A Nova Geração

9 Capítulo 8 - Fear


Notas iniciais
Oii, olha quem ta atrasada de novo?? Voltei com um capítulo novinho com novos personagens, um meu (Eleanor) e outro da Lady Kirkland (Victorique), só n deixo a foto, pois provavelmente vou mudar ^^

Layla POV
A entrevista tinha sido muito mais fácil do que eu imaginara, poucas perguntas foram feitas e eu já tinha sido aparentemente aceita – embora não saiba se isso é normal – fiquei aliviada, mais um problema tinha sido resolvido, e logo poderia deixar de ser um fardo para Anthea e me mudar para outro apartamento.
Já passavam das cinco e eu começava a me preocupar com o encontro que teria, mais do que com escolher uma roupa, com minha sede que começava a transparecer. Quanto mais sedento um vampiro fica, mais ele começa a se assemelhar a um monstro, seus dentes se tornam afiados e desregulares, sua mandíbula ganha uma elasticidade inimaginável e suas feições ficam cada vez mais parecidas com as dos famosos zumbis.
Aliás, esse é o único motivo pelo qual os deuses não impediram o fluxo total de comida em nossas aldeias e nas épocas mais difíceis de fome, nos lançam um humano de presente. Quando um dos nossos perdia o controle, era comum vermos líderes feiticeiros invadindo nossas casas e decapitando brutalmente os sedentos, antes que atingissem o último estágio e se tornassem os temíveis ghouls, sem qualquer consciência.
Por sorte, levaria ao menos um mês e meio para que eu chegasse a esse ponto e tinha fé que poderia encontrar uma fonte de sangue antes disso, na verdade queria mesmo era encontrar algo agora, mesmo no estado inicial, a sede não era nada confortável.
–Está tudo bem, Layla? – Thea se aproximou de mim.
–Claro...só preocupada com o encontro. – sorri, tentando disfarçar
Anthea pareceu satisfeita com a resposta e retribuiu meu sorriso.
–Deixe-me ver suas roupas – se aproximou da minha mala.
Não pude impedi-la de abrir, obviamente não tinha nada bonito ali, eram roupas simples, a maioria já desgastadas, nenhum vestido bonitinho ou colar chique.
Ela olhou para mim logo depois de analisar as peças.
–Acho que minhas roupas devem servir em você...
–Não consegui trazer muitas coisas – fiz uma pausa e continuei rapidamente ao pensar em uma desculpa — por causa da briga com meus pais!
Ela pelo menos fingiu acreditar, indicando que a seguisse até o armário, logo que abriu as portas, apontou para um tubinho vermelho – que me fez lembrar de sangue – arranquei esse pensamento da cabeça o mais rápido que pude e peguei o vestido, indo me trocar.
Quando me olhei no espelho, gostei do resultado, mas constatei que não poderia ficar me admirando muito, pois aquela cor me lembrava de algo que deveria esquecer naquela noite
Já eram quase sete e achei melhor sair, não podia negar que estava ansiosa. Anthea, que já tinha aprovado meu visual, deu uma piscadinha de “vai dar tudo certo” enquanto eu saia pela porta.
Quando entrei no taxi, agradeci novamente pela minha memória ao precisar dar o endereço do bar, batucava com os pés rapidamente durante todo o percurso. Ao chegar, paguei o motorista com o dinheiro que Thea me emprestara, respirei fundo, e entrei no local.
Estava bem cheio, a animação das pessoas, algumas já beirando a embriaguez, era contagiante. Olhei ao redor, procurando Eduardo, corei quando nossos olhares se encontraram, ele abriu um sorriso e se afastou do seu grupo, vindo em minha direção.
–Layla, você veio mesmo!
–Gosto de música – tentei dar de ombros
Ele me lançou um olhar malicioso
–E talvez o fato de você ser o guitarrista tenha influenciado em alguma coisa – me dei por vencida e sorri, ele fez o mesmo e me chamou para perto de seus amigos.

Sol POV
Tentamos nos misturar pela cidade durante todo o percurso, não sabia ao certo para onde íamos, mas a possibilidade de encontrar alguém que me ajudasse a voltar a ter uma vida normal era o bastante para ter fé nas palavras de Lúcifer.
Minha presença era muito importante na minha família, tínhamos algumas dificuldades financeiras já que nenhum de nós teve sucesso em agradar aos deuses, então ajudava minha mãe nas vendas, fazia tapeçarias. Não diria que é algo ruim, eu gostava do trabalho, me relaxava e me fazia sentir mais próxima de minha família, era bom saber que podia ajudar com alguma coisa.
Por isso, precisava voltar para eles rápido, imaginava como minha irmã, Joy, de apenas 10 anos, devia estar aflita com meu sumiço...foquei na situação atual, me preocupar com isso agora não faria com que avançássemos mais rápido.
–Estamos quase chegando, fica na próxima esquina... – Lúcifer nos alertou
Todos parecíamos aliviados com a notícia, logo avistamos um prédio – sem qualquer pintura – que parecia ser nosso destino. Era muito humilde e parecia abandonado se comparado com os que estavam ao seu redor.
–É aqui, não podemos entrar todos juntos, vou entrar primeiro, esperem alguns segundos para fazerem o mesmo. – Lúcifer advertiu, tocando a campainha que servia de portaria.
–Quem é... – ouvimos uma voz feminina do interfone, que se interrompeu bruscamente em pouco tempo.
A porta foi imediatamente destravada, percebi uma câmera no local, dei a ela os créditos da fácil passagem de Lúcifer. Entramos um a um no prédio, esperando certo tempo entre as entradas.
Dentro do ambiente, notei uma pequena recepção, com um balcão e algumas cadeiras, Lúcifer conversava com uma moça jovem de longos cabelos negros e olhos cor de safira, com silhueta excepcional.
Ela virou o olhar para nós, nos notando pela primeira vez
–Em que confusão você foi se meter dessa vez, Lúcifer!
–Se não tivesse confusão, não seria Lúcifer – outra mulher, que parecia ser um pouco mais velha, se envolveu na conversa.
Ele abriu um sorriso amarelo, certamente já tinha pedido muitos favores àquelas duas.
–Tudo por causa daquele louro idiota – rangeu os dentes – vou direto ao ponto, preciso que tirem nosso cheiro.
A moça de cabelos negros deu risada, aquilo parecia acontecer com frequência.
–Todos foram expulsos? – ela controlou a risada e contou quantos éramos – quatro doses de elixir – olhou para a mulher mais velha – você consegue, Vicky?
–Eu consigo fazer qualquer coisa – disse convicta – mas, preciso de tempo, dois dias devem dar.
Arregalei os olhos.
–Você é uma feiticeira?
Ela riu como se fosse uma pergunta retórica, foi a moça de olhos azuis quem respondeu.
–Victorique é um grande nome entre os rebeldes, já foi uma das maiores feiticeiras que o mundo já teve, era o braço direito dos deuses, mas foi expulsa do olimpo por se interessar pela magia negra – Victorique bufou, parecendo indignada com a história – escolheu o lado certo e está nos ajudando, é uma das razões para nosso grupo se sentir seguro fora das florestas.
A feiticeira deve ter percebido que Reece e eu estávamos assustados, pois resolveu se explicar.
–Eles chamam de magia negra por que tem medo de que exista alguém mais poderoso que eles. Os alcances da magia simples são grandes, mas não o suficiente para alguém ambiciosa como eu, se já sei tudo o que ela tem a oferecer, por que devo parar? – ela pareceu satisfeita com sua explicação e se sentou em uma das cadeiras.
Já tinha ouvido falar sobre a magia negra, era verdade que seus alcances eram quase infinitos, ela envolvia principalmente o contato com seres do submundo, haviam relatos da possibilidade de comandar demônios e espíritos selvagens. Para alguém que nunca se aprofundou nesse mundo, os calafrios eram inevitáveis.
Estava prestes a fazer mais perguntas, mas Lúcifer parecia ansioso em resolver seus problemas.
–Então, vocês têm quartos para essa noite?
A jovem pálida de cabelos negros deu risada, mostrando seus dentes brancos perfeitos – ela parecia fazer isso com frequência.
–Você está realmente ansioso para descansar...
Ele se aproximou dela, lançando um olhar malicioso
–Estou ansioso para fazer outras coisas também, Elly – a mulher retribui o olhar
Lúcifer passou as mãos pela cintura dela, que antes de se aproximar ainda mais, se virou rapidamente para nós
–O quarto de vocês é o nove!
Ela se aproximou e logo os dois estavam se beijando...os outros e eu reviramos os olhos, já esperando por isso, e procuramos pelo quarto número nove.

Reece POV
Ainda não conseguia digerir tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, não me preocupava com minha família, pois sempre passava alguns dias fora de casa, e eles sequer deviam estar sentindo minha falta ainda, mas me preocupava comigo e com o que aconteceria a partir de agora. As meninas estavam entrando no quarto, mas resolvi ir um pouco para o lado de fora, respirar o ar puro e tentar clarear os pensamentos.
–Eu vou ficar um pouco lá fora... – avisei
Sol olhou para mim, preocupada.
–Tente não chamar atenção.
Assenti com a cabeça e me virei, saindo do prédio. Haviam muitas árvores perto do portão, me sentei encostado no tronco de uma delas, fechei os olhos, e tentei imaginar que estava no bosque ao lado da escola – sem nenhuma preocupação: livre.
Meu momento durou pouco, vi algo que parecia ser uma garota desesperada correndo na direção do prédio, ela parecia se segurar para não gritar, tentei chamar sua atenção, preocupado.
–Ei, você está bem? – tentei soar calmo, mas minha expressão se transformou quando ela parou bruscamente e pude a enxergar.
Seu rosto e sua roupa estavam cobertos de sangue, seus olhos pareciam bem mais brancos que o normal. Quando olhou para mim, ela começou a chorar e desabou no chão.
–Quem é você?! – exclamei, sem saber se devia me preocupar com ela ou comigo.
Ela demorou para responder, mas disse em meio a soluços.
–La-Layla...

Notas finais
Flashback do que aconteceu com a Layla no próximo capítulo! Vou estar fora até dia 21, então provavelmente postarei até dia 23...estou pensando em fazer um especial de natal ou de ano novo, tipo um capítulo sem relações com a história atual, talvez mostrando como foi o último natal deles - o que acham? (seria um cap normal no dia 23 e depois esse especial) Estou sentindo falta dos reviews de vocês...voltem para mim, por favor sjsajsshja Vejo vocês nos reviews ♥