Notas iniciais
A Terra em explosão? Será que vai acontecer? E se, será que poderá ser impedido?

Não estava tão bem colorido, mas ela já havia terminado o desenho, pois já tinha assinado. Olhei para seu braço e havia um corte. Ainda saía sangue dele, olhei a assinatura da Marina que estava num canto completamente branco do papel e vi que era um vermelho diferente do usado na bomba. Era um vermelho cor-de-sangue. Peguei o pincel caído e ele estava com essa cor. A palheta de cores dela não tinha esse vermelho. Ela assinou com sangue!

Tirei meu casaco e cobri o corte com a manga dele.

– Marina! Acorda!

Ela ainda estava paralisada, mas ainda quente, ela não estava morta. Olhei para seus olhos e vi que a cor cinza estava sumindo, voltando a cor original de seus olhos. Quando voltou por completo ela gritou e se sentou rapidamente, olhou pro quadro e pra mim em seguida.

– Eu sabia! Isso ia acontecer! Eu sei o que você pode fazer! Eu sei!

– Do que você ta falando!

Ela voltou o olhar pro quadro, pegou seu óculos que estava na mesa ao lado e arregalou os olhos ao ver a pintura.

– Ai meu deus! Acabou! Não temos salvação! Ai meu deus! Socorro! Chame ajuda!

– Marina! Se acalma! O que houve! Salvação do que!

– DISSO! – Apontou pra pintura.

– A pintura? O que tem ela?

– VAI ACONTECER! ACABOU!

– Está me dizendo que consegue prever o futuro?

– NÃO! Quer dizer... Eu não! Eu não sei! Eu não sei! Eu só desenho! Eu não sei nada! Alguma hora de algum dia eu paro tudo e... Tudo fica cinza, meu corpo se move sozinho... E quando acordo eu vejo uma pintura que eu acabei de pintar sem perceber! Eu pinto o futuro!

– Como assim? Isso é impossível? Quer dizer... Como você...

– Eu sei que você consegue olhar através das pessoas! Através de tudo!

Eu fiquei boquiaberto e abismado quando ela disse isso.

– Como descobriu?

– Aqui! – Ela pegou seu caderno de desenho e me mostrou o primeiro desenho.

Era eu, correndo, com tudo azul em volta, com os esqueletos das pessoas, a outra página era ela caindo em meus braços. A data era...

– Fiz esse desenho semana passada! Eu não sei por que nesse caderno, já que essas previsões eram desenhadas no meu outro... Esse do coala eu queria guardar para ocasiões especiais... Mas quando eu fiquei... Possuída, hipnotizada sei lá, eu desenhei aqui!

– Bom... Isso é algo especial demais, o bastante para você não contar à ninguém porque...

–Acha que eu contaria pra alguém? Acha que eu mostraria esse desenho pra alguém? Só mostrei pra você porque acredito que isso seja algo especial. Primeiro isso de que você enxerga pelas paredes, agora essa pintura gigante da terra em explosão...

– Você assina seu nome e a data com seu sangue Marina. Isso não pode ser nada normal...

– Ah! Onde foi dessa vez?! O casaco e seu?

– Sim, tava saindo bastante sangue.

– Obrigada. Espera, você pode me ver nua?

– Poder eu posso, mas eu não sou esse tipo de pervertido, confia em mim.

– Hunf...

– Como você entrou aqui? Você tem outra chave?

– Na verdade eu não sei... Eu tava na saída quando começou. Eu não vejo nada, apenas cinza. Não sei como entrei, e você? Como entrou?

– Bom – Mostrei as chaves – Eu peguei do inspetor. Vamos, seu irmão está preocupado.

– Espera a gente tem que investigar isso! Essas pinturas, você e seus poderes!

– A gente faz isso outro dia, eu prometo. Isso é realmente estranho, você pinta o futuro! E você me pintou uma semana atrás. Agora essa Terra explodindo. Isso pode se tornar realidade, não sei isso tudo é muito louco para mim... Segunda a gente vê isso melhor, não conte a ninguém sobre nada ok?

– Tudo bem. O que eu falo pro meu irmão?

– Você tropeçou, se arranhou numa mesa e bateu a cabeça em algo que te fez desmaiar esse tempo, e a sala “estava aberta” e eu te achei.

– Ok. Valeu cara.

– Nada.

Ela enrolou a pintura e guardou numa sacola na sua mochila. Guardamos rapidamente os materiais nas gavetas e saímos. O irmão dela estava na porta, se abraçaram e saíram com pressa. Despediram-se da Vanessa que ainda estava lá. Coloquei as chaves de volta no bolso do inspetor e fui falar com a Vanessa.

– Onde a Marina estava?

– Na sala de artes, desmaiada. Bateu a cabeça numa mesa.

– Ué? Sala de artes? Quando eu fui ver ela tava fechada!

– Também achei, tava emperrada.

– Ah, entendi... O que ela tava fazendo lá?

– Não sei dizer ao certo... Acho que ela tinha esquecido algo lá.

– Ah sim. Você já vai embora?

– Vou, eu tenho que descansar . Hoje foi um dia fora do comum.

– Serio? Haha, eu não... To no mesmo tedio de sempre. O caminho pra Niterói é ótimo para refletir sobre a vida...

– Ah, entendi. Então é isso. Até mais Vanessa!

– Até!

Enfim estava voltando pra casa. Pensando nos meus poderes e nesse inesperado poder de pintar o futuro. Isso com certeza não foi coincidência, ela me desenha no caderno mais especial e desenha numa tela enorme a terra sendo explodida. Isso tudo era muito, muito estranho. Será mesmo que a Terra irá explodir? Se sim, quando? Daqui a uma semana? Como na minha pintura? Como ela fica “possuída”? Se ela não enxerga, como ela desenha essas coisas? Tantas perguntas e nenhuma resposta. Mas a que mais me incomoda...

Será que eu tenho ligação com a destruição da Terra?

Notas finais
Capítulo que vem, personagem novo! Comentem e compartilhem se gostarem.