A Nossa História
5 Como pedir uma viking em namoro
Notas iniciais
O Soluçou virou um grande viking. Um grande herói. O improvável guerreiro virou o maior treinador de dragões do mundo e um dos melhores espadachins de Berk e de todo o Arquipélago Barbárico. As pessoas podem sim progredir em sua vida.
Cada vez mais eu e o Soluço ficávamos ainda mais próximos. Embora nós fossemos meio envergonhados. Simplesmente ficávamos vermelhos quando ficávamos muito próximos, como quando caímos por acidente em um buraco de gelo e simplesmente quase nos beijamos. Ficamos com tanta vergonha que nos afastamos num pulo.
Mas eu o defendi muitas vezes, assim como ele me defendeu na mesma moeda. O Soluço mudava a cada ano. Ficou mais alto, mas continuou magro. Porém continuava o mesmo Soluço, tímido como sempre. Romântico como sempre. E o garoto por quem eu me apaixonei.
Eu não cresci muito. Apenas meus cabelos cresceram. E o Soluço olhava encantado para mim toda vez que me encontrava. Eu havia ficado mais doce com ele. Não por que fui forçada ou algo do tipo. Era por que eu me sentia bem assim.
Ele me amava e não podia negar. E eu o amava ainda mais. Mas sabia esperar o seu tempo. E o Soluço preparava algo especial para mim. Uma surpresa que ficou marcada em minha vida.
Nas tribos vikings, a festa mais importante na vida de um viking é o seu aniversário de 18 anos. A tribo se reúne toda e faz uma grande e alegre festa no Grande Salão.
Como eu sou um mês mais velha que o Soluço, a minha festa de aniversário foi primeiro. As pessoas mais próximas da família deviam dar presentes para o aniversariante. E por uma regra para mim considerada muito tola, apenas eles podiam dar presentes para o aniversariante. Era uma das tradições que eu não podia entender.
Eu só tinha o meu pai e a minha mãe para me dar presentes. Inicialmente. A festa estava incrível (os vikings sempre caprichavam em festas grandes desse tipo). Meu pai me deu um machado (para variar) e minha mãe uma blusa com um de seus maravilhosos bordados (muito bonita por sinal).
Eu dançava uma das cantigas vikings onde a menina trocava de par durante ela. E de repente o Soluço apareceu como o meu par. Eu sorri por ele estar ali. Por ter ido ali dançar comigo. Senti-me até orgulhosa...
Ele perguntou-me se eu podia ir com ele para um pequeno passeio. Para um pequeno voo. E ele estava nervoso, pela maneira que mexia os braços excessivamente. Eu não resisti e ri dele daquele jeito todo nervoso. Ele riu também e saímos.
A noite estava linda e o frio suportável para um final de Janeiro. Eu me divertia com as nuvens entre os meus dedos como se fosse a primeira vez que voava.
“É um presente?” perguntei a ele enquanto o abraçava.
“Um deles.” Ele disse-me e eu vi ele sorrir.
Ele não devia me dar presentes, já que não era nada meu. Por enquanto. E por enquanto ele quebrava uma das tradições vikings. Mas eu não me importava com uma tradição que eu não acreditava que podia ter alguma utilidade. E Soluço apostava que ele seria algo meu logo.
Ele pousou em uma linda ilha. Ele disse-me que ela se chamava Ilha de Freia. Freia, amor (significativo)... Descemos e sentamos na branca areia da praia daquela ilha, escutando as ondas quebrando mansamente na areia.
Ele pegou algo do seu bolso, levantou-se e colocou-o no meu pescoço. Quando peguei o colar para olhá-lo, vi que era um coração. Eu sorri e passei o dedo no trabalho tão bonito, tão simples e tão perfeito que só podia ser obra do Soluço.
“É lindo, mas você não devia me dar presentes.” Eu disse arqueando uma das sobrancelhas e sorrindo para mostrar que eu ironizava o meu comentário.
Ele olhou profundamente nos meus olhos e me beijou...
A primeira vez que ele me roubou um beijo. Eu congelei e guardei aquele momento em minha mente. Eu fiquei surpresa inicialmente e depois relaxei.
Seu beijo era doce e calmo. Porém envolvente. Ele puxou mais a minha cintura e eu envolvi os meus braços ao redor de seu pescoço.
Eu abri os olhos lentamente e vi que ele fez o mesmo. Sorrimos e eu senti que se o meu sorriso pudesse sair da minha boca ele se expandiria ainda mais.
Abracei-o com força e ele aconchegou-se em meus cabelos. Ele não estava nervoso mais, porque simplesmente ele havia feito o que criara coragem até agora.
Ele então me afastou e olhou bem fundo nos meus olhos como se quisesse me hipnotizar. Ele colocou uma das mechas da minha franja que teimava em soltar da trança para trás da minha orelha.
“Eu te amo sabia? Eu nunca falei isso antes para você, mas eu te amo Astrid. Amo cada sorriso seu, cada gesto, cada palavra. Você é a viking mais linda que eu já vi em todo esse mundo, a mais forte e a mais doce também.” Ele disse-me.
Eu coloquei minha mão em sua bochecha a acariciando e sorrindo. Pronunciei com os meus lábios Eu também, mas nenhum som saiu de minha boca, porque eu lutava contra as lágrimas que vinham. Eu o amava mais que tudo, cada vez mais eu percebia isso. E ver o Soluço me dizer isso, de sua boca... Era confortante, maravilhoso, tudo que eu podia imaginar.
“Você quer namorar comigo Astrid Hofferson?”
Ele perguntou-me. Eu fiquei o encarando por um instante, pensando se eu havia realmente escutado certo.
E ele me olhava esperando pela resposta, apreensivo. Eu peguei suas mãos e as beijei e depois beijei sua boca. Eu sorria e os meus olhos brilhavam. E o Soluço me olhava ainda mais apreensivo. Embora ele soubesse qual seria a minha resposta (ou pelo menos acreditava no que pensava), ele tinha medo de receber um não de minha boca.
“Você vai ter que esperar um mês pela minha resposta Strondus. Eu também tenho que te dar um presente de aniversário.”
Eu respondi sorrindo. Ele sorriu e pensei que ele ia explodir de felicidade. E ele esteve a ponto de explodir. Ele me abraçou e acariciou os meus cabelos.
Um mês depois estávamos na mesma ilha, embaixo das estrelas e eu dizia Sim.
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