A Noiva
1 Capítulo 1
Querida Larissa, convidamos você para ser madrinha do nosso casamento que acontecera no dia 20 de fevereiro, as 20h no Rio de Janeiro. Esperamos que aceite com amor, Sophia e Paulo.
Dizia o cartão acompanhado de uma caixa com esmalte, cartões com uma palheta de cor indicando a cor do meu vestido, inspirações para o vestido, gloss, colar, pulseira, brincos, e um cartão com indicação de modelo do buquê e as flores.
Meu irmão mais velho iria se casar, eu não conseguia acreditar. Fazia tanto tempo que estou longe da minha família que não achei q seria convidada para esse momento. Eu estava transbordando alegria, então liguei para Vinicius meu namorado e contei que fomos convidados para o casamento do meu irmão e que ele iria comigo como padrinho. Logo em seguida mandei uma mensagem para o meu irmão parabenizando ele pelo casamento, e confirmando que seria madrinha com prazer. Ele retornou a mensagens minutos depois perguntando se eu tinha um par, e eu afirmei que sim, e logo em seguida comprei as minhas passagens com um mês de antecedência.
Faziam três anos que não via o meu irmão e os meus pais, e minhas amigas de infância que também eram amigas do meu irmão e seriam madrinhas junto comigo. Eu só não gostaria de ver uma pessoa, o Pedro, o melhor amigo do meu irmão e o maior babaca que já conheci. Ele implicava com o meu peso, com a minha altura, com o jeito que meus olhos eram grandes e com meu cabelo que ficava bagunçado sozinha. Eu não era nenhuma modelo, eu era esquisita, mas não era de me jogar fora.
Eu tinha uma pela morena, cabelos ondulados, grandes olhos castanhos, e havia emagrecido bastante dês de que me mudei pra São Paulo, todo universitário passa um pouco de fome por causa das xerox, e disso eu entendia, um regime obrigatório. Eu gostaria de esfregar na cara dele que eu não era mais aquela garotinha de quem ele caçoava até ir pro quarto e chorar debaixo das cobertas.
Eu estava particularmente animada, eu ficaria uma semana no Rio de Janeiro, e viríamos eu Pedro e Vinícios de São Paulo, e nos encontraríamos no aeroporto.
Era uma segunda feira nosso voo era as nove da noite. Como o transito de São Paulo era horrível, ficamos presos até as sete horas em um engarrafamento, mas conseguimos chegar lá a tempo. Estávamos entrando no aeroporto quando alguém chama por Vinicius e sai correndo em sua direção pulando em seu colo com braços e pernas em volta dele.
—Bobinho o que esta fazendo aqui?- Perguntou um jovem loiro de olhos claros dando um beijinho pra lá de intimo na minha frente.- Achei que só nos veríamos fim de semana, eu comprei aquele óleo que você gosta de baunilha, estou tão animado por ver você amor.
De repente eu estava tonta.
Eu ouvi as palavras amor, e um beijo, um beijo. Meu namorado acabara de beijar um cara na minha frente. Eu me sentia sufocada, se fez um no na minha garganta, eu estava tonta, e com lágrimas nos olhos, eu olhava pra ele. Eu não esperava nem em um milhão de anos, que o meu namorado com quem eu estava junta a 4 anos, era gay, e mantinha um relacionamento pelas minhas costas. Eu estava triste, não triste por ele ser gay, mas por ele não ter terminado comigo e me fazer descobrir poucos dias antes do casamento do meu irmão. Era como ficar sem chão, em um momento eu estava sem ar, aturdida.
Ele esticou a mão para mim e eu me afastei. Eu apenas peguei as malas e corri, eu corri pro banheiro mais próximo, fechei a porta de uma das cabines, sentei e chorei, chorei por um longo momento, até uma funcionaria bater na porta e me perguntar se eu estava bem. Quando me olhei no espelho eu estava estava com o rímel borrado e lagrimas pretas no rosto. Olhei pra mim e me senti a pior pessoa já existente. Limpei meu rosto e entrei no primeiro Pub que encontrei no aeroporto. Uma, duas, três doses de tequila, e a conta só estava aumentando, e foi na decima terceira dose, que eu vi Pedro paqueirando uma das funcionarias. Uma ruiva de 1,70 no minimo, estava com um vestido verde e sapatos de salto. Era como ver o começo de um vídeo porno na minha frente.
—Ta vendo aquele cara ali?- falei pra um senhor que estava sentado ao meu lado que não demonstrou nenhum interesse no que eu falava, mas mesmo assim eu continuei.- Ele é o maior babaca, ele sempre pega essas meninas que parecem modelos, transa com elas e desaparece.
Eu ri bem alto, e chamei a atenção dele que me olhou com uma cara assustada.
—PEDRP!-gritei levantando os braços como uma criança e fingindo animação, mas na verdade eu só estava bêbada demais pra demonstrar meu desgosto pela vida e a situação de estar ali com ele.
Ele pediu licença, se desculpo com a mulher e veio em minha direção.
—O que diabos aconteceu com você?- perguntou ele olhando pra mim com uma cara confusa.
—Meu namorado, ele me traiu, com um cara.- Eu ri, ri alto, ri até começar a chorar novamente.
Ele ficou ali parado, e por um momento ele não sabia o que fazer, então me abraçou.
—O que diabos você ta fazendo?- perguntei tonta e enjoada, sentia que iria vomitar a qualquer momento.
—Vem.- Ele saiu me carregando até a área de embarque e foi quando peguei no sono no colo dele.
Quando acordei já estávamos no Rio de Janeiro, e estava no Rio de Janeiro, pronta para o desembarque e com uma baita dor de cabeça.
Olhei pro lado e ali estava Pedro tirando uma foto do meu rosto amassado, meu cabelo despenteado e com olheiras fundas.
—Dormiu bem?- perguntou ele rindo da minha cara.
—Como eu vim parar aqui?- Perguntei pegando lenços e limpando o rosto.
—Você apagou no meu colo, depois de demonstrar muita alegria ao me ver e depois cair no choro porque seu namorado te traiu com um cara.- ele olhou pra mim prendendo o riso.
Coloquei as mãos no rosto, pois aquilo não fora um pesadelo, eu realmente estava envergonhada, e novamente eu estava chorando.
—E lá vamos nós.- anunciou ele revirando os olhos.
Assim que o avião pousou e nós deram permissão para sair dele, eu saí em disparada, eu precisava ficar o mais longe possível dele.
Eu peguei minha mala, pedi um carro e fui embora dali o mais rápido possível.
No dia seguinte acordei com milhares de notificações em minha rede social, me dando os parabéns pelo meu noivado. Eu achei que fosse uma brincadeira, até minha mãe me ligar me desejando os parabéns e dizendo que estava muito feliz com meu noivado. Eu mal pude responder pois ela falou muito rápido e em seguida desligou o telefone.
Eu ouvi batidas na porta, vesti um roupão e abri a porta e lá estava Pedro pálido e parado como como uma vela virgem não usada. Considerei bater a porta na cara dele, mas ele me implorou pra entrar e falar comigo.
—O que diabo você que comigo afinal?- Perguntei irritada e não entendendo o motivo pelo qual ele veio para o meu apartamento.
—Preciso de um favor e um dos grandes.- ele estava nervoso muito nervoso, nunca o vira tremer, estava achando que ele iria me pedir para esconder um cadáver, mas então ele abriu a boca e disse o que eu jamais imaginei ouvir. -Preciso que você confirme e finja que é minha noiva.
Eu estava de pé, mas sentei incrédula com o que acabara de ouvir.
—Como assim confirme e finja ser sua noiva? Você ficou maluco?-Perguntei pasma com a situação.
—Meu pai esta com câncer Louise, ele só tem 1 ano, e ele me disse que esperava que eu me casasse com alguém antes que ele partisse, então eu disse pra ele que estávamos noivos porque você era a unica pessoa na qual eu pensei que poderia me salvar.- ele disse isso com lágrimas nos olhos, e por um minuto eu senti pena e me coloquei no lugar dele por um momento.
Eu fiquei parada por um longo tempo pensando sobre isso. Os pais do Pedro sempre foram gentis com os meus pais, nossas famílias eram próximas por causa do meu irmão, mas foi um choque saber que o pai dele estava pra falecer e isso era duro.
—Eu aceito isso Pedro, mas em consideração que tenho ao seu pai, eu espero que ele não descubra até que esse casamento acabe.
Ele me agradeceu bastante e eu estava um pouco perdida com o que acabara de aceitar, eu estava noiva.
Eu sonhara com esse momento a minha vida toda, mas não foi nada do que eu esperava. Eu me perguntava qual era a sensação de alguém te pedir em casamento, mas eu não estava apaixonada, eu nem se quer gostava dele, eu só estava atuando, eu estava decepcionada comigo por ter aceitado isso, mas era por uma boa causa, eu faria isso pelos Miller e não pelo Pedro, eu faria isso para não magoar alguém que estava prestes a deixa esse mundo.
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