A Nova Guardiã

14 Íris: O Outro Lado


Notas iniciais
Vocês devem estar pensando... Como assim, Íris? Quem é essa tal de Íris? Fiquem calmos e leiam o capítulo até o final, pois se eu explicar, vocês não vão acreditar!

Eu estava feliz, ainda bem. Eu sentia que, sabendo que os meus avós estavam bem, a minha força ficava maior, pois a insegurança e a culpa já não me dominavam mais. Eu estava novamente deitada num monte de neve em um local um pouco afastado da fábrica, enquanto pensava na minha avó. Eu olhava para a lua, sorridente:

_Pois é, bela Lua... Eu acho que eu estou no caminho certo!

Uma voz por trás de mim, então, disse:

_E se alguém pudesse te desviar desse caminho?

De novo o Breu. Ele não!

Levantei-me e virei-me para ele, já furiosa:

_O que você quer?

_Nada, nada... Eu só... Eu só queria saber se você ainda se lembra do meu beijo roubado... Oh, é claro que eu beijo melhor do que o Jack Frost, certo?

_Eu não gosto de ser beijada sem o meu consentimento... E quantas vezes eu tenho que dizer que eu não quero nada com você? Que obsessão é essa, afinal?

_Isso não é uma obsessão! Eu já te disse que você lembra muito a garota que eu amava e que por isso eu passei a gostar de você! O que eu quero dizer é que você é o meu tipo, afinal é nervosinha do jeito que eu gosto! Isso é o amor, da forma que eu nunca senti antes!

_O que eu acho é que você está misturando os sentimentos! Eu não sou a garota que você amava, cara! Eu só me pareço um pouco com ela, mas eu não sou ela! Pare de buscar, nas garotas, o reflexo da mulher que você perdeu, Breu!

_Você não está entendendo, eu estou falando sério! Eu te amo!

_Mas quantas vezes eu tenho que dizer que eu não sinto o mesmo por você, Breu? Eu amo o Jack Frost!

_Repita isso, se você tiver coragem, sua bruxa!

_Eu amo o Jack Frost!

_Insolente!

_Eu não sou insolente por amá-lo. Você que é insolente por me obrigar a te amar! Pare me perturbar! Eu te odeio! – gritei.

Eu esperava que ele fosse tentar me atingir com as suas rajadas de areia negra, ou gritar como um louco, mas ele fez algo que eu pensei que ele jamais seria capaz de fazer: Ele, de repente, começou a chorar assim como um bebê! Chorar? O Breu? O maior insensível que eu já havia conhecido em toda a minha vida sabia chorar? Ele sabia chorar?

_Você não sabe o quanto você me machuca ao dizer que me odeia! Por que você não me dá uma chance, Roberta? Olha... Eu posso ser legal, eu...

_As suas lágrimas não me comovem, Breu!

_É difícil algo te comover, certo? Sabe, eu gosto disso em você! São poucas as coisas que te fazem chorar, certo?

_Sim, eu aprendi muito com a vida, Breu... Eu nunca fui de chorar a toa. Eu só choro quando eu realmente sinto que não dá para segurar.

_E o que te faz chorar, Roberta?

_Por que você quer saber isso?

Ele tocou os meus lábios com doçura. Espera aí, com doçura? O Breu estava mesmo diferente naquele dia. Ele então me disse:

_É que eu quero saber tudo sobre você! Tudo mesmo!

_Nem eu sei tudo sobre mim... – falei, enquanto me afastava dele.

_Por que você se fecha tanto assim para mim, Roberta? Pare de se afastar, por favor, isso me machuca muito... Eu... Deixe-me chegar mais perto de você, só uma vez, é só isso o que eu te peço, eu... – disse enquanto tentava me tocar com a sua mão esquerda.

_Não! – falei, enquanto segurava o braço dele com toda a força que eu tinha – Não me toque, por favor!

Algumas lágrimas escorriam desesperadamente dos meus olhos. Ele limpou as minhas lágrimas.

Antes que eu pudesse me dar conta, ele segurou a minha mão com delicadeza. Eu deixei. Ele então disse, olhando nos meus olhos:

_Eu não quero te ver triste, ainda mais se for por minha causa!

_Eu só queria saber uma coisa... – falei.

_O quê?

_Por que tanta contradição, Breu? Por que às vezes você é tão revoltado, tão amargo, tão frio com as pessoas, mas de repente se torna alguém doce e gentil, capaz de amar alguém? O seu olhar muitas vezes se enche de tristeza, fazendo-te chorar aos montes, assim como uma criança abandonada, mas de repente você disfarça isso e faz o possível para não esboçar qualquer tipo de emoção... Por que tanta confusão, Breu? Por que você é tão... Tão... Tão bipolar?

_Eu bem que queria saber responder a essas perguntas, mas eu...

_Você não se conhece muito bem, certo?

_Sim...

_Não se preocupe, a busca pela identidade é difícil, mas não se perca nas trevas... Eu nunca pensei que eu pudesse dizer isso, mas no fundo você é uma boa pessoa, eu acho...

_Obrigado, Roberta, você... Você é perfeita!

_Eu não sou perfeita, ninguém é!

_Pois para mim você é perfeita!

Ele, então, se aproximou lentamente de mim. Com certeza ele queria me beijar. Não, eu não queria isso.

_Não, para com isso, quantas vezes eu tenho que dizer que eu não te amo? Cara, eu queria saber de onde veio todo esse seu amor por mim, eu queria muito saber!

Uma terceira voz surgiu e disse:

_Eu posso explicar isso!

Um velhinho de barba branca e vestes simples se aproximou de nós, cumprimentando-nos.

_Prazer, eu sou o Homem da Lua!

O Breu ficou surpreso:

_O quê? Então você é o famoso e tão falado Homem da Lua?

_Sim, por quê?

_Eu achava que você não tinha a forma de um homem...

_Ora essa, eu sou o Homem da Lua!

_Ah, está bem, isso parecia óbvio! Aff, como eu sou burro! – disse o Breu, batendo na própria cabeça. – Mas, vem cá, por que você, idiota, está aqui, afinal?

_Eu explicarei porque você a ama.

_Eu achava que o amor era inexplicável, seu retardado!

_Olha o respeito! – retrucou o Homem da Lua – Você quer saber ou não?

_Está bem, eu quero saber. Manda logo a real, porque essa sua cara de merda me dá sono!

_Ah, se eu não fosse quem eu sou, eu juro que eu já teria perdido a paciência... Mas vamos direto ao ponto! Eu tenho uma grande revelação a fazer sobre a paixão que o Breu tem por você, Roberta – disse, pondo uma das suas mãos no meu ombro esquerdo. – Você, Roberta foi a Íris em uma das suas encarnações anteriores.

_Íris? Mas quem é essa tal de Íris? – Indaguei, curiosa.

O Breu, então, de repente começou a chorar.

_Íris, oh... É você mesma? Eu não acredito... Depois de todos esses anos eu a reencontro, linda como sempre! Eu... Eu...

_A Íris era aquela namorada que você... Que você perdeu, Breu? – perguntei, já esperando que a resposta fosse positiva.

_Sim, agora eu entendo porque você é tão parecida com ela, Roberta! Você é a Íris! A minha Íris! Mas... Espera um pouco! Como eu posso ter certeza de que você, velhinho, é mesmo o Homem da Lua e não um golpista?

_Eu vou te mostrar: Quando eu desaparecer, surgirão três grandes estrelas no céu. Adeus! E lembre-se, Breu, eu só espero que você encontre o caminho certo e saia das sombras. A Íris era uma pessoa incrível. E você também era. Liberte-se, Breu, liberte-se. – disse, desaparecendo em meio a um belo facho de luz branca.

E realmente apareceram três grandes estrelas no céu.

_Eu tenho certeza de que aquele não era um impostor. – falei, enquanto olhava para o Breu, que confabulava sozinho:

_Íris... Ela era maravilhosa... Eu não acredito que você é a reencarnação dela, Roberta! Bem que eu disse que você era parecida com ela! Então é por isso que eu me apaixonei por você, Íris, digo... Roberta!

_Desculpa, Breu, mas eu sou apenas a reencarnação dela! Contudo, eu não sou ela realmente, você entende isso?

_Tanto faz, eu te amo, Roberta, de verdade mesmo!

_Um dia eu te amei, Breu, quando eu era a Íris. No entanto agora eu sou a Roberta. E eu tenho que ir... Eu já levei muitos sustos por hoje... – falei, já me virando de costas.

_Espera, Íris!

Mesmo sabendo que o meu nome não era Íris, olhei por instinto. E de repente estava envolvida em um beijo completamente alucinante. Quando o beijo terminou, ele olhou bem no fundo dos meus olhos e disse:

_Para que você sonhe comigo, Íris...

_Não, Breu! Pare! Eu sou a Roberta, eu não... Eu não te amo!

E saí correndo, com muito medo daqueles olhos dourados.

_Você ainda será minha, Íris, lembre-se disso! E eu me vingarei de você por ter me rejeitado! Eu vou acabar com você e com aquele Jack Frost estúpido! Ah, se eu vou! – mesmo já um pouco distante dele, era possível ouvi-lo dizer isso.

Roberta e Íris... Agora eu tinha dois nomes...

E o Breu estava ainda mais louco por mim.

Olhos dourados, por favor, afastem-se de mim, eu... Eu não quero amar o Breu. Porém, eu tenho grandes chances de me apaixonar por ele, pois, em partes eu ainda sou a Íris... E se o amor que eu tinha pelo Breu, quando Íris, ainda estiver dentro de mim? Não, nada disso, o meu lado Roberta é muito maior do que o meu lado Íris e disso eu posso ter certeza!

Eu não poderia me apaixonar pelo Breu, nada disso.

Eu te amo, Jack Frost, independente de qualquer coisa.

E isso nunca vai mudar.

Nunca!

Notas finais
Pois é, o famoso Homem da Lua apareceu kkkkk E sim, a Roberta e o Breu já foram apaixonados, porém, em outra vida. Sim, isso é a maior viagem e mesmo que vocês não acreditem em reencarnação, procurem entender essa história maluca XD.