A Nova Geração
6 Capítulo 5 - What´s Happening
Notas iniciais
Layla POV
Quando cheguei na cidade toda tristeza que eu sentia foi embora, tinha certeza que aquele era o meu lugar, olhei tudo ao meu redor, e mesmo que aquele fosse o mesmo lugar que estivera ontem, tudo parecia novo. Chega de monotonia para mim!
Quando me dei por mim já tinha dado umas cinco voltas naquele quarteirão, tudo lá era tão vivo... Me perguntei onde o Eduardo estaria neste momento. Olhei para o horário que aparecia no telão de led gigante em um dos edifícios, já eram quase duas da manhã, acho que isso acabou afetando meu subconsciente, pois logo estava bocejando.
Precisava dormir...foi com esse pensamento que me dei conta de não ter onde dormir, não tinha nenhum dinheiro no bolso! Sem acreditar na minha inocência, comecei a procurar algum lugar onde poderia ficar até o dia seguinte, não conseguia pensar em outras soluções naquele momento.
Soltei um suspiro de alívio quando encontrei um mercado com os dizeres “Aberto 24 Horas” piscando, andei apressada até lá, esperava não ser enxotada...
Fiquei fingindo olhar as prateleiras em busca de algo para comprar por um tempo, mas logo não me aguentava mais de sono e acabei sentando no chão de um dos corredores sentindo perder cada vez mais a consciência.
Fui acordada poucos minutos depois, ainda com a visão turva, escutava uma moça me perguntando o que eu fazia ali, depois de ouvir essa frase pela quinta vez, finalmente me senti desperta.
Uma garota que aparentava cerca de 18 anos, com cabelos negros presos em um rabo de cavalo e olhos azuis acinzentados com algo que parecia uma pequena cicatriz logo a baixo, me encarava agachada ao meu lado, ao baixar um pouco os olhos percebi um crachá, evidenciando que ela trabalhava no mercado.
– Me desculpe, acabei dormindo...
A garota parecia mais preocupada do que brava, logo estendeu a mão para que eu levantasse.
–Você está bem?
–Sim, só meio perdida... – peguei sua mão e me levantei, meio atordoada – Obrigada... Anthea – tentei pronunciar seu nome enquanto lia o crachá.
A garota abriu um leve sorriso.
–Tenho descendência grega, mas isso não vem ao caso, você não tem para onde ir?
Eu não tinha como e nem pretendia contar a minha real história para ela, acabei inventando algo de última hora.
–Agora não, briguei com os meus pais, longa história... disse que podia viver sem a ajuda deles e saí de casa, já sou maior de idade, mas ainda não tenho um emprego e estou sem dinheiro para pagar algum hotel.
Anthea me analisava, mas felizmente pareceu gostar de mim.
–Posso tentar te ajudar a conseguir algum emprego, mas agora já está bem tarde – disse olhando para seu relógio de pulso – se quiser pode ficar no meu apartamento por hoje.
Eu a agradeci mil vezes mentalmente, acho que tinha encontrado minha primeira amiga.
– Se não for incomodar, eu agradeço muito!
Ela me deu um sorriso amigável e olhou o relógio novamente.
– Meu turno já acabou, vamos!
Anthea tinha chamado um taxi para nos levar até seu apartamento, nunca tinha andado em um desses, talvez fosse possível perceber minha ansiedade, pois ela me questionou enquanto entrávamos no carro.
–Você não está muito acostumada com a cidade grande, né?
Apenas assenti com a cabeça, ela deu risada.
–E você, mora sozinha?
–Sim, fazem só alguns meses, quero fazer faculdade por aqui, começo só ano que vem, mas eu e meus pais achamos que seria uma boa ideia começar a treinar morar sozinha, já que também não era muito acostumada com cidades grandes.
Ela parecia disposta a responder minhas perguntas.
–Faculdade do que?
–Sempre quis cursar História, gosto das civilizações antigas.
Conversamos pelo resto do caminho, o taxi parou quando chegamos em frente a um prédio cinza com vários andares, me impressionei com sua altura. Anthea pagou o motorista e me guiou para dentro do complexo.
–Espero que esteja com energia suficiente para subir alguns degraus...o elevador está quebrado.
Fiquei um pouco triste, não por ter que subir a escada, mas queria saber como era andar de elevador.
–Calma, meu quarto já é no terceiro andar.
Assenti e a segui pela escadaria, logo estávamos no andar, ela sacou a chave do bolso e abriu a primeira porta à direita.
–Pode entrar, não é muito grande, mas o suficiente.
Era um belo apartamento, principalmente se comparado a minha antiga casa, tinham móveis de verdade e nenhuma parede caindo aos pedaços. Não era grande, mas realmente aconchegante.
–Licença...
Ela olhou para a porta no fundo do corredor.
–Você quer comer alguma coisa ou podemos dormir?
Ela parecia tão cansada quanto eu, podia esperar o dia seguinte para me alimentar.
–Dormir.
Ela se mostrou aliviada com minha resposta e indicou que eu a seguise para dentro do próximo cômodo
–Sabia que um dia isso ia ser útil!
Ela exclamou enquanto puxava um colchão de debaixo da sua cama.
–Vou pegar um pijama e roupas de cama, fique à vontade.
Eu sorri diante da bondade da moça, que bom que eu a tinha encontrado! Em alguns minutos ela voltou, já de pijamas, e jogou um cobertor e um travesseiro sobre a cama box.
–Precisa de um? – ela apontou para seu pijama.
Eu neguei, lembrando que tinha um em minha bolsa e a abrindo para pegá-lo. Pedi licença e fui até o banheiro me trocar, quando voltei Anthea já dormia na sua cama, após deitar não demorou muito para que fizesse o mesmo.
Reece POV
Por que aquela ruiva tinha decidido pedir ajuda justo para nós? A cada minuto que passávamos com ela nos envolvíamos em mais confusão... Notei Sol conversando com uma garota de cabelos castanhos jogados no rosto.
–Como eu disse, eles são loucos, não liga para o que eles tão falando!
Tudo o que não precisávamos agora era de outra humana acreditando em seres sobrenaturais. Ela parecia meio avoada, mas não sabia dizer o porquê.
–Vocês também são vampiros? – ela parecia desanimada.
Outro vampiro?! Dei alguns passos para trás ao ouvir aquilo, percebi que fui seguido por Sol. Contrariamente, como sempre, Mel pulou para frente.
–Você é vampira?! Então deve conhecer o Lúcifer.
A garota se apressou
–Não, quer dizer, não sou vampira, e não tenho certeza se sei quem é Lúcifer. Então, vocês não são vampiros?
Sol e eu suspiramos aliviados, Melanie foi a primeira a se pronunciar.
–Não, sou só humana- ela deu ênfase no só, parecendo chateada — me chamo Melanie
Foi a vez de Sol entrar na rodinha de apresentações.
–Sou feiticeira, Sol, prazer.
Todos olhavam para mim, esperando que fizesse o mesmo.
–Também sou feiticeiro...Reece.
Esperamos pela apresentação da garota, ela não parecia ter se esquecido de nós, mas estava um tanto incomodada.
–Aurore, sou uma... – ela hesitou por um instante – lobisomem.
Como sempre, Mel já esboçava uma exclamação e estava pronta para abrira boca, mas foi interrompida pelo olhar surpreso de Lúcifer, que saia de um quarto nos fundos do local.
–O que vocês pensam que estão fazendo aqui?! – ele exclamou, fechando a porta atrás de si.
Enquanto eu pensava em algo cauteloso para dizer, Melanie preferiu agir sem pensar.
–Você não nos contou o que fazer para ajudar os vampiros!
Ele deu risada, mas dessa vez parecia irritado, antes de a responder, percebeu que Aurore continuava ali.
– Gata, adoraria passar mais tempo com você, mas tenho alguns assuntos para resolver...
Aurore fechou a cara ao olhar para ele, mas parecia tímida demais para responder, nem precisou, Melanie fez isso por ela.
–Ela vai nos ajudar, é lobisomem!
Lúcifer olhou para Aurore, fingindo desapontamento.
–Lobisomem? Estou decepcionado.
Aurore apenas suspirou, revirando os olhos.
–Tudo bem, já vi que não vou conseguir me livrar de vocês tão cedo... O que eu falei era verdade, vocês não tem que se envolver nisso, já estou treinando um grupo de vampiros para lutarem contra os deuses.
–Essa é a única maneira? – Melanie não parecia muito feliz com a ideia de lutar.
–Claro que...
De repente a porta de entrada explodiu e todos fomos arremessados para a parede, sem tempo para qualquer reação.
–Que merda tá acontecendo aqui!?
Não sei se me surpreendi mais com a porta explodindo ou com o fato de Melanie ter dito aquilo... Realmente, que merda estava acontecendo?!
–Lúcifer, não venha me dizer que não te avisei!
Um homem de cabelos louros volumosos, alto e de porte atlético apareceu furioso no meio do bar.
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