Notas iniciais
São tantas emoções que fica dificil de falar... BOA LEITURA

Marcus estava em seu quarto arrumando os seus poucos pertences para ir à praia com os amigos. Havia um certo tempo que ele não distraia a cabeça e se divertia em meio à natureza. Queria fazer algo diferente, sair da rotina de estudos à longo prazo. Hilbert e Estella não estavam em casa, de alguma forma teria de deixar a sua irmã a sós com os empregados da mansão.

Ela entrara em seu quarto e se pôs a observá-lo com atenção.

— O que você quer?

— Nossa! — Ela fingiu estar ofendida — Será que eu não posso mais olhar o irmão mais lindo desse mundo?

Marcus arqueou a sobrancelha.

— Pode falar o que você quer?

— Posso ir com você?

Marcus respirou fundo. Não queria que a sua irmã se sentisse mal.

— Evie, você sabe que eu adoraria te levar, mas preciso ir sozinho.

— Poderíamos passar mais tempo juntos.

— Não Evie. Eu te amo, mas não irei te levar dessa vez.

Evie por um momento deixou que o seu irmão arrumasse os seus pertences. Só queria passar um tempo com o seu irmão e, no entanto ele não queria que assim fosse.

— Maninho você tem certeza de que vai para a praia sem a minha doce companhia? — Questionava Evie.

Marcus sorria divertido para sua irmã.

— Tenho sim, preciso de um tempinho longe dos meus amigos daqui. Há tantas coisas a serem pensadas para a vida que eu não sei como seria com a sua companhia.

Evie insistia em acompanhar o seu irmão. Usaria todas as táticas necessárias para convencê-lo.

— Serei uma ótima companhia.

— Evie numa outra oportunidade te levo. Prometo.

— Nunca mais falo com você!

Marcus detestava quando Evie fazia chantagem emocional e acabava deixando-a extremamente chateada. A viu se retirar de seu quarto nervosa batendo os pés no chão com força. Por um momento ele a desconheceu, pois sua irmã sempre era delicada e feminina demais. Não dava para ser bonzinho o tempo todo só porque Evie queria que ele atendesse aos seus caprichos.

Depois de tudo pronto, Marcus deixou a mansão e foi aproveitar o seu fim de semana livre. Pela estrada, ele gostava de ouvir músicas que o deixavam ainda mais animado. Cantava animado enquanto dirigia. Carros com outras garotas que passavam perto sorriam admiradas e interessadas por ele. Ele apenas sorria divertido. Uma vez todas aquelas garotas lhe pertenceu, mas aprendera a lição de fazer apenas uma delas feliz. Cansou-se de fazer aquelas pobres garotas derramarem lágrimas por ele. Ele não era digno. A sua intenção era mudar e pra melhor. Dali em diante só gostaria de viver sua vida tranquilamente e nada mais.

Marcus chegou cedo à praia. Ainda não havia tanto movimento como desejava, preferiu dar uma volta na cidade, relembrar os lugares que costumava passear. Nada havia mudado naquela pequena cidade. Continuava acolhedora da mesma forma de antes. Só não esperava encontrar com Milena.

— Ora! Quem é vivo aparece. Marcus Lancaster, por que será que eu não fico surpresa com a sua visita?

Marcus riu sarcástico.

— Ter o coração partido não te tornou uma pessoa melhor, não é Milena?

— Será necessário muito mais para mudar o meu jeito de ser. O que traz aqui? Sentiu saudades de mim?

— Quem dera!Mas, não. Só queria sair um pouco da cidade grande.

— Não está perdendo nada. Aqui continua do mesmo jeito. Sem vida.

— Como você é dramática.

Ela sorriu sedutora.

— Nos vemos por ai, playboy.

Marcus ignorou aquele breve reencontro e foi para a casa da praia. Lá ele poderia ficar à vontade. Aproveitaria o máximo que pudesse enquanto não precisava se preocupar com o mundo lá fora.

**********

O cheiro do café recém-feito atiçava Amy que já se arrumava. Pensava no quanto seu pai tinha uma paixão imensa por café. Herdara dele e se sentia orgulhosa. Era a companhia perfeita quando ela decidia mergulhar nas páginas dos livros que decoravam a sua estante. Não eram muitos, mas o básico para que ela pudesse sonhar cada vez mais. Com os livros ela poderia viajar para os mundos que desejasse, poderia ser quem quisesse.

— Bom dia meninas!

— Que animo é esse, Amy? Logo cedo é demais.

— Há tanto tempo que eu não me sinto assim, feliz, animada, radiante.

Joana sorria encantada.

— Isso se chama receber amor da família. Você merece tanto minha querida.

Angelique comia em silêncio, mas com o olhar divertido para a sua prima. Era estranho ver o quanto aquelas pessoas eram felizes com pouco.

— O que acontece Angelique?

— Nada! — Respondeu ela simplesmente — Só estou aqui imaginando como você estaria caso estivesse namorando alguém tão especial.

Amy revirou os olhos.

— Estaria do mesmo jeito com ou sem namorado! Deveria tentar um dia.

— Só que eu estou noiva.

— Parabéns.

Todos riram.

O café da manhã foi animado. Joana se sentia satisfeita por ver o quanto a sua família se mantinha unida mesmo com o passar dos anos. Desejava ter algum poder para ter a chance de congelar e viver sempre aquele momento. Só precisava de Raymond presente e tudo estaria perfeito como antes.

Depois de terminar o seu café, Amy ajudou a sua tia a deixar tudo organizado para que os visitantes pudessem se servir. Tudo o que estava ao alcance de Amy ela se prontificava de ajudar.

— Querida! — Chamou um dos visitantes — Poderia nos recitar algum poema? A Jolie não parou de nos contar sobre você ser uma boa atriz.

— Claro que eu posso recitar um poema. Esse é o Soneto do Amigo de Vinicius de Morais: Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica.

Todos a aplaudiram e agradeceram por ser uma garota atenciosa. Com a inteligência que ela possuía poderia ir mais longe do que imaginava, pois o céu ainda era pouco para os seus limites.

Tudo em seu devido lugar, Amy foi para a casa na árvore. Se sentia maravilhada pela visão que tinha da chácara. Até parecia outro lugar. O fim de semana estava melhor do que ela previra. Não sentia saudades de casa. Só temia por sua mãe, sabia o quanto Bernard era insuportável. Desejava que a sua mãe se separasse daquele crápula e vivesse livremente como antes. Ingrid nunca lhe daria ouvidos.

— Te achei, finalmente! Quer ir numa festa comigo?

— Estou a fim de ficar em casa. — Respondeu Amy simplesmente.

— Vamos para essa festa, por favor! O Craig estará lá. Será legal, divertido. Prometo que voltaremos cedo.

— Tudo bem.

As jovens correram para se trocar. Amy não gostava muito de participar de festas, principalmente quando não eram pessoas conhecidas que realizavam a festa. Sentia-se incomodada. Detestava dar trabalho. Quando decidira viajar para chácara era apenas para passar o tempo ao lado de sua tia Joana e do lugar onde crescera, não tinha intenção de ir para festas, bares ou qualquer outra coisa do tipo. Festas não era o tipo de atração que Amy apreciava.

Craig estava com seu amigo quando as garotas chegaram. Ambos conversavam animadamente. Ao ver as garotas se aproximando o rapaz se despediu de Craig.

— Oi meu amor! — Cumprimentou Craig — Quem é essa?

— Minha prima Amy.

— Prazer em conhecê-la.

Craig explicava a elas que acontecera um imprevisto e por isso não havia tantas pessoas para a festa. Os organizadores estavam correndo de um lado para o outro à procura de soluções práticas. Onde quer que eles estivesse, Amy os acompanhava. Ficar sozinha significaria risco de vida. Não conhecia nada na praia. O que antes era silencio logo se tornou motivo de algazarra, bebedeira e muito beijo na boca. Não havia como se sentir confortável em meio a aquelas pessoas.

— Amy, nós já voltamos! — Disse Craig deixando a jovem.

— Tudo bem!

Não tendo opção, Amy ficou observando o por do sol. Um espetáculo da natureza que ela amava presenciar sempre que podia. Esperou o tempo suficiente para que Angelique pudesse procurá-la, mas não a encontrava em lugar algum. Onde Angelique poderia estar numa hora daquelas? A fim de esperar mais um pouco, Amy decidiu ficar no quiosque. Seria o melhor lugar indicado para ter alguma pista. Pessoas iam e vinham até o quiosque e estranhavam a jovem quieta ali sem consumir nada. Pagaram-lhe bebidas, mas Amy não queria saber de consumir nada. Só desejava que a sua prima aparecesse logo.

— Cadê essa Angelique? Vou ficar aqui para sempre.

Horas e mais horas se passaram e Amy não obtivera algum resultado a respeito de sua prima. Algumas vezes tivera de aceitar as bebidas que lhe pagavam, não dava para ficar sem beber algo. Já estava estressada e estranhamente alterada. Algo de errado estava acontecendo com ela. Nunca se sentira assim. A música da festa estava deixando-a maluca e assustada.

Amy se via perdida no meio daquela festa com tantas pessoas desconhecidas. Sua prima lhe prometera que não lhe deixaria sozinha. A fogueira na praia estava bela, pessoas animadas cantavam vários tipos de músicas que nunca fizeram parte de seu conhecimento. Sentia-se estranha naquele lugar. Onde sua prima poderia ter ido? Amy estava com o corpo mole, mal conseguia ficar em pé. O desespero tomava conta dela, não sabia por quanto tempo poderia aguentar.

Um grupo de rapazes passava próximo a ela. Poderia ser a sua única chance de pedir alguma ajuda.

— Me ajudem, por favor. Me levem para algum lugar...

No quiosque Marcus começou a perceber uma estranha aglomeração no meio da areia. Estava ali há várias horas e nada de interessante parecia acontecer. De alguma forma conseguiram chamar a sua atenção. O pior é que os rapazes que estavam em volta queria fazer algo de terrível. Será que Marcus poderia fazer algo? Levado pelo impulso, Marcus se aproximou. Ele ficou mais branco do que era ao ver que era Amy.

— Se afastem dela! — Gritou ele mais próximo.

— Ou o que, playboy?

— Ou terei de chamar a policia. Aposto que não é isso que desejam.

Um dos rapazes deu o toque para que saíssem de perto da garota. Logo só restava ele e Amy desacordada.

— Amy acorde, por favor!

Ele fez um sinal para que alguém se aproximasse com uma garrafa d’água. Tentaria acordá-la de alguma forma. Passou a mão úmida no rosto, nos braços da garota e tentou umedecer os lábios da mesma. Aos poucos parecia que estava obtendo algum resultado. Ela se movimentava em seus braços. Demorou um pouco para que seus olhos se adaptasse a pouca luz.

— Marcus?

— Oi!

— Vem eu te ajudo a levantar.

Marcus a guiou até o carro. Ela não tinha condições de ir para a chácara no estado em que se encontrava. O que a tia dela poderia pensar? Será que a acharia uma maluca, irresponsável? Depois de deixá-la confortável no carro, ele se pôs a dirigir o mais rápido que pode. Amy estava sonolenta. Só poderiam ter colocado algo quando lhe serviram bebida. Ela não parecia ser o tipo de pessoa que bebia. O caminho fora completamente silencioso até então. Marcus tinha medo de que ela acabasse se machucando por se expor tanto.

Era estranha a aproximação que ambos estavam tendo de uma hora para outra. Tinha de haver uma explicação forte para o que acontecia. Ele não queria admitir apara si mesmo o quanto estava gostando de estar perto dela. Estaria ele nutrindo algum sentimento por Amy? Só poderia ser loucura. Marcus a ajudou ir para o quarto. O perfume do corpo dela estava o deixando fora de si. Nunca ficara assim quando estava com outras garotas.

— Dorme um pouco, vai se sentir melhor — Recomendou ele após deixá-la sentada na cama.

— Obrigado por me ajudar!

— Está tudo bem, Amy. — Marcus passava a mão pelo cabelo de Amy — Fiquei com medo de que aqueles rapazes fizessem algo pior contigo.

Amy segurava a mão dele carinhosamente.

— Por que você se preocupou comigo? — Quis saber ela.

Ele a fitava seriamente. Não poderia estragar tudo naquele momento.

— Eu me preocupo com os meus amigos e você é uma aluna exemplar. Não poderia permitir que algo de ruim acontecesse. Minha família sempre veio para essa praia, mas os jovens daqui pioraram desde então.

— Tem certeza de que é apenas isso? — Insistia Amy.

— Há muito mais Amy, porém acho que não seja o momento para eu lhe contar.

— Vai fazer o misterioso? — Brincou ela.

— Tenho medo de como possa agir diante do que lhe direi, infelizmente seu estado não é favorável. Preciso que descanse um pouco.

— Tente! Posso aguentar mais um pouco, e afinal de contas eu ainda consigo raciocinar.

— Não precisa se preocupar com isso. Quando estiver melhor poderemos conversar.

Amy se levantou da cama e se aproximou de Marcus. Uma aproximação que nunca houve entre eles. A pouca luz que vinha do abajur deixava o clima mais leve, sedutor e romântico. Amy tocava o peito de Marcus levemente. Não havia palavras que pudessem ser ditas entre eles naquele momento.

— Amy?

— Marcus. — Sua voz era um doce sussurro que Marcus gostava de escutar.

Não resistindo ao momento ela o abraçou fortemente. Precisava receber um abraço de alguém. Todas aquelas loucuras que estava vivendo era demais para a sua cabeça. Silenciosamente ela chorava desesperada.

— Está chorando? — Perguntou ele preocupado.

— Desculpa, mas eu não queria que me visse desse jeito. — Ela ia se afastando, mas Marcus a segurou puxando-a de volta para si.

— Não me importo com isso, Amy. Você ainda é humana, precisa desses seus momentos e chorar não é nenhum motivo para sentir-se envergonhada.

— Eu só queria esquecer um pouco todos esses problemas... Toda essa loucura que estou vivendo. Não vou aguentar segurar por mais tempo.

— Tudo tem o seu tempo! — Exclamou ele tocando-lhe o rosto delicadamente — Tudo vai se ajustar, Amy. Você é guerreira. Nunca se esqueça disso.

— Obrigado, Marcus! Você é tão gentil comigo, não sei como te agradecer.

— Só descanse. Amanhã estará tudo resolvido.

Marcus a envolveu em seus braços e assim permaneceram. Amy nunca se sentira tão protegida desde que seu pai tivera de partir. Nunca recebera o mesmo carinho de Donnie. Todas as pessoas faziam questão de mostrá-la a dor e o sofrimento, isso explicava o fato dela ser mais seletiva nas amizades e nos círculos sociais. Ele se sentia estranho por tê-la em seus braços, seu coração batia aceleradamente. Não sabia que poderia se sentir assim por alguém. Se amadurecer significativa ter alguma chance de fazer parte da vida de Amy, assim ele estaria disposto a fazer.

Amy acabou por dormir nos braços de Marcus. Infelizmente ele não conseguira lhe dizer o que sentia, mas não iria perder as esperanças. Ficou feliz por saber que ela estava no mesmo lugar que ela.

**********

Na manhã seguinte Marcus cuidara de tudo para que Amy pudesse ter um café da manhã reforçado. Mesmo na casa de praia, ele tinha tudo o que precisava. Seus pais sempre fizeram questão de terem várias casas nos lugares que mais visitavam. Pelo menos Estella gostava de ter todo o conforto e comodidade quando estava longe da mansão.

— Bom dia! — Exclamou Amy ao parecer na cozinha.

— Bom dia! Dormiu bem?

— Sim... Minha cabeça dói um pouco.

Marcus apontava para que ela se sentasse e se servisse.

— Te dei trabalho?

— Não! Dormiu rápido. Só não se preocupe. Está tudo bem.

Amy precisava se alimentar e todas aquelas frutas logo de manhã a deixava saciada. Não precisava de muito.

Depois do café da manhã, Marcus a levou para comprar roupas mais confortáveis. Mesmo que ela tivesse rejeitado ele queria que ela aceitasse como um simples presente. Demorou para que ele conseguisse convencê-la, mas no fim bastou que ele sorrisse de forma encantadora para que tudo ficasse bem.

Como forma de agradecimento passaram uma boa parte do dia juntos. Marcus lhe mostrava os lugares mais importantes e históricos da cidade. Mesmo não querendo admitir para outras pessoas e para si mesma, Amy sabia o quanto Marcus se preocupava com ela, queria que ela sempre se sentisse bem quando estava ao seu lado. Até parecia que eles se conheciam há vários anos. Como se algum laço os envolvessem intensamente. Amy nunca tivera amizades tão breves com rapazes, não daquele jeito. Eram sempre meninas e mulheres mais velhas a fazerem parte da sua vida. Se sentia tão bem que as horas voavam e se tornavam proveitosas e inesquecíveis.

A noite caíra tão rapidamente que os assustou.

— Já está tarde, Marcus! Preciso dar algum sinal de vida para a minha família. Podem pensar que eu fui sequestrada.

Ele riu.

— Não sou capaz de sequestrar ninguém, mas concordo. Ligue e os informe. Ainda quero te levar num lugar muito legal.

Amy o olhava incrédula. Não conseguia acreditar no quanto Marcus poderia ser louco. Ela assentiu concordando, lhe daria uma chance, já que estavam se divertindo bastante. Passar mais algum momento fora de CSA não iria lhe fazer mal algum.

Marcus a levou para o parque de diversões. Com ele a diversão era garantida em todos os sentidos. Ele tinha o dom de tornar tudo mais leve. Quanto mais tempo estivesse longe de casa, mais livre se sentiria. A animação tomava conta daquela jovem sonhadora. Andavam em quase todos os brinquedos, ora faziam gracinhas e riam até a barriga doer, mas ainda faltava algo que Marcus gostaria de apresentar a Amy.

A noite propicia ainda guardava muitas surpresas para aquele casal de amigos. A loucura de Marcus ainda era desconhecida.

Amy gelou ao pararem diante da roda gigante. Só poderia ser algum tipo de brincadeira sem graça.

— Não vai dizer que tem medo de altura? — Brincou Marcus.

— Tenho.

— Vem — Ele estendia a mão para ela — Eu te ajudo a superar esse medo.

— Não vou me sentir bem. É melhor eu ficar aqui em terra firme.

— Estarei contigo. Se permita tocar as estrelas uma vez.

— E se acontecer algum problema enquanto estivermos lá em cima? — Perguntou ela preocupada.

— Eu te abraçarei... não permitirei que derrame uma lágrima enquanto estivermos juntos.

— Promete?

— Prometo.

Juntos eles adentraram na roda gigante coberta. Era diferente das que Amy já havia visto em outros parques. Olhar para o chão que cada vez ficava mais distante deixava a garota levemente tonta. As luzes do parque por um momento fez com que ela esquecesse que estava indo às alturas. Marcus gostava do que via, notava o encantamento que ela sentia por viver aquele momento. Parecia com um de seus sonhos quando criança. Eles nada diziam, não havia como falar diante de tamanha beleza contemplada. O mundo parava em prol daquele momento.

— Não estamos nos movendo? Não me diga que deu algum problema nessa porcaria? — Amy estava desesperada pela ideia de estar suspensa no ar.

— Fica calma, nada de ruim vai acontecer.

— Não, Marcus! Tantas pessoas já morreram numa situação dessas. Não quero ser uma vitima. Temos de sair daqui logo.

— Confia em mim, por favor. Vai dar tudo certo.

— Eu não quero morrer.

Marcus riu levemente.

— Você não vai morrer... nós não vamos. Algum funcionário já deve estar analisando o problema.

— Tomara que resolvam logo. — Esbravejava Amy.

Ela estava tão nervosa que acabou chorando. Marcus a puxou para junto de si na tentativa de acalmá-la. Sentiu o coração dela bater desesperadamente, não imaginava o quanto aquela garota tinha medo de perder a vida sem antes ver o seu pai fora daqueles muros cinzentos. Não era por sua vida que ela temia e sim pela de seu pai. Havia tanto a fazer por ele.

Minutos depois o brinquedo novamente voltou a sua funcionalidade natural. Ambos se sentiam estranhamente quentes.

— Eu preciso ir pra casa!

— Te levo! Se não tiver problema.

Amy assentiu concordando.

Durante o trajeto que a levava de volta para a chácara fora silencioso. Assim seria para eles. O dia fora cheio de surpresas agradáveis e outras nem tanto. As luzes e casas que ficavam para trás traziam um aperto no coração de Amy. Em breve teria de deixar aquele lugar maravilhoso. As horas se aproximavam dando fim ao seu fim de semana memorável.

Logo eles estavam na entrada da chácara. Marcus não desejava que aquele momento acabasse.

— Agradeço por tudo, Marcus. Meu fim de semana foi mais divertido do que eu poderia ter previsto. Infelizmente agora é hora de voltar para a minha realidade. Irei me despedir dos meus familiares. Não queria ter de deixá-los. Faz tempo que não me sinto tão bem.

— Ainda terá mais momentos como esse para você viver. Acredite sempre. Tem certeza de que não quer uma carona de volta?

Amy sorriu fraco.

— Tenho. Longas viagens até a minha casa me darão tempo de pensar no que fazer quando ver minha mãe e o meu padrasto. Não preciso que se preocupe comigo.

— Como quiser. Agora vá falar com os seus familiares. A sua tia deve estar louca. Nos vemos na escola.

Marcus a segurou por um tempo bem perto de seus lábios. Notara o quanto a respiração da jovem ficara entrecortada. Ele poderia resistir ao desejo de beijá-la naquele momento? Os lábios deles ficaram colados um ao outro, mas Amy parecia estar em dúvidas. Mais uma vez ele tentou e Amy se permitiu sentir o beijo dele. Não havia pressa apenas contemplação.

Ao se afastarem ambos estavam desnorteados. Não conseguiam saber o que de fato acontecia ao seu redor.

— Tchau!

Se despediram e Marcus logo havia desaparecido com o seu carro em meio aos matos.

Amy detestava despedidas, mas assim tinha de fazer. Em breve estaria de volta a aquele lugar maravilhoso. Quando sua tia Joana a viu entrando na casa ficou feliz de ver que estava tudo bem com a garota. Angelique se arrependera de não ter procurado pela prima depois, mas foi por culpa de Craig que a levara para tomar vinho e se apagaram diante da embriaguez. Não havia como sentir raiva de sua prima. Antes mesmo que pudesse se despedir da família, Amy pegou os seus pertences. Detestava ter de deixar um lugar tão perfeito.

Despediu-se de todas aquelas pessoas. Pegou o primeiro ônibus que apareceu. Era hora de voltar a sua realidade. Tivera o melhor fim de semana de toda a sua vida.

Notas finais
O QUE ACHARAM?