A Nossa Historia
14 Capítulo 14
Notas iniciais
— Mark? — Procurava Evie — Maninho cadê você?
Evie desde que chegara do colégio procurava pelo irmão. Os empregados da mansão não sabiam lhe dizer onde ele poderia estar. Já passava das sete da noite e toda aquela falta de informação estava deixando Evie atordoada. Seu irmão não era de ficar sem dar noticias, sempre avisava com quem e onde estava. Marcus não poderia estar aprontando, não era do feitio dele. Preocupada, Evie contou aos seus pais o que estava acontecendo. Hilbert já previra o que era. A cada dia que se passava via o seu filho se manter em uma máscara de seriedade, e só melhorava quando falava com a amiga especial.
— Meu docinho, não precisa se preocupar. Eu sei onde encontrar o seu irmão. — Disse Hilbert acalmando a filha com um beijo no topo de sua cabeça. — Vá fazer o dever de casa. Depois terá tempo o suficiente para falar com o seu irmão.
— Tudo bem, papai. Eu te amo.
— Também te amo, minha princesa.
O dia de trabalho fora exaustivo para Hilbert, no mínimo ele queria se livrar da gravata e do terno antes de falar com o próprio filho. De fato a mansão se encontrava em perfeito silêncio. Seus filhos nunca foram tão quietos quanto naquela noite. Já em seu quarto Hilbert retirou o nó da gravata e a deixou em cima da cama junto com o terno. Da janela de seu quarto viu Marcus sentado na grama, estava pensativo demais. Significava que era hora de terem uma conversa séria. Sem pressa, Hilbert saiu de seu quarto e caminhou pela mansão até chegar onde o filho estava. Inerte em seus pensamentos Marcus não notara a presença do pai.
— Filho? Está tudo bem? — Perguntou Hilbert sentando-se ao lado do filho.
Notara que ele olhava para o céu estrelado.
— Está pai. Só queria ficar um pouco sozinho. Meus pensamentos estão todos bagunçados desde cedo.
— Quer conversar?
— Como é que eu posso me apaixonar por alguém que eu não conheço há tanto tempo?
— Amy? — Chutou Hilbert.
— É. Sei que ela passa por problemas em casa, mas o ex dela vive correndo atrás dela pedindo para que reatem o namoro. Ela já o rejeitou tantas vezes na frente da escola e infelizmente hoje ele continuou a importuná-la. Pegou-a pelo braço e saiu puxando a coitada. Como odiei vê-la sendo tratada daquela forma.
— O que você fez? — Perguntou o pai preocupado.
Marcus respirou fundo.
— Dei um soco no desgraçado e depois a levei para casa.
— Conta pra ela o que sente — Aconselhou Hilbert deitando sob a grama.
— Bem que eu gostaria de contar tudo, mas ela pode me achar um chato, imbecil, panaca. Não posso estragar essa nossa amizade que vem se fortalecendo ao longo dos dias. Ela é tão especial, pai. Faria tudo para vê-la sorrir sempre.
Um breve silêncio se instalou entre eles. Poderia ser um bom sinal, pois o silêncio de Hilbert significava que boas ideias poderiam estar à caminho.
— Por que você não aproveita esse fim de semana e a leva para a nossa casa na Itália. Aposto que ela vai adorar estar em um lugar tão diferente de Nova York.
— Será pai? Não quero trazer mais problemas para aquela garota.
— Podemos ir todos nós, assim ela poderá aceitar sem se preocupar tanto.
— Tem certeza, pai? Não quero prejudicar a Amy com a mãe o padrasto dela. Eles são uns chatos. Não me admiro que ela prefira passar o dia todo na escola de artes.
— Tenho certeza, sim meu filho. Diga a ela que precisamos conversar o quanto antes.
A chama que antes tomava conta de todo o ser de Marcus começou a tomar força novamente. Deu um abraço em seu pai em forma de agradecimento.
— Marcus? Essa garota é muito especial para você, não é? — Perguntou o pai cauteloso.
O jovem suspirou.
— Mais que especial. Ela é única. A Amy é capaz de despertar o meu lado mais bobo. Nenhuma outra garota me faz sentir tão bem quanto ela. Ela não liga para o que as pessoas possuem, só quer ser sua amiga, te fazer sorrir e nada mais importa.
— Percebi que na festa da Evie, você não tirava os olhos de onde ela estava. Amy, pelo pouco que conhece é uma boa garota, e os meus filhos gostam dela. O mínimo que posso fazer por essa jovem é fazê-la sorrir assim como ela faz com cada um de vocês.
— Agradeço por ser o melhor pai do mundo. Ficarei torcendo para que Amy aceite o convite. Vou tomar banho e depois tento falar com ela.
Um breve abraço surgiu entre eles. A cumplicidade entre eles era impressionante. Agiam como verdadeiros amigos de longa data. Sempre que tinha algum problema, Marcus contava com a ajuda de seu pai para que a melhor decisão fosse tomada.
Depois de tomar um bom banho relaxante, Marcus ficou em seu quarto ouvindo música em seu Ipod. Havia tantas músicas de boybands, de cantores da década de 70 e 80. Se sentia bem quanto mergulhava no mundo das letras e melodias. Entre os cantores que seguia a sua playlist escolheu Backstreet Boys.
Aquela melodia suave o fazia imaginar coisas. Enquanto ouvia Brian Littrel cantar a primeira estrofe, ele se imaginou diante de Amy. Desta vez era ele quem lhe dedicava a música.
“I open my eyes, I see your face
I cannot hide, I can? t erase
The way you make me feel inside
You complete me girl, that? s why
Something about you makes me feel
Baby, my heart wants to reveal
I? m down on my knees, I? m askin' you
Say these three words I wanna hear from you
Yes I will
Take your hand and walk with you
Yes I will
Say these three words that promise to
Yes I will
Give you everything you need and someday
Start a family with you
Yes I will
Take your hand and walk with you
Yes I will
Baby, I promise you
Yes I will
Give you everything you need and someday
Start a family with you
Oh yeah, yes I Will”
Marcus tinha de fazer algo a respeito ao que vinha sentindo por Amy ou acabaria perdendo a oportunidade de tê-la de uma vez por todas em seu mundo. Outros rapazes acabariam notando o quão charmosa, sincera e divertida era aquela garota. Não queria ter de viver na vida dela apenas como amigo para sempre, queria algo a mais. Talvez a viagem até a Itália os aproximasse cada vez mais. Só restava esperar que ela aceitasse a proposta.
Pegou o seu notebook e colocou sob a perna. Era hora de entrar em contato com a garota. Por sorte ela estava conectada. Só em vê-la on-line seu coração se tranquilizava.
Marcus: Oi anjinho!
Amy: Oi, querido!
Marcus: Como você está?
Amy: Bem! J
Marcus: Desculpa se parecia um louco hoje mais cedo.
Amy: Não precisa se desculpar. O Donnie estava merecendo levar uma boa surra.
Marcus: Meu pai quer conversa com você amanhã depois da aula. Tudo bem pra você?
Ela demorou para responder. Seu sangue havia fugido, temia que pudesse ser a respeito da briga.
Amy: Pode sim.
Marcus: O que você está fazendo?
Amy: Estava estudando um pouco, parei e fui ouvir um pouco de música.
Marcus: Alguma em especial?
Amy: Hoobastank – The Reason.
Marcus: Muito boa! Não quero atrapalhar a sua noite. Nos vemos amanhã. Boa noite anjo.
Amy ficou pensando em tudo o que aconteceu no seu dia e na proposta que recebera de conversar com Hilbert. Temia que ele pudesse estar irritado pelo filho ter arrumado confusão com o seu ex. Maldita hora em que Donnie aparecera na sua vida. Será que Hilbert lhe pediria que ficasse longe de Marcus? Não era assim que ela queria levar a vida, já estava se acostumando a ter a constante presença de Marcus na sua vida. Perder aquela amizade a deixaria cada vez pior. Em anos, Marcus fora o primeiro rapaz com quem se identificara para manter uma amizade saudável.
Todo aquele silêncio prazeroso acabou ao ver pratos e copos se quebrando. Só podia ser Bernard. Ingrid queria que ele lhe desse um pouco de atenção, mas a sua noite de bebedeira havia se excedido. Ele já não sabia mais o que fazia, se manter em pé se tornava uma tarefa dificil.
— Cadê a vadia da sua filha? Não vai me dizer que ela está na casa de amigos a essa hora da noite.
Ingrid hesitou em contar a verdade.
— Ela foi se apresentar fora da cidade e só volta amanhã à noite. Ela deixou o quarto trancado.
Bernard ficou frustrado com a noticia. Quebrou mais algumas coisas e logo foi para o quarto. Os passos ficaram próximos aporta do quarto de Amy. Sem querer demonstrar que estava ali, ficou imóvel e com a respiração bem calma. Todo cuidado era pouco.
**********
No dia seguinte, Amy estava uma pilha de nervos. Bernard a viu logo cedo e lhe contara que chegara cedo da apresentação naquele dia. Só fora para casa, pois tinha uma reunião muito importante a ser resolvida. Para Bernard nada daquilo lhe interessava. Só queria certificar os lugares onde sua enteada comparecia.
O dia na escola estava deixando Amy cada vez mais nervosa. Não conseguia manter o foco nos exercícios propostos. Marcus não deveria ter lhe contado a respeito de seu pai, mesmo sabendo que não era por maldade. A aula transcorreu como deveria: tranquila. Ocorreram algumas faltas, mas nada que prejudicasse o andamento da turma que ali estava presente.
Já passava mais da uma da tarde e até aquele momento Hilbert não havia comparecido. Acreditava que ele havia esquecido o seu compromisso. Amy queria ir para casa, mas logo o carro da família Lancaster entrou em seu campo de visão. Não havia como fugir da bronca que levaria. Hilbert saiu do carro todo descontraído cantarolando alguma música que ela desconhecia. Seu modo de vestir estava mais leve e sem toda aquela seriedade do dia-a-dia.
— Oi querida! — Cumprimentava Hilbert animado como quem tivesse ganhado um bom presente — Como está?
— Oi Hilbert. Estou bem... eu acho.
Para quem estava sorrindo de orelha a orelha não indicava que a conversa que tanto desejava poderia ser séria demais.
— Está livre? Podemos ir almoçar num restaurante bem legal, se não se importar.
Hilbert a levara para um restaurante próximo da escola. Não era tão refinado, mas se tornava aconchegante, do jeito que ela gostava.
O garçom os direcionou a uma mesa que estava livre. Até então não haviam dito sequer uma única palavra.
— Fique à vontade, peça o que quiser.
Amy não conseguia disfarçar o quanto estava encantada por Hilbert. Já devia desconfiar de quem Marcus herdara todo o charme. Eles eram ao mesmo tempo iguais e diferentes aos seus olhos.
— Hilbert, quero que saiba que não queria que o Marcus entrasse numa confusão com o meu ex.
O homem deu de ombros.
— Meu filho já é crescido o suficiente. Se ele te defendeu, é porque você merecia. — Disse ele simplesmente enquanto olhava o cardápio.
— Então esse não é o motivo da nossa conversa, certo?
— O que o Marcus faz a respeito de jovens como você não me diz respeito, Amy. Mas, pode ficar tranquila. Vim em missão de paz. — Um breve silêncio se formou entre eles — Tenho um convite a fazer, Amy. Minha família irá realizar uma viagem até a Itália e gostaríamos muito que nos presenteasse com a sua companhia.
Amy não conseguia assimilar o que acabara de ouvir.
— Viajar para a Itália? Com a sua família? — Questionava a jovem confusa — Eu não posso aceitar um convite desses, Hilbert.
— Claro que pôde, minha querida. Eu pagarei por tudo, quanto a isso não precisa se preocupar. A Itália é um ótimo país para os artistas. Pense no quanto pode te inspirar. Não é sempre que faço convites como esse. Peço que considere o meu pedido. A Evie e a Estella ficariam muito felizes em ter alguém como você durante as compras.
Amy pareceu pensar a respeito.
— Quando será essa viagem?
— Sairemos na quinta à noite. É uma pena eu não poder alugar um jatinho.
— Jatinho? — Perguntou ela incrédula.
— Seria mais rápido e mais privado.
Amy rolou os olhos divertida. Esperaram o garçom se retirar para continuarem a conversa.
— Preciso pensar à respeito do convite, Hilbert.
— Pense bem, minha querida. Garanto que não se arrependerá de viver essa oportunidade maravilhosa.
— Como quiser. Pensarei com carinho.
— Aproveite o almoço. — Disse ele sorrindo.
Amy gostara de ver o quão atencioso Hilbert era. Marcus herdara os olhos azuis de seu pai. A conversa fluía de forma positiva entre eles, como se fossem conhecidos de longa data. Durante horas a fio permaneceram no restaurante. Amy gostava de conhecer cada vez mais aquele homem. Ele tinha vivido tantas aventuras, tantas realizações e, ele lhe explicava que nunca desistira de sonhar apesar dos acontecimentos que o quase fizeram largar tudo.
— E o seu pai? Quase não me falou à respeito dele. — Murmurou Hilbert.
— Prefiro não dizer nada sobre ele. É muito pessoal.
— Compreendo.
— Está tarde! Preciso voltar para casa.
— Precisa de carona?
— Agradeço a gentileza, Hilbert, mas vou de ônibus. Quem sabe até mais tarde eu possa te dar uma resposta final.
— Ótimo! — Deu um abraço na jovem — Conte sempre comigo, querida. Adorei passar a tarde na sua companhia.
— Digo o mesmo.
Hilbert deixou o valor da conta na mesa e se retirou junto com a jovem. Em pouco tempo o carro luxuoso já havia sumido pelas ruas. Agora só lhe restava encontrar a resposta certa. Amy sabia que aquela viagem lhe apresentaria grandes oportunidades e novas experiências, mas na sexta-feira era dia de visita. Como poderia ficar sem ver o seu pai durante uma semana? Seu coração não aguentaria.
Esperou até o ônibus de Liam parasse perto dela. Cumprimentou- o calorosamente e sentou-se num dos lugares disponíveis. Sua mente já começava a lhe insistir para que pensasse à respeito da viagem. Seria maravilhoso sair do meio da loucura que estava vivendo, uma nova forma de ver a vida lhe seria dada. Por que não? O caminho para casa fora completamente tranqüilo, assim como ela previra.
Amy ao chegar em casa estranhara o silêncio que ali se instalava. Uma conversa tranqüila surgia na sala. Curiosa, a jovem caminhou até o outro cômodo e não ficou surpresa ao ver que era Donnie. Com o sorriso mais descarado do mundo ele se aproximou beijando-a no rosto como se nada tivesse acontecido no dia anterior.
— Oi, meu amor.
Amy instintivamente deu um passo para trás.
— Donnie, por que eu não me surpreendo com as suas visitas? — Perguntou ela cruzando os braços.
— Porque eu sou a surpresa em pessoa, meu amor.
— Já tomou alguma decisão, minha filha? Preciso saber.
Amy mordeu o lábio.
— Ainda não. Até porque estou com muitos assuntos da escola para serem resolvidos nesse fim de semana. Espero que possa entender, mãe.
Ingrid erguera a sobrancelha.
— Claro que entendo. Esse será o seu último fim de semana livre.
Já que Ingrid estava tão boazinha, Amy aproximou-se e deu um beijo no rosto de Donnie.
Foi para o seu quarto e de lá não saiu. Não precisou de muito tempo para que a jovem tomasse todas as decisões que estavam pendentes. Já estava cansada de tanto sofrer com as ofensas de Bernard, principalmente quando este chegava bêbado em casa. Sua mãe, pouco se importava com o seu bem estar. Se os vizinhos insistiam em lhe dizer que sua filha estava sendo imprudente, logo acreditava. Nunca procurava saber os dois lados da história.
Estava mais do que na hora da jovem se colocar em primeiro lugar. Não precisava lidar com os problemas das outras pessoas o tempo todo. Iria aproveitar a sua liberdade enquanto podia, depois seria tarde demais.
Pegara o seu celular e discara o numero de Hilbert. No primeiro toque foi atendida por ele mesmo.
— Fiquei surpreso com a rapidez da sua ligação. Pensei que só me daria a resposta a resposta amanhã. — Comentou o homem empolgado — O que decidiu querida?
— Eu irei viajar com vocês, mas tem uma condição.
— Qual seria?
— Ótimo. Nos vemos no dia da viagem. Cuidarei de tudo.
— Até.
Desligaram o telefone. Amy não conseguiria esperar até quinta feira. Seria provável que Evie e Marcus entrassem em contato para fazer com que ela mudasse de idéia.
Não deu menos de quinze minutos desde que ligara para Hilbert e seu celular já estava carregada de mensagens de ambos. Itália que os aguardasse. Seria uma viagem memorável.
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