — Gritou Boruto, chaqualhando o pai pelos ombros.
– Ai, ai, garotos. — Himawari resmungou. — Eles não pensam, né, Niji?
– Nee-xan... Mama, mama! — Foi tudo o que a ruivinha respondeu, o rosto ainda contorsido pelo choro.
– Calma, maninha, a mamãe vai voltar. — Falou gentilmente a morena, dando um sorriso doce estilo Hinata.
– Mais... papa... demola!
E enfim Himawari entendeu. Niji só estava preocupada de Hinata demorar tanto quanto Naruto no trabalho. Bom, ela demorava mesmo, mas não tanto quanto o loiro.
– Hum... Fazemos assim — Himawari começou. — Você fica aqui com o Kemi, se acalma e eu volto já. — Entregou a tartaruguinha para a irmã e foi até onde o pai e o irmão estavam.
– Pela milésima vez, pai! A Niji não te odeia. — Boruto falava.
– Como você sabe? — Naruto continuava naquele clima depressivo. — Ela disse não quando perguntei se ela gostava de mim. Ela pode muito bem me odiar.
– Vamos, papai, se recupere. — Falou Himawari, mas a frase dela pareceu surtir tanto efeito quanto as de Boruto. — Eu sei de um jeito pra Niji voltar a gostar de você.
– Como?? — Agora sim Naruto ficou intereçado.
– Vocês lembram da brincadeira que faziam comigo? Da Super Himawari?
– Lembro. E dai? — Perguntou Boruto.
– E daí, que eu tenho um plano.
–---------------------------------
Alguns minutos depois:
Niji, já mais calma, brincava com Kemi tranquilamente. Como se nem lembrasse da confusão que armou minutos atrás.
– Niji, é horrível! — Himawari chegou na sala parecendo assustada. — O papai e o nii-chan precisam da sua ajuda. — Pegou a irmã pela mão e levou-a até onde Naruto e Boruto estavam. Ambos estavam deitados no chão gemendo de dor. — Eles foram envenenados por um ninja super malvados.
– Oh, a dor... — Naruto resmungava.
– Estou morrendo... alguém me ajude. — Boruto era tão dramático quanto o pai.
– Não temam, a super Niji está aqui! — Himawari exclamou. — Ela vai usar seus super poderem e salvar vocês.
E soltou a mão de Niji. A pequena engatinhou até Boruto primeiro e esfregou a mão no rosto do irmão. Depois fez o mesmo com Naruto
– Heim? A dor... passou! — Naruto exclamou.
– Niji, você nos salvou! — Falou Boruto.
– Você é uma heroína, Niji. — Himawari disse.
– Viva Uzumaki Niji! A ninja mais forte de todos os temps!! — Os três gritaram, se ajoelhando ao redor da pequena ruiva.
Enquanto Niji apenas sorria com toda aquela atenção, mordendo o babadorzinho que usava.
– Mas ainda não acabou! — Boruto gritou de repente. — O ninja do mal ainda está por aí. Vamos atrás dele, Niji! — Pegou a irmã no colo e correu com ela para o jardim.
– E eu vou junto! — Himawari se empolgou.
– E-ei, esperem aí! A irmã de vocês não é boneca! — Naruto repreendeu, correndo atrás dos filhos.
Fale com o autor