A Nossa Historia
10 Capítulo 10
As semanas passavam rapidamente e os laços de amizades sinceras e fraternais cresciam entre os jovens. Toda a disposição que mantinham para as novas produções da escola deixavam Margareth animada e orgulhosa. Admirava a dedicação de cada um deles. Faziam principalmente pelo amor que sentiam pela arte e pelas amizades que se fortaleciam com o tempo que passava. Novos ensaios eram agendados todos os dias. A escola cada vez mais falada nos quatro cantos do mundo. Margareth só tinha a agradecer a cada um deles pelo esforço e dedicação. Não havia turma melhor que a deixasse animada. Em breve eles teriam grandes novidades que poderiam mudar completamente a rotina na vida de cada um deles.
Marcus estava em seu quarto esperando que a sua irmã chegasse logo do colégio. Não entendia o porquê dela se atrasar para chegar em casa. Não fazia sentido, pois Tony sempre a buscava no horário e quase nunca havia trânsito naquele horário para ficarem presos em um engarrafamento ou dizerem que o carro deu algum problema, este que também sempre estava em ordem. Cansado de esperar em seu quarto, preferiu ir até o quarto de Evie, ali seria o primeiro lugar que ela passaria independente do seu cansaço semanal.— Evie! — Exclamou ele animado ao vê-la na porta do quarto.— Por que você está sorrindo assim? No meu quarto?— Precisava falar contigo.— Você está muito estranho garoto! Nunca foi assim. Coisa boa não deve ser.Marcus arqueou a sobrancelha.— É sério o que eu tenho para falar com você! Por que você não faz a sua comemoração de dezesseis anos aqui na mansão?— Por quê?— No salão onde sempre fazemos as grandes comemorações não seria legal! Gostaria de chamar algumas pessoas da escola.— Quem? A Amy Jones? Você não consegue disfarçar. — Desculpa, se eu não sou um bom ator no momento, mas ela tem sido tão legal e gentil comigo. Queria retribuir.— Fique à vontade! Queria mesmo conhecê-la. De tanto que você fala nessa garota estou começando a achar que ela nem exista, mas esperarei até a festa.Marcus abriu um lindo sorriso para a irmã. Não precisava de tanto esforço para convencê-la do que queria ser feito. Correu para perto dela e a abraçou docemente. Evie sempre era uma garota doce e gentil com as pessoas, sempre disposta a ajudar o seu irmão. Não importava o que fosse sempre estava ali pronto para lhe servir.— Já chega de abraços! — Reclamou a garota — Essa garota deve ser muito especial pra você, não é?Marcus olhava para sua irmã com um sorriso doce nos lábios.— A simplicidade da Amy encanta a todos, Evie. É tão natural dela querer ajudar as pessoas, certificar de que tudo e todos estão bem. Mesmo que ela esteja com problemas pessoais, ela não se importa em ajudar o próximo.Evie retirava o seu tênis.— Você está apaixonado por essa garota! — Brincou Evie tacando um travesseiro no irmão.— Somos apenas amigos!Marcus se jogou para trás na cama. Se pôs a lembrar do beijo de despedida que dera em Amy. Mesmo não tendo sido algo profundo como desejara, a aproximação que tiveram naquela noite foi o suficiente para que ele se sentisse melhor e mais seguro de si. Percebera que ela repreendia algum desejo. Amy deveria aproveitar mais a vida, arriscar mais. Marcus só desejava ter a oportunidade de conhecê-la melhor. Precisava de momentos únicos ao lado daquela garota.Amy acima de tudo era uma boa garota, sempre atenciosa e preocupada com tudo e todos. As outras experiências de Marcus lhe mostrara o quanto ele havia mudado diante das circunstâncias que estava vivendo. O jeito simples e humilde dela lhe mostrava o quanto ela amava a arte e não apenas o que poderia ganhar com ela. Desde que entrara naquela escola nunca ouvira pessoas comentando atrocidades a seu respeito, Amy Jones era apenas elogios por onde passava.— Marcus, será que alguém mais gosta dela da mesma forma que você?Marcus se levantou num salto ligeiro.— Não sei! Não ficaria surpreso se isso acontecesse. Amy possui um imã de atração, só pode. — Sinceramente, espero que ela seja digna de ser a dona do seu coração. Gosto muito dos seus amigos, mas do modo como fala dela, acredito que a Amy não é do tipo que se deixa levar pelas aparências e sim pelo o que as pessoas podem lhe oferecer. E você meu irmão, saiu no meio da noite para tranquilizá-la. O primeiro passo foi dado.— Evie, acha mesmo que posso ter alguma chance com aquela garota?— Todas as chances do mundo! Prevejo até casamento! — Confirmou a jovem animada.Marcus ficou pensando nas palavras de sua irmã. Ao mesmo tempo em que poderia ser brincadeira havia uma porcentagem de ser verdade. Iria permitir que tudo se ajustasse tranquilamente, não poderia apressar o que não estava ao seu alcance. Deixou Evie sozinha no quarto e foi para o seu. Ali ele poderia ficar mais à vontade com os seus próprios pensamentos. Acabaria enlouquecendo só em pensar no quanto aquela jovem era importante.Marcus resolveu tentar contatar Amy pelo telefone. Precisava ouvir a voz dela mesmo que durassem poucos segundos. Tentara inúmeras vezes, mas estava impossível. Talvez ela pudesse responder por mensagens de redes sociais.
Marcus: Amy está muito ocupada?Amy: O que houve? Meu celular parou de responder de tanta ligação perdida.Marcus: Não queria te deixar preocupada, mas queria saber como estava.Amy: Vivendo a cada dia da melhor maneira possível. Dia de organizar o quarto. Imagina a bagunça rotineira e de deixar os figurinos impecáveis.Marcus: Quanto trabalho. Ser mulher não é fácil. Nos falamos depois.Amy: O.K.O mundo só poderia estar de cabeça para baixo. Nada estava fazendo sentido naquele dia. Amy estranhara a quantidade de ligações. Gelou ao ver que uma delas era a de Margareth.— Querida, preciso que você venha até a minha casa. Preciso ter uma conversa muito séria contigo.Amy ficou muda. Detestava quando Margareth não contava o real motivo de uma conversa tão séria.— Que horas, Margareth?— Seis da tarde.Ela respirou fundo antes de dar a sua palavra final.— Estarei ai.Amy encarou o vazio de seu quarto. Infelizmente teria de deixa-lo. Não gostava de deixar Margareth na mão, principalmente quando desconfiava que tudo envolvia a escola de artes cênicas. Mesmo que não fosse algo tão urgente, Amy estava pronta para ajudá-la quando precisava.Depois de deixar tudo organizado, Amy tomou um banho relaxante. Se preparava psicologicamente para as surpresas da noite. Margareth Grahan conseguia ser uma caixinha de surpresas quando desejava. Não havia como se acostumar com esse lado misterioso daquela mulher. Queria que a sua mãe fosse assim, mais presente em sua vida. Infelizmente nada era o jeito que desejava. Só poderia contar com a atenção de outras pessoas.As ruas movimentos lhe davam um pouco mais de animo para seguir adiante. Seu coração se comprimiu ao ver uma família extremamente feliz. A garota estava tão feliz por estar comemorando mais um aniversário ao lado de seus pais. Amy nunca comemora o seu aniversário. Não gostava de passar o dia em casa ou sequer que as pessoas lhe desejassem felicitações. Era para ser um dia feliz, o dia em que ela estaria completando mais um ano de vida, mas a sua alegria fora tirada justamente nesse dia.Lembrava-se com clareza do pior dia que vivenciara. Lá estava Amy reunida com o seu pai. Estavam apenas os dois em casa, Ingrid havia ido visitar uma amiga desde cedo e não voltara para casa. Raymond lhe trouxera um bolo com nozes feito na padaria do senhor Gomes. O bolo preferido deles. Raymond se preparava para colocar a vela no bolo. Amy não conseguia conter a ansiedade para fazer o seu pedido. Os olhos castanhos de Raymond brilhavam diante da felicidade de sua filha. Ela merecia aquele momento. Em sua voz suave, Raymond começou a cantar “Happy Birthday to You”. Sentia orgulho ao ver que a sua filha o acompanhava nas notas. A chama da vela era intensa. Amy fechou os olhos fortemente e fez o seu pedido antes de assoprar a vela. Juntos eles faziam a melhor festa.Pouco tempo depois de Amy cortar o bolo e dar o primeiro pedaço a seu pai, a campainha tocara.— Sua mãe deve ter esquecido a chave! Como é que ela consegue?Amy deu de ombros sorrindo marota. Seu pai tinha o dom de fazê-la sorrir sempre. Diferente de sua mãe que sempre se mostrava séria demais. A jovem estranhou o silêncio que se transformara a casa. Decidida foi até a porta ver o que acontecia para que o seu pai demorasse a retornar. Ela ficou paralisada ao ver seu pai sendo algemado.— Papai? — Amy, querida! Volte pra sala. — Moço, deixa o meu pai...Amy ficou na porta de casa chorando vendo levarem o seu pai.Abandonando todos aqueles pensamentos, Amy pegou o táxi e foi para casa de Margareth. Não se der a conta de que havia parado no meio do caminho e deixara que as suas lembranças tomassem conta de si. Não poderia permitir que apenas as lembranças fossem reais, tinha de ter o seu pai ao seu lado. Perdida em seus pensamentos, Amy não se dera conta de que já estava na frente da casa de Margareth. Olhou em seu celular e ainda eram seis e vinte da tarde. Pouco tempo se passara desde então.O segurança abriu o portão para Amy. Já estava acostumado com a sua presença constante e principalmente pelo fato de Margareth lhe dizer que aquela garota era de sua extrema confiança.— Margareth? — Chamava Amy na sala.— Estou aqui no escritório! — Respondeu Margreth na sua voz sensual.Conversar no escritório não era nada legal. Amy caminhou pesadamente até o escritório. Estranhou ao ver a mulher toda produzida.— Está tudo bem?— Perfeitamente... Anda, preciso que se arrume. Temos um evento para ir. Novos patrocinadores desejam te conhecer. — Disse a mulher entregando a roupa para Amy vestir naquela ocasião.— Margareth, por que eu tenho de ir nesse evento? Os patrocinadores já devem estarem cansados de saberem quem eu sou. — Explicava Amy.— Meu amor, todos os alunos fizeram uma votação, hoje a tarde. Tivemos que decidir entre você e a Bryana, felizmente todos te escolheram.Amy estava preocupada.— Tudo bem! Eu vou... — Animação querida! O evento de hoje será mais animado.— Assim espero.Margareth permitiu que a jovem se sentisse em casa. Amy cuidou primeiramente da maquiagem, passou algo leve. Não queria algo pesado para a noite. Aproveitou para fazer um delineado caprichado acompanhado de batom vermelho. O vestido que Margareth lhe entregara era delicado demais. Um lindo e longe vestido roxo. Leves bordados em pedraria o deixavam ainda mais charmoso. — Estou pronta, Margareth! — Exclamou Amy saindo da sala de maquiagem.— Está linda Amy.Ela sorriu fraco.Margareth e Amy saíram em rumo ao grande baile anual da empresa McByrne. Simplesmente a empresa visionária no ramo artístico. Grupos, companhias que possuíam a oportunidade de serem patrocinados por eles, logo tinham o mundo aos seus pés. Amy não precisava ter o mundo aos seus pés, só queria conquistar o seu espaço no mundo artístico e isso já era o suficiente. Havia motivação para que ela nunca esquecesse o porque de ter iniciado em uma profissão que exigia muito de si.Ao chegarem no local do evento várias câmeras foram apontadas para as duas. Amy sorria por obrigação, não se sentia bem por estar naquele envento. Preferia estar em casa, no seu quarto. Não iria desapontar Margareth num momento tão importante como aquele. À primeira vista Amy acreditou conhecer algumas pessoas, infelizmente se enganara. Mesmo sem animo, Amy conseguia admirar a decoração que fora feita. Todas aquelas luzes lhe trazia boas sensações. Foram para demtro do salão dar a devida atenção aos anfitrões. Margareth sempre que podia explicava quem era cada uma daquelas pessoas e quais eram as suas funções mediante a arte que representavam.Era muita informação para ser digerida, mas de certa forma ela conseguira gravar uma boa parte em sua memória. Conhecer um pouco mais do espaço em si era o que mais agradava Amy. Se sentiria melhor se seus pais estivessem juntos de si. O quanto aquela jovem aniava para que sua mãe fosse mais amavel e tolerante quanto às suas vontades e desejos. Só precisava que sua mãe mudasse para que tudo ficasse em sua perfeita ordem.Amy olhava atenciosamente cada uma daquelas pessoas que estavam presentes no evento. Sempre as mesmas pessoas, mesmas vestimentas... mesmos sorrisos desconcertantes. Um alguém que ri levemente da piada sem sentido e sem humor. Naquela noite Amy não se sentia bem por estar naquele evento, mesmo que fosse necessária a sua presença. Mesmo que fosse a convidada mais esperada da noite, Amy se sentia deslocada, desconfortável. Fora de si. Tudo o que a jovem mais desejava era poder estar segura no seu refugio sem precisar ter contato com o mundo lá fora. Reconhecia o fato de que Margareth tivera de realizar uma votação, mas em alguns momentos Amy preferia que outras jovens tivessem as mesmas oportunidades que ela. Seria justo com todas Olhou para os lados e notou o quanto Margareth se sentia bem e sorria radiante para todos os convidados com quem conversava avidamente.Um homem aproximou-se euforico diante daquela mulher sorridente. Amy não conseguia identificar a tal pessoa. Logo uma jovem loira se aproximou deles. Lembrava uma princesa dos contos de fadas. Logo os três andavam em direção à Amy. A jovem não sabia o que esperar daquelas pessoas que estavam por se aproximar de sua pessoa.— Querida, quero que conheça o Johnny — Disse Margareth empolgada — Essa é a filha dele, Ellyse.Amy sorriu.— É um prazer conhecê-los. A Margareth tem me falado muito a respeito de vocês, do quanto gostam de e levar o nivel dos artistas.
— Meu pai ama... — Indagou Ellyse descontente.Amy sabia om quanto aquela garota aparentava ser arrogante só pelo seu modo de falar.— Filhinha, vá aproveitar a festa! Isso aqui é conversa para adultos. — Pediu Johnny educadamente.Sem hesitar Ellyse obedeceu ao pai.— Filhos... Peço desculpas pela forma como a minha filha a respondeu. Não sou fã desse comportamento rebelde.— Não precisa pedir desculpas, Johnny. Sei muito bem o que se passa pela cabeça da sua filha. — Explicou Amy.— Agradeço por compreender... Falando em compreensão... Você é uma garota muito esforçada. Sempre estou presente em muitas apresentações realizadas pela escola da Margareth. Acredito que esteja na hora de voar um pouco mais alto do que já está acostumada.— É exatamente o que almejo. — Afirmou Amy.— Será que poderemos presentear os convidados com alguma apresentação sua neste exato momento?Ela olhava para Maragareth desentendida. Não imaginava que tivesse que realizar alguma demonstração. A roupa escolhida para a noite não era digna para uma performance improvisada.— É claro que ela pode, Johnny. Só irá colocar uma roupa mais confirtável. — Estarei esperando.Amy ai9nda permanecia com um sorriso forçado nos lábios. Olhou indignada para Margareth.— Você sabia que eu teria de me apresentar?— Não... mas eu tentei me precaver para qualquer surpresa que pudesse surgir. Patrocionadores nos testam até o último momento.Margareth segurou na mão de Amy e a guiou até uma sala reservada. Ali havia um espelho grande com luzes ao redor, e a sala era completamente branca o que fazia com que Amy se acalmasse ao poucos.— Eu confio em você! — Exclamou Margareth antes de deixá-la a sós para se trocar.Fora solicitado que Amy fizesse uma pequena apresentação para os convidados. Já deveria ter notado o porquê de Margareth ter escolhido uma roupa mais prática. O vestido que estsva ali exposto para bque Amy se tocasse era semelhante ao que ela estava vestida. A diferença estava na cor e nos detalhes que compunham o vestido. Um lindo vestido vermelho com pedraria que desenhavam o busto com delicadeza e para um bom movimento havia duas fendas laterais. Depois de estar completamente trocada Amy se olhou no espelho e se encantava cada vez mais com o que contemplava. Diante de si via outra pessoa completamente diferente do que estava acostumada a se ver em eventos. O desânimo do começo da noite começou a desaparecer. Amy sentia todo o seu corpo tremer de ansiedade. Queria realizar a melhor apresentação de todas. A escola a qual representava merecia ser lembrada diante de seu esforço.Ao passar novamente pelos convidados os olhares foram completamente direcionados a ela. Johhny anunciava a atração enquanto Amy se posicionava. As luzes foram ganhando tons mais azuis focando Amy. A música começou com o leve soar do piano. Amy reconhecera de imediato qual era a música. Seus primeiros passos começaram a ganhar o espaço cênico. Os olhares admirados já se mantinham fixos em si. O movimento das aberturas no vestido permitiam que desenhos maravilhos fossem realizados por Amy. A delicadeza do movimento realizado mantinha Johnny petrificado. Notava pessoalmente o quão talentosa aquela garota era e principalmente por desenvolver tudo o que sabia numa escola promissora. Ao fim da apresentação, Amy respirava ofegante agradecendo a todos por assistirem. Margareth estava orgulhosa.Johnny se aproximou da jovem antes mesmo que ela pudesse fugir para trocar de roupa.— Aqui está a minha estrela! — Exclamou ele empolgado abraçando-a — Fiquei muito empolgado com o que vi.— Agradeço.— Margareth precisamos ter uma conversa séria a respeito do novos projetos da escola. Minha secretária entrará em contato. Tenha uma boa noite garotas.Margareth esperou que o homem se afastasse para comemorar com Amy.— Estava linda, querida! Com a sua ajuda foi possível darmos uma passo muito grande.— Só fiz a minha parte, Margareth. — Amy sorriu — Se não se impotar preciso me trocar e ir para casa. Só vim mesmo porque você pediu. E pedido seu eu não deixo de realizar.Amy se despediu ali mesmo e fora se trocar. Maragreth agradecia incansavelmente por ter uma garota tão especial na sua vida. A jovem merecia crescer profissionalmente e na sua vida particular. Amy ewstava se tornando uma mulher, mas será quie ela notara tal mudança? Crescer e amadurecer era necessário, mas Amy parecia não se importar com esse detalhe, vivia cada dia como se fosse o último. A estrela começava a brilçhar cada vez mais intensamente.
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