A Nova Uzumaki
18 Meu Verdadeiro Amor
Notas iniciais
Sabe aquelas manhãs bem geladas em que você até tem medo de levantar da cama e enfrentar o frio? Bom, hoje era uma dessas manhãs em Konoha.
– Por que raios eu fiu dormim de camisola ontem? — Niji reclamava, sentindo o frio bater em seus braços desprotegidos.
Se levantou da cama preguiçosamente, colocou suas pantufas do Pikachu e saiu de seu quarto. Nem se incomodou em ajeitar seu cabelo, ela gostava da sensação de cabelo embaraçado quando acordava. Dava a sensação de que teve uma boa noite de sono.
– Ora, bom dia, dorminhoca. — Himawari brincou, vendo Niji chegar.
– A mamãe e o papai já foram trabalhar? — Perguntou a ruiva, notando que a irmã era a única na mesa.
– Já, sim. Quer café?
– Aham. — Respondeu num murmúrio, pegando uma caneca da mesa. — O que está vendo? — Perguntou, sentando ao lado irmã.
– Ah, só umas casas. — Himawari mostrou o catálogo que estava lendo. Era cheio de imagens de casas e apartamentos em Konoha, algumas com a palavra Aluga-se e outras com Vende-se.
– Você está levando isso a sério mesmo? — Niji indagou, parecendo meio chateada.
– Estou, Niji. — Himawari suspirou. — O nii-chan saiu de casa no ano passado quando começou a namorar a Issa. Eu sei que ainda não alcansei os vinte anos, mas já tenho dezenove. Está na hora de eu ter um cantinho só meu.
– Mas você já tem o seu quarto. — Argumentou a ruiva.
– Você me entendeu. — Tentou parecer séria. Mas pela carinha amoada que a irmã fez, resolveu sorrir. — Veja pelo lado positivo, você vai poder dar uma de filha única.
– Mas e se eu não quiser ser filha única? — Niji questionou, fazendo um bico. Nem parecia uma jovem de quatorze anos fazendo assim.
– Nyah! — Himawari não aguentou ver aquele bico da irmã, e abraçou-a como se ela fosse um bichinho de pelúcia. — Faz bico, não, minha irmãzinha! Eu prometo que venho visitar vocês, tá?
– Hum... — Niji pensou um pouquinho. — Tá certo. — Sorriu, correspondendo o abraço da irmã.
– Ótimo. Agora, tome seu café antes que esfrie. — Aconcelhou Himawari, soltando a mais nova.
As duas ficaram em silêncio por um tempo. Himawari ainda concentrada na resvista e bebericando seu café de tempos em tempos; e Niji perdida em pensamentos enquanto comia um pãozinho. E ficaram assim até que a mais velha se pronunciou:
– Já tem ideia do que vai fazer hoje?
– Como assim? — Niji pareceu não entender.
– Ué, hoje não é seu dia de folga? — Indagou, finalmente desviando os olhos da revista.
– Ah, sim. — Compreendeu a ruiva. — Eu nem acreditei quando a Moegi-sensei disse que não precisaríamos nos reunir hoje. Acho que tem dedo do namorado dela nessa história. — Deu uma risadinha, falando mais consigo do que com a irmã. — Mas eu e a Saori vamos aproveitar. Ela vem passar o dia aqui, e talvez a gente saia mais tarde.
Mal Niji completou a declaração e as irmãs ouviram a campainha soar.
– Eu atendo. — Himawari se ofereceu, já levantado. Abriu a porta e sorriu, dando passagem para uma Saori animada e que carregava um sacolão. — Falando na dita cuja.
– Falavam de mim? Espero que seja coisa boa. — Brincou a rosada. — Bom dia, Himawari.
– Bom dia. — A morena respondeu.
– Oi, Niji. — Cumprimentou a amiga que se aproximava delas.
– Bom dia, Saori. O que é isso aí? — Niji apontou para o saco que, mesmo sendo enorme e parecendo estar cheio, a amiga carregava sem dificuldade alguma.
– Isso é... — Saori ia contar. Mas antes que o fizesse, encarou Himawari, como se pedisse para ela dar uma licença.
– Já entendi. — Foi tudo o que a Uzumaki disse, já se virando para subir as escadas e deixá-las converçar a sós.
– Isso — A Uchiha recomeçou. — É tudo que se precisa para passar o dia falando de problemas amorosos com sua melhor amiga! — E largou o sacolão no chão, abrindo-o. — Tem chocolates, sorvetes, filmes de românce cliches, bichinho de pelúcia super fofos para abraçarmos fingindo que eles substituem os garotos, e até caixas de lencinhos. — Ela mostrava os ítens enquanto falava.
– Nossa. — Niji estava surpresa. — Eu só queria te falar do encontro que tive ontem.
– Amiga... — Saori a segurou pelos ombros. — Encontros tem haver com garotos; e se o assunto envolve garotos, você vai precisar desabafar. E tem alguém melhor para te ajudar nisso do que a sua melhor amiga que te conhece desde a época das fraudas?
– É, eu... acho que não tem. — A Uzumaki sorriu.
♥♡♥♡♥♡♥♡♥♡♥
"- ...Não se pode dizer que eles viveram felizes para sempre. Mas o que eu posso afirmar, senhoras e senhores, é que eles viveram."
A narradora finalizou, pouco antes dos créditos finais tomarem o lugar da última imagem do filme.
– Isso foi... lindo. — Falou Saori, com um pote de sorvete nas mãos.
– Uhum... — Niji murmurou. Foi o que deu para fazer, tendo um pedaço de chocolate na boca.
– Muito bem. — A Uchiha começou, desligando a televisão e virando-se para a ruiva. — Agora me conta, como foi ontem?
– Ahm... — Niji desviou o olhar, sentindo as bochechas arderem. — Não prefere ver outro filme antes? — Sujeriu.
– Nada disso! — Saori repreendeu-a. — Você não vai me enrolar, não. Nós já assistimos dois filmes, agora pode me contar o que aconteceu no seu encontro ontem.
– N-não chegou a ser bem um encontro. — Murmurou a Uzumaki, contrariando suas próprias palavras. — Nós somente passeamos depois da tarde de treinamento.
– Encontro, passeio, chame como quiser. — Decretou a rosada. — O que aconteceu entre você e o Iniko foi tão ruim assim para você nem querer me contar?
– Não! — Niji exclamou sem querer, mas logo voltou a enterrar o rosto numa almofada. — Foi até... m-muito bom.
– Muito bom? — Saori repetiu. Pensou um pouco, o que poderia ter acontecido de muito bom num encontro entre um garoto e uma...? — Oh! — Encarou a amiga, primeiro incrédula, mas aos poucos abriu um sorrisinho malicioso. — Uzumaki Niji, não me diga que ele te beijou?
Niji não respondeu, apenas interrou ainda mais o rosto, que parecia em brasas. Mas balançou a cabeça de leve. Assentindo.
– Kyaa!!! — Saori não conseguiu conter o grito. — Ai, como eu queria ter visto isso! Deve ter sido incrível! É... — O ânimo da rosada começou a diminuir, vendo que a amiga continuava de cabeça baixa. E ela desconfiava que não era só pela timidez. — O que foi, amiga? Não me diga que ele se desculpou depos de te beijar? Essa é a pior coisa que um cara pode fazer.
– Não... — Niji negou. — Ele até... di-disse que que queria fazer isso... a bastante tempo.
– Oh. — Saori se surpreendeu. Sorriu mais uma vez, agora ternamente. — Bom, eu acho que ele podia mesmo querer te beijar a um tempo. Afinal, ele é dois anos mais velho que você, já tem dezesseis. — Comentou, tentando animar um pouco a amiga. — E acho que não deve ter sido tão ruim pra você, afinal você gosta do Iniko. Não gosta?
– Sim. — Niji respondeu baixinho, finalmente descobrindo o rosto ainda vermelho, que continha um sorriso. — Eu gosto muito do Iniko-kun.
– E então, qual o problema? — Indagou Saori.
– Não há problema. — Niji largou a almofada, para encarar a amiga. — Eu só... não sei o que fazer agora.
– Pois eu te digo! — A Uchiha se levantou de supetão, apontando um dedo na cara da ruiva. — Vá atrás dele agora e diga o que sente!
– Agora? — Os olhos de Niji se arregalaram.
– Claro que é agora! — Exclamou. — Niji, ele falou que queria te beijar; praticamente declarou que gosta de você.
– E-ele declarou? — As bochechas da ruiva esquentaram.
– Niji, acorda!! — A rosada acabou gritando, mas ela pouco se importava. Era a felicidade de sua amiga que estava em jogo ali. — O garoto que você gosta desde os sete anos e ama desde os onze praticamente admitiu que gosta de você. Vai atrás dele!
– E-eu vou pro clã ás seis hoje, não posso esperar até lá? — Niji pediu.
– Esperar cinco horas? Nem pensar! — Negou a rosada. — Só penteia esse cabelo e vai, anda! — Mandou, tirando uma escova de cabelos do sacolão e dando para Niji. — Não entendo essa sua mania de deixar o cabelo do jeito que está quando acorda. Seu cabelo é curto, mas ainda precisa de cuidados.
– Hehe. — A ruiva apenas riu sem-graça.
♡♥♡♥♡♥♡
Depois de, literalmente, fazer o que Saori mandou, Niji agora corria pelas ruas de Konoha. A Uchiha tinha rasão, ela precisava falar com Iniko.
Niji não sabia direito quando havia se apaixonado pelo garoto. Desde que o conheceu, admirou-o; ele parecia ser tão forte... Mas então o tempo passou. Por sua admiração, ela pediu que ele a treinasse quando começou seu treinamento no clã Hyuuga, e foi aí que tudo começou. A Uzumaki foi conhecendo quem era Hyuuga Iniko de verdade, e descobriu que, apesar de ser um verdadeiro gênio incrivelmente forte e habilidoso, ele ainda era humano. Ainda era um garoto como todos os outros; generoso, meio inseguro, e com sonhos. E Niji, simplesmente, se encantou por esse garoto comum.
– Iniko-kun! — Ela exclamou, vendo o garoto que tanto procurava indo para o dojo onde sempre treinam.
– Niji-sama? — Iniko parou, estranhando ver a Uzumaki ali. — O que...?
– Não diga nada, por favor. — Niji pediu, antes que ele completasse. Com a respiração meio ofegante e o rosto vermelho, ela reuniu toda a sua corajem e o encarou. — Eu quero saber: Você gosta de mim?
Direta nunca foi um adjetivo que alguém pudesse usar para descrever Niji; porém, naquele momento, apenas esse podia descrevê-la. O Hyuuga se surpreendeu, tanto com a atitude da ruiva, quanto pela pergunta.
– É claro que gosto. — Ele sorriu, o sorriso que Niji tanto conhecia e adorava: simples, singelo, porém único. Mas o que ela não sabia era que por dentro, o garoto tremia de nervoso. — Quem não gostaria de...
– Não é disso que estou falando! — A ruiva exclamou, assustando-o. Niji ainda estava com o rosto corado, mas agora seus olhos estavam marejados, na ameaça de lágrimas. Aquela visão abalou Iniko, tudo o que menos queria era fazê-la chorar. — V-você... você me beijou ontem e... disse que queria isso a bastante tempo. Então eu preciso saber, Iniko-kun! Preciso saber porque... — Inspirou bem forte. Seria agora. — Eu amo você!!
E sobrou o silêncio, apenas quebrado pelo farfalhar das folhas no vento. Niji tinha fechado os olhos, não lhe restou corajem para ver a reação de Iniko; e sentir seu coração batendo forte contra a caixa toráxica não ajudava a se acalmar.
Já Iniko estava sem reação, sua face era a representação viva do puro choque. Mas essa expressão durou poucos segundos, antes que um minimo sorriso nascesse em seus lábios.
– Niji-sama. — Ele a chamou. E ela reabriu os olhos ao notar o tom alegre do garoto. — Isso que você disse é sério?
– Ahn... Aham... — Niji respondeu num murmúrio, olhando para os próprios pés.
o garoto mal conseguia respirar. Ficou paralisado, sem nem piscar. Niji já estava ficando assustada e ia perguntar se estava tudo bem, quando Iniko teve a reação mais inesperada: Ele a abraçou.
– I-Iniko... kun? — Chamou-o, sem entender.
– Obrigado. — Agradeceu baixinho, apertando um pouco mais o abraço. — Obrigado por me corresponder.
♥♡♥♡♥♡♥
Umas horas depois, na casa dos Uchiha:
– Tadaima! — Falou Saori, entrando em sua casa. Mas não obteve resposta. — Mãe? Sarada-nee-san?
– Saíram! — Alguém respondeu de sala. A rosada foi até lá e, como suspeitava, viu Itachi estirado no sofá, jogando em seu Nintendo DS. — Achei que fosse demorar. — Falou o moreno, sem tirar os olhos do jogo.
– E ia, mas a Niji arranjou coisa melhor pra fazer. — Contou Saori, sentado num espaço do sofá que o irmão cedeu. Se não o fizesse, ela não sentaria, já que Itachi, quando deitado, ocupava o sofá inteiro e um pouco mais. É, ele era bem alto.
– Ela arranjou ou você arranjou pra ela? — Perguntou o moreno, enfim pausando o jogo para encarar a irmã.
– É... foi meio a meio. — Saori brincou. Mas logo assumiu uma postura séria. — Depois de hoje, pode ser que a Niji e o Iniko se tornem algo mais. Está tudo bem pra você?
Saori, como a boa irmã observadora e enxerida que era, sabia muito bem que Itachi tinha uma queda por sua amiga ruiva, desde a época da academia. Mas sabia também, como a boa melhor amiga que era, que Niji não sentia o mesmo. Quer dizer, ela sentia, mas por outra pessoa.
– Por que não estaria? — Itachi fingiu desinterece, voltando a olhar para o jogo. — A Niji não é nada minha além de uma ótima amiga. E eu não tenho direito de exigir mais que isso.
– Teria se tivesse dito a ela o que sente! — Saori surrupiou o DS das mãos do irmão, encarando-o. — Você nunca tentou, Itachi. Nunca tentou dizer pra Niji que gostava dela!
– E adiantaria alguma coisa? — Ele questionou. — Ela sempre gostou daquele cara, você sabe. — Suspirou, tentando se acalmar. — É como dizem: Se você ama uma coisa, deixe-a ir. Se ela não voltar, é porque nunca foi sua.
– Awn. — Saori sorriu. — Bom, você já a deixou ir. Vejamos se ela volta. "Embora eu ache meio improvável." — Acrescentou em pensamentos.
– Você não tinha levado um monte de coisas pra casa da Niji? — Itachi tentou mudar de assunto. — Cadê aquele sacolão?
– Shi, verdade, eu esqueci lá na porta! — Exclamou a rosada, levantando-se apressada. Devolveu (jogou) o DS de volta para o irmão antes de sumir corredor a dentro. — Ah, mas antes que eu me esqueça — Ela voltou rapidinho, e Itachi a fitou. — Eu sempre achei que você ficava melhor com a Reiko.
Fale com o autor