A Nova Guardiã

18 Perdido nas Sombras


Notas iniciais
Olá, gente! Ah, eu estou muito brava... Era pra eu ter postado esse capítulo ontem, mas a santíssima internet saiu do ar e não voltou mais :P Mas aqui estou eu, com um capítulo super criativo para suprir o meu atraso quase imperdoável! Aproveitem XD.

Lá estava eu, sozinha na fábrica, pensando naquele dia especial que eu tive com o Jack Frost... No momento em que eu estava patinando no gelo com ele, nada mais me importou, nem mesmo o Breu e o quanto ele me importunava. Eu sentia que se o meu namoro pudesse ser cultivado em paz mais vezes como naquele dia, as coisas seriam muito mais simples.

De repente uma estranha imagem apareceu bem na minha frente, assustando-me. Era uma garota da minha idade. Tinha os cabelos negros, os olhos castanhos e um semblante bem triste.

_Quem é você? – perguntei.

_Íris... Eu sou você, Roberta...

_Mas como assim? Como você apareceu?

_Não me pergunte como... Agora, indo direto ao ponto, não pense que eu vim a passeio... Eu estou aqui por uma coisa muito importante...

_É sobre o Breu?

_Sim, é sobre o Breu, Roberta...

_Muito bem, o que eu preciso saber?

_Eu tenho alguns detalhes sobre o passado dele, que eu acho que você gostaria de saber. Eu sinto muito por tudo o que ele já fez contigo... Depois que eu morri, digamos que ele tenha se transformado em outra pessoa... Uma pessoa pior! Antes ele tinha uma sensibilidade tremenda para com as artes... E eu achava essa a sua melhor característica! Ele desenhava e pintava como ninguém... E escrevia os melhores poemas que eu já havia lido... Mas depois que eu morri, ele se esqueceu da arte e da sensibilidade e se encheu de trevas...

_Talvez ele ainda escreva poemas...

_Sim, você está certa, ele ainda escreve, mas só escreve poemas tristes... Olha só, eu peguei isso no esconderijo dele, quando ele não estava lá... Eu precisava te mostrar isso! Veja, Roberta!

Eu peguei a folha que a Íris me deu e a li, em voz alta:

Perdido nas Sombras

“Ontem eu era um homem apaixonado pela vida

Hoje não passo de um infeliz mergulhado na escuridão

Tudo se perdeu em meio às sombras e às trevas.

Onde está a alegria? Onde está a vontade de viver?

Pergunte ao vendaval que levou toda a minha esperança

E me deixou sem escolha, a mercê da vida ingrata

E das pessoas que desejam agora me apedrejar

Procurei pela minha felicidade perdida, em todos os cantos

Contudo, ela estava tão oculta que era impossível encontrá-la

Eu já era tão miserável que apenas a tristeza me estendeu a mão

E eu a aceitei sem rodeios, pois ela era tudo o que me restava

Naquele momento eu descobri que o meu cerne era a escuridão

E que não havia a mínima salvação para alguém como eu

Perdido, encarcerado, amarrado, acorrentado, sem saída

É assim que eu me sinto todos os dias, mas nunca me ajudam

Porque é sempre mais fácil fechar os olhos para quem se perdeu

Do que apoiar e dizer que a felicidade ainda vai florescer

Talvez eu devesse apenas me conformar e me deitar

Esperando os últimos dias, até os dias me consumirem

E a cortina da minha vida finalmente se fechar”

_Nossa! – Exclamei – Mas que poesia mais... Mais depressiva!

_É depressiva, mas eu até que gostei num ponto: Ele sabe expressar os seus sentimentos através das palavras como ninguém...

_Ao contrário do Jack Frost... – falei.

_Não estamos aqui para falar do seu namorado, Roberta!

_Calma... Você está muito nervosa!

_O Breu já te disse que nós somos parecidas, certo? Pois então, às vezes eu perco a paciência também... Eu estou falando do Breu e de repente você começa a falar sobre o Jack Frost!

_Você tem alguma coisa contra o Jack Frost? – indaguei.

_Talvez... Eu acho que ele não passa de um baderneiro com necessidade de atenção, sabe?

_Hum, pois eu penso que ele é simplesmente... Perfeito! Bom, parece que nós não somos tão parecidas assim!

_Aff... – resmungou ela.

_Hum, e voltando ao assunto... O que mais você tem a dizer sobre o Breu?

_Você gostaria de saber sobre a família dele?

_Sim, pode ser...

_A família dele era bem cruel com ele... A mãe dele nem lhe dava atenção, deixava-lhe sem amor e carinho, pois estava sempre ocupada com os seus afazeres. E mesmo quando ela tirava um tempo livre, nem olhava para ele... Ele se sentia deslocado e abandonado... Enquanto isso, o seu pai era autoritário e sempre dizia a ele o que fazer, não deixando o pobre coitado decidir nada... E quanto ele não o obedecia, recebia um tratamento agressivo, sofrendo humilhações... E a mãe dele nem intervia, pois era muito submissa... Na verdade, ela tinha muito medo do próprio marido, pois ele era bem violento! O Breu, então, cresceu como um garoto triste, principalmente depois de um assédio sexual que ele sofreu quando tinha dez anos...

_Nossa, mas a vida dele era... Era horrível!

_E foi por isso que ele matou os seus pais... Ele não suportava ver várias famílias unidas, amáveis e felizes e por isso prometeu que destruiria todas elas... A começar pela sua! É, ele vive dizendo que mata as famílias só para aumentar o poder dele, mas isso é mentira. Ele faz tudo isso por revolta. É que ele nunca teve uma família que realmente o amasse. E isso o entristece muito. Todos os dias.

_Por que isso, hein? Isso não vai ajudar em nada, não vai realizar o sonho dele de ter uma família de verdade! Por que o Breu é tão estranho, Íris? Por que ele vive estragando a vida dos outros, como se isso pudesse resolver a tristeza dele?

_Você não o entende, Roberta...

_Íris, ele matou os meus pais! Eu acho que eu estou sendo compreensiva com ele até demais, afinal qualquer outra pessoa no meu lugar já teria dado um fim nele, pois muitas vezes ele é simplesmente insuportável!

_Não diga isso, Roberta... Ele é uma pessoa problemática...

_Uma pessoa problemática? Aquele cara é um psicopata!

A Íris ficou furiosa e me segurou pelo pescoço:

_Jamais diga isso! Ele tem sentimentos sim! E eu o amo! Ninguém fala assim do meu namorado!

_Ele não é mais o seu namorado Íris – falei, sem desviar o olhar – Você está morta!

_Eu sinto muito, Roberta... – disse ela, soltando o meu pescoço – Mas eu acho que aceitar que está morto é a pior coisa do mundo... Como eu queria beijá-lo novamente... Mas esse amor seria proibido, pois nós pertencemos a planos diferentes... Eu sou um espírito da luz e ele é um espírito das trevas, sabe? Além disso, eu sou um espírito que se encontra preso ao seu corpo e não pode ficar muito tempo do lado de fora. Já ele é um espírito livre, pois não está dentro de nenhum corpo. Não há como nós dois ficarmos juntos...

_Mas, eu tenho uma pergunta que não quer calar... Se eu sou a sua reencarnação, como eu posso te ver?

_A verdade é que ninguém é formado por apenas um espírito... Roberta, os vivos têm dentro de si vários espíritos, talvez centenas deles... Todos eles advindos de vidas passadas... E eles influenciam de alguma forma na sua vida, positivamente ou negativamente. E muitas vezes esses espíritos podem se manifestar, mas só um por vez, pois senão, o equilíbrio entre o corpo e a alma seria interferido.

_E não há como o seu espírito se libertar do meu corpo para ser livre?

_Existe um modo, Roberta...

_Qual? – indaguei, curiosa.

_Um espírito só se liberta quando encontra o seu amor verdadeiro. Porém, esse amor deve, obrigatoriamente, pertencer ao mesmo plano do espírito. Portanto, eu não posso ficar com o Breu, pois nós pertencemos a planos diferentes!

_Nossa, mas que... Mas que loucura, Íris! Essa história de espíritos e planos não existe!

_Cabe a você acreditar, Roberta – disse ela, já desaparecendo em meio ao vento – E lembre-se, garota: Só você pode libertar o Breu das trevas... Só você tem esse poder...

Finalmente ela desapareceu por completo. Enquanto isso eu tremia de medo, já não sabendo o que pensar daquela experiência sobrenatural que eu havia acabado de vivenciar. Se bem que nada que eu estivesse vivenciando nos últimos tempos fosse muito normal... Eu era a fada do fogo, namorava o garoto da neve, era uma guardiã (ainda que não oficialmente) e salvaria o natal do Bicho Papão (WHAT?). Pois é, qualquer pessoa normal acharia isso muito estranho... Mas eu não... Porque no fundo eu era qualquer coisa. Menos normal...

Eu então comecei a me perguntar: Só eu poderia salvar o Breu das trevas? Mas como? Se ao menos eu soubesse o meu cerne...

De repente a porta se abriu. Era o Jack Frost

_Roberta! E aí, tudo bem?

_Sim, nossa, mas que animação. Por que, hein?

_Ah, é que eu fui ver o Jamie!

_Verdade? Que legal! E porque você não me levou junto?

_Eu queria te chamar para ir comigo, mas você estava dormindo de um jeito tão bonito que eu nem quis te acordar!

_Sério mesmo? E como é que eu dormia, hein?

_Você dormia com um sorriso lindo estampado no rosto... Parecia que estava sonhando com algo muito bom... Você estava tão quietinha... Tão linda... Ao contrário do Coelhão, que, enquanto dorme, é super indelicado porque ronca o tempo todo!

_Como é que ele ronca?

_Como um porco selvagem!

Eu não aguentei e acabei rindo. Ele também.

_Mas vem cá – falei – Por que o Coelhão foi escolhido pelo Homem da Lua como o novo guardião se ele é tão ranzinza assim, hein? A Lua deveria ter escolhido alguém mais paciente, você não acha?

_Sim, mas ele só foi escolhido porque por trás daquele jeitão carrancudo dele, existe o cerne, que é a esperança...

_Hum, e quando é que eu vou descobrir o meu cerne?

_Ah, isso eu não sei... Mas eu e os outros guardiões combinamos que quando você descobrir, nós vamos te tornar oficialmente uma guardiã!

_E como eu me torno oficialmente uma guardiã?

_Isso é simples! O Norte faz um pequeno discurso e pergunta se você jura proteger as crianças. Então você jura e ele te declara oficialmente um guardião!

_É só isso? Que simples! Eu achava que o processo era super burocrático!

_É, mas você tem que jurar de coração!

_Ora, mas eu vou jurar de coração, é claro! Eu sempre cumpro com a minha palavra!

_Hum, mas você tem a maior cara traíra!

_Eu sou tudo, menos traíra!

_Eu sei, amor, eu só estava te zoando! – disse, dando-me um beijo na bochecha – E, nossa, que roupa é essa?

_A Fada do Dente costurou pra mim! É só um vestidinho dourado, um pouco curto demais... Eu acho que ela tirou as medidas erradas! Mas... O que você achou desse vestido?

Ele então falou bem pertinho do meu ouvido:

_Muito sexy!

Eu fiquei vermelha, pra variar... Ele, então, começou a me beijar intensamente, deixando-me louca. Logo depois ele já estava querendo tirar o meu vestido, mas eu o impedi. Nossa! Como ele era apressado!

_Deixa de safadeza, cara! – falei.

_Então se lembre de nunca usar esse vestido perto de mim!

_Ah, está bem... Depois dessa eu vou é queimar esse vestido!

_Hum, aproveitando que o clima esquentou um pouco... Eu posso te fazer uma pergunta íntima? – disse ele, com aquela cara de safado que era a marca registrada dele.

_Ah, lá vem besteira! – comentei.

_Calminha aí! Eu só queria saber se você... Se você é virgem... – disse ele, bem vermelho.

_Ora essa! – falei, já um pouco alterada – É claro que eu sou! Você está achando que eu pego qualquer garoto que eu vejo? Nada disso, pois você não está namorando qualquer uma, está bem?

_Está bem... Mas a verdade é que eu... Eu também sou virgem! – Ele então ficou ainda mais envergonhado do que antes. Tentou esconder a cara, pois não se aguentava de tão vermelho que estava.

_Que lindo! – falei.

_Você acha mesmo, amor?

_Sim...

_Ah, você não existe, Roberta! – disse, sorrindo.

_Eu te amo! – falei.

_Eu também te amo, linda! – respondeu ele.

É, naquele momento eu só tinha uma certeza:

O nosso amor era eterno!

Notas finais
Que viagem, não é mesmo? Eu espero que vocês tenham gostado! Comentem e recomendem, por favor!