Notas iniciais
Quem é fã do casal Roberta Franco e Jack Frost vai amar esse capítulo *___* Eu acho que a música "Walking on Air" da Katy Perry tem tudo a ver com os dois ^.^ Quem me dera se o fanfic pudesse ter som, além de texto e imagens kkkkkk Mas, enfim, boa leitura :D

Lá estava eu, sozinha, trancada naquela sala, enquanto o Jack Frost batia insistentemente na porta. Eu não queria abrir para ele. Eu sabia que o Coelhão não havia sofrido danos tão graves assim, afinal os outros guardiões já estavam socorrendo o coitado, que provavelmente ainda estava desacordado. Por um segundo pensei que o pior poderia acontecer, quando de repente ouvi um grito do Papai Noel:

_Está vivo! Legal, o Coelhão acordou!

O Jack Frost então disse:

_Deixe-me entrar, Roberta! Aquilo que eu fiz foi um ato impulsivo! Eu não costumo agir assim! E olha só: O Coelhão já acordou! Está tudo bem! Desculpa se eu te assustei, por favor, me deixa entrar!

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ouvi o Coelhão, que já estava recuperado da pancada, brigando com o Jack Frost:

_Por que você fez isso comigo?

_Eu sinto muito, você me irritou! Eu não queria fazer isso com você, eu estou falando sério! Eu... Eu fui um ridículo mesmo... Como você mesmo disse, eu tenho a mentalidade de um moleque de dezesseis anos. Eu peço desculpas sinceras. Mas... Eu só te peço uma coisa: Não pisa mais no meu calo. Isso me chateia! Eu sei que às vezes eu te chamo de canguru e tal, mas eu acho que seria melhor se a gente fizesse uma trégua...

_Você está propondo uma espécie de acordo de paz?

_É isso aí, canguru!

_Fanfarrão!

Olhei pelo buraco da fechadura. Eles estavam se abraçando! De verdade mesmo! Eu estava enganada. O Jack Frost não era alguém mau. Ele só era um pouco impulsivo. Como eu fui estúpida! Eu acho que agi daquele jeito porque misturei os fatos. Quando ele bateu no Coelhão, lembrei-me da morte dos meus pais. Na verdade, sempre quando eu via atos de violência na rua ou na televisão, lembrava-me do assassinato que mudou a minha vida. Eu vivia confundindo as coisas. Eu então percebi que o Jack Frost não era violento. Aquilo era tudo coisa da minha cabeça. Foi naquele momento que eu percebi que aquele trauma da morte dos meus pais mexeu muito com a minha mente, por mais que eu tentasse negar. Eu então precisava fazer algo: Libertar a mim mesma!

_Jack Frost... Eu... Você... Você pode entrar se quiser! – falei.

Ele então se despediu do Coelhão que finalmente resolveu nos dar privacidade. O menino da neve entrou na sala, fechou a porta e falou algumas palavras para espantar a desconfiança que eu havia criado em relação a ele:

_Sério mesmo, eu não queria fazer aquilo... Eu nunca machuquei um amigo de propósito, essa foi a primeira vez... É que você mexe muito com a minha cabeça... E na hora que ele veio me importunar, eu não aguentei... Desculpe pela burrada que eu fiz... Você deve ter ficado muito assustada, afinal você não esperava isso de mim. Acredite, nem eu mesmo esperava isso de mim!

_Tudo bem, agora eu entendo... Eu também tenho que pedir desculpas, porque cheguei a pensar que você era como o Breu... E agora vejo que você não é nada disso... Você e o Coelhão já fizeram as pazes e está tudo bem... Eu sinto muito por ter pensado mal de você...

_Você não precisa pedir desculpas, pois fui eu que errei mesmo... Você tem toda a razão de ter achado que eu era um monstro...

_Não, você não é um monstro... De forma alguma...

_Obrigado, Bebetinha... Fico feliz por ter a sua confiança de volta.

_Esse apelido é engraçado demais! Você é muito hilário mesmo!

_É, eu sei, eu sou mesmo incrível, não sou?

_É sim, seu convencido, é sim!

Ele então viu que eu estava feliz novamente e resolveu descontrair um pouco, chamando-me para dar um passeio com ele na neve. Só nós dois. Aceitei o convite. Nós voamos para fora da fábrica. E de mãos dadas! A mão dele estava gelada como sempre. E ele fez questão de reclamar que a minha mão estava mega quente:

_Caramba! Dá pra fritar um ovo na sua mão!

_Não reclame da minha mão! Quando toco a sua mão, parece que estou dentro de um freezer!

_Hum, isso me faz pensar em uma das leis da física... Como é que era mesmo? Os opostos se atraem? É isso?

_Seu bobo!

Nós então pousamos em uma montanha cheia de neve. Eu não estava morrendo de frio, pois o calor excessivo do meu corpo me aquecia. Ele perguntou se eu sabia usar os meus novos poderes. Eu disse que não. Assim, ele treinou o meu poder do fogo, tentando me ajudar. Ele buscou um pouco de lenha e pediu que eu tentasse acender uma fogueira. Eu só fazia besteira! Jogava bolas de fogo nos lugares errados, provocava pequenos incêndios e houve até uma vez em que eu quase lancei uma faísca na cara dele.

_Pois é, você ainda precisa de muito treino! Fico feliz por ao menos não ter incendiado o polo norte inteiro.

_Ah não, agora você foi longe demais! – disse brincando.

_Hum, então agora é guerra? – respondeu ele, também em tom de brincadeira.

Ele me agarrou pelas costas e eu o agarrei também, como se fôssemos brigar. Começamos a empurrar um ao outro de brincadeira até que sem querer perdemos o equilíbrio e saímos juntos rolando montanha abaixo. Nós ríamos como duas crianças. Chegamos ao sopé da montanha, onde paramos de rolar. Ele estava em cima de mim, rindo bastante. Ele parou de rir e ficou olhando profundamente em meus olhos por alguns instantes. Eu também o olhava, admirando o seu belo rosto enquanto morria de vergonha. Ele começou a se aproximar do meu rosto. Naquele momento a possibilidade de alguém nos interromper era bem remota, afinal estávamos no meio do nada, no sopé de uma montanha no polo norte, pouco visitada. Aquela era a hora. Eu sabia muito bem que tinha vontade de beijá-lo, mas a vergonha parecia me corromper.

Mas ele nem me deu tempo para pensar. Quando vi, já estávamos enlaçados em um beijo completamente alucinante. Entreguei-me completamente ao momento, correspondendo ao beijo dele. Ele me acariciava no rosto, nos cabelos, nos ombros e na nuca. Aquele beijo foi simplesmente apaixonante, pois era do tipo profundo, extasiante e que nunca acabava. Ele estava me enlouquecendo. Naquele momento, senti-me infinita e percebi: Eu estava muito, muito apaixonada por ele, muito mesmo.

Quando o beijo finalmente terminou, ficamos nos olhando com cara de bobos. Estávamos vermelhos e ofegantes. Ele cortou o silêncio dizendo:

_Então... É... Você... É... Você gostou?

Abri um sorriso e disse, um pouco envergonhada:

_Adorei!

_Você beija bem! – disse ele.

_Que nada! Sou um fracasso!

_Nem um pouco!

Nós nos levantamos e ficamos nos encarando novamente. Que ótimo, nós parecíamos dois adolescentes idiotas sem saber o que fazer. Pois é, ficamos completamente sem reação. Não era bem isso o que eu queria, mas o fato de termos ficado sem saber o que fazer logo após aquele beijo era obra da vergonha. Estávamos muito vermelhos para dizer qualquer coisa. Resolvi, então, falar alguma coisa para que o clima não ficasse muito chato:

_É... por que você me beijou mesmo?

_Ei, espera um pouco, foi você que me beijou!

_Nada disso, foi você!

_Ah, está bem, vamos direto ao ponto! Eu te beijei porque... Porque... É que... Bom... É porque... É porque eu te amo! – disse, ainda mais envergonhado.

_Eu também te amo! – disse, sorrindo.

E nos beijamos novamente.

De repente uma sombra apareceu em meio à neve que caía. De novo o Breu apareceu.

_Hum, vocês sabem que eu odeio finais felizes. E só para não perder a piada vou estragar esse romancezinho água com açúcar que ninguém suporta.

Ele então me puxou pelo braço e disse:

_Ela ficará presa em meu esconderijo! E ai de você, Jack Frost, se tentar busca-la de volta! Se você aparecer por lá, vou acabar contigo! E com ela também, é claro.

Eu mal tive tempo de usar o meu poder do fogo, pois o Breu me deu uma pancada forte na cabeça. Quando eu vi, estava presa em uma jaula enorme, no tal esconderijo do Breu, provavelmente. Eu tentei usar o meu poder, mas percebi que a jaula era a prova de magia. Vi que o Breu estava do lado de fora da jaula, cínico como sempre:

_Então, preciso te contar algumas novidades. O meu poder está aumentando cada vez mais. Assustei várias crianças hoje, transformei sonhos em pesadelos, cometi mais alguns assassinatos e o melhor de tudo: Capturei-te! Isso é perfeito! Agora como você vai defender as crianças se está aqui? Pois fique sabendo que tudo isso o que eu fiz hoje me rendeu o bastante para apagar várias luzes no globo terrestre. Os guardiões provavelmente já devem estar mais fracos nesse exato momento, principalmente o Jack Frost, oh, coitadinho, o seu namorado agora deve estar sofrendo a beça. Eu até sentiria pena, se não fosse tão sádico quanto eu sou. Mas sabe, eu amo ser assim. A dor dos outros é o que mais me faz feliz. Eu simplesmente amo ver os outros sofrendo. Desculpe, mas eu nasci assim e não há como alguém me mudar.

_Não!

_Não o quê?

_Você não nasceu assim, Breu! Todo o mundo era alguém antes de se tornar um guardião ou no seu caso um vilão maldito. Você não se lembra de nada? Do seu passado? De quem você era antes de se tornar um ridículo que só é feliz pisando em cima dos outros?

_Eu bem que gostaria de me lembrar da minha família. Mas as sombras já cobriram demais as minhas memórias. Eu só lembro que um dia amei uma garota. Verdadeiramente. Mas essa lembrança é vaga demais. Só lembro que um dia, não sei como, perdi-a. É só disso que eu me lembro.

_Hum, parece que existe algo dentro de você, além da escuridão.

_Cale a boca. O meu cerne é a escuridão! E eu não sou nada além da escuridão. Nada!

_Deixe-me te mostrar que a vida não é só a escuridão!

_Como?

_Solte-me dessa jaula e eu te mostrarei!

_Não vai fugir?

_Eu prometo que não vou. Desde que você não me faça mal.

_Feito!

Notas finais
No Capítulo 6 explorarei um pouco mais o passado e a mente do Breu. É que eu sempre o considerei um personagem muito interessante e complexo, merecendo, portanto, uma análise mais profunda da sua personalidade. Não percam :D