A Nova Saga
9 Uma Constelação desaparece
Notas iniciais
Vi Flavia e Alyne voltando do bosque ─ eu nem tinha visto elas irem para lá ─ com Annabeth e Thalia sorrindo, logo atrás vinha Percy conversando com Jason e, por último, Nico encarando o chão. Ele me parecia bem triste. Percebi algo estranho, enquanto Nico andava, as sombras pareciam se curvar em sua direção, como se tentassem chamar a atenção dele. Isso me preocupou, mesmo sendo filho de Hades, Nico não costumava ter esse comportamento… “depressivo”.
Apertei o arco e ele se transformou novamente em um pingente, aproximei-o do cordão e ele se grudou automaticamente, depois virei-me para Nico.
― Algum problema Nico? ― Perguntei logo que se aproximaram. ― Parece triste. Parece bem triste...
Todos pararam para observar a conversa. Olhos atentos esperavam qualquer sinal de concordância vindo do garoto.
Por sua vez, ele apenas me lançou um olhar triste e continuou andando, ignorando-me totalmente.
― Ei Nico! ― Corri até ele. O que há de errado? ― O que você tem? Fala de uma vez.
― Não é nada. ― Garantiu ele suspirando. ― Estou bem.
― Tem certeza? ― Desconfiou Thalia.
― Claro que tenho. ― Confirmou Nico veementemente.
― Pois eu não acredito em você. ― Rebati cruzando os braços.
Será que ele tem a esperança de conseguir mentir para mim?
Nossos olhos se encontraram por um momento, mas só por um momento, em seguida ele achou algo melhor para olhar.
― Pessoal, o que as caçadoras estão fazendo aqui? ― Quis saber Percy apontando para o alto da colina.
Bem onde fica a barreira que nos protege dos monstros, as caçadoras estavam reunidas, pareciam procurar algo no horizonte. Mas minha atenção se dirigiu a Ártemis que as acompanhava.
― Elas estão tentando farejar monstros. ― Respondeu Thalia indiferente.
― Farejar? ― Questionou Alyne ― Não seria “encontrar”?
― Também. ― Concordou Thalia dando de ombros.
― E como sempre Ártemis está junto. ― Comentou Percy o que seria o obvio.
― Ah não, dessa vez Ártemis não se juntará às caçadoras. ― Negou Thalia. ― Ela só veio buscar Viviane.
― Como é? ― Todos perguntaram em uníssono.
Eles ficaram pasmos olhando para mim. O que eu faço?
― Não contou a eles? ― Questionou Thalia.
― Eu não sabia que Ártemis viria me buscar. ― Me defendi. Eu não sabia mesmo.
Ela revirou os olhos, irritada e tentou esclarecer:
― Ártemis vai treinar Viviane para ser caçadora.
Espera. Não foi esse o combinado... Será que ela não sabe ou só não foi com a minha cara?
― Não gente…
― Apresse-se Viviane! Já estamos de saída. ― Avisou uma das caçadoras mantendo-se a uma certa distância dos garotos.
― Preciso ir. ― Avisei pegando minhas coisas que estavam jogadas no chão ao meu lado. ― Espero vê-los novamente.
Me despedi de todos com um longo abraço, isso foi exceção apenas para Nico que se despediu com um aceno de cabeça. Afastei-me pensando no que levaria Nico a agir daquele modo comigo.
― Preparada? ― Questionou Ártemis quando parei a sua frente.
Dei mais uma olhada no grupo que ainda não havia se mexido. Alyne esboçava um alegre sorriso, Flavia tentava animar Nico, mas de nada adiantava. Voltei a olhar para a deusa e confirmei:
― Preparada para o que quer que esteja me esperando.
― Ótimo. Os cavalos já estão a nossa espera.
― Cavalos?
Ela deu um passo para o lado e assim pude ver os vários cavalos que nos esperavam. Todas as caçadoras já estavam montadas. Faltava apenas eu e a deusa.
― Vamos à cavalo? ― Questionei.
― Sim. Eu não posso simplesmente sumir em chamas com você junto, pode ser perigoso. ― Alertou ela.
― Mas eles não vão chamar muita atenção?
Ela riu e indicou que eu me aproximasse mais dos dois cavalos livres. Só então percebi:
― Pégasos. ― Corrigi a mim mesma. São Pégasos e não cavalos.
A viagem foi incrível! Viajar de Pégaso é realmente muito bom, além de ser refrescante. Estar tão perto do ar sempre me dava uma sensação muito boa, mas dessa vez parecia melhor. Apreciei o máximo que pude. Embaixo, a cidade movimentada que conhecia, transformou-se em um vasto campo livre de qualquer urbanização. Nos afastamos tanto da cidade e nem percebi. Estranho.
― Onde estamos? ― Gritei para Ártemis.
― Em um lugar só meu! ― Gritou a deusa em resposta.
Talvez um dia eu descubra o nome desse “lugar só dela”.
Fui praticamente arrancada de meus pensamentos quando o pégaso tocou o chão.
― O que vamos fazer primeiro? ― Perguntei ansiosa para começar os treinos.
― Entregue suas coisas às Ninfas e me acompanhe. ― Disse a deusa já começando a andar.
Antes que eu me mexesse, duas Ninfas entraram na minha frente e pegaram minhas coisas, sem dizer nada.
― Apresse-se menina! ― Disse uma das ninfas me empurrando.
Quando alcancei Ártemis, ela já estava numa espécie de arena, e posso dizer, essa é “A” arena.
Ela é dividida ao meio, um lado parece ter sido feito propriamente para lutas, o outro já guardava os alvos de arco e flecha, no fim dessa mesma área, havia um deposito que infelizmente estava trancado.
― Pegue. ― A deusa me entregou um arco comum e uma flecha com penas vermelhas.
Ia questionar o porquê de não usar meu arco, mas ela logo continuou.
― Acerte o alvo. ― Ordenou-me apontando para o alvo mais próximo.
Calma, Viviane. Concentração.
Rodei a flecha entre os dedos, preparei o arco, fiquei na posição certa e quando fui mirar, encontrei um erro.
― Ahn... É impressão minha ou tem um tronco bem na frente do alvo?
― Não, não é impressão. ― Negou Ártemis se aproximando. ― O tronco está sim na frente do alvo, e ele está fazendo o trabalho dele muito bem.
― E como eu vou acertar um alvo se mal o enxergo? ― Questionei indignada.
― O que? Você achou que seria fácil? ― Desacreditou. ― Tecnicamente, você é minha filha, e sendo minha filha deve ser melhor em arco e flecha do que qualquer outro mortal ou semideus. Qualquer pessoa poderia acertar sem o tronco a impedindo, mas você não é qualquer pessoa. Agora mostre que estou certa.
Suspirei sabendo que não ia ser fácil. Eu jamais usei arco e flecha em toda a minha vida, sim, eu devia estar muito nervosa, mas eu não estava. Sou filha de Ártemis, não sou? Deve estar no meu sangue. No fundo eu sei usar arco flecha. Ou espero saber.
Suspirei novamente. Está na hora de pensar bastante. Um alvo. Um tronco na frente do alvo. Que ótimo!
― Algum problema? ― Questionou a deusa.
― Eu não consigo... ― Cedi abaixando o arco.
― Claro que consegue. Ao menos tente.
― Eu mal consigo segurar o arco direito! ― Argumentei.
― Vamos, eu te mostro. Fique na posição. ― Ordenou ela se aproximando.
Voltei a posição em que estava. A flecha teimava em ficar solta!
― Calma. Você está tensa demais. ― Avisou… mamãe. ― Você está muito preocupada em acertar o alvo. Esqueça isso.
― Mas esse é meu objetivo. ― Defendi.
― Sim, esse é o seu objetivo sim. ― Concordou a deusa. ― Mas não tenha medo de errar. Abaixe um pouco mais o braço...
Ela abaixou um pouco mais meu cotovelo e ajeitou meus dedos de forma que a ponta da flecha ficasse entre eles.
― Agora sinta a flecha, ela é o seu instrumento de poder. ― A voz suave da deusa penetrava minha mente como um tipo de oração. ― Concentre seu poder nesse arco e principalmente nessa flecha. A magia está em você, passe essa magia para a sua arma.
Fechei os olhos tentando ficar em pura concentração. Senti um calafrio passar por meu corpo, puxei a flecha para traz e a soltei.
De forma rápida e ágil ela cortou o ar, mas não acertou o alvo.
Com frustação a vi cravada no tronco.
― Merda...
― Tudo bem, foi sua primeira vez. ― Consolou Ártemis. ― Tente de novo, dessa vez fique mais calma e mais concentrada.
Ajeitei uma outra flecha, soltei o ar e me preparei. Concentrei-me, sentindo de novo o mesmo calafrio.
Da mesma forma vi a bendita flecha cortar o ar. Mas com espanto vi a mesma ganhar uma cor prateada, no começo pensei que ela iria acertar o tronco novamente... ela não só acertou como também ultrapassou o mesmo e acertou o alvo.
— Pelos deuses! — Exclamei sem acreditar. Eu acertei! E ainda fiz a flecha ultrapassar o tronco!
— Como conseguiu isso? — Questionou Ártemis indo até o tronco e certificando-se que a flecha o atravessou mesmo.
— Eu não sei... Você que devia me dizer isso, não? — Rebati temerosa.
— Você é minha primeira filha. — Lembrou a deusa. — Tudo o que consegue fazer é uma surpresa pra mim. E devo admitir: isso foi uma surpresa e tanto.
Ri nervosa. Acho que esse treinamento terá muitas surpresas...
O dia passou mais rápido do que eu queria. Quando dei por mim, já estávamos no fim da tarde. Durante todo esse tempo fiquei treinando somente arco e flecha, na verdade treinei todos os tipos de arco e flecha. Ártemis me fez treinar de todos os modos imagináveis. Tive que acertar um alvo enquanto corria, enquanto me jogava no chão, de cima de uma árvore e entre outros modos. Claro que demorei bastante para conseguir acertar o alvo pela primeira vez, mas quando eu peguei o jeito ficou mais fácil. Mesmo assim, foi um dia bem agitado e proveitoso.
A noite já começava a aparecer quando fomos para a área de lutas.
— Soube que você é muito boa com facas. — Começou a deusa de forma suave. — Na verdade, me disseram que é um perigo com uma faca.
— Não me dou bem com espadas, com facas tenho mais sucesso. — Admiti sem graça.
— Agora vamos treinar mais esse seu talento e os poderes de Zeus. — Avisou ela. Depois virou-se e do chão pegou uma adaga e uma espada. — Disse que se dá bem com facas, portanto se sai melhor com laminas pequenas. Adaga não será um problema.
Ela me entregou a adaga e ficou com a espada.
— Vamos aproveitar que Zeus está de bom-humor hoje... Ele deixou o céu tempestuoso justamente para te ajudar. — Ela indicou o céu que não apresentava nenhuma estrela — Use isso ao seu favor. Concentre-se.
Será que tudo aqui exigi concentração?
Sem escolhas, fechei os olhos e tentei esvaziar minha mente.
— Sinta o poder da tempestade. — Escutei ela dizer. — Sinta o poder passando pelo seu corpo como se fosse a força do raio. Agora pegue essa energia e passe para adaga.
Senti uma corrente elétrica passando por todo o meu corpo, ela me dava energia, me deixou mais alerta. E de repente me manter de olhos fechados tornou-se difícil.
Quando ergui a adaga, uma corrente elétrica a cobria por inteiro. Um trovão soou ao longe. Grossas gotas de chuva já começavam a cair.
— Você está em seu território. —Disse Ártemis elevando a voz por causa do vento que começava a sobressair.
Percebi que ela preparou-se para o ataque com a espada em mãos, dizendo:
— Está é uma luta justa, equilibrada. Você está em seu território: chuvas, raios e vento. E eu faço meu próprio território, a caça pode estar presente em qualquer lugar. Prepare-se.
— Eu vou lutar com você? — Perguntei assustada.
— Não se preocupe. — Pediu ela. — Apenas veja como um teste. Prepare-se!
Ela foi a primeira a atacar, em minha própria defesa levantei a adaga e impedi o golpe. A deusa recuou parecendo surpresa com choque que levou de sua própria espada. Mas ela já havia começado essa luta e não sou eu que vou desistir.
Ela desferiu um golpe formando um arco, rolei para traz. Me pus de pé e avancei em cima de Ártemis. Ela tentou me bloquear com a espada, mas eu girei me abaixando, estava tão próxima de seu corpo que tentei golpear sua barriga, mas ela pulou por cima de mim exatamente como fiz com Nico, antes da captura.
Ela tentava de todo jeito não encostar diretamente na adaga. Pois, toda vez que sua espada tocava a mesma, uma onda de eletricidade a atingia. Além da eletricidade, a força do vento parecia penetrar em meu corpo, me revitalizando, deixando-me mais alerta.
Rapidamente ela golpeou e eu, mais uma vez, me abaixei sentindo o ar ser cortado pouco acima de minha cabeça, me virei para a deusa que tinha a espada apontada para mim.
Forcei minha adaga contra sua espada de modo que ela tivesse que ficar com o braço esticado na altura de meu peito, passei por baixo dele e lancei a adaga contra a lateral de seu corpo. Antes de acertá-la, Ártemis me deu uma cotovelada e eu cai de cara no chão, senti a parte chata de sua lamina tocar meu pescoço.
— Você lutou bem. — Ela falou enquanto eu me levantava. — Mas cometeu um erro grave… Nunca de as costas para seu oponente. Isso pode ser fatal.
— Sim, senhora. — Consegui responder.
— Vamos, de novo.
Lutamos até tarde, o céu estava limpo e eu podia ver novamente as estrela. O tempo havia acalmado bem ante de terminarmos, vai ver era por isso que eu sempre perdia. A deusa disse que não me preocupasse, pois estou só começando e ele já luta a éons.
— Ótimo treino! — Parabenizou Ártemis rindo. — Pode ir descansar agora. Você vai passar a noite na casa próxima ao lago.
Entreguei a adaga ela e fui em busca do lago. Não foi difícil encontra-lo, afinal, é um lago, não? A casa é simples, porém confortável. Algumas árvores a rodeavam e dali podia-se ver o lago e o reflexo da lua nele por um tempo. É o suficiente para uma caçadora.
Infelizmente, apesar de todo esse treino e do dia cansativo, não consegui dormir. Tentei de todo jeito, rolei para a direita, rolei para a esquerda, de bruços, de peito para cima. Nada. De nenhuma forma eu ficava confortável para dormir. Sabendo que não daria jeito, me levantei.
Decidi que o melhor no momento era dar um passeio por ai. O lago era o melhor lugar pra alguém sem sono. Sentei nas pedras e olhei para a água.
Encarei a lua normalmente, mas no momento em que meus olhos caíram sobre ela, senti algo crescer dentro de mim. Não entendi muito o que era, mas de forma automática fitei a luz do luar que banhava as arvores. Levantei-me e cheguei mais perto da dita arvore, quase sem perceber, me concentrei naquele ponto. Para meu espanto, quando movimentei as mãos, a luz lunar acompanhou meus movimentos, da mesma forma que as sombras acompanham Nico.
— Incrível!
Fechei as mãos e automaticamente a luz que banhava aquele ponto se comprimiu.
— Como eu faço isso?
— Faz parte de você. — Respondeu Thalia aparecendo ao meu lado.
— O que faz aqui? — Perguntei virando-me para ela.
— Sou uma caçadora, posso entrar quando eu quiser e onde que eu quiser. — Ela disse rispidamente.
Ok. Eu estava tentando ser educada com ela. Preferi não dizer nada, queria evitar uma discursão, mas parece que não era isso que ela queria.
─ Quando você fará o juramento? ─ Ela perguntou fria.
─ Mas… eu não farei juramento nenhum. ─ Respondi irritada.
─ O que? Ártemis te quis como filha, foi te buscar e te treinou, acha que ela faz isso com qualquer uma? ─ Ela gritou.
Senti uma onda de raiva me consumir e tentei me controlar, mas acabei explodindo.
─ Eu não sou você Thalia! Não vou ser uma caçadora. — Rebati irritada.
— Como não? Essa é a ordem. Ela escolhe, treina e você se torna uma caçadora. Simples. — Disse Thalia seca.
— Ártemis fez um acordo com Zeus. —Avisei sarcástica. — Ela também disse que as Parcas já traçaram meu destino, e ser caçadora não está nele.
— Isso não pode acontecer! — Exclamou Thalia indignada. — Você está quebrando todas as regras e ainda fez Ártemis quebrar o juramento!
— Que juramento?
— O juramento de castidade!
Só pode ser brincadeira...
— Não seja burra, Thalia. — Falei exasperada. — Ela não quebrou o voto de castidade, apenas me abençoou!
— E você se acha a tal com isso não é? Só porque também é filha de Zeus e abençoada por ela!
— Feri o seu orgulho foi? Ficou triste por não ser mais a filhinha do papai?
— Olha aqui…
— Olha aqui você garota! — Interrompi me aproximando, — Não sou obrigada a ficar ouvindo reclamações suas. Não importa se você é minha irmã, então vai à merda que é o melhor que você pode fazer!
— Vê como fala comigo! Não sou uma garota qualquer que é desafiada por uma pirralha!
— Pirralha é você sua patricinha metida a punk!
— Patricinha uma ova! E prefiro ser punk do que viver às custas dos poderes dos pais!
Eu ia pular no pescoço dela, mas, de repente, Ártemis surgiu descendo dos galhos de uma árvore próxima.
─ Parem agora. Vocês não são mais crianças para brigarem desse jeito. ─ A deusa disse se interpondo entre nós.
Mas, já era tarde, a raiva me consumiu de modo quase destruidor. Ártemis afastou-se automaticamente, escutei um estrondo ao meu lado e virei-me a tempo de ver a terra se abrindo. Pouco a pouco ela foi rachando-se e crescendo cada vez mais, como se houvesse um enorme formigueiro ali. Me sobressaltei quando a garra de um escorpião passou bem ao lado do meu corpo, a calda se sobressaiu logo em seguida, e minutos depois um escorpião inteiro estava bem ali, na minha frente.
― Ah meus deuses! O que eu fiz? ― Arfei desesperada.
― A lenda do escorpião! ― Exclamou Ártemis parecendo alegre. ― Depois de quase três milênios alguém conseguiu refazer meu ato!
O escorpião não possuía a cor normal, era prateado como a luz da lua, e era ENORME.
― Como eu fiz isso?!
― Faz parte da magia, mas nenhum semideus jamais conseguiu fazer tal ato! ― Eu devo estar louca, mas a deusa estava pulando de alegria.
― Então brota do chão, literalmente? ― Questionei.
― O que você achava? Que o chão se partiria e ele sairia do submundo? Isso já é feito do Hades...
Thalia parecia estar com medo, mas fazia de tudo para não demonstrar.
─ Incrível!
─ Olhe no céu. ─ Ela aponto para o mesmo. ─ Sente falta de algo?
Meus olhos passaram pelo céu muito estrelado. Foi fácil perceber que havia uma parte livre de estrelas...
─ A constelação de escorpião!
─ A ultima vez que sumiu foi quando eu o chamei.
O escorpião a minha frente começou a ficar agitado, como se esperasse uma ordem. Ele mexeu-se bruscamente e Thalia apontou-lhe uma flecha.
─ Por que ele ainda não atacou? ─ Seu tom era nervoso.
─ Ele obedece a ordens de seu dono, de quem o evocou. ─ Ártemis respondeu. ─ E agora, este parece não ser eu.
Ela olhou-me sugestivamente.
─ Quer dizer que… eu sou dona dele agora? ─ Indaguei assustada.
A deusa assentiu.
Mais uma vez ele se remexeu e Thalia deu um passo atrás, dessa vez eu não apenas vi que ela estava com medo, mas também pude senti-lo, como se eu estivesse olhando através do escorpião.
Ele deu um passo na direção dela que recuou rapidamente.
─ Ele pode sentir o seu medo Thalia, e eu também.
A expressão de Thalia endureceu.
─ Medo? ─ ela perguntou sarcástica. ─ De você? Já enfrentei coisas maiores.
─ De mim não, dele. ─ Eu apontei para o escorpião.
Novamente ele avançou mais um pouco em direção a Thalia.
─ Para Viviane. ─ Ela gritou. ─ Agora.
─ O que foi? É demais para você Thalia?
Ela me olhou com ódio.
─ Ok. Já chega as duas, não vou gastar minha noite ouvido vocês brigarem. ─ Ártemis nos repreendeu. ─ Viviane, faça ele voltar as estrelas.
Eu não sabia como fazer isso, a primeira coisa que me veio a cabeça foi ver no céu a constelação de escorpião e o modo como a terra rachou.
E foi exatamente o que aconteceu, a terra começou a abrir novamente e o escorpião foi engolido por ela. Olhei para o céu e ele estava lá novamente.
─ Agora, vão dormir as duas. Não quero ouvir mais nada.
Caminhei até a cabana pensando em tudo o que aconteceu hoje. E, por mais incrível que pareça, dormi profundamente.
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