A Nova Guardiã

22 Qual é o meu cerne?


Notas iniciais
Olá gente! Pois então, esse é o último capítulo da história **música triste** Eu estou muito chateada mesmo com o fim dessa linda saga, mas não se preocupem, pois eu tenho muitos planos para o ano que vem. Aguardem!

Hoje eu estava na fábrica do Norte, pensando no Jack Frost. Ele havia me provocado da forma mais surpreendente possível naquele dia em que tivemos a nossa primeira vez. Enquanto eu estava envolta em meus pensamentos, o próprio Jack Frost apareceu e disse:

_Você está com aquela cara de que está pensando em alguém...

_No Breu! – falei, só para deixá-lo preocupado.

_O quê? – disse ele, perplexo.

_Mentira! Eu estava pensando em você, seu bobo! – falei.

_Hunf... – resmungou ele – Agora você me pegou! Mas... Voltando ao assunto... Eu também estava pensando em você!

Eu sorri. Nós estávamos bem próximos, prestes a nos beijar, porém, os guardiões apareceram e quebraram o clima. O Norte disse:

_Eu acho que o Homem da Lua vai falar conosco! Eu sinto isso! Aqui, na minha pança!

_De novo você nos reuniu por causa da sua pança, cara? – disse o Coelhão – Mas você é muito filho da mãe mesmo...

De repente um facho de luz invadiu a fábrica, cegando-nos por alguns segundos. E lá estava ele: O Homem da Lua, em toda a sua glória. Os guardiões se assustaram, pois nunca o viram ao vivo e a cores.

_Quem é você? – perguntou a Fada do Dente.

_Eu sou o Homem da Lua.

_Há, eu sabia que ele apareceria! – disse o Norte.

_E por que você está aqui? – indagou o Coelhão.

Surgiu um ponto de interrogação sobre a cabeça do Sandman. Pois é, ninguém estava entendendo nada mesmo.

_Eu estou aqui porque eu preciso fazer uma grande revelação!

_Ah não, lá vem bomba... – disse o Jack Frost.

_Você não perde tempo em ficar calado! – disse o Coelhão, dando um tapa nas costas do Jack Frost.

_Muito bem... Se vocês me permitem prosseguir... – disse o Homem da Lua, já um pouco impaciente – Eu preciso lhes contar algo muito importante!

_Fala logo, você só fica enrolando! – falei.

_Calma, Roberta! Eu vim aqui para lhe revelar algo do seu mais pleno interesse!

_Do meu interesse? O que pode ser? Ah não, não me diga que o Breu seguiu o mau caminho!

_Aff, a Roberta só pensa no Breu agora! – disse o Jack Frost.

_Cala a boca, cara! Você sabe muito bem que isso o que você está dizendo é mentira! – falei.

_É, isso eu sei! Porque você só consegue pensar em mim... – disse ele, sorrindo de um jeito travesso, se achando o foda mais uma vez.

_Calem a boca! – disse o Homem da Lua – Vocês querem saber o que eu tenho a dizer ou não?

Eu nunca tinha visto o Homem da Lua tão nervoso assim. Quando nós finalmente nos calamos, ele disse:

_Eu preciso te dizer qual o seu cerne, Roberta!

_Sério mesmo? O meu cerne? Você sabe o meu cerne? – falei, toda alegre.

_Sim, eu sempre soube, mas eu sempre achava que ainda não era a hora de te contar. Entretanto, agora eu tenho a mais absoluta das certezas de que você está pronta para descobrir o seu cerne!

_Diga-me, diga-me! – falei, já gritando de tanta emoção.

_Primeiramente, eu preciso fazer um discurso... – disse ele.

_Aff, que saco! Eu não gosto de enrolação! – disse o Jack Frost.

O Coelhão deu outro tapa no Jack Frost e disse:

_Você só abre a boca pra falar besteira!

_Seu grosso, vai bater na sua mãe!

O Coelhão estava vermelho de raiva de tanta vontade de socar o Jack Frost até a morte, porém, com o velho e sábio Homem da Lua ali presente, ele teria que se controlar.

_Hum, continuando... – disse o Homem da Lua – Eu vou começar o meu discurso. Eu te escolhi, Roberta, como a nova guardiã, porque eu vi que você era uma menina insegura e que não tinha conhecimento da própria força interior. Então, eu sabia que só algo tão ousado como te eleger a nova guardiã poderia te libertar do cárcere do medo. Além disso, eu sabia muito bem que o Breu havia matado os seus pais e visto que eu não pude fazer nada para impedir aquela desgraça, senti que tinha uma enorme dívida contigo e que deveria te recompensar de alguma forma para que você ainda tivesse coragem de lutar, amar e viver. Portanto, tornar-te a nova guardiã seria o plano perfeito, pois só assim você aprenderia a lidar com as suas inseguranças e a se reerguer após a trágica morte dos seus pais, além de ser mais uma no time dos guardiões da infância, deixando as crianças ainda mais protegidas, da forma que tem que ser. Ah, e é claro, e o seu poder do fogo, de onde saiu? Eu te abençoei com ele quando você nasceu, pois eu sabia que você era especial e que precisaria dele para enfrentar os seus medos. E digamos que eu acertei na mosca, pois, em minha opinião, esse poder tem tudo a ver com você, pois você é tão surpreendente quanto o fogo que produz!

Eu estava prestando atenção em cada palavra que o Homem da Lua dizia, contudo, o Jack Frost não parecia muito contente com aquele falatório todo.

_Vá direto ao ponto! – disse ele.

_Você, como um bom namorado, deveria ser mais paciente, afinal isso é importante para a Roberta, mesmo que nada disso te interesse! – disse o Homem da Lua.

_Ih, tomou na bunda! – disse o Coelhão, rindo abundantemente.

_Cale-se Coelhão! – bradou o Homem da Lua.

_É Coelhão, você se fodeu! – disse o Jack Frost, baixinho o suficiente para que só o Homem da Lua não o ouvisse.

_Continuando... – disse o Homem da Lua – Como a nova guardiã, você evoluiu muito em diversos aspectos... No início, você estava perdida, mas logo depois foi obrigada a ficar e lutar contra o Breu! E a sua forma de pará-lo foi mesmo muito criativa! Ao invés de bater de frente com ele, você teve maturidade o suficiente para apoiá-lo, tentar entender o lado dele e descobrir um pouco mais sobre o passado dele... E olha que ele matou os seus pais! Era para você ter ódio mortal dele, mas mesmo assim você foi capaz de ajuda-lo! E o melhor de tudo isso: Você o levou para a luz, o que era, ao menos para o mundo inteiro, simplesmente impossível! Além disso, você conseguiu acertar as contas com o seu passado, conseguindo fazer com que o seu avô te visse! Isso sem falar na vez em que você conseguiu aparecer para o Jamie, mesmo ainda não sabendo controlar os seus poderes direito! E o seu plano fantástico para salvar o natal? Maravilhoso! Você é mesmo muito esperta! Acontece que você simplesmente superou todas as minhas expectativas, pois deixou de ser apenas uma menina triste e medrosa. Você se tornou uma mulher segura de si, que batalha para realizar os seus sonhos e que sempre enfrenta todos os seus medos com maestria, além de, é claro, ter perdido o medo de amar!

_Agradeça a mim! – disse o Jack Convencido Frost, levando mais um tapão do Coelhão pela sua inconveniente interrupção.

_Portanto, eu, o magnânimo Homem da Lua, direi agora o cerne da Roberta!

Eu já estava louca de ansiedade:

_Fala logo, chega de suspense!

_Está bem, Roberta... Sem mais delongas, eu afirmo que o cerne da Roberta é... A coragem!

Eu me senti honrada com o que o Homem da Lua disse. Quem diria, eu, aquela antiga menininha medrosa teria como cerne a coragem! Eu devia ser mesmo uma vencedora! Como eu estava feliz! E o que ele dizia era verdade. Eu era mesmo uma pessoa corajosa, mas não por não ter medo de nada, mas por não ter medo de enfrentar as minhas próprias inseguranças, o que é bem mais importante do que qualquer coisa! Realmente aquele era o meu cerne!

_Eu já sabia! – disse o Jack Frost, todo animado – Essa menina aí não tem medo de nada mesmo! Ela sim é uma garota de coragem! O cerne dela só poderia ser esse!

_E o seu cerne é a idiotice! – resmungou o Coelhão.

_Não, o meu é a diversão, cara! O seu deve ser a rabugice, certo? – retrucou o irreverente menino da neve.

_Aff, ninguém merece um mala sem alça que nem você!

Então, o Norte bradou:

_Há pessoal! Está na hora! Vamos fazer a cerimônia! Agora nós oficializaremos a Roberta como a mais nova guardiã!

_É isso aí! – falei.

O Norte, assim, abriu um grande livro e disse:

_Você, Roberta Franco, jura amar e proteger as crianças com a sua vida, não importando as circunstâncias que lhe sejam impostas? Eu digo isso porque as crianças são o nosso maior tesouro e o nosso maior orgulho. A infância é a melhor fase da vida e você tem o dever de mantê-la assim, mesmo diante de todos os problemas do mundo. Você jura?

_Eu juro! – falei, de coração, plenamente confiante.

_Eu, portanto, declaro que você, Roberta Franco, é a mais nova guardiã! Para todo o sempre!

Eu fiquei muito feliz ao ver que eu finalmente era uma guardiã de verdade, sem porém. Eu abracei o Homem da Lua, o Norte, a Fada do Dente, o Sandman e o Coelhão. Por fim, enlacei o Jack Frost em meus braços e o beijei profundamente da forma mais romântica possível. Ele correspondeu. Quando o beijo acabou, nós, então, sorrimos um para o outro. Naquele momento, vendo todo o mundo ali, acreditando no meu potencial e apoiando-me, percebi que eu era mesmo alguém muito especial, que tinha ainda muitas missões a cumprir neste plano. Muitas crianças a proteger e muitos trabalhos a fazer. E aquilo estava longe de ser algo ruim, pois tornar o mundo um lugar melhor para se viver era um enorme prazer para mim. Eu, então, levantei os braços e disse, pela primeira vez, sem qualquer vestígio de medo em meu olhar:

_Eu sou uma guardiã!

Notas finais
Os meus mais plenos e sinceros agradecimentos a quem leu, comentou, favoritou, acompanhou e/ou recomendou! Eu espero poder vê-los na minha próxima saga! Eu amo todos vocês ^.^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!