A Nova Geração - Hogwarts ano I
8 A detenção mais legal do mundo!
As férias de natal acabaram para tristeza geral e num piscar de olhos os garotos estavam passando sob o teto enfeitiçado do Salão Principal. Na Sala Particular Rose e Alvo mostraram os jogos que ganharam.
– Como conseguiram trazer tantas coisas? Seus pais não perceberam? – perguntou Escórpio impressionado.
– Tio Jorge – disseram Rose e Alvo juntos.
Escórpio mostrou a foto da vassoura que gostaria de trazer para o teste de batedor do time da Sonserina.
– Segundo o anuncio ela muda de direção só com um toque no cabo; vai ser muito bom para eu poder controlá-la e segurar o bastão.
– Pra falar a verdade prefiro a que usamos todo esse tempo; parece que tem vontade própria, mas eu gosto dela. É um graveto comparada a dos outros apanhadores, como diz meu irmão, eu sei. Mesmo assim...
– A diferença é você! Sua técnica e intuição primo! – disse Rose rindo.
– Não se esqueça a coragem. E uma insuperável capacidade de lidar com a dor! – Escórpio acrescentou.
– Entendi, vocês estão me gozando!
O jogo contra Sonserina foi o mais cheio de provocações. Alvo não estava disposto a perder tempo ouvindo Neff, sua turma idiota e até de colegas da Grifinória; então preferiu ignorar a todos. Seu desempenho era discutido entre os colegas mais velhos assim como sua vassoura. Tiago pediu emprestada a vassoura de um dos amigos, mas Alvo se recusou a montá-la. Os dois começaram a discutir.
– Você faz isso de propósito? Pare me fazer de bobo na frente dos meus amigos?
– É também, mas principalmente porque eu escolho com o que vou jogar!
– Seu cabeçudo!Preste atenção: O apanhador da Sonserina é muito bom; você terá que pegar o pomo...
– Antes dele?
– Você está em total desvantagem, então tente atrapalhá-lo; isso você consegue fazer direito. Não precisa se preocupar com o placar; localize e pegue o pomo... antes do apanhador da Sonserina.
– Mais alguma coisa?
– Só uma pergunta: o seu amigo sonserino pra quem vai torcer?
– Pra Casa dele óbvio, mas ele quer que eu me saia bem.
– Certo – respondeu Tiago com desdém.
– Só isso?
– Só, pode ir. Sua idiotice pode ser contagiosa, então...
O time da Grifinória se reuniu no centro do campo.
– Ele não vai treinar com a gente? – perguntou o capitão.
– Não, ele só tem uma coisa a fazer no jogo todo. Que segredo pode ter pegar uma bolinha dourada?
– Não ligue para ele – disse Camile sentada na arquibancada. Alvo quase nem a viu tão rápido estava andando.
– Ele não é menos idiota aqui do que é em casa. Teve um bom natal?
– Sim, e você?
– Eu moro com ele... – Alvo apontou Tiago – tire suas conclusões.
– Você tenta ser maldoso, mas não consegue.
– Quer dar uma volta? – Alvo disse de repente.
– Claro, está muito frio aqui mesmo. Onde estão Rose e Escórpio?
– Por aí conversando.
Foram caminhando até o castelo. Alvo não sabia o que dizer; sua cabeça estava vazia a boca seca então se lembrou de perguntar sobre a visita de Camile a sua casa anos atrás.
– Eu me lembro de você chorando no colo da sua mãe. Era tão bonitinho, quero dizer você ainda é.
– Obrigado – respondeu Alvo meio sem jeito. Parecia que Camile o achava uma criança. Teve de se conter para não contar sobre a Floresta Proibida e a criatura que enfrentaram; talvez isso a impressionasse. No Salão Principal Rose estava contando a Escórpio sobre o que o irmão e o avô aprontaram no dia de natal.
– Pelo menos isso fez minha mãe esquecer o broche! Ah, descobrimos uma coisa interessante: o tio do Neffasto, dono da loja de ingredientes para poções, mora na nossa rua. O primo dele é asqueroso e, pra variar, intimida outras crianças.
– Eu soube que Madame Rosmerta já expulsou Don Lancey do Três Vassouras algumas vezes – disse Camile. Rose e os garotos trocaram olhares; Camile era uma das poucas pessoas que confiavam em Hogwarts, mas chegaram a um acordo subentendido de ainda não mencionar suas suspeitas.
Ficaram conversando um bom tempo e Camile contou sobre a aula de Astronomia que teriam juntos; de repente Alvo começou a achar astronomia muito interessante. Tudo ia muito bem até Tiago a interromper e ela seguir com ele para a Torre da Grifinória. Alvo foi se deitar pensando no jogo de Quadribol dali alguns dias; pela primeira vez queria muito vencer. Achava que isso o deixaria mais interessante; as garotas o seguiam por toda parte quando passou no teste para apanhador. Seria muito bom se graças a ele Grifinória derrotasse a Sonserina. Melhor ainda se alguém derrubasse Tiago da vassoura ele só aparecesse no final com o rabo entre as pernas pra lhe pedir desculpas por ser um babaca e chamar Camile no meio de uma conversa tão interessante.
Durante a aula de poções do dia seguinte o prof. Slughorn se sentou várias vezes para tomar fôlego; os garotos cogitaram levá-lo pra a enfermaria, mas ele se recusou.
– É apenas a idade meus caros – respondeu o professor educadamente.
– Acho que não é idade – disse Rose para os amigos e o grupo na bancada.
– Como sabe Weasley? – perguntou Cinthia.
– Intuição. – Rose respondeu ainda com os olhos no professor que enxugava a testa com um lenço.
– Então não quer dizer nada – disse Cinthia dando de ombros. Rose não retrucou; não queria criar caso com Cinthia já que as duas ainda tinham um bom tempo juntas na sala de Kassin pela frente.
À noite Escórpio e Rose acompanharam Alvo até o campo de Quadribol. O time da Sonserina estava saindo após o treino e Alvo pode ver o apanhador sonserino cumprimentando os colegas do time antes de seguir para o castelo. Um cara muito alto, magro, negro e sorridente; Alvo nas pontas dos pés não batia nem em seus ombros. O time da Grifinória se preparava para começar o treino.
– O que faz aqui? – perguntou Tiago surpreso ao irmão.
– Vim treinar, isto é, se você não começar a me encher!
– Tudo bem então, vou enfeitiçar alguma coisa para você poder capturar – disse Tiago olhando em volta – espere aqui. Rose viu quando Tiago alcançou o capitão da Sonserina e conversaram por alguns minutos. O rapaz olhou para arquibancada concordou com a cabeça e veio na direção deles.
– Malfoy?
– Hã, oi. – Você pretende fazer teste para entrar no time ano que vem?
– Sim, para batedor.
– Bem, eu estou livre no momento e ano que vem vai ser uma correria para essa posição. Quer rebater alguns balaços para facilitar as coisas pra mim?
– Claro! – respondeu Escórpio animado.
– Boa sorte! – disse Rose quando o garoto saltou para o campo.
– Esquerda ou direita?.
– Sou destro.
– Isso é bom, que vassoura você tem?
– Pretendo comprar uma vassoura Voyage.
– É uma ótima vassoura para batedores, você conhece bem a posição?
– Jogo com amigos no verão.
– Ótimo. Acerte os balaços na minha direção.
Escórpio levantou vôo numa vassoura emprestada e acertou todos os balaços com força e precisão.
– Então? – perguntou Rose ao capitão da Sonserina.
– Ele é bom. É ágil e também parece ser bem calmo. Acho que vai se dar bem.
– Você e meu primo Tiago são amigos?
– Desde nosso primeiro ano. Pode descer! Acho que tem boas chances Malfoy!
– Parabéns! – disse Rose.
– Acha que devo escrever para papai?
– Você disse pare eu contar para minha mãe sobre o teste para auxiliar do prof. Kassin.
– É...
No final do treino Alvo e Escórpio só falavam de quadribol; Rose os deixou para conversar com o primo.
– Não entendo você Tiago.
– Por quê?
– Você tem amigos na Sonserina.
– Nunca disse que não tinha. Meu problema é com Malfoy.
– Acabei de vê-lo conversando com o capitão! Você indicou Escórpio...
– Não sei do que está falando.
– Certo... Você deu o Mapa do Maroto para Camile e não contou nada a Alvo e agora está retribuindo o favor de Escórpio ajudá-lo no Halloween...
– Camile fala alguma coisa sobre mim?
– Não, espere ainda não terminei.
– Acho que não há mesmo o que falar.
– Tiago, você a fez alguma coisa a ela?
– Mais ou menos.
– Por que você magoa as pessoas que se importam com você?
O barulho das torcidas da Grifinória e Sonserina tomou conta do campo no sábado de manha; Hagrid convidou Rose e Escórpio para assistirem o jogo ao seu lado arquibancadas; Hagrid os espremeu no canto; Escórpio colocou o braço direito ao redor dos ombros de Rose para lhe dar mais espaço. O dia estava gelado para voar. Os dois times fizeram a formação e Madame Hooch autorizou o inicio da partida. Alvo achou que se ficasse parado congelaria então deu uma longa volta para ver o campo. O jogo prosseguiu com a Sonserina já a frente do placar. De cima a paisagem em volta de Hogwarts tinha contornos únicos. A lateral do castelo, suas janelas e os telhados e até a Floresta Proibida parecia um lugar calmo e bonito. Alvo desceu para escapar do vento cortante. O apanhador da Sonserina achou que pela sua movimentação Alvo tivesse visto o pomo e o seguiu. Quando Alvo parou o apanhador sonserino o ultrapassou e foi acertado por um balaço bem no ombro. Alvo correu e conseguiu ajudá-lo a se equilibrar na vassoura.
– Você está bem?
A artilheira da Grifinória parou do lado de Alvo muito zangada.
– O que está fazendo?
Ele nem a ouviu; viu o pomo de ouro; apontou a vassoura e o seguia de perto até a vassoura começar a perde velocidade. O apanhador da Sonserina passou zunindo por ele, mas o pomo mudou de direção e desceu muito rápido. Os dois apanhadores desceram fazendo uma curva aberta para pegarem o pomo pela frente e acabaram batendo de frente. Foram direto ao chão. Madame Hooch paralisou o jogo, mas os dois apanhadores não pararam. O sonserino insistia em fazer a vassoura levantar vôo; Alvo saiu correndo a pé mesmo atrás do pomo. Sua vassoura veio em sua direção como se lesse seus pensamentos; Alvo a montou na corrida e conseguiu alcançar e pegar o pomo. As duas torcidas aplaudiram de pé a captura. Apesar de não valer; pois os jogadores tocaram o chão. O pomo voltou ao ar e foi capturado pelo apanhador da Sonserina logo em seguida; a vassoura de Alvo nem conseguiu ganhar altura. Quando o restante do time pousou olhavam para ele com raiva, mas logo pararam de reclamar. Todos sabiam que as chances da Grifinoria eram mínimas e, além disso, o apanhador sonserino também veio apertar a mão de Alvo.
– Cara, você é muito bom! E obrigado por tentar me ajudar Potter.
– Tem certeza que não vai reconsiderar e continuar sendo apanhador mano? – Tiago perguntou ao irmão que procurava pela prima e Escórpio.
– Parabéns Alvo! – disse Camile se aproximando – Você está sangrando. Deixe-me ajudá-lo. Alvo não conseguiu se mexer; sentia as mãos de Camile pelo seu rosto afastando o cabelo e examinado sua cabeça. A garota de alguma maneira fez o sangue desaparecer.
– Você está bem? – perguntou Rose ao seu lado. Alvo segurou as mãos de Camile.
– Obrigado. Tenho que ir.
– Ir? Por quê? Por um instante eles se olharam e Alvo deu impulso na vassoura mais feliz do que podia imaginar que ficaria em perder um jogo. Voltou para o castelo; começou a subir as escadas quase correndo seguido por Escórpio e Rose. Foram parar no quarto andar
– Pra onde estamos indo Alvo? – perguntou Escórpio.
– Não sei! Não sei! – respondeu Alvo abrindo os braços.
– Nunca estivemos aqui; nesse lado do quarto andar... – comentou Rose.
– Você acha que minha saída foi... ela ficou olhando quando saí?
– Ficou. Todo mundo ficou. Por que fez aquilo? Ela estava lá com você!
– Não sei – repetiu Alvo encostando em um quadro na parede. A sala onde estavam havia tantos quadros que quase não havia espaço entre eles. – Achei... que seria legal... Eu não sei o que pensei! Estou sentindo a parede vibrar!
Os quadros da parede se juntaram formando uma moldura única; as imagens ficaram opacas como se emprestassem todas suas cores para formar as figuras dos professores Neville Longbottom e Flitwick. Os garotos se esconderam atrás de um sofá. As imagens saltaram do quadro e a parede voltou a ser como era.
– Os aposentos dos professores! – disse Rose saindo de trás do sofá. – Olhem! É um quadro Madame Nor-r-ra!
– Não se mexam! – disse Filch aparecendo sabe-se lá de onde; seu rosto iluminado de alegria de pegá-los num lugar proibido. – Vocês não podem estar aqui! Garoto está pingando lama e neve no chão.
– Já estávamos de saída.
– Não vão sair assim; pode deixar essa vassoura comigo. Filch estendeu a mão para tomar a vassoura, mas Alvo a puxou.
– Não! – protestou. A imagem da profª Duggan se formou na parede e Filch apontou para os garotos.
– Ele tem que me entregar a vassoura!
– Já disse que não!
– Sr. Filch, a diretora McGonagall vai à Torre de Astronomia. Por favor, verifique se a sala esta condições de recebê-la. Eu cuido dessa situação; ia mesmo encontrar com esses alunos.
– A senhorita quer dizer verificar se algum aluno está dando uns amassos por lá? Filch saiu bem depressa; parecia que a idéia de pegar algum aluno fazendo o que não devia na Torre de Astronomia era mais interessante do que tomar a vassoura de Alvo.
– Filch espalhou quadros de Madame Nor-r-ra por aí; mesmo depois de morta essa gata continua a espionar a escola. Mas ele tem razão: aqui é a área norte do quarto andar; proibida aos alunos. Existem lugares em Hogwarts que vocês não podem e não devem entrar.
Novamente se formou imagens na parede. Desta vez era a diretora McGonagall acompanhada da profª Sinistra.
– Vocês... aqui... Realmente gostam de Hogwarts, não é? Tanto que não se cansam de explorar o castelo e estarem em lugares que não deviam.
– É, adoramos esse lugar – disse Alvo.
– Ótimo jogo Sr. Potter. Elizabeth cuide disso, por favor – disse a diretora se afastando com a amiga.
Das mãos da profª Duggan surgiram três envelopes que ela entregou para cada um. – Suas detenções. Sábado às nove horas estejam no Salão Principal.
– Mas já não fomos castigados?
– Sr. Potter, simplesmente achou que iam esperar poder ir para Hogsmeade para não ir e acabou?
– Sim...
– Que pena desapontá-lo.
Escórpio abriu o envelope e olhando o pergaminho na mão de Rose viu que o da garota também estava em branco.
– Sábado de manha vocês saberão. Agora vão e não voltem mais aqui. Não vão querer dar a Filch a satisfação de puni-los por serem desatentos, vão?
Os três concordaram e desceram em direção ao Salão Principal. Foram alcançados por Victorie acompanhada de mais duas garotas.
– Estava te procurando Alvo! Vamos fazer uma festinha no Salão Comunal para o time de quadribol.
– Mas nós perdemos.
– Mas o jogo foi incrível! Vamos lá! Tem um monte de gente querendo falar com você. Alvo imediatamente pensou em Camile, mas também sentiu um certo medo.
– Ah, não sei. Uma das garotas o puxou sorrindo. Alvo olhou para Rose e Escórpio, mas Victorie insistiu para o primo acompanhá-las.
– Vai lá aproveita! – disse Escórpio.
– Talvez eu fique um pouco.
– Assim que se fala senhor apanhador! – disse uma das garotas ao abraçá-lo.
– Vamos Rose – chamou Victorie – você precisa se...
– Vou ficar com Escórpio!
– Todo o pessoal da Grifinória está esperando por nós. Alvo vai com a gente; você tem que ir também. Não vai ficar sozinha com ele por ai! – disse Victorie puxando Rose para um canto.
– Você parece McGonagall – disse Rose começando a rir. – Desculpe prima, mas vou ficar com Escórpio.
– Não precisa... – respondeu o garoto.
As garotas olharam Escórpio como se ele tivesse lançado uma maldição em Rose.
– Não seja bobo! – disse Rose a Escórpio.
Victorie desistiu e saiu puxando Alvo com medo que o primo também desistisse. Por um momento Escórpio observou Rose o carregando pelo corredor. A garota acabara de dispensar uma festa com a família e amigos para lhe fazer companhia. No começo ficou desconfiado que Rose sentisse pena dele, mas ela sorria... Rose era a única garota da sua idade que ele gostava e, desde que voltou das férias de natal, tinha um cheiro muito bom que não vinha do cabelo longo castanho de mechas vermelhas como ele estava acostumado a sentir; Escórpio se distraiu por alguns segundos até descobrir que vinha do pescoço da garota e mesmo sob o cachecol vermelho e amarelo podia senti-lo.
– O que? – perguntou Rose.
– Só estava pensando.
– Em que?
– Não sei... coisas...
– Que coisas?
– Não tenho muita certeza.
– Como não tem certeza do que está pensando Escórpio? Ou você está pensando em alguma coisa ou não.
– Então não estava pensando em nada Rose.
– Você está pensando em alguma coisa.
– Você é especialista em Legilimência agora?
– Sou, você não sabia?
– O que estou pensando?
Rose se aproximou e colocou a mão na testa de Escórpio; fechou os olhos e disse numa voz engraçada:
– “Rose Weasley, a maior e melhor jogadora de xadrez de todos os tempos! Meu Deus eu nunca a derrotarei!”.
– Era exatamente o que estava pensando! Incrível!
– Eu sei. Obrigada! – disse Rose sorrindo. – Você me acha boba?
– O que? Você não pode descobrir o que eu acho? Não pode ler a minha mente.
– Gostaria de poder de verdade.
– Por quê?
– Não sei...
– É importante para você saber o que eu penso sobre você?
– Não realmente... Pelo menos não você.
– Ok. – respondeu Escórpio encolhendo os ombros.
– Não vai me dizer?
– Não. Você terá que descobrir o que será que Escórpio, esse fantástico e melhor oponente que já enfrentei no xadrez, pensa a meu respeito?
– Descobrirei algum dia... Quando eu realmente quiser saber...
Na manha de sábado os garotos se encontraram com as professoras Duggan e Grubbly-Plank no Salão Principal. Esperaram quinze minutos até Neville e a namorada conversarem. A profª Grubbly-Plank consultava o relógio impaciente e os interrompeu:
– Neville tem razão Elizabeth! É muito perigoso entrar na floresta e ainda mais acompanhadas de crianças!
– Hagrid estará conosco! E já que as crianças viram o Thuru; nada mais justo que participem da coleta de provas! – respondeu a profª Duggan.
– Eles serão sua responsabilidade! Isso é um absurdo!
– Vamos colher material do Thuru; vocês vão ajudar. Seguiremos com Hagrid até a parte da floresta que o vimos.
– E quase foram mortos por ele... – interrompeu a profª Grubbly-Plank zangada.
– Encontraram o corpo dele? – perguntou Alvo animado.
– Ainda não Sr. Potter, mas Hagrid deu um alerta aos centauros e se ele não foi devorado; eles o encontrarão. A professora conjurou três pares de luvas e entregou aos garotos. – Não toquem em nada sem luvas; se virem alguma coisa estranha ao nosso redor avisem.
Caminharam até um ponto na floresta. Estavam tão ansiosos que nem pareciam cumprir uma demorada e trabalhosa detenção.
– Rose, você me ajuda aqui; vocês dois ajudam a profª Grubbly-Plank.
– O que temos que recolher? – pergunto Escórpio.
– Vocês vão ver! – respondeu Hagrid rindo.
Rose e a professora examinaram algumas árvores. A professora retirou garras de um tronco com uma pinça. Rose prestava muita atenção.
– Abra um desses frascos, por favor. – disse a professora.
– A senhora vai mandar para algum lugar?
– Para o Ministério. Eles precisam de provas que o Thuru esteve aqui.
– Vai escrever sobre o que vimos e o que aconteceu aquele dia aqui na floresta?
– Apesar do perigo, não podemos negar que foi emocionante, não é? Por isso quis que vocês viessem; a profª Grubbly-Plank não tem a veia aventureira de vocês três.
– Acho que está no sangue deles! – disse Hagrid atrás delas.
– Que fique bem claro que não estou incentivando novas investidas insensatas como aquela.
– Foi estupidez – disse Hagrid.
– Muita – confirmou a professora.
– Mas acabou de dizer que temos veia aventureira e que foi emocionante.
– Estou me baseando no resultado final. A professora colocou vários frascos enfileirados no chão.
– Por que não faz isso com magia Elizabeth?
– Prefiro assim Hagrid e Rose é bem cuidadosa – respondeu a professora concentrada numa lasca de árvore.
– Como a mãe dela. A bruxa mais inteligente de sua geração. Rose fechou mais um frasco e colocou sobre a toalha no chão.
– Minha mãe não sabe cozinhar.
– Os dentes do Thuru nunca param de crescer, como os roedores, por isso ele rói o tronco das árvores – disse a professora mostrando um pedaço de dente a Rose.
– A senhora conhece criaturas da América do sul? Como as que vimos no Halloween?
– Uma coisa ou outra.
– Elizabeth foi uma das melhore alunas de Hogwarts. Imagino que só tenha ficado atrás de sua mãe, Rose. Ela é uma professora nível três; pode ensinar todas as matérias. Exceto Astronomia e Herbologia. – disse Hagrid orgulhoso.
– Também sou péssima cozinheira – disse a professora recuperando outro pedaço de dente preso num tronco. Rose riu e seguiu a professora recolhendo restos de animais e fotografando pegadas. – Vamos fazer uma pausa e ver como seus amigos estão se saindo com Grubbly-Plank.
Não estavam muito bem; Grubbly-Plank fez Alvo e Escórpio realizarem todo o trabalho por ela. Quando Rose e a profª chegaram perto deles taparam o nariz.
– No que vocês andaram mexendo? – perguntou Rose.
– Advinha! – disse Hagrid rindo. – Tudo que entra tem que sair!
– Bem, vocês poderão se lavar no Três Vassouras. Só falta lá para terminarmos. Vão na frente! – mandou a professora.
Escórpio e Alvo olharam para trás; Hagrid e Rose o seguiam rindo. No Três Vassouras os dois puderam usar o banheiro. Tiraram as luvas fedorentas e começaram a se lavar.
– Você não disse nada sobre a festa Alvo – perguntou Escórpio abrindo uma torneira de água gelada.
– Não tem o que dizer...
– Mas e as garotas? Você beijou alguma?
– Elas me beijaram! Não saíam de cima de mim. Nem pude falar com Camile! Ela saiu logo em seguida. –
Que chato.
– Tudo bem, eu não sei o que esperava mesmo. Ela é uma garota mais velha e monitora. Deve ter muitos caras querendo sair com ela.
– Acho que você tem uma chance, por que não teria?
– Não posso convidá-la para sair. Nem quando estiver no terceiro ano! E mesmo que pudesse nem saberia o que dizer; não sou como você.
– Como eu?
– Você sabe conversar com garotas.
– Nunca convidei uma garota pra sair! E nem sei como faria isso.
– E aquela garota da foto? Vocês são amigos, não?
– Ela nem conversa comigo. Fica só mandando corujas às amigas. A única garota com quem converso é Rose.
– Tudo pronto ai? – disse Hagrid do lado de fora do banheiro.
– Já estamos terminando! – respondeu Alvo.
Hagrid entrou espremido pela porta.
– Vejam só quem eu encontrei! Para surpresa de Alvo; Teddy Lupin veio lhes entregar toalhas.
– Estou trabalhando aqui agora!
– Este é meu amigo Escórpio.
Teddy é amigo de nossa família, afilhado do meu pai!
– Legal seu cabelo! – disse Escórpio olhando o cabelo e as costeletas azuis de Teddy.
– Onde está Rose?
– Ajudando uma professora; a profª Duggan.
– Ah, eu a conheço ela vem muito aqui.
– Teddy, eu e Escórpio estávamos conversando sobre garotas. Teddy namora minha prima Victorie.
– Namorava – respondeu Teddy – pelo menos até seu tio se acalmar. Ele não quer me ver nem foliado a ouro.
– O que aconteceu? – perguntou Escórpio.
– Ele descobriu que Victorie veio sozinha me ver aqui.
– Meu tio pensou o pior...
Ouviram a voz de Rose do lado de fora do banheiro.
– Saiam logo daí!
Os rapazes saíram e Teddy deu um longo abraço em Rose.
– Sentimos sua falta no natal.
– Eu também e senti principalmente fome. Não me digam que a avó de vocês fez pudim de pão com calda de vinho.
– Não, ela sabe que é seu prato favorito. Só vai voltar a fazer quando você voltar a Toca! Tem algum recado para Victorie? Eu levo.
– Você é a melhor, me da um minuto para escrever?
– Claro, vamos demorar um tempo por aqui.
Alvo continuou a perguntar para Teddy sobre garotas. Madame Rosmerta os avisou que a refeição para o grupo seria servida na cozinha da pousada para não chamarem atenção dos hóspedes. Alvo e Teddy ainda conversavam; Rose e Escórpio tomaram a frente com Hagrid.
– Você é amigo do Malfoy então? – perguntou Teddy a Alvo.
– Ele é um cara legal.
– É parece mesmo. Seus pais já sabem?
– Não, não tive oportunidade de contar, mas logo Escórpio ira passar o verão com a gente na Toca.
– Ele é meio que meu primo, mas pelo jeito não deve saber.
– Com certeza não sabe. – respondeu Alvo surpreso em esquecer esse detalhe.
Teddy observava Rose e Escórpio conversando animados. Bateu no ombro de Alvo.
– Você é um cara muito legal... continue assim, está bem?
– Ah, vou tentar! – respondeu Alvo sorrindo.
O almoço foi animado com Teddy contando o que ele e Tiago já tinham aprontando na Toca.
– Que pena seu amigo não poder mais voltar lá – disse Escórpio à Rose.
– Victorie chorou o Natal todo, foi muito chato. Ela disse que quando eu me apaixonar saberei o que ela estava passando.
– Tomara que não.
– Não mesmo!
Na mesa ao lado Rose reparou que profª Duggan fazia anotações ainda ouvindo reclamações da profª Grubbly-Plank.
– Elizabeth, tudo que encontramos prova que essa criatura esteve aqui. Temos a palavra de várias pessoas e três professores acho que já basta. –
Ainda quero dar uma busca na floresta. Não hoje é claro, mas em breve – respondeu a profª Duggan.
– Elizabeth, isso é perigoso!
– Farei o que for preciso para provar que estivemos frente a frente com uma criatura peruana aqui! E não há melhor prova que um corpo. Hagrid está tentando localizá-lo para mim, mas eu mesma quero coordenar a busca.
– Ah, Elizabeth... – disse Neville.entrando na cozinha acompanhado de Kassin – como é teimosa.
– Vejo muito esse professor por aqui também. – disse Teddy ao primo
– Você costuma encontrar com alguém da família Lancey? – perguntou Alvo.
– Infelizmente sim; eles estão sempre por aqui. Vendendo tranqueiras para turistas, coisas que roubaram de outros turistas.
– Já viu algum professor de Hogwarts conversando com Neff Lancey?
– O Neffasto? Não nunca vi. Escutem bem: fiquem longe da família do Neffasto não se metam com eles, ninguém ali presta.
No final da tarde todos retornaram ao castelo; no Salão principal a profª Duggan agradeceu aos meninos a ajuda. –
Espero que tenham aprendido alguma coisa; não gosto de detenções cujo único objetivo seja castigar.
– Professora eu gostaria de poder acompanhar seu progresso no livro – disse Rose ansiosa – sei que a senhora tem um assistente, mas eu gostaria de ajudar.
– Kassin pode precisar de você.
– O prof. Kassin conta também com Cinthia Oleson para auxiliá-lo. – Vou falar com ele, mas obrigada por se oferecer Rose. – Que idéia Rose! Passar mais tempo que o necessário com um professor deveria ser proibido! – disse Alvo.
– Eu gostei de trabalhar com ela! E pensem bem: Fomos a Hogsmeade, comemos no Três Vassouras com os professores e Teddy. Realmente nem pareceu uma detenção!
– Isso é porque você não recolheu bosta de Thuru e sabe-se lá mais de que bicho. – respondeu Escórpio enjoado.
Fale com o autor