A Nova Uzumaki
16 Especial 3 - irmãos mais novos
Notas iniciais
– Como assim eu vou ter que cuidar deles?! — Sarada questionou exasperada.
– Sarada, eu não tenho tempo pra isso. — Sakura falava ofegante, andando de um lado para o outro da casa, pegando, chaves, papéis e hora ou outra voltando por que tinha esquecido algo. — Você me entendeu muito bem.
– Mas, mãe, eu nunca fiquei sozinha com eles antes. — A Uchiha mais nova rebatia.
– Eu sei, e sinto muito por isso, mas não tenho escolha agora. — Sakura finalmente parou, mas foi para dar um suspiro esgotado. Saori tinha começado a chorar. — Por favor, preciso da sua ajuda.
Sarada pensou um pouco. Realmente não seria sacrifício nenhum para ela ficar com seus irmãos. E olhando para o estado quase desesperado de sua mãe, ela suspirou derrotada.
– Está bem, eu tomo conta da Saori e do Itachi. — Rendeu-se.
– Obrigada! Eu prometo te recompensar. — A rosada agradesceu, já saindo pela porta. — Tenham um bom dia.
Sarada abafou uma risada. Fechou a porta, que na preça sua mãe deixara aberta, e seguiu para o quarto dos irmãos. Entrando no quarto que era, literalmente, metade rosa e metade azul, a morena se aproximou dos dois berços. Itachi ainda dormia tranquilamente, mesmo com Saori chorando no berço ao lado.
– Shh... calma, Saori. — Falou com a irmã, pegando-a no colo. — A sua nee-san está aqui.
– Nee-san! — A pequena rosada exclamou, agora sorrindo. E tentou, como sempre, pegar os óculos da irmã.
– Nem pense nisso. — Sarada segurou a mãozinha da menina. — Você estava chorando só porque queria colo? — Se fingiu de brava.
– Não! — Saori respondeu. — Tô com fome.
– Oras, então vamos para a cozinha. — Decretou a morena, pondo Saori no chão e segurando-a pela mão. A menina até conseguia se manter de pé sozinha, mas precisava de uma ajuda para andar.
– Nee-san. — O murmúro baixinho chamou a atenção de Sarada. Ela olhou para trás e viu itachi, coçando os olhinhos semi-abertos.
– Também está com fome? — Indagou a morena, vendo o irmão balançar a cabeça, em concordância. Sarada deu meia volta, pegando o garoto. — Agora podemos ir?
–Podemos. — Saori respondeu. E Itachi apenas assentiu.
Auxiliando a irmã por uma mão e o irmão pela outra, Sarada enfim chegou à cozinha. Sentou Saori no cadeirão rosa e Itachi no cadeirão azul, e foi até a geladeira.
– Muito bem, vai ser cereal com leite pra mim — A morena começou, pondo o leite e a caixa de Nescau cereal sobre a mesa. — e vocês querem leite ou papinha?
– Quero papinha de maçã! — Saori pediu.
– Leite. — Disse Itachi.
– Certo, esperem só um pouquinho. — Falou Sarada. Ela preparou seu café (ou seja, juntou o leite e o cereal numa tijelinha), e depois preparou uma mamadeira para Itachi.
– E a minha papinha? — Saori questionou, vendo o irmão ser servido primeiro.
– Calma, apresadinha. — A mais velha falou.
Pegou o primeiro pote com papinha de bebê que viu na geladeira e deu para a irmã. Sarada sentou calmamente na mesa, mas antes que pudesse dar a primeira colherada em seu cereal:
– Nee-san — Itachi chamou. — Eu quero leite com Nescau.
– Ah, tá. — Sarada foi até o armário, procurar o pote de Nescau. — Hm... eu não estou achando.
– Eca!! — Saori exclamou de repente. — Eu detesto papinha de cenoura, nee-san! Eu quero papinha de maçã!
– Espera um pouco. — A mais velha pediu. Ela realmente não estava achando o pote de Nescau.
Olhou atrás dos pratos e finalmente avistou o pote vermelho que tanto procurava. Mas quando estava para pegá-lo, ouviu o barulho de coisas caindo.
– Itachi! O que está fazendo? — Sarada exclamou.
Itachi tinha pego a tigela de cereais da irmã, e derrubado todo o seu conteúdo. Leite achocolatado escorria por toda a mesa e pingava no chão, e o menino se lambusava todo com o pouco de leite que ainda tinha no pote.
– Eu disse que queria leite com Nescau. — Foi a resposta de Itachi. E Sarada deu um tapa na própria testa.
– Nee-san, minha papinha! — Saori reclamou.
– Pronto, toma! — Sarada mais uma vez pegou a primeira papinha que viu. — Come quieta enquanto eu limpo isso aqui. — Se referia a lambança que Itachi fizera. — Espero que esteja arrependido, mocinho. — Ela falou com o mais novo, pegando um pano úmido para esfregar o chão. — Eu deveria mandar você limpar.
– Nee-san! — Saori chamou mais uma vez. — Você me deu papinha de cenoura de novo! — Reclamou, tacando o pote de papinha no chão.
– Saori!! — Sarada repreendeu. — Olha só o que você fez! — Gritou, encarando feio a irmã. Grande erro. Os olhinhos de Saori ficaram assustados e começaram a lacrimejar. — Ah, não. Por favor, não...
– Buá!! — O choro da rosada foi inevitável.
– Ora, vamos, me ajudem vocês... ITACHI! — Exclamou Sarada, vendo o irmão quase caindo do cadeirão. Pegou o menino antes que o mesmo se espatifasse no chão. — O que estava pensando em fazer?!
– Você disse que eu deveria limpar minha bagunça, nee-san. — Itachi respondeu em toda a sua inocência, e só então a mais velha reparou no paninho úmido nas mãos dele.
Sarada ficou intimamente agradescida, e com aquele gesto do irmão, ela finalmente se deu ao luxo de respirar com calma. Um pouco mais tranquila, olhou em volta. A cozinha estava uma verdadeira zona, Saori ainda chorava, e Itachi poderia se machucar ou só fazer mais bagunça se tentasse ajudar.
A morena encarou o telefone, e teve que engolir um bom pedaço de seu orgulho só em cogitar ligar para ele. Ah, não, ela não se rebaixaira a chamá-lo ali!
– Miau. — Um miado fininho foi ouvido.
Sarada olhou de onde o som vinha e viu, fazendo uma trilha de pegadas de papinha até nas paredes, o gatinho da casa. A morena sentiu um leve tique em seu olho esquerdo, encarando o telefone mais uma vez. É, não teria jeito. Se queria a casa ainda inteira para quando sua mãe voltasse, precisaria pedir a ajuda dele.
– Meu orgulho vai doer para o resto da vida, mas é por uma boa causa. — Murmurou, discando o número que já conhecia de trás pra frente. — Alô, Boruto?
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Depois de Sarada engolir um bolo de orgulho em sua garganta e Boruto ter um ataque de risos do outro lado da linha, a Uchiha agora esperava o amigo. Não se passaram nem cinco minutos desde que ela desligou o telefone quando alguém bateu na porta.
– Alguém tá precisando de reforços? — Exclamou um Boruto sorridente.
– Entra logo, seu idiota. — Rosnou Sarada.
– Muito bem, como está a situação aqui? — O loiro perguntou, olhando ao redor.
– Como assim qual é a situação? Eu te contei tudo por telefone!
– Sim, mas eu duvido que você tenha deixado os seus irmãos na cozinha toda suja, com a Saori chorando ainda por cima.
Sarada se surpreendeu, Boruto tinha feito uma analise, e estava correta! Ela teve de controlar um impulço de checar a temperatura dele.
– Eu limpei o Itachi e pus ele e a Saori lá na sala. — Falou a morena. — Ela já está mais calma, mas ainda está meio assustada.
– Ouviu, Niji? — Boruto perguntou para a irmãzinha, que segurava em sua mão. Sarada mais uma vez se surpreendeu, como não tinha reparado na pequena antes? — Por que não vai brincar com os seus amigos?
Niji, como responta, apenas assentiu com a cabeça. Soltou a mão do irmão e foi até onde os amigos estavam.
– Por que trouxe a Niji? Achei que você iria me ajudar com os meus irmão e não trazer a sua para termos mais trabalho. — Brigou Sarada.
– Essa é mesmo a sua primeira vez cuidando de crianças, né? — Boruto riu. — Regra númer um: a melhor maneira de distrair uma criança é, ou colocando ela para ver TV, ou trazendo um amiguinho. Você disse que a Saori ainda estava assustada, não é? — Sarada assentiu.
O loiro então foi até a porta da sala de estar e a chamou em silêncio com a mão. A Uchiha quase não acreditou no que viu. Saori estava sorrindo e rindo, ao lado de Niji e com uma boneca na mão.
– Viu? — Boruto falou baixinho. — Agora, me mostra a situação na cozinha.
E sarada o fez. Levou o amigo até a cozinha, deixando-o ver o estado do lugar.
– Haha, pareceu que o Taro andou aprontando. — Boruto riu, ao ver as marcas de patinhas por todo o chão e até no balcão. — Você já limpou as patas dele, não é?
– Claro que limpei! — A morena brigou.
– Tá bem, dona extressada. — Ele brincou. — Onde tem panos e rodos? — Sarada apontou para um armarinho. — Então vamos, eu vou te ajudar a limpar.
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Depois de vários minuto com panos úmidos e rodos se batendo, Boruto e Sarada finalmente tinham acabado de limpar a cozinha.
– Estou esperando seu obrigada. — Falou o Uzumaki, enquanto admiravam o trabalho feito.
– Hump! — Sarada apenas resmungou. — Se me dá licença, eu tenho que pegar uma papinha de maçã para a Saori. — Como fez das outras vezes, ela pegou a primeira papinha que viu na geladeira
– Você quer que a Saori suje a sala também? — Indagou Boruto.
– Claro que não quero! Por que?
– Você me disse que ela derrubou a papinha porque deu pra ela a de cenoura.
– E foi isso, e daí?
– E daí que você pegou outra de cenoura. — Declarou o Uzumaki. — E pelo que parece — Olhou dentro da geladeira. — só tem papinha de cenoura aqui.
– E agora? Minha mãe não deixou dinheiro, nem ir comprar eu posso. — Lamentou a Uchiha.
– Tá falando sério? — Boruto questionou. — Você não sabe fazer papinha? — Ele não se aguentou e explodiu em gargalhadas.
– E você sabe por acaso? — Questionou Sarada.
– Claro que sei. Aprendi a pouco tempo, mas sei. — O loiro sorriu debochado. — Quer que eu te ensine?
A Uchiha o encarou, sentiu o tique em seu olho e por um momento desejou ter o Amaterasu para queimar o idiota do seu melhor amigo. Mas por fim apenas bufou.
– Como se faz? — Perguntou em um sussurro, sem encará-lo.
– Em primeiro lugar — Boruto começou. — Tem maçã aí?
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– Pronto, Itachi. Agora além de limpo não está mais cheirando a leite com chocolate. — Sarada sorriu, terminando de vestir uma blusa preta com o símbulo do clã Uchiha no irmão.
– Mas leite com chocolate é bom. — Rebateu o pequeno. A morena apenas riu, ajeitando os cabelos negros ainda úmidos pelo banho.
Ela pegou na mão do irmão e ambos foram para a sala de estar. Boruto estava no celular, provavelmente jogando TETRIX, enquanto Niji e Saori assistiam Bob Esponja na TV.
"E não é que usar a televisão como distração funciona mesmo." — Pensou a Uchiha.
– Nee-san, Itachi, vem vê Bob Isponja. — Saori chamou.
E a pequena não tinha noção do receio que aquele pedido tirou dos ombros de Sarada. Ela nunca admitiria em voz alta, mas desde que gritara com a irmã e essa começou a chorar, teve medo de que sua irmãzinha não gostasse mais dela.
– Oe, Sarada. — Boruto chamou. — Quando a sua mãe volta?
– Quando o espediente dela acabar. Mais ou menos ás... — Pensou um pouco. — Quatro da tarde.
O Uzumaki bufou. — Passar meu dia de férias da academia na sua casa não estava nos meus planos.
– E quais eram seus planos? — Questionou Sarada.
– O nii-chan ia cuidar de mim hoje. — Niji respondeu.
– Niji! — Boruto repreendeu.
– Mais que dia agitado você teria, heim? — Riu a Uchiha. Boruto não respondeu, apenas emburrou a cara, afundando-a mais ainda no celular. — Ah, qual é, não seja chato. — Sarada reclamou, tacando uma almofada no amigo.
– Ei! — Brigou o loiro. Pegou a mesma almofada e arremeçou-a de volta.
Porém, Sarada foi mais rápido, e colocou Itachi em sua feente para se proteger.
– Isso doeu! — Reclamou o menino.
– Então taca de volta, Itachi. — Sarada incentivou, dando a almofada para o irmão.
Com um pouco de esforço, Itachi conseguiu jogar o objeto. E não parou só na primeira, afinal tinha uma poltrona cheia de almofadas ao lado dele.
– Ai, ai! Para com isso, moleque! — Mandou o Uzumaki, tentando se proteger com os braços.
– Isso, tá fazendo direitinho! — Sarada elogiou, sentindo um orgulho imenso do irmão por vê-lo arremeçar as almofadas em Boruto. E até resolveu ajudá-lo.
– Ei, dois contra um não vale! — Boruto protestou. — Niji, preciso de ajuda aqui!
– Hai, nii-chan. — A pequena Uzumaki bateu em continênsia, pegando uma almofada e indo ajudar o irmão.
– AGORA É GUERRA!! — Saori gritou, correndo para junto dos irmãos.
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Depois da Primeira Grande Guerra de Travisseiros, a sala dos Uchiha estava coberta de penas. E qualquer um que pudesse ver a cena que acontecia ali, diria "Awnn".
Boruto estava esparramado no sofá, com Niji aninhada do lado dele. E Sarada estava deitada no chão, em cima de algumas almofadas esparramadas, com Itachi e Saori agarrados em seus braços.
– Boruto? — A Uchiha chamou-o.
– Fala... — Ouviu o loiro murmurar sonolento, sinal de que estava quase dormindo.
– É sempre assim?
– Assim como...? — Boruto perguntou, ainda um pouco zonzo, mas virando-se para a amiga.
– Assim... ter irmãos. — Suspirou, mas acabou por sorrir. — Essa foi a tarde mais agitada da minha vida.
– Bem vinda ao mundo dos irmãos mais velhos. — O loiro brincou.
– Hum... nii-chan... — Niji murmurou.
– Dorme tranquila, maninha. — Boruto falou baixinho, aconhegando mais a irmã.
Vendo aquilo, Sarada resolveu deixar o amigo quieto. Olhou para os seus irmãos e sorriu. Ela tinha pedido por eles, e não se arrependia.
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