A Noiva do Deus do Fogo

1 Capítulo I - Angústia


Notas iniciais
Primeiro capítulo oficialmente postado! Lembrando novamente que essa mesma história foi postada por mim no Wattpad. No entanto, se você a ver em qualquer outro lugar, me avise e denuncie por favor.

Algumas considerações importantes:

?” A história se passa numa época futurista e apocalíptica;
?” História original, contendo elementos de fantasia;
?” Narração em primeira pessoa.

Boa leitura! :)

Capítulo I — Angústia

Corria loucamente em meio aos destroços da cidade. Como ela se chamava mesmo? Ah, New York. Soube que era belíssima, quero dizer, não que alguém que conheça tenha vivido nessa época, mas, os livros de história sempre a citavam como "a cidade das luzes", e pelas fotografias, não poderia dizer o contrário.

Eu queria ter vivido nesse mundo. As vezes, quando estou triste demais com a realidade e quero fugir para algum lugar, fecho meus olhos e deixo minha imaginação me guiar, e de repente, por um milésimo de segundo, estou em um parque de diversões. As luzes piscam, sorrindo para mim. Os brinquedos fazem barulhos estranhos, ao mesmo tempo em que uma música animada toca de fundo. Há pessoas conversando sentadas num banquinho, próximas a barraca de cachorro quente. Um casal passa por mim, totalmente imersos no olhar um do outro. Eu queria essa vida. Eu queria essas cores. Mas infelizmente, isso é algo que não posso ter.

O baque de voltar e abrir os olhos é sempre grande, mas não consigo parar de sonhar com o passado desconhecido, porque é a única coisa que me dá esperanças de que um dia, tudo poderá voltar a ser como era.

Meu celular apita, fazendo-me sair de meus devaneios. Uma mensagem.

"Rápido! Mamãe está uma fera."

Apresso o passo, quase me desequilibrando num fio solto e viro à esquerda, seguindo o caminho que conheço com a palma da minha mão. Não estava longe de casa, mas nunca desejei tanto estar quanto agora. Meu coração se acelera a cada passo, apesar de parte de mim estar aliviada.


Hoje era o dia do Sacrifício, e os sortudos que fossem escolhidos seriam levados para "Os juízes" que era como nós os chamávamos. Alguns acreditam que eles sejam a própria reencarnação da Natureza, mas isso é claro, não passa de um conto popular. A realidade é que ninguém sabe ao certo quem são, a não ser que não são humanos.

— Cheguei! — exclamei ao abrir a porta. Minha mãe me empurrou apressadamente para dentro e me analisou por um momento, tentando decifrar aonde eu estava. Minha irmã correu em minha direção, me dando um abraço apertado.

— Será que você pode ter um pouco mais de responsabilidade? — Questionou minha mãe. —Sabe o que poderia acontecer se não chegasse a tempo não é? — É claro que eu sabia. A cada 80 anos, uma pessoa de cada família deve "voluntariamente" ir até o centro da cidade e esperar os Juízes escolherem quatro indivíduos para acompanhá-los. Ninguém sabe o que acontece ao certo com as pessoas, só que elas nunca retornam. E, caso a família se negue a eleger um voluntário e ninguém compareça, todos são levados para o Sacrifício.

— Estou aqui. — falei com firmeza. Já fazia algum tempo que eu tinha me decidido nós representar, afinal, só eu poderia ir. Meu pai tentou me convencer do contrário, tentando de todo jeito me fazer deixá-lo ir no meu lugar, mas como poderia viver com esse fardo? Eu tinha a opção da escolha. Minha irmã precisava deles e eles, dela. E isso é algo que minha mãe fazia questão de ressaltar quando tinha oportunidade.

De certa forma, eu já tinha vivido o suficiente, já conhecia o suficiente, e não me importava nenhum pouco de ser escolhida, se isso significasse poupar alguém da minha família. Eu detestava essa vida, embora parte de mim estivesse morrendo de medo e dividida. Estaria mentindo se dissesse que queria ser sacrificada, mas também, aguentaria viver o resto da minha vida desse jeito? Em meio ao caos e a incerteza?

— Vamos se apressar. — Pegou meu braço, guiando-me até meu quarto. Havia um vestido amarelo com mangas longas e alguns babadinhos na altura do busto, pousado em cima da cama. Era uma das poucas roupas descentes que eu tinha, já que se vestir bem é um luxo que não podemos ter. Além de caras, as roupas eram sujas e degastadas com muita facilidade, já que era praticamente impossível andar nas ruas sem se esbarrar com algum destroço, tropeçar em uma pedra ou simplesmente cair areia em cima de sua cabeça. Poderia parecer exagero, mas era só a realidade cruel com a qual nós deparávamos. — O que está esperando? Tome um banho e se arrume. — Ela estava com pressa e eu sabia, afinal, faltava uma hora para começar o evento do século. Ri internamente com o meu comentário sarcástico, deslizando os dedos sobre o vestido.

Eu lembro do dia que ele foi comprado. Juntei dinheiro por dois anos para comprar algo que não sabia ao certo o quê, até minha irmã apontar para ele. Ela dizia que parecia um vestido de boneca, e sua cor era como a luz do Sol. Eu esperava usá-lo no meu aniversário de vinte e um anos, mas ao invés disso, vou usar no possível dia da minha morte.

...

— Posso entrar? — Ouvi a voz de Chloé atrás da porta, enquanto suas mãos a empurrava devagar. Acenei com a cabeça. — Nossa, como você está bonita! — Sorri. Minha irmã tinha um talento de fazer as pessoas se sentirem bem. Ela era incrivelmente inteligente e possuía conhecimentos sobre tudo, coisa que era muito raro para uma criança. — Me deixe pentear seu cabelo. — Desci da cama e puxei um banquinho de madeira baixo, sentando-me nele para que ela pudesse alcançar meus cabelos, estes que formavam leves ondas por todo o comprimento, batendo na altura da cintura. Eram ruivos, com uma coloração avermelhada, herança de família. Tanto meu pai quanto minha irmã o possuíam.

O cabelo por sinal, era a única coisa que eu tinha puxado do meu pai, já que todos comentam da minha personalidade forte. E ele, ao contrário de mim, era alguém extremamente calmo.

Senti alguns fios meus serem trançados e puxados para trás, fazendo um tipo de penteado. —Para trazer sorte. — Chloé sussurrou e eu senti algo ser fixado. Instantaneamente levei minha mão até o local, e eu não precisava ver para saber o que era: a famosa presilha gancho imperial. Ela tinha pertencido a nossos antepassados, pelo menos era isso que nossa mãe dizia. A última vez que a tinha visto foi a anos atrás.

— Pensei que tivéssemos perdido naquela última vez. — Olhei travessa para ela, me lembrando de quando tínhamos pego a presilha escondida para colocar na sua boneca. Caminhando-se até ficar na minha frente, ela abriu um sorriso. Um sorriso tão sincero, que dizia tantas coisas...De quanto ela era feliz por nossas lembranças, de quanto se divertia ao meu lado e principalmente, de quanto me amava.

Lágrimas começaram a escorrer do meu rosto. Eu não queria ter que deixa-la, mas era preciso. Chloé me abraçou fortemente, entrelaçando seus pequenos braços ao redor do meu pescoço e afundando sua cabeça ali, repetindo para mim ou para si mesma, que tudo ficaria bem.

— Está na hora! — Minha mãe entrou no quarto e eu gelei, não tendo coragem de largar minha querida irmã. Mas, era a hora de caminhar até o centro da cidade. Era a hora do Sacrifício. Estava com medo, me sentindo insegura e ansiosa. Eu não sabia como era, nem o que aconteceria, mas tinha a plena certeza de que se fosse escolhida...

Jamais voltaria.

Notas finais
Eu espero que vocês tenham gostado e até o próximo capítulo!
Não deixem de dar a opinião de vocês acerca da história, favoritar e ficar de olho nas atualizações.
Se hidratem. Com carinho, Pollyana.