Notas iniciais
Nossos antepassados...

— Quando vocês chegarem, explico melhor.

— Huh, certo. Até mais Impa.

— Até mais Zelda, cuide se.

— Obrigada, hehe – desliga.

Zelda desliga o celular e fita seus pés.

— Zelda? Tudo bem?

— Impa me disse que o caminho até o cemitério é perigoso... E só poderemos realmente entrar se tivermos uma arpa e uma ocarina.

— Uma arpa e uma ocarina?... Pra quê?

— Eu não faço a mínima ideia – coça a cabeça.

— Bem, talvez tenha algo a ver com sua antepassada?

— Hah, pode ser! Seria muito bom – sorri.

— Tomara que ninguém nos atrapalhe como sempre acaba acontecendo.

— Eu não vou deixar – aperta as mãos – não vou bancar a boazinha.

— Ui, fiquei com medo agora – sorriso debochado.

— Cale-se bobo – bate em seu ombro – Hehe.

— Bem, estamos quase chegando... Vai ver seu pai primeiro?

— Eu não me sinto preparada para vê-lo ainda – junta as mãos.

— Entendo... Espero que eu não tenha feito nada errado – fica preocupado.

— Link, você não fez nada errado. Apenas abriu os olhos dele. Acho que se você não estivesse lá... Eu não teria escapatória... Acho que teria medo de fugir.

— Você não tem medo quando tá comigo?

— Nunca. Sinto-me mais segura com você do que com aquela dezena de guardas que cercam o castelo – sorri.

— Puxa isso pra mim é uma honra – sorri.

— Acredite, estando com você jamais sentirei medo... Estranho, não tenho essa sensação nem mesmo com Impa que é minha babá e minha guarda costas!

— Tem razão... Será talvez outra pista sobre a sua antepassada?

— Huh, pode ser que sim!... Espero que encontre mais respostas.

— Vamos correr atrás para descobrir... Vamos para mais aventuras, como fazíamos quando éramos pequenos lembra? Haha da vez em que ficamos dois dias atrás do seu primo? Hahaha.

— Hahaha como posso esquecer! John ficou perdido em um bosque, porque achou que lá havia ninfas, hahaha – ela gargalhava.

— Hahaha, lembra quando o encontramos abraçado num tronco de árvore, e dizendo que era o braço da ninfa das plantas?! Hahaha!

— Oh meu Deus, eu tinha me esquecido disso! Hahaha, aquele garoto não regula da cabeça, haha.

— Bem é seu primo não é? Hohoho – debochado.

— Link Hiroshi! O que está insinuando?! – põe as mãos na cintura.

— Hahaha, tô brincando! Zelda Hylia, você é uma figura – ri.

— É, sou raríssima. Poucos têm meu talento! – ajeita os cabelos.

— Sim, nem todas as garotas conseguem disparar seu coração com apenas um olhar não é – não se tocou do que acabou de falar.

— Huh? Eu faço isso com você Link? – fica corada.

— HAH?! AH BEM, SIM... QUER DIZER NÃO... QUER DIZER SIM, EU... PUUUUXA OLHA, JÁ CHEGAMOS! HAHA – “porque eu não fico com o bico fechado? Link seu inútil” – pensou ele.

Link estaciona o carro um pouco longe da garagem do castelo... Eles não queriam chamar a atenção... Impa estava no jardim, e os viu.

— Zelda! – corre e a abraça.

— Impa – a abraça forte.

— Olá Link – sorri.

— Ah, oi senhora Impa – sorri envergonhado.

— Sei que podia confiar em Link para salvá-la daquele pesadelo Zelda – acaricia seu rosto.

— Ah Impa, me sinto tão imunda por ter sido tão rude com você – começa a chorar.

Impa limpa sua lágrima – Não diga isso... Você estava certa – sorri.

— Bem, e então... Sobre o cemitério, o que tinha para me contar?

— Ah sim, sigam-me.

Impa os guia até a parte de trás do castelo, onde havia apenas um pequeno jardim e um pedestal em seu meio... O resto era a floresta, que parecia imensa e sem fim.

Impa pede que eles esperem ali, então ela entra no castelo... Alguns minutos depois ela volta e consigo traz uma ocarina azul e uma arpa dourada.

— Impa esses são os instrumentos? – pergunta Zelda surpresa com os objetos.

— Sim. Você deve estar se perguntando o motivo de eu ter trazido eles aqui, e em que eles irão ajudar vocês á entrar no cemitério não é... Bem... Isso permaneceu em segredo durante muitos séculos antepassados... E, creio que você sendo a próxima princesa da linhagem, tenha o direito de saber alguns segredos.

— Segredos? Como assim? – ela segura a mão de Link, nervosa.

— Veja... A princesa antes, muito antes de você, tinha o mesmo nome... Morava neste mesmo castelo, e no mesmo quarto que o seu. Esse castelo é realmente muito antigo... Os defensores da família real, os Sheikah, minha descendência, serviram a família real por muitas gerações... E por incrível que pareça, a servente da princesa se chamava Impa... A sua antepassada, perdeu a mãe com a mesma idade que você... E a servente, minha antepassada, cuidou dela até suceder ao trono... O tesouro da família real, o que eles mais estimavam naquela época, era a Ocarina do Tempo, assim a chamavam... Diz uma lenda que um bravo herói vindo da floresta foi destinado a salvar o antigo reino, que se chamava Hyrule, e junto á princesa, prenderia o rei do mal no reino sagrado por toda a eternidade, assim, trazendo paz e harmonia para a terra... Diz que o herói viajou pelo tempo, lutou bravamente, defendeu a princesa com sua lendária espada. Acredita-se que existiam seis sábios que protegiam Hyrule, e a princesa era a sétima. Acreditavam que um poder sagrado dos deuses havia escolhido o herói e a princesa para salvar as lindas terras. O poder chamava-se Triforce. Três deusas o criaram para aquele de coração puro, tivesse o privilégio de desejar paz na terra, assim, tornando-se o escolhido para salvar a princesa e o reino.

— O que? Isso tudo é verdade Impa?! – Zelda estava atônita.

— É uma lenda passada pela família real e os Sheikah. Creio que possa ser Zelda.

— Impa esse herói que salvou a princesa...

— Vocês vão se assustar com o que vou dizer agora... O nome dele era... Link.

— O QUEEE?! – exclamaram Link e Zelda.

— Ele a defendeu bravamente até seus últimos minutos de vida. Tornando-se o herói do tempo eternamente.

Zelda e Link estavam de bocas abertas... Link havia dito essa mesma frase á Zelda quando tinham fugido... O que está acontecendo?

— Impa, eu não consigo acreditar... Eu...

— Impa, isso tem a ver com nós?! – pergunta Link.

— Acredito que sim... A lenda também conta que o herói era muito jovem quando ele removeu a lendária espada... Então seu espírito ficou guardado no reino sagrado por sete anos... E quando ele despertou, já era quase um adulto... Antes de ele remover a espada do pedestal do tempo, a servente fugiu com a princesa, pois o rei do mal atacaria o castelo... Aquele que dizia ser fiel ao rei de Hyrule... A princesa deixou para o herói a tão sagrada Ocarina do Tempo... Assim ele poderia salvar Hyrule através do tempo... Quando ele se tornou adulto, alguém apareceu... Um Sheikah... Seu nome era Sheik... O que o herói não sabia era que Sheik... Era a princesa disfarçada... E consigo, Sheik levava a arpa dourada... Vinda de uma deusa dos primórdios, muito antes dos humanos... O nome da deusa era Hylia... Seu sobrenome Zelda.

— Ah! Então deixa ver se entendi... Provavelmente, meu pai vem da linhagem mais próxima a princesa, certo?

— Sim.

— Então, quer dizer, que... Link tem uma ligação com esse “herói do tempo” e comigo, porque naquela época, ele era o escolhido junto á princesa?

— Exatamente.

— Mas... Mas... O que aconteceu com o herói? E a princesa? Ahh ela se casou a força?!

— Isso não se sabe Zelda... Nunca nos foi revelado.

— Ah... É tudo tão confuso.

Link que até então estava de boca aberta, resolveu falar.

— Pode ter algo a ver, que Zelda e eu sejamos tão próximos? Sempre estivemos juntos, sempre fomos grandes amigos. Pode ter alguma ligação com nossos “eu” do passado? Seremos reencarnações? – quase que se percebe uma faísca saindo de sua orelha.

— Não sei se isso pode ser possível... Mas é o está parecendo – até Impa estava surpresa.

— Bem e o que devemos fazer então? – pergunta Zelda.

— Diziam que para entrar no cemitério, o herói tocava a ocarina, e a princesa a arpa.

— Mas não sabemos tocar! – os dois exclamaram juntos.

— Tentem! – entrega os instrumentos para eles.

Zelda segura a arpa de um jeito tão inesperado, como se já tivesse com ela antes... Link segura a ocarina e se surpreende com a sensação que sentiu. Parecia que os dois já estiveram ali antes... Juntos, um ao lado do outro, com seus instrumentos sagrados.

Impa havia entrado no castelo, e em seguida volta com uma partitura em mãos... Ela mostra a partitura aos dois.

— O que é isso Impa? – pergunta Zelda.

— É a canção que devem tocar... A princesa a guardou no cofre onde os instrumentos estavam.

— Então é esse o tal cofre que você sempre protegeu Impa?

— Sim.

— Zelda veja! Atrás da partitura, tem algo escrito! – Link aponta para o papel antigo.

— Ah! Tem razão!... Huh, meu pai me fez estudar estes símbolos quando pequena... Huh aqui diz: “Toque minha canção e o caminho se abrirá...”.

— Zelda, veja o nome da canção – Impa sorri.

— Ah! Canção de ninar de Zelda?!

— Saiba que eu tocava para você, quando você nasceu – sorri.

— Impa isso é incrível – Zelda estava corada.

— Zelda, você tem uma história incrível! – exclama Link.

— Bem, vamos tentar Link? – sorri.

— Vamos – sorri.

Zelda e Link se preparam para tocar os instrumentos, olhando atentamente para a partitura que segurava Impa...

Então começam a tocar... Os dois estavam apavorados... Eles estavam tocando perfeitamente! Jamais um dos dois havia tocado instrumentos. A melodia saia perfeita, num tom suave e maravilhoso...

Assim que terminam de tocar, um feixe de luz ilumina o pedestal onde estão os dois, e da luz refletida nos dois, eles conseguem enxergar um caminho entre a floresta...

— Zelda...

— Link... – os dois se olham.

— Vão, e tomem cuidado – diz Impa.

Link segura a mão de Zelda... E entram na imensa floresta...

Notas finais
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