Notas iniciais
Imperdível para os fãs do filme, aproveitem! =)

Eu estava sozinha na varanda da minha casa em Nova Iorque, olhando para o céu escuro daquela noite sem estrelas. Porém, para compensar a falta das estrelas, lá estava ela, redonda e brilhante, a mais bela lua cheia que eu já havia visto. Grande e esplendorosa, não havia como se encantar com o seu brilho angelical. Às vezes sentia-me caminhando no solo daquela lua, como se eu fosse realmente capaz de realizar tal façanha.

De repente, a lua pareceu ouvir as minhas preces e liberou um facho de luz branca que ofuscou os meus olhos castanhos esverdeados. Por um segundo pensei que a lua tinha acabado de me cegar, mas quando me dei conta, estava equivocada em meu pressentimento. Enxergava perfeitamente. Mas algo estava errado. Onde estava o chão? Sim, percebi que os meus pés não estavam mais sobre o piso. Eu estava flutuando! De verdade! Eu, então, resolvi caminhar — ou voar — em direção à lua, pois queria vê-la bem pertinho de mim. Queria tocá-la. Quando já estava bem perto dela, senti um vento bem forte, talvez mais forte do que um tornado. Eu estava sendo sugada por um redemoinho! Antes que eu pudesse perceber, fui teletransportada para outra dimensão. Se a minha vida já não era muito boa, tinha acabado de piorar.

Cheguei a um local totalmente diferente de tudo o que eu já havia visto. Era enorme, tinha máquinas e uma linha de montagem de brinquedos. Uma fábrica! Uma fábrica de brinquedos! E cheia de duendes! Mas espera um pouco! Duendes? Eu me recusava a acreditar, mas no fundo eu já sabia muito bem onde estava. E as minhas suspeitas se agravaram ainda mais quando vi um velhinho bonachão de barba branca diante dos meus olhos. Eu não sabia se acreditava no que estava vendo ou se me beliscava para verificar se aquilo não era mesmo um sonho.

_Papai Noel! — disse eu, surpresa.

_Isso mesmo! Esse sou eu, o Papai Noel! Mas você pode me chamar de Norte se preferir. Você deve ser a Ronalda Franco. É esse mesmo o seu nome, não é?

_O meu nome é Roberta Franco. — disse, decepcionada — Pensei que você soubesse o nome de todas as pessoas da Terra, afinal você não entrega presentes para o mundo todo?

_Nossa, quem me dera ter toda essa memória, senhorita Franco! Não, eu não sou muito bom com nomes. Preciso sempre fazer uma lista das pessoas que vão receber os meus presentes durante o natal, porque muitas vezes me esqueço do nome de quase todo o mundo. Sou mesmo um grande bobo. — disse ele, gargalhando igual a um palhaço.

_Então, senhor Norte, você pode me fazer o favor de explicar porque estou aqui, na sua fábrica de brinquedos? Por acaso vai me colocar na lista dos bagunceiros?

_Não, não, claro que não, afinal o seu nome já está naquela lista. Você não se lembra do quanto você aprontava quando criança? E quando colocou o seu gato na máquina de lavar? Que coisa feia, menina, que coisa feia, Robertinha!

_Eu sei que fui uma criança muito mal criada, mas eu cresci dessa forma porque os meus pais morreram muito cedo. Porém, isso não vem ao caso. Não mude de assunto, por favor. Diga-me, porque eu estou aqui?

_Vai ser um pouco difícil explicar. Além disso, eu estou muito ocupado. A minha produção de brinquedos está atrasada e o natal já está quase chegando! Se quiser informações, peça ao Coelhão. Ele está na segunda sala à esquerda, fazendo um lanche. Se ele não estiver com muito mau humor, com certeza vai te explicar o que está acontecendo.

_Espera um pouco? Coelhão? Mas que Coelhão? Você está se referindo ao Coelhinho da Páscoa?

_Eu só sei que de coelhinho ele não tem nada! Agora vá logo, que eu preciso terminar os meus afazeres. Outra hora a gente se fala melhor, quando eu estiver menos atarefado, está bem? Sinta-se à vontade, senhorita Franco.

Agradeci ao Papai Noel, ou melhor, ao Norte. Dirigi-me à segunda sala à esquerda, bem ansiosa para conhecer o Coelhinho, digo, o Coelhão da Páscoa. E lá estava ele: Sentado numa cadeira, todo preguiçoso, devorando um ovo de páscoa de chocolate branco que parecia delicioso. Ele estava tão compenetrado em sua saborosa refeição que nem havia notado a minha presença. Surpreendi-me com o espantoso tamanho dele. Ele devia ter uns dois metros de altura. Obviamente, aquele grandão ali não tinha nada a ver com a imagem do Coelhinho da Páscoa que eu tinha na minha cabeça. Mas ele parecia ser uma boa pessoa, digo, um bom coelho. Tentei ser simpática com o Coelhão, cumprimentando-o de modo bem humorado:

_Olá, Coelhão!

Ele levou um susto tão grande que caiu da cadeira, deixando o seu ovo de páscoa apetitoso cair no chão. Ele ficou furioso com a situação:

_Será que eu não posso nem mesmo fazer uma refeição decente em paz? Aposto que você é a guardiã novata. Ah, que saco! Eu odeio esses novatos! Eles acham que podem fazer tudo o que der na telha, fazendo-nos de idiotas! Mas enfim, o que você quer comigo?

Definitivamente ele era muito mais ranzinza do que eu pensava.

_Calma, Coelhão! Eu só queria que você me explicasse o que eu estou fazendo aqui! Eu estou perdida!

_Como se não bastasse ter estragado a minha refeição, ainda por cima veio me importunar com essas dúvidas estúpidas? Olhe, menina, hoje eu não estou para brincadeiras. Se quiser explicações, fale com a Fada do Dente, ela está na sala 12, tirando uma folga com as fadinhas dela. Com certeza ela vai explicar bem melhor do que eu. Agora dá o fora!

_Nossa, mas que coelho chato!

_Ah, lá vem picuinha adolescente. Saia daqui!

_Está bem, está bem!

Saí da sala, furiosa. Eu estava com os nervos a flor da pele, com vontade de socar a cara daquele coelho mala sem alça, mas jamais poderia fazer isso, afinal ele era bem mais alto e forte do que eu. Enfim, o jeito era aceitar que nem todos ali seriam legais comigo, afinal cada um é de um jeito. Enquanto o Norte era super legal, o Coelhão era um azedo. Eu só queria ver como a Fada do Dente me trataria. Entrei na sala 12, morrendo de medo de a fada ser tão chata quanto o Coelhão. Quando vi, lá estava ela, tirando um cochilo com as suas pequeninas fadinhas que pareciam mais um bando de beija-flores. Ela e as suas fadinhas despertaram com o barulho dos meus passos. Eu cumprimentei a Fada do Dente do modo mais simpático possível:

_Olá, dona fada! Belas fadinhas você tem!

_Obrigada, Roberta. Lembro-me muito bem de você. E dos seus dentes, é claro! Você, desde pequena, tinha a melhor higiene bucal que eu já havia visto. Você escovava os dentes três vezes ao dia e sempre passava o fio dental com maestria. Você tinha os dentes mais brancos que eu já havia visto! Oh, e pelo jeito continua escovando muito bem os seus dentes. Que sorriso lindo você tem!

As fadinhas dela pareciam suspirar pelos meus dentes. Que bizarro!

_É... Valeu, eu acho. — respondi – Bom... Eu gostaria de saber por que estou nesse lugar maluco, cheio de seres mágicos. Por que isso agora? Eu estou me sentindo muito estranha!

_Querida, você foi escolhida pelo Homem da Lua para ser a próxima guardiã da infância. Você, ao lado dos outros guardiões, protegerá as crianças de todo o mal do mundo. Você é uma peça fundamental nos nossos planos. Parece que o Breu está planejando algo grande.

_Breu? Quem é esse tal de Breu?

_Ah, então ainda não te falaram sobre o Breu? Na verdade, eu nem gosto de tocar no nome dele. Dizem que atrai. Mas enfim, mais cedo ou mais tarde você teria que saber sobre ele. Ele é o Bicho Papão.

_O Bicho Papão? — disse eu, dando gargalhadas — Mas já faz anos que eu não acredito em Bicho Papão! Que bobeira é essa, afinal?

_Eu estou falando sério, quando você o vir, vai acreditar no que eu estou dizendo. Ele é muito perigoso. É pálido, está sempre de preto e é o responsável por causar o medo nas pessoas. O nosso dever é proteger as crianças dele.

_É, realmente ele deve ser alguém horrível.

_E é! E o Homem da Lua te elegeu para ajudar a detê-lo.

_Mas por que justo eu?

_Ninguém sabe.

Senti-me honrada por ter sido escolhida pelo Homem da Lua como a nova guardiã da infância, afinal sempre gostei de crianças, mas ao mesmo tempo estava assustada. Eu teria mesmo que lutar contra esse tal de Breu? Será que eu teria que dar a minha vida para salvar as crianças? Uma missão muito arriscada, mas ao mesmo tempo, muito heroica.

_Eu terei que deixar a minha família? — perguntei.

_Sim — respondeu a Fada do Dente, um tanto tristonha — Mas não se preocupe. Eles vão ficar bem. Você terá que se abdicar de tudo o que deixou em Nova Iorque, inclusive os seus avós, se quiser viver conosco. Não se preocupe, eles se sentiriam orgulhosos de você se te vissem aceitando essa missão tão nobre.

_Eu vou sentir saudade deles, mas se essa missão será tão importante assim, sinto-me na obrigação de aceitar. Feito! Mas e se eu não fizer um bom trabalho?

_Com certeza você fará um bom trabalho, Roberta, com certeza... Agora, você já conhece os seus amigos guardiões?

_Eu já conheço o Norte e o Coelhão.

_Vou te apresentar o Sandman!

Ela então me mostrou um simpático ser dourado de estatura extremamente baixa. Ele não falava nada, mas dizia muito, usando imagens de areia para se comunicar. Achei-o fofo. Ele era responsável pela produção dos sonhos das crianças durante a noite. Senti-me honrada em conhecê-lo, pois sem ele, jamais teria tido vários sonhos lindos durante a minha infância.

_Agora só falta você conhecer uma pessoa... — disse a Fada do Dente, mostrando-me um garoto da minha idade, de pele e cabelos brancos, que usava roupas simples e segurava um cajado.

O garoto se dirigiu até mim, sorrindo levemente.

_Prazer em conhecê-la, Roberta Franco. O meu nome é Jack Frost. Produzo a neve, como você já deve saber.

Ele estendeu a mão para que eu pudesse cumprimenta-lo. Apertei a sua mão e percebi que ela era extremamente gelada. Mas ao mesmo tempo senti que aquelas mãos geladas não eram quaisquer mãos. Eram especiais. E encantadoras. Também senti que, a partir daquele momento, mais do que tudo, eu precisava delas para viver.

Notas finais
Ufa, esse capítulo ficou um pouco grande, mas o trabalhão valeu a pena. Comentários, por favor ^.^