A Nossa Historia
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Numa escola de artes cênica todos os tipos de pessoas são frequentes, cada qual trazendo dentro de si um sonho e uma vontade.Seja ela de seguir a carreira de ator ou atriz ou simplesmente na intenção de aprender a lidar com o público. Para a turma mais avançada era fácil lidar com todos os novos alunos que por ali chegavam.
Margareth sempre foi uma professora, mestra muito atenciosa com cada um de seus alunos, principalmente quando já possuia uma certa afinidade com cada um deles. A professoara explicava um pouco sobre os metodos de expressão corporal e principalmente sobre a bailarina Pina Bausch.
Amy ouvia tudo aquilo e absorvia o máximo que podia, as suas paixões sempre andavam lado a lado, pois amava atuar e dançar e quando essas duas artes se encontravam, Amy se sentia maravilhada. Quanto mais conhecia Pina Bausch mais encantada ficava. A perfeição e a delicadeza com que Pina se movia, lhe dava uma nova visão de mundo, a poesia e a magia em que se executa tais movimventos. Todo o corpo trabalha em perfeita sincronia, não hávia sequer um musculo que ficasse parado durante a sua performance.
– Agora que vocês entenderam um pouco mais sobre quem é Pina Bauch, quero ver o que cada um entendeu sobre o que é expressão corporal. — Disse a professora docemente — Amy, por favor seja a primeira a demonstrar, pois você já tem um pouco de experiência e facilitará o entendimento de todos os seus amigos.
Amy levantou-se tanquilamente de seu lugar habitual e se pôs de costas para a sua turma, procurou manter-se concentrada naquilo que faria. A música soava calma e suave embalando todos os sentimentos de Amy. Quando estava prestes a começar, eis que uma batida na porta a fizer despertar de toda a sua concentração.
– Desculpa incomodar e atrapalhar a sua aula professora, mas será que teria um momento? — Perguntou um dos meninos mais baixos com uma aparência fora do comum.
Amy sorriu por contragosto.
– Entrem e sentem. A minha aluna só ia fazer uma demonstração e daqui a pouco conversaremos.
Amy pousou sua mão na cintura esperando que os garotos logo se sentassem, afinal eles já atrapalharam o inicio de sua demonstração e a sua concentração já tinha ido para o espaço.
Desta vez ela pediu para que a música fosse colocada no volume mais alto que pudesse. O doce toque do piano permitiu que a respiração da garota se acalmasse, mesmo ainda de costas seus movimentos eram graciosos, suaves e coerentes.Sua facilidade com qualquer estilo de dança impressionava quem a assistia até mesmo a sua professora ficava abismada com o que via. Entregue a sensação da melodia da música, Amy pode notar que os garotos conversavam entre si. O único problema é que eles não conseguiam disfarçar tão facilmente, aquilo a incomodava demais.
Quanto mais a música crescia mais Amy evoluia. Seu olhar buscava por uma comunhão intensa e verdadeira. Sua presa foi pega de surpresa, mas até que ele soubera lhe retribuir de maneira agradável. Ao terminar a demonstração, Amy respirava de maneira ofegante e intensa.Logo foi aplaudida por todos que a assistiam.
– Nossa! Ela é muito boa! — Comentou um dos garotos com a professora.
– Ela é uma das alunas mais dedicadas que possuo por aqui, além de ser uma fofucha — Elogiava a professora — Meninas, podem se trocar. Não se esqueçam de estudarem, pois quero ver vocês. Amy, se puder ficar eu agradeço, preciso falar com você em particular.
Amy assentiu positivamente.
– Claro, professora. Só irei me trocar e logo retorno para a sala.
Amy pegou os seu pertences e logo se pôs a sair da sala. Marcus se pôs a acompanhá-la com o olhar.
– Não fica babando por ela,vai que ela tem namorado. — Comentou Bruno sorridente.
– Fiquei bobo com o talento dela, só isso.
– Foco, porque agora temos de resolver os nossos assuntos.
Margareth sentou-se em sua mesa e começou a conversar com cada um deles, na verdade era um grupo de cinco garotos, cada um com o seu tipo e com o seu encanto. O maior interesse deles era em aprender um pouco mais sobre atuação, pois eles estavam envolvidos com um projeto cinematográfico e buscavam por orientação.
– Compreendo garotos,mas sobre o que se trata desse projeto? — Quis saber a professora.
– Estamos prestes a fazer uma gravação sobre heróis. Ainda não tem um especifico e não podemos começar as gravações sem ao menos ter uma orientação. — Explicou Bruno.
– E a agenda de vocês como anda?
Cada um foi respondendo de acordo com os apontamentos de Margareth.
Amy voltou para a sala completamente diferente de antes. Fez um pequeno gesto para a professora indicando que iria ficar bem no fundo da sala lendo. Bastava apenas uma troca de olhar para que as duas se entendessem completamente. Ela tentava ser o mais discreta que podia, mas o mesmo menino não deixava de encara-la. Sentia o seu olhar sobre ela. Não havia forma alguma de ficar fora dali ou sequer escapar daquele olhar intimidador.
Quanto mais os garotos conversava mais estressada Amy ficava, afinal tinha um horário para chegar em casa. Decidida levantou-se e caminhou até Margareth.
– Desculpa atrapalhar a conversa, mas preciso ir para casa. Preciso saber do que se trata. — Pediu ela gentil.
– Conversei com a direção e preciso que você assuma a posição de minha assistente, principalmente durante as aulas de expressão corporal.
– Ok, por mim sem problemas. Te vejo amanhã.
Amy saiu como quem tivesse visto uma assombração, pois nem ousou se despedir direito de cada um que estava ali na sala.
– Ela é sempre assim? — Perguntou Marcus interessado a professora.
– Não, hoje foi um dia especial, deve ter acontecido algo na casa dela. Vocês acabarão notando que Amy é um amor de pessoa.
– Amy? — Indagou Marcus.
– Isso!É o nome dela. Algum problema?
– Não.
Margareth pegou alguns de suas pastas e começou a mostrar cada uma delas aos garotos. Sempre no meio de algumas fotos, Amy aparecia. De fato aquela garota havia chamado a atenção de Marcus, algo o fizera mudar de repente. Quanto mais visualizava as fotos em que ela aparecia mais encantado ficava.
– Ela deve ser muito boa atuando! Está em bastante foto.
– Como eu disse anteriormente ela é muito dedicada e faz jus aos personagens que conquista.
– Queria vê-la atuando. — Comentou Leonardo empolgado.
– Um dia quem sabe. Acredito que estejam ansiosos para começarem as aulas. Bom, podem começar amanhã mesmo, chegarei um pouco atrasada, mas podem pedir para a Amy ajudá-los se precisarem.
– Agradecemos professora. — Responderam eles em unissono.
O grupo de garotos não demorou a sair do prédio. Foram até lá com um único objetivo e conseguiram o que buscavam, talvez até um pouco mais. Cada um deles tiveram uma nova visão sobre o que significava atuar. Cada qual com o seu pensamento em algo que os cativara de forma intensa.
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