A Nova Geração - Hogwarts ano I
6 Clandestinos
As paredes das estufas estavam cobertas de plástico. Havia uma placa de proibida entrada até a reforma ser concluída. Neville ouviu um ruído abafado, mas o professor mesmo atento não tornou a ouvir. Nas bancadas estavam às flores ainda cobertas pelas cúpulas; as cores das pétalas em um tom azul marinho que parecia aveludado. Colocou uma por uma nas caixas; pela manha as enviaria para o Ministério e de lá de volta ao Peru.
– Neville?
– Elizabeth! Você me assustou!
– Você vai mesmo despachá-las?
– É o jeito.
– Acho que poderia esperar mais um pouco; McGonagall se precipitou já lhe disse isso. Podemos chegar numa solução que agrade todo mundo.
– Não posso mais usá-las em aula.
– Você pode mantê-las aqui e estudá-las.
– Pra que? Conhecimento deve ser compartilhado. Agradeço sua preocupação.
– Deixe-me pelo menos ajudá-lo; eu levo as caixas para o castelo. Para sua sala?
– Por favor.
A sala de Neville era uma versão menor das estufas de Hogwarts. Sentados sobre a mesa de estudos o casal de professores se beijaram. Neville tirou a capa dos ombros da namorada.
– Não vamos esperar a próxima visita a Hogsmeade...
Slughorn dividiu a sala em grupos para o preparo da poção para acordar. Rose e Escórpio acrescentaram juntos ingredientes à poção formando um tipo de pasta gelatinosa.
– No livro diz que essa é a consistência que a poção deve ficar, ou seja, bem nojenta. – disse Escórpio. Rose sorriu e nem notou que um garoto da Grifinória se aproximou.
– Rose Weasley? Meu nome é Kevin. – disse o garoto se colocando entre ela e Escórpio. – Sei que deve ouvir muito isso, mas acho seus pais bruxos excepcionais.
– Ah, obrigada.
– Você vai muito à biblioteca com seus amigos; eu sei por que costumo passar muito tempo lá também. O garoto continuou falando sem parar e Escórpio acabou se afastando para conversar com Alvo o assunto acabou em Camile.
– Ela é muito legal e... – Alvo corou ligeiramente – Tiago tem razão garotas são legais de olhar. Os dois olharam em volta; as garotas do primeiro ano da Sonserina e Grifinória estavam todas ocupadas no preparo das poções.
– Bom, talvez não essas.
Cinthia Oleson os empurrou para poder jogar sua poção na pia. A garota estava furiosa com o resultado da poção e pelo jeito que os olhou parecia que a culpa tinha sido dos dois. Alvo reparou Escórpio olhando Rose conversar com Kevin.
– Ah, o pequeno Kevin; ele não é tão ruim. – comentou. – Dividimos o dormitório. Toda noite no Salão Comunal lá esta ele dormindo em uma das poltronas cercado de deveres numa poça de baba. Não se preocupe.
– Com o que? Olhe as orelhas de abano dele; ele consegue ser tão feio que o Neffasto.
– Ah, é... – disse Alvo rindo e esticando o pescoço pra poder ver melhor o prof. Slughorn em sua mesa. – Não está com uma aparência muito boa hoje.
– Talvez esteja doente. Coisa de gente velha – respondeu Escórpio. Rose voltou para perto dos dois.
– Obrigada por me deixar sozinha com esse garoto.
– O pequeno Kevin está abaixo dos seus outros pretendentes? – perguntou Alvo rindo.
– Que outros pretendentes? Nenhum menino que não seja estranho falou comigo até hoje.
– Como assim? E nós? – protestou Escórpio.
– Vocês dois são os mais estranhos de todos – Rose respondeu com naturalidade.
Slughorn reuniu os grupos para dar notas para as poções. Nem a metade da classe concluiu a poção e Sonserina e Grifinória tiveram vinte e cinco pontos descontados. Alvo deu uma última olhada em sua poção antes de jogá-la na pia. Sabia que tinha acrescentado a medida certa dos ingredientes; deu uma olhada na poção de Rose e Escórpio. A consistência era completamente diferente da dele.
As turmas foram dispensadas e sem os dois períodos de Herbologia à tarde tinham um bom tempo livre depois do almoço.
– Você sabe a senha para entrar na sala de Kassin – disse Alvo a prima. – Temos um bom tempo livre e os professores estão ocupados. Tem uma lareira lá?.
– Tem uma bela lareira lá Alvo... – disse confirmou desconfiada.
– Você sabe onde Kassin guarda Pó de Flu?
– A sala de Slughorn de novo?
– Não. É outra coisa – respondeu Alvo pensativo – uma coisa que me veio a cabeça depois dessa aula. Vamos? Chegaram à porta da sala do professor de Transfiguração e só lá Rose concordou em fazer o que o primo queria; tocou a maçaneta e disse a senha: torta de maça.
– Ele adora – comentou quando a porta se abriu.
– É eu também – disse Alvo impaciente.
A sala não era muito diferente da ocupada por Slughorn; também não havia quadros nas paredes ou fotos sobre a mesa.
– O professor está pesquisando sobre gigantes. – comentou Escórpio dando uma espiada na capa de um dos livros em cima da mesa.
– Ele não vai conseguir muitas informações; minha mãe diz que a literatura sobre gigantes é muito deficiente. Apesar de conhecer a sala Rose nunca teve oportunidade de observar detalhes. Foi até a estante; havia dois exemplares sobre a história de Hogwarts; um deles escrito por Hermione Granger.
– Rose onde está o Pó de Flu? – perguntou Alvo. – Deve estar nesses cálices em cima da lareira. Alvo pegou o cálice e avisou os amigos:
– Desta vez eu vou sozinho, não quero meter vocês em encrenca.
– Deixa disso Alvo! – disse Escórpio rindo.
– Vou repor o estoque do Hagrid e o dele! – justificou.
– Não se preocupe é por uma boa causa. – disse Escórpio entrando na lareira.
– Escórpio, você nem sabe pra que ele quer fazer isso!
– Mas quero saber! Você não?
Rose continuava olhar os objetos do professor. Uma flâmula azul de um time de Quadribol que não existia mais enfeitava a parede. Cartas fechadas sobre a mesa ainda escritas em árabe; as gavetas de cima estavam abertas cheias pergaminhos e penas. Cada detalhe daquela sala era um pouco de Kassin, e de repente, ela foi tomada por uma vontade de saber mais sobre o homem que disse a reconheceria em qualquer lugar porque tinha os olhos da mãe; estava a ponto de tocar uma gaveta quando Escórpio a segurou pelo pulso.
– Você acha que um cara esperto como Kassin ia deixar sua sala, seus objetos pessoais sem nenhum feitiço de proteção?
– N-não você tem razão!
– Se vai nos acompanhar é melhor entrar na lareira. – disse Alvo mostrando o relógio. Escórpio e Rose se juntaram a ele.
– Vamos pra onde dessa vez? – perguntou a garota.
– Subsolo de Hogwarts: Estoque de poções! – disse Alvo atirando o pó na lareira. As imagens de muitas lareiras passaram a frente deles; Alvo segurou Rose com força; não queria que fossem lançados ao chão como da vez anterior. A sala de estoques de poções era imensa e dividida em poções prontas e ingredientes. Da última vez que esteve na Ala Hospitalar Alvo viu elfos trazerem ingredientes para Madame Pomfrey preparar poções ela mesma; então imaginou que alguns ingredientes não deviam estar protegidos por feitiços. Prateleiras com enormes frascos cheios de líquidos de cores variadas; partes conhecidas e outras nem tanto de animais iam até o teto. Alvo pegou um galão cheio de olhos felinos piscando.
– O que estamos procurando exatamente Alvo? – perguntou Escórpio.
– Alguns ingredientes básicos para uma poção simples. Uma poção dos soluços por exemplo.
– Tem etiquetas nas prateleiras. – disse Escórpio apontando uma longa fileira.
– Certo. Vamos procurar.
Escórpio e Rose pegaram potes mal cheirosos e grudentos.
– Espero que saiba o que esta fazendo Alvo. – disse Rose se virando e percebendo que estava sozinha.
– Escórpio? Alvo?
– Rose! Você estava atrás de mim! – disse Escórpio e sua voz soou tão distante que Rose ficou assustada.
– Alvo! Escórpio! – chamou Rose tentando ver alguma coisa entre potes, vidros e garrafões.
– Alvo está me ouvindo? – chamou Escórpio e não teve resposta. Deu meia volta, mas a prateleira atrás dele não parecia a mesma. Houve um longo momento de silêncio; Escórpio sacou a varinha apontou para própria garganta e em seguida para cima. Uma bolha azul saiu da ponta e quando estourou quebrou o incômodo silêncio chamando por Alvo e Rose. – Vamos pessoal... – disse a si mesmo começando a ficar nervoso. Então ouviu ao longe a voz de Alvo.
– É a sala que está se mexendo Escórpio. Façam alguma coisa pra eu saber onde vocês estão!
A voz aguda de Rose surgiu em algum ponto à esquerda de Escórpio.
– Estou aqui!
– A sala começou a se mexer quando começamos a mexer nos frascos das prateleiras. Vou devolver o que peguei! Façam o mesmo! – disse Escórpio. Nas etiquetas dos vidros constava o corredor a que pertencia.
– Tentáculos de polvo branco! – disse Rose em voz alta. O corredor começou a mudar como se fosse trocado; as prateleiras começaram a entrar e sair a sua frente até que localizou a lareira por onde haviam saído. Os amigos fizeram o mesmo. Alvo surgiu uns três minutos depois e Escórpio logo atrás. Rose ficou aliviada em vê-los.
– A cada dia fico mais contente de ter falado com você aquele dia no jardim. – disse Alvo dando uma tapa no braço de Escórpio.
– Fui eu que falei com ele primeiro!
– Mesmo? Não me lembrava disso. – disse Alvo. – Agora fiquem aqui eu vou buscar os ingredientes que faltam.
– Alvo você vai se perder de novo! – avisou Rose.
– Vou pegar apenas amostras e dessa vez vou me garantir. O garoto puxou um fio do suéter Weasley que usava e amarrou uma ponta no dedo de Rose. Tirou frascos da mochila e sumiu de novo entre as prateleiras.
– Esse meu primo... – suspirou Rose – ele me surpreendeu; nunca foi atirado desse jeito. Sempre foi quieto, na dele. Você me surpreendeu também.
– Você achou que eu fosse malvado?
– Você não é.. Agora eu sei!
Os dois se distraíram esperando Alvo entre os tantos assuntos interessantes que se poder ter aos onze (quase doze) anos. Rose observava Escórpio falar e, de repente, se aproximou do garoto.
– Que cor são seus olhos?.
– Hã? São cinza segundo minha mãe... – Escórpio respondeu se afastando.
– Não estão cinza agora deve ser a luz. – Rose disse voltando a olhar para as prateleiras esperando pelo primo.
– Consegui! – disse Alvo aparecendo só de camiseta segurando vários frascos. Rose conseguiu refazer o suéter parcialmente com um feitiço que aprendeu com a avó.
– Não ficou tão ruim. – disse Escórpio segurando o riso.
– Só parece que fui atacado por um gato!
Deixaram os ingredientes na Sala Particular; ainda havia tempo pra comer alguma coisa e, depois de Historia da Magia e um de Feitiços voltaram à sala onde Alvo tentou fazer sem sucesso a poção. Nem de longe a consistência ou cor da poção lembrava a descrita no livro de poções.
– Alguma coisa me diz que você já esperava esse resultado. – disse Escórpio.
– Você nos contou sobre a amizade de Slughorn com o comerciante de ingredientes de poções. Que é o tio do Neffasto..
– Certo e daí?
– Esses ingredientes e os que a turma usou no preparo da poção da aula de hoje são falsos! Nem ao menos são os mesmo! Cada um de nós usou alguma coisa diferente e fizemos poções todas erradas e sem efeito!
– Você tem certeza? – perguntou Rose examinando o conteúdo do frasco. – Isso é muito sério! .
– Vou perguntar meu irmão como ele tem se saído nas aulas de poção e tenho certeza que não está melhor do que nós.
Escórpio encarou Alvo e depois Rose.
– Alvo, você acha que Slughorn e Neff...
– Estão roubando o estoque de poções de Hogwarts. Substituindo os ingredientes por essas porcarias! Os pegamos!
– O estoque de Hogwarts tem ingredientes exclusivos! – disse Rose.
– Meu pai disse que a loja estava quase falindo, tanto que mudou para Hogsmeade. – disse Escórpio considerando a possibilidade de Alvo estar certo.
– Dessa vez temos uma prova que pode expulsá-lo. É só McGonagall procurar pelos ingredientes e conferir.
– Espera ai Alvo. Temos a prova que Slughorn está usando ingredientes inúteis, mas não que está realmente desfalcando Hogwarts e ele ainda pode livrar a cara do Neffasto.
– Escórpio tem razão – disse Rose – contra o Neffasto só sabemos do parentesco com esse cara da loja. No fim ele pode alegar que Slughorn fez tudo sozinho ou o forçou sei lá! Não vou agüentar ele sair livre de novo rindo da nossa cara!
– Certo, então precisamos achar um jeito de não deixar dúvidas que Neff está metido nisso. – disse Alvo.
– Como? Não podemos chegar nele e perguntar! – disse Rose se levantando.
Alvo e Escórpio se olharam e depois a encararam sorrindo.
– O que? – perguntou Rose desconfiada. Os dois garotos sorriram mais ainda. – Ohhh não! De jeito nenhum! – respondeu a garota se afastando.
Durante toda a semana os garotos tentaram convencer Rose a pelo menos conversar com Neff.
– Vamos Rose! Você só precisa conversar com ele e perguntar de modo que ele responda claramente e que outras pessoas possam ouvir...
– Alvo, não basta você querer que eu me encontre com esse trasgo! Quer que seja em publico?
– Desencana Alvo, ela não vai fazer. – disse Escórpio quando Rose se afastou para atender um chamado do prof. Kassin e da diretora McGonagall.
– Peça você a ela.
– Eu?
– Ela gosta de você! Não vai negar ou pelo menos não vai ficar tão brava! –
– Se ela me acertar igual fez com o Neff?
– Eu o levo pessoalmente à Ala Hospitalar.É o que posso fazer!
– Você pode contar a ela a verdade sobre Agnetha? Que foi uma brincadeira?.
– Eu?
– Foi você que começou tudo isso! O que? Está com medo de Rose acertá-lo também?
– Melhor não arriscar...
Escórpio começou a rir. Rose encontrou com eles a caminho da aula de vôo.
– Kassin me espera hoje à noite mais tarde. Às nove horas! – disse a garota desligada de qualquer outra coisa.
– Às nove horas? – perguntou Escórpio. – Os fantasmas pediram para encontrarmos com eles hoje à noite e combinamos que seria nesse horário.
– Ah, é mesmo! – respondeu Rose voltando momentaneamente ao mundo onde existiam assuntos menos interessantes do que o professor de Transfiguração.
– Eu disse que essa a ajuda a Kassin ia deixar você com pouco tempo para outras coisas.
– Ah, Escórpio vou tentar não chegar tarde.
– Não faz mal... é sua obrigação. Se esforçou para conseguir esse cargo.
– Prometo que vou pensar em alguma coisa para sair mais cedo.
– Sei que vai tentar... – Escórpio disse num tom compreensível e Alvo olhou para o teto.
A caminho da Sala Particular Alvo comentou:
– Imagino que não vai querer tocar no assunto da sua não namorada no momento.
– É deixa pra lá por enquanto. – respondeu Escórpio.
Os garotos pararam ao lado de um quadro onde quatro freis bebendo vinho discutiam tão alto que chamava atenção de quem passava pelo corredor.
Na Sala Particular encontraram Goliad e Guily.
– Onde está Rose? – perguntou Guily
– Teve um compromisso com um professor. – respondeu Alvo.
– Eu gostaria de vê-la antes de partirmos.
– Partir?
– Estamos indo a uma reunião de fantasmas.
– Sobre o Critico? – perguntou Escórpio. O mencionar do nome causava um frisson nos fantasmas; Alvo e Escórpio sentiram, de repente, o ambiente esfriar. Alvo aproveitou para tirar uma duvida:
– Goliad, existem outras salas como a nossa em Hogwarts?
– Com certeza sim. Hogwarts é cheia de mistérios que levam a outros maiores. – respondeu Goliad.
Rose apareceu e Goliad contou sobre a viagem que faria com os outros fantasmas. Guily chegou perto da garota que sentiu uma onda de frio, mas ficou feliz de vê-lo de perto.
– Os outros pediram para dizer até breve; eles estariam aqui, mas fantasmas detestam despedidas. Nos veremos em breve. Cuidem-se! Deixem os mistérios para os adultos resolverem está bem?
– Tentaremos. – respondeu Alvo. Os fantasmas sumiram pelo teto.
– Então, – disse Alvo depois de um tempo. – como conseguiu sair da sala do Kassin mais cedo?
– Mencionei problemas femininos. Tenho que agradecer a Cinthia pela dica.
– O que isso significa? – perguntou Escórpio.
– Nada de importante para vocês dois!
Nos primeiros dias de dezembro a diretora McGonagall e a profª Duggan enfeitaram os poucos pinheiros que Grope deixou de pé com fitas nas cores de todas as Casas. O teto do Salão Principal simulava o céu numa noite limpa cheio de estrelas. O prof. Flitwick fez surgir neve para enfeitar os pinheiros e os espalhou pelos corredores da escola. Alvo, Rose e Escórpio estavam ansiosos para a voltarem para casa. Conversavam sobre os que os pais diriam sobre as detenções. Estariam muito zangados a ponto de comprometer os presentes de natal? O melhor a fazer enquanto isso não incluía gastar muito tempo com deveres e sim brincar na neve perto da cabana de Hagrid. Após as férias de natal, porém, a fase prática de várias matérias iria começar.
– Vamos ter aulas de Astronomia. – disse Alvo enquanto ele e Escórpio faziam bolas de neve.
– Minha mãe é astrônoma. – comentou Escórpio moldando uma bola de neve e arremessando contra garrafas vazias de suco de abóbora em cima do muro da cabana de Hagrid.
– Estudar as estrelas e planetas parece interessante; e dizem que a Torre de Astronomia é um dos lugares mais legais do castelo. – disse Rose transfigurando uma das garrafas em uma almofada.
– Pelo que eu soube não por motivos acadêmicos. Tiago contou que já foi lá muitas vezes com garotas.
– Como ele consegue entrar lá? – perguntou Rose ignorando as risadas dos meninos.
– Não sei, mas deve ter algum truque como entrar na cozinha.
– Eu gostaria de entrar lá uma noite dessas.
– Com quem? Neff ou seu novo admirador Kevin? – perguntou Alvo.
– Infelizmente só me sobra vocês dois! – disse Rose acertando o rosto do primo em cheio com uma bola de neve.
Naquela tarde a escola tornou ficar vazia por causa da última visita a Hogsmeade. Os garotos decidiram visitar Hagrid, mas quando chegaram, ele estava arrumando várias caixas num trenó e as cobrindo com uma lona. Grope estava olhando para floresta e não prestou atenção na chegada dos garotos e nem no que o irmão dizia.
– Ele parece pior não é? – disse Alvo para os amigos e os dois concordaram. – Aonde você vai Hagrid?
– Ver um amigo a caminho de Hogsmeade. – disse aos garotos colocando uma enorme capa sobre os ombros.
– Temos ficar presos no castelo. – disse Rose.
– Daqui a três anos poderão ir.
– Como será que McGonagall controla essas visitas? Será que se um aluno do quinto ano convidar alguém do segundo pode ir? – perguntou Alvo.
– Não, não poderá. Só acompanhado de um professor numa emergência, mas isso nunca aconteceu. Agora voltem ao castelo por que o tempo esta piorando. Trago doces pra vocês! Hagrid viu que sua bota estava desamarrada; abaixou para amarrá-la e quando se levantou os garotos já tinham sumido.
Depois de se livrar do conteúdo do trenó Hagrid se encontrou com Kassin, Flitwick e a diretora McGonagall no Três Vassouras. Neville e Elizabeth Duggan desceram a escada que ligava o pub aos quartos no segundo andar. Meio constrangidos sentaram à mesa.
– Uma criatura diferente foi vista por alguns habitantes rodeando a vila – continuou a diretora – Guilhermina está tentando saber o que é; um dos funcionários de Rosmerta o viu de longe.
Madame Rosmerta serviu mais uísque de fogo para todos. – Vocês têm uma idéia do que possa ser? – perguntou.
– Aquela ratazana que pegamos nas estufas e que atacou a casa de Hagrid ter vindo pra cá pode ter deixado seu predador com fome...
– Você pode estar errado Kassin. Tem inúmeras criaturas nessa floresta; pode ser de tudo um pouco. – respondeu Neville.
– Você adoraria se eu estivesse, não é?
– Assumo minha responsabilidade Kassin. Foi um erro da minha parte não contar com outros fatores trazendo as flores para o castelo.
– Você era mais ligado a detalhes Neville... o que aconteceu?
– Parem os dois! Já estou farta dessas discussões; temos coisas mais importantes a tratar no momento. Essa criatura é responsabilidade de Hogwarts e não digam mais nada. – disse a diretora energicamente. A profª Grubbly-Plank se reuniu ao grupo com uma expressão preocupada.
– É melhor reunir o máximo de pessoas possíveis. Desenrolando um pergaminho ela mostrou o desenho que acabara de fazer segundo as orientações da testemunha. A imagem era de uma criatura de braços muito compridos e garras afiadas. – Elizabeth, você sabe o que é isso não sabe? A profª Duggan puxou o pergaminho e observou a criatura.
– É ruim não é? – perguntou Neville.
– Temos que capturá-lo! – disse a professora com entusiasmo.
– Diga Elizabeth! – pediu Neville impaciente.
– Desculpe. É que uma criatura incrível... perigosa, mas fascinante. Olhem! Aqui não aparece, mas costumam ter asas não para voar regularmente.
– Eles podem voar. – disse a profª Grubbly-Plank. – *Harry Potter enfrentou um muito parecido no Beco Diagonal anos atrás e aquele podia voar. Nas pontas dessas asas crescem uma espécie de dardo venenoso que podem ser lançados a grandes distancias. – concluiu a professora.
– É mais do que ruim. – disse Flitwick.
– As garras são um capitulo a parte; podem derrubar uma árvore média num golpe só. A boa noticia é que não anda em bandos. Provavelmente deve está ainda reconhecendo o novo habitat.
– Essa coisa veio do Peru como os morcegos e aquelas outras coisas? – perguntou Hagrid.
– Com certeza! É uma criatura dada com extinta pelo Ministério! Vivia na selva peruana agora...
– Está a poucos quilômetros de uma área habitada. – disse a diretora.
– Me lembrei! – disse a profª Duggan animada. – Thuru! Esse era o nome; eu era criança quando li a respeito.
– Foi uma bela capa do Profeta Diário! – disse Hagrid se lembrando do fato. – Cheguei a pedir a Harry para ficar com ele.
– Eu sabia que habitavam a África! Essa deve ser a versão peruana! Hagrid essa é uma espécie que nunca ninguém nunca viu!
– Fascinante! – disseram juntos.
– Hagrid forme um grupo para vasculhar a floresta. – mandou McGonagall.
– Pode deixar diretora! – respondeu Hagrid animado olhando a volta procurando rostos conhecidos.
– Pode-se passar a vida inteira procurando uma criatura dessas sem jamais... está tão perto! Guardei esse exemplar do Profeta Diário. – a profª Duggan disse a Neville.
– Que tipo de infância essa moça teve Minerva? – perguntou a profª Grubbly-Plank quando deixaram a mesa.
– Triste... – respondeu a diretora.
Um tempo depois ficou claro que ninguém tinha intenção de pisar na Floresta Proibida fora os professores. Hagrid voltou para a mesa para tomar um gole de uísque de fogo com Kassin.
– Está tão ansioso quanto Elizabeth e Grubbly-Plank para dar uma olhada nessa criatura; talvez até capturá-la. Certo?
– Pode ser...
– Elizabeth já está se vendo na capa do Profeta Diário com certeza com o nome bem maior do que o de Grubbly-Plank.
– Não seja maldoso Kassin.
– Chegaram até atrasados na reunião; nesse frio demora muito mais tempo pra por do que pra tirar a roupa. Hagrid deu uma gargalhada. – Não estou dizendo que não estou feliz por Neville; só acho que as coisas estão indo muito rápido. Nesse passo logo a Srta. Duggan será a rica Sra. Longbottom.
– Elizabeth foi uma das melhores alunas de Hogwarts; foi criada por parentes muito pobres. Ela trabalhou duro pra ser...
– Eu sei! Você a ouviu! Elizabeth era uma criança quando o tataravô dessa criatura saiu no Profeta Diário! Neville devia ter uns vinte anos na época Madame Rosmerta serviu pessoalmente uma nova rodada de uísque de fogo para os dois. Kassin tomou de uma vez, mas Hagrid não; só ai o professor percebeu que ele parecia preocupado.
– Você alimentou o filhote e a fêmea de hipogrifo? – perguntou.
– Deixei o trenó carregado de carne na floresta. Em breve o filhote poderá voar. Sabe, Kassin – disse Hagrid em voz baixa – antes de vir pra cá Alvo, Rose o Escórpio passaram na minha casa. Eu estava de saída... me virei e eles não estavam mais lá.
– O que?
– Nada... Só que...
– O que está pensando Hagrid? Acha que eles se esconderem no trenó para virem com você para cá?
– Eles não fariam isso. – disse Hagrid rindo sem muita convicção. – Queriam vir para Hogsmeade, mas até aí sabem que não podem.
–Não poder fazer não significa... Você deixou o trenó na floresta. Agora com a possibilidade de uma criatura estar passeando por lá!
– Eles não fariam isso... Eles fariam! Kassin, eles fariam! – se desesperou Hagrid.
– Vou avisar Neville e Elizabeth!
Os três professores seguiram por uma trilha feita por Hagrid até o ponto onde costumava deixar comida para o hipogrifo. Saíram dos Três Vassouras sem avisar McGonagall e os outros.
– O que há de errado com essas crianças? – perguntou a profª Duggan se encolhendo de frio quando entraram na floresta. – Por isso penso se terei filhos algum dia.
– Você será uma ótima mãe Elizabeth. – disse Neville gentilmente. – E você Kassin já pensou em ter filhos?
– Não acho que McGonagall queira; logo agora que está em tão boa forma. – respondeu profª Duggan.
– Podem rir, mas ela é uma excelente companhia. – respondeu Kassin sem se abalar.
– Não falem assim da diretora! – protestou Hagrid. Todos começaram a rir, incluindo Kassin. – Vejam o trenó! Está vazio! – disse Hagrid.
– Está vazio agora. – respondeu Neville. Saindo do trenó havia três pares de pegada.
– Repito: o que há de errado com essas crianças? Onde elas podem ter ido nesse lugar?
– O hipogrifo não veio até o trenó; não há pegadas. Eles devem ter ido procurá-lo – disse Hagrid preocupado.
– Tem alguma coisa nos observando na escuridão. – disse Neville.
– Hagrid, você conhece tudo por aqui certo? – perguntou Kassin. – Nunca fui até o ninho de Mercedez.
– Mercedez? – perguntaram os professores.
– E o nome da fêmea.
– É um belo nome! – Kassin disse sorrindo. – Então estamos indo pra um ponto da floresta que nunca ninguém esteve; observados pela escuridão encontrar três crianças e um hipogrifo chamado Mercedez.
– E o seu filhote. – completou Neville.
– O chão está muito úmido; o frio está subindo pelas minhas pernas. Vamos logo, quero sair daqui.
– Com medo de encontrar alguma Megera? Hein Elizabeth? – perguntou Kassin.
– E você com medo de encontrar um lobisomem?
– Um dos meus melhores professores...
– Era um lobisomem eu conheço a história Neville! – disse Kassin.
Caminharam até uma clareira viram os garotos e o filhote hipogrifo deitado perto da mãe. Rose correu até Hagrid e pulou no colo dele.
– Hagrid! Sabia que você viria! Ah, olá... – disse receosa quando viu os professores.
– Que idéia de vocês três virem até a aqui.
– Achamos que você ia pra Hogsmeade, mas então ele parou aqui. O que foi uma sorte veja!
– Bernard está preso em alguma coisa. – disse Escórpio apontando as pernas do pequeno hipogrifo.
– Por isso a mãe não foi buscar a comida.
– Bernard? Vocês três tem noção do perigo que é essa floresta? – perguntou perguntou profª Duggan ignorando os risos de Hagrid e dos colegas. Hagrid colocou Rose no chão e fez uma reverência; os professores o imitaram para poderem chegar perto da mãe e do filhote.
– É uma espécie de piche – explicou Alvo – achamos melhor não tentar nada até que alguém viesse. Kassin fez surgir da ponta da varinha uma chama fina que parecia com o a que sai de um maçarico. – Essa coisa é resistente.
– No topo das árvores – disse Neville apontando a varinha – tem alguma coisa lá; eu vi o vulto. A carcaça de um morcego foi jogada bem ao lado deles.
– É a tal criatura? – disse Kassin apontando a varinha pra o vulto que agora passava entre as árvores.
– Que criatura? – perguntou Rose assustada.
– Será que nos três podemos capturá-lo? – perguntou a profª Duggan animada. Neville olhou para ela espantado.
– Elizabeth, você não está falando sério? Dê uma olhada nisso; ele devorou mais da metade.
– Parou porque achou alguma coisa mais interessante: nós! – disse Kassin.
– Que criatura? – Alvo e Escórpio perguntaram.
– Vamos formar um escudo protetor! – disse Neville. – Elizabeth venha mais pra perto da gente. A professora não conseguiu se mover; estava presa no mesmo piche que prendia o filhote de hipogrifo
– Não consigo – disse puxando as pernas – essa coisa grudou nos meus pés; não consigo nem tirar as botas!
– Crianças se afastem do hipogrifo! – mandou Neville. – Não podemos deixá-los aqui. – disse Rose. Os três professores formaram um escudo mágico, o maior que puderam. Ficaram dentro de uma espécie de redoma formada pelas três varinhas.
– Vamos pensar num jeito de sairmos todos daqui – disse Kassin – prestem atenção crianças; enquanto mantemos nossos escudos vocês vão soltar o hipogrifo e a profª Duggan. Apontem as varinhas para a coisa grudenta que os prende. Escórpio e Alvo apontaram para o pequeno hipogrifo e Rose para a profª. Duggan. Neville e Kassin viam o vulto se mover cada vez mais próximo até surgir das sombras um monstro com olhos amarelos de asas abertas. As crianças se assuntaram; Escórpio passou o braço pelos ombros de Rose.
– Ah! Essa é a criatura! – disse Alvo de olhos arregalados.
– Fascinante! – disseram a profª Duggan e Hagrid juntos.
– Tudo bem pessoal! – disse Kassin bem devagar. – Ele está lá fora e não vamos deixá-lo entrar para nosso clube. Repitam comigo crianças: Inflamaren. Alvo ficou de pé e fez sinal positivo para Rose e Escórpio; os três sacaram as varinhas e começaram a cortar o piche que prendia a professora e o hipogrifo ao chão.
– Concentrem-se está bem; pense que vamos sair daqui e terminar o dia tomando chocolate quente no Salão Principal! – disse Kassin mantendo com Neville e Elizabeth o escudo protetor sobre todos. Pequenos espinhos estavam batendo nos escudos deixando pequenas marcas verdes. O hipogrifo fêmea começou a se agitar.
– Hagrid tente acalmá-la! – disse Neville.
– Os dardos são venenosos! Não toquem no escudo! – gritou a profª Duggan. Os escudos começaram a ficar menores e a temperatura começou a cair muito rápido. Escórpio e professora começaram a tossir. A criatura os rondava paciente; às vezes espremia a cara no escudo assustando as crianças. O escudo diminuiu fazendo Hagrid e o hipogrifo se escolherem cada vez mais.
– Agüenta ai Neville! – disse Hagrid.
– Estamos quase acabando professor! – disse Escórpio.
– Ótimo! Vocês estão se saindo muito bem! – disse Neville sorrindo pela primeira vez para Escórpio Malfoy.
A criatura se atirou contra o escudo e começou a arranhá-lo com as garras afiadas.
– O que faremos depois? – pergunto Alvo.
– Bom, Elizabeth pode usar o feitiço convocatório para trazer o trenó até aqui! – disse Neville.
– O escudo perderá muita força! Deixem as crianças; os três juntos podem trazer o trenó até aqui! – disse Kassin.
– Podemos! – respondeu Alvo.
– Ótimo! Quando o trenó chegar subam com a profª Duggan e deem o fora. O pequeno hipogrifo ficou de pé.
– Eu também estou livre; bom trabalho Rose! – disse a profª Duggan.
– E os hipogrifos? – insistiu Rose.
– Não se preocupe Rose. Vamos todos sair daqui! – disse Kassin sorrindo.
– Você promete?
– Claro que sim. Agora, vocês sabem o que fazer.
– Vão conseguir! – incentivou Hagrid que acariciava o hipogrifo. Rose, Alvo e Escórpio fizeram o feitiço convocatório juntos: – Accio trenó!
– A espera é sempre a pior parte! – disse Neville.
Os professores mal conseguiam manter os braços esticados. Hagrid e o hipogrifo já estavam deitados no solo gelado da floresta.
– Lá! O trenó está vindo! – gritou Escórpio O trenó parou bem do lado da professora que suspendeu o feitiço escudo para Hagrid se levantar e jogar as crianças dentro. Assim que subiram a professora refez o feitiço bem na hora que levavam uma saraivada de dardos venenosos. Neville atingiu a criatura e Elizabeth usou um feitiço de impulsão; o trenó mesmo pesado saltou pela trilha. A criatura pareceu na duvida em segui-lo. O trenó capotou assim que saiu da floresta, mas Hagrid o desvirou rapidamente tirando as crianças e a profª Duggan. Após verificar se todos estavam bem; Hagrid foi em direção a floresta.
– Hagrid! Aonde você vai sem a gente? – gritou Alvo.
– Não! Ninguém vai atrás de ninguém! – protestou a profª Duggan.
Na floresta os escudos já estavam minúsculos.
– Neville, você me lembra um amigo que tive há muito tempo. Eu gostava dele... mesmo depois dele ter tentado me matar.
Neville deu uma gargalhada.
– Kassin, você é um grande bruxo e um bom amigo.
– Desculpe criar caso com suas flores. Ninguem sabia nada a respeito delas e agora sabemos bastante, não?
– Tudo bem. Essa coisa está só esperando um vacilo nosso.
– Prometi a Rose que eles seriam salvos! – disse Kassin apontando os hipogrifos deitados no chão. – Eu o ataco e você cuida de tirá-los daqui.
– Você prometeu que todos sairiam daqui!
– Vou matar essa coisa!
– Vai perder tempo! Os hipogrifos não sabem qual lado é o seguro! Temos guiá-los!
– Como? Que falta faz uma vassoura! E se aparatarmos?
– Ou uma coisa ou outra!
– Sei que você detesta voar Neville, mas...
O hipogrifo fez um som como que dissesse ao filhote que se acalmasse. Kassin suspendeu sua parte no escudo; estuporou a criatura. Neville colocou o pequeno hipogrifo sobre a mãe e os dois professores também montaram. Sob efeito do feitiço a criatura seguiu a subida lenta do hipogrifo saltando nos galhos das árvores e quando já estavam quase livres da floresta saltou sobre eles. Neville lançou uma bola de fogo da varinha; e mesmo despencando para a morte a criatura lançou uma última chuva de dardos que foi amparada por um novo escudo protetor feito por Kassin. Flitwick tentava acalmar as crianças. Era tão pequenino que Rose quase o levantou pelas vestes.
– Alguém precisa ir atrás deles! – gritava a garota para a profª Duggan e a diretora McGonagall.
– Rose, veja! – exclamou Escórpio apontando para o céu. O hipogrifo voava lentamente em direção ao grupo carregando o filhote e mais dois mal acomodados passageiros.
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