A Nova Guardiã
7 Leais Amigos
Notas iniciais
O Jack Frost e eu éramos finalmente namorados. Eu perdi o medo de amar, felizmente. A Fada do Dente providenciou a minha roupa de Fada do Fogo. Era um vestido curto que mesclava tons de laranja, vermelho e amarelo, além de um par de meias arrastão de cor vermelha. Os sapatos eram botas laranja. Havia luvas amarelas também. Tudo a ver com o fogo! Amei! Após vestir aquela roupa nova, o meu namorado me acompanhou até a casa do Jamie, para que eu conquistasse o meu primeiro fiel. Eu estava com medo de fazer alguma besteira, afinal eu ainda não sabia controlar os meus poderes direito.
_E se algo der errado? – perguntei.
_Deixa de ser boba, nada vai dar errado!
Nós chegamos à casa do Jamie. Era noite. Ele estava deitado em sua cama dormindo. O Jack Frost chamou a atenção dele, batendo o seu cajado na janela de vidro dele. Ele acordou e todo feliz abriu a janela para ele.
_Uhu, Jack Frost! Há quanto tempo! Que saudade! Já faz uns seis meses que a gente não se vê! Quais são as novidades?
_Eu trouxe uma amiga!
_Eu não estou vendo ninguém além de você...
_Hum, você se lembra de quando você não me via?
_Pois então, com ela é a mesma coisa. Ninguém acredita nela ainda. Ela tem o poder do fogo e se chama Roberta! Ela ainda está aprendendo a usar os seus poderes e quer muito que as crianças acreditem nela!
_Hum, eu entendo... Pois eu quero vê-la demonstrando o seu poder!
Eu gelei naquela hora. Ainda não sabia usar o meu poder. Mas naquela hora senti que deveria seguir o meu coração e que não poderia decepcionar aquela criança tão doce. Tentei me conectar ao poder que existia em minha alma e concentrar-me ao máximo para não fazer feio. Fechei os olhos e fiz algo que nunca pensei que faria: Um unicórnio de fogo que voava pelo quarto do Jamie! Nem eu mesma sabia que os meus poderes conseguiam fazer isso! O Jamie se encantou e começou a perseguir o unicórnio. Fiz com que o unicórnio explodisse no ar, espalhando fagulhas brilhantes por todo o quarto. Eu nem sei como eu fiz aquilo. Eu só sei que o que eu fiz foi realmente muito mágico. E simplesmente inexplicável.
_Gostou? – disse, mesmo sabendo que ele não me via, já que depois que você se torna um guardião, fica invisível aos olhos de quem não acredita em você. Na verdade, eu ainda não era uma guardiã oficialmente, mas como o meu poder estava ativado, eu já não fazia mais parte do universo humano.
De repente algo me surpreendeu: O Jamie me viu!
_Eu adorei esse unicórnio! Valeu Roberta! E, puxa, como você é bonita!
O Jamie era só uma criança, mas mesmo assim o meu namorado sentiu ciúmes:
_Ei, espera um pouco, garotinho, ela é a minha namorada!
_Vocês não tem nada a ver... Gelo e fogo...
_É, mas os opostos se atraem – disse o Jack Frost.
Convidei o Jamie a voar comigo e com o Jack Frost. Eu peguei a mão esquerda dele, enquanto o Jack Frost pegou a mão direita. Nós voamos por vários cantos da cidade. Conheci os amigos de Jamie. O Jamie falou tanto sobre mim e sobre os meus poderes, que eu acabei ganhando mais fiéis. Sim, todos os amigos do Jamie passaram a acreditar em mim! E eu me senti maravilhada, é claro! O Jamie e os seus amigos prometeram que falariam sobre mim às outras crianças, para que a minha história se perpetuasse. Que ótimo, afinal em alguns dias todas as crianças da cidade acreditariam em mim! O mais engraçado foi que eu percebi que conforme as crianças iam acreditando em mim, os meus poderes eram controlados por mim com mais facilidade. Então era isso? Quanto mais crianças acreditando em mim, mais controle eu teria sobre os meus poderes? Aquilo era mesmo perfeito!
_Parabéns, minha Bebetinha! Missão cumprida! – disse o Jack Frost.
_Não, nada disso! Essa é só uma parte da minha missão como guardiã. Eu ainda tenho muito o que aprender!
_É isso aí! Afinal até os grandes mestres não sabem tudo!
_Valeu pelo conselho! Você sabe das coisas!
_Na verdade, eu acho que não sei de nada. Como diz o Coelhão, não passo de um fanfarrão.
_Mas eu gosto do seu jeito de ser. Não tem como enjoar de gente que sabe como se divertir!
_Isso é verdade, afinal gente que não sabe se divertir não está com nada, não é mesmo? O legal mesmo é se soltar, ser você mesmo e ser feliz com isso!
_Concordo!
Nós então nos despedimos das crianças e voltamos para o Polo Norte. Eu percebi que o globo terrestre estava com mais luzes. As crianças estavam com mais fé nos guardiões e tudo isso graças a mim! Eu nunca pensei que eu poderia ajudar aquele time implacável de alguma forma, afinal perto deles eu parecia uma inútil, mas agora percebi o meu real valor. Eu devia mesmo ser alguém especial. Senti-me feliz por isso.
Treinei os meus poderes ao lado dos outros guardiões e fiquei impressionada com o fato de que já estava bem melhor. Conseguia fazer fogueiras, queimar papéis e produzir pequeninas bolas de fogo e faíscas.
_Nossa! Esse seu poder do fogo é mesmo muito louco – disse o Jack Frost – Eu acho que qualquer dia desses vai sair faísca quando a gente se beijar, Bebetinha.
Os outros guardiões pareciam envergonhados, exceto a Fada do Dente, que parecia encantada com o nosso amor.
_É... Voltemos ao treinamento! – disse o Norte.
Resolvi homenagear o Jack Frost e, no ar, fiz um enorme coração de fogo, eu nem sei como. Ele ficou surpreso e também quis entrar na brincadeira, fazendo um coração de gelo. O Sandman queria nos homenagear e consequentemente deixar o show mais interessante, por isso, para completar, fez também um coração usando a sua areia dos sonhos. Todo o mundo achou aquilo incrível, um verdadeiro show de efeitos especiais.
Porém, alguém parecia descontente com aquela alegria toda: O Breu. Um redemoinho se formou no centro da fábrica e dele surgiu o temido e poderoso Bicho Papão. Ele não estava nem um pouco satisfeito com a nossa agitação.
_Trocando juras de amor, estúpidos?
_É o que parece, não é, cara pálida? – disse o Jack Frost, sem medo.
_Hum, tudo bem, mas não é sobre isso que eu vim falar. Eu só gostaria de lhes dizer que não deveriam cantar a vitória tão cedo assim!
_Aonde você quer chegar com isso, seu idiota? – disse o Coelhão.
_Calma, calma, eu te explico, coelhinho ranzinza. Você sabe, o natal está bem próximo. Na verdade, falta menos de um mês, ou seja, o meu amiguinho Norte aqui já deve estar se preparando para a sua volta ao mundo anual, em que entrega os seus presentinhos sem graça. Pois então, vocês devem estar pensando: Oh, o natal está tão próximo, que legal! Assim que entregarmos todos os presentes, ficaremos ainda mais acreditados. No entanto não pensem assim, pois eu também tenho planos para o natal. E vocês podem ter certeza de que vocês estão envolvidos neles. É, eu acho que eu vou lhes dar um presentinho esse ano. Mas infelizmente eu não posso afirmar com toda certeza se vocês vão gostar dele. Bom, que venha o natal para que vocês possam descobrir. Enfim, já está na minha hora e como o recado foi dado, adeus! E é claro: Um infeliz natal para todos vocês!
E desapareceu em meio a um aglomerado de sombras.
Eu estava com medo e perguntei ao Jack Frost o que o Breu pretendia fazer naquele natal para arruinar os nossos planos.
_Não se preocupe! – disse ele – Nós faremos o possível para que o natal não dê errado! Mesmo que nós tenhamos que pagar com as nossas próprias vidas, faremos o possível para que tudo fique nos conformes, assim como sempre foi!
_Pagar com as nossas próprias vidas? Como assim? Você quer dizer que...
_Se nós queremos defender as crianças, precisamos colocá-las acima de tudo, inclusive de nós mesmos! O bem alheio está acima do nosso e pensar assim é o que faz de você um verdadeiro guardião!
_Eu não sei se eu consigo...
_Claro que você consegue... Eu não sei se você sabe, mas nós somos muito mais fortes do que pensamos.
_Isso é verdade! Nós precisamos ser corajosos se queremos vencer!
_Diz aí, Bebetinha, nós vamos vencer?
_Sim, nós vamos!
_É assim que se diz! – disse piscando para mim. Eu pisquei de volta e sorri. Naquele momento eu tive certeza: Recuar já não era mais uma opção. Jamais seria. Eu deveria ficar e lutar ao lado dos guardiões, pagando com a minha própria vida se fosse preciso, pois eu era uma vencedora. E vencedores de verdade nunca desistem! Nunca!
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