A Nossa Historia
28 Capítulo 28
Um novo dia começava trazendo a esperança de que tudo poderia ser diferente. A brisa da manhã invadia o quarto de Amy. Sempre havia uma fresta para que os primeiros raios do dia invadissem o ambiente com esplendor.
O toque ensurdecedor do celular não parava de ecoar pelo quarto. Amy tateava sobre o criado mudo o pequeno aparelho. Ainda era tão cedo e na noite passada não conseguiu pegar no sono com facilidade.
— Alô? — atendeu ela sonolenta.
— Aqui é a Estella, gostaria que você me encontrasse daqui a duas horas no shopping. Pode ser na praça de alimentação.
— Por quê?
— Só preciso que venha.
E o telefone ficou mudo. A jovem demorou a processar aquela ligação. Por que Estella queria encontrar com ela no shopping? Sua mente estava completamente confusa. Não era fácil lidar com enigmas logo de manhã.
Ficou deitada mais um tempo no quente de sua cama. Era o único dia que teria livre para fazer o que quisesse, mas teria um encontro inesperado com Estella. O que teria feito para ser tão querida por aquela família? Virou de lado e lembrou da noite anterior, de como Marcus a fizera se sentir especial por algum momento. Era bom e assustador ao mesmo tempo, pois nunca havia se sentido tão segura e confiante em relação a outra pessoa. Com ele a sua armadura havia caído por completo. Estava louca para saber até onde poderia ir em relação a Marcus. Só não queria se iludir e ser machucada mais uma vez.
**********
Era onze da manhã quando Amy saiu de casa para ir até o shopping. Se perguntava qual poderia ser o assunto tão importante a ser tratado. Esperou que o táxi parasse perto de casa. Queria que a viagem fosse breve e esperar por um ônibus estava fora de cogitação.
As ruas de Nova York estavam tranquilas sem aquele abarrotado de turistas e moradores locais. Parecia tudo da mesma forma, mas com um leve toque de surpresa e esperança. Olhar para os principais prédios com as belas propagandas de espetáculos fazia com que o coração dela disparasse, pois era o sonho dela. Amy esperava pela sua oportunidade de ser chamada para alguns dos projetos mais importantes. Só precisava de uma chance.
O taxi parou exatamente onde Amy desejava. Pagou e saiu do carro a passos acelerados. Ao passar pela entrada do shopping, Amy sentiu seu coração bater com mais força. Estava curiosa para saber tudo e principalmente encontrar com Estella. Só assim poderia ficar tranquila novamente.
Estella estava sentada tomando Milk shake à procura de um rosto conhecido. Ficou feliz ao ver Amy se aproximar da mesa onde estava.
— Dona Estella. Fiquei surpresa com a sua ligação.
— Me chame apenas de Estella, por favor. Não gosto de formalidades entre nós. Queria passar um tempo só com as minhas garotas.
— Garotas?
— Sim... A Evie, você e o intruso do Marcus.
Amy sentiu um calor tomar conta de seu corpo. Estava aprendendo a lidar com o jeito dele. Desde o casamento de Angelique, ela vinha enxergando de maneira diferente. Só de observá-lo era capaz de sentir o seu toque, o seu beijo...
— Lá vem eles.
Evie e Marcus sorriam radiantes. Juntos haviam comprado o presente ideal graças à ideia genial de Estella.
— Ainda bem que voltaram. — Estella sorriu aliviada, mas logo voltou a sua atenção para Amy — Querida, nós estaremos oferecendo um jantar em comemoração aos vinte anos do meu casamento com Hilbert. Gostaria que estivesse presente, afinal todos nós te amamos.
— Uns mais que outros — murmurou Evie enquanto mexia em seu celular distraída.
— Quero que todos vocês estejam maravilhosos essa noite.
— Como quiser.
*********
Horas depois a produção para o jantar estava deixando todos nervosos. A mansão se tornara uma verdadeira bagunça. Não ao extremo. Todos os detalhes já haviam sido acertados por Estella e Hilbert o mais cedo possível.
Evie foi a responsável por escolher a roupa para a noite triunfante para Amy. Infelizmente ela não ficaria por perto para saber como seria a produção final de sua amiga. Seus pais insistiram em ter todos os membros da família para recepcionar os convidados. Tony buscaria Amy assim que ela estivesse pronta. Exceto quando todos estivessem reunidos no restaurante.
— Tem certeza de que é necessário toda essa produção para um jantar? — Questionava Amy confusa.
Amy não conseguia ter uma decisão final sobre o visual da noite, mesmo com a ajuda de Evie, nada parecia funcionar diante de seu nervosismo.
— Não é qualquer jantar. — Evie riu, mas logo se conteve — Meus pais estão completando vinte anos de casados. Eles merecem.
—Tudo bem.
Assim que ficou pronta, Amy foi até o hall de entrada onde Tony a aguardava. Mostrou-lhe o caminho até o carro e caminharam lado a lado em silêncio. Não estava sendo fácil conter todo o nervosismo.
Antes de dar partida, Tony colocou uma música na tentativa de acalmar Amy. Gostava muito daquela garota, sua simplicidade sempre o impressionou. Um suspiro profundo foi ouvido, talvez tivesse encontrado a resposta certa para o problema.
*********
O caminho até o restaurante foi calmo, pelo em partes, pois Amy fez com que Tony se soltasse ao começar a tocar uma música do Eminem. Ficou impressionada por ele saber cantar todas aquelas palavras que saiam sem controle pelo cantor. Era hora de se tornar séria, e parecer um pouco mais reservada. Agradeceu ao homem e entrou no restaurante.
Os olhares foram voltados para Amy assim que passou da porta. Estava deslumbrante. Sua simplicidade destacava entre os demais. Seu cabelo estava preso num coque volumoso com alguns fios soltos. Dava-lhe um visual mais leve e jovem. Era perceptível o seu nervosismo, mas assim que Hilbert acenou para ela tudo pareceu ficar bem.
Caminhou até eles despreocupadamente.
— Nossa! — Exclamou Marcus admirado com o que vira — Amy, você está maravilhosa — ele puxou a cadeira para que ela pudesse se sentar.
O jantar acontecia tranquilamente. Alguns amigos do casal em determinados momentos levantavam e prestavam as suas homenagens. A verdade é que tudo havia sido planejado por Estella. Assim que ligou convidando todos eles para o suposto jantar de aniversário, todos aceitaram com convicção. Ela explicou o porquê de toda aquela armação. E naquele momento tudo parecia perfeito.
Gritos e aplausos foram ouvidos. Logo seria a vez de Marcus.
— Hora de homenagear os meus pais. — Disse Marcus se levantando até o palco — Boa noite! — Ele esperou ser respondido — Confesso que nunca fui tão bom com as palavras... Mas aprendi a lidar com elas. Seu olhar estava focado em Amy — Uma amiga disse uma vez que podemos fazer tudo o que quisermos com o nosso corpo e ela estava certa. Meu corpo expressava tudo o que eu queria dizer. Ela tinha razão sobre tudo. Amy, venha até aqui, por favor.
Amy olhará para a família que estava ao seu lado. Evie a incentivava. Todos os olhares estavam voltados para os dois jovens no palco.
— Nunca quis ser apenas um jovem com um sonho no coração. Você me ensinou a viver, a querer o melhor da vida e das pessoas. Te conhecer foi um presente maravilhoso. Meus pais sempre me apoiaram e com a sua presença constante na minha vida, entendi perfeitamente o que queria. — Marcus segurava sua mão carinhosamente — No mesmo instante em que ti vi pela primeira vez meu coração passou a te pertencer. Te irritar e fazer brincadeiras era o meu jeito de demonstrar o quanto estava interessado em você. Cada minuto que passava ao seu lado um sentimento forte começava a crescer rapidamente em mim. Eu te amo, Amy Jones. Amo esse seu jeito misterioso, tranquilo e preocupado de ser.
Ao vê-lo se ajoelhando, Amy sentia o seu coração querer sair boca a fora. Não esperava presenciar tal cena.
— Na frente de todas essas pessoas eu te pergunto: Amy, aceita ser a minha namorada?
Ela abriu a boca, mas não conseguiu emitir som algum. Respirou fundo mais fundo mais uma vez.
— Aceito!
Marcus sorriu e de seu bolso retirou uma caixinha azul. Ali se encontravam as duas alianças. Pegou a mão dela e colocou a aliança sem perder a visão que estava tendo. Os olhos dela brilhavam com intensidade. Levantou-se e abraçou com carinho. Pela primeira vez em anos ela sentiu todos os pedaços se juntarem dentro dela, o coração bater forte e o verdadeiro sentimento ser colocado para fora.
— Tudo bem?
— Nunca fiquei tão emocionada em toda minha vida. Você realmente não existe, Marcus. — deu-lhe um beijo breve.
— Vamos comemorar.
Sairam do palco e foram para os seus lugares. Taças de espumante foram levantadas para o casal. Era um misto de emoções.
— Minha cunhada! — exclamou Evie batendo palmas como uma verdadeira criança. — Fico feliz por fazer parte da nossa familia. Isso é um belo presente que o meu irmão poderia ter nos dado.
**********
Semanas se passaram desde que Marcus e Amy assumiram o relacionamento. Todos os amigos e colegas mostravam o quanto estavam felizes com as escolhas que haviam feito. A escola respirava aquele momento maravilhoso. O clima não poderia ser melhor do que esperavam.
Para Amy era complicado falar a respeito de relacionamentos com Ingrid, principalmente se Marcus estivesse envolvido. Era mais fácil não falar sobre ele a aproximação que tiveram ao longo do tempo. Amy só queria ser livre, e sentia-se assim quando estava em sua companhia.
Amy e Marcus não conseguiam esconder a felicidade que sentiam ao estarem juntos. Para eles, o sentimento que nutriam um pelo outro era intenso e único. Algumas pessoas não conseguiam aceitar bem o relacionamento deles. Talvez Ingrid não fosse aceitar quando descobrisse. As pessoas comentam que Amy era inadequada para ele, mas ambos não se importavam com o que falavam.
Era o fim de uma tarde fria e calma. O vento brincava entre os galhos das árvores fazendo com que as folhas se desprendessem e fizessem uma coreografia até chegar ao chão. O casal estava atento ao filme que escolheram para apreciar naquela tarde acolhedora. O silêncio era tranquilizador.
— Esse filme é tão lindo! — suspirava Amy apaixonada — Adoro ver o Garret Hedlund nesse filme! O jeito que ele olha para a Chiles... — sem dar tempo que ela terminasse de falar, Marcus roubou-lhe um beijo.
— Prefiro o meu jeito de te olhar, pois sei que o que vivo ao seu lado pode ser para uma vida toda.
Um arrepio leve passou por todo o corpo da jovem.
Logo o filme ficou esquecido por eles, pois Marcus começou a fazer perguntas sobre o que Amy já passara quando estudava, antes de decidir a carreira que queria seguir.
Conversavam despreocupados.
— Sério mesmo? Eu não acredito que você chegou a sair correndo no começo da sua primeira apresentação. — gargalhava ele sem parar.
— Eu não sabia que era necessário todo um preparo. Ainda era novata no colégio e achava que era só chegar no palco e fazer acontecer, mas não era bem assim.
— Como você era louca! — brincou ele puxando-a para si — Você sempre lutou pelo seu sonho, e juntos eu vou te apoiar cada vez mais.
A porta principal foi aberta e Ingrid estranhou o silencio na casa, sabia que Amy poderia estar na sala, pois ao sair de casa ela estava vendo seus seriados.
A mulher ficou cega de raiva ao ver a cena. Não conseguia acreditar que sua filha estava aos beijos com o playboy do Marcus.
— Mas o que está acontecendo aqui? Amy, o que esse rapaz faz aqui? — Ingrid estava furiosa.
— Senhora, não é o que está pensando. Não estou colocando sua filha a seguir um caminho ruim.
— Não estou falando contigo meu rapaz. — voltou a atenção para Amy — Fiz tantos planos para você, minha filha. Tantos rapazes pra você escolher e decide ficar logo com esse dai. Dou dois minutos pra que esse indigente saia da minha casa — berrava Ingrid saindo para o seu quarto.
Amy não queria que Marcus se sentisse ofendido.
— Marcus, eu sinto muito. Não queria que você passasse por isso.
— Amy, relaxa. Nada do que a sua mãe disser será capaz de mudar o que sinto por você. Eu te amo Amy. Depois nos falamos, não quero arrumar confusão.
Ingrid esperou a saida dele para então ter a oportunidade de conversar melhor com sua filha.Não era sua intenção ser grossa, mas conhecia o quanto Amy falava a respeito de não se relacionar com outras pessoas, pois a sua carreira erao seu foco.
— Pensei que a carreira era o seu foco primordial. — murmurou Ingrid entrando na sala.
Amy bufou.
— Ainda é o meu foco, mas decidi dar uma chance a minha felicidade. O Marcus pode parecer uma péssima pessoa pelo seu ponto de vista, mas garanto que ele está me apoiando desde sempre. É de alguém assim que eu preciso, alguém que vai entender as minhas frustrações e inseguranças quando um projeto novo for anunciado. — ela se aproximou de sua mãe — Aprendi a confiar no Marcus, mãe. Ele me faz bem.
Ingrid percebeu que seria em vão discutir com a filha. Era hora de permitir que a sua estrela brilhasse com mais força.
— Só me resta aceitar, não é? — ameaçadora ela prosseguiu — Se ele te fizer sofrer, tenha certeza de que mando você ir morar com a sua tia Joana.
Ela sorriu divertida.
— Agradeço por entender.
— Estou de olho em vocês.
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