A Noite das Pedras Reluzentes
1 Três pedras, um lobo e um gato
Uma garota vivia em uma cidade relativamente pequena onde chovia o tempo todo. Embora ainda não fosse uma bruxa graduada, ela conversava com seu brilhante gato preto toda manhã, antes de ir para a escola. Gatos em geral costumam ser muito bem educados, mas o gato de Teodora (esse era o nome da menina) era um verdadeiro rebelde. Um dia ela disse:
– Você deve vir comigo para escola hoje, Theodor (esse era o nome do gato)! Vou precisar de sua ajuda na aula de ciências!
Mas Theo, em resposta, simplesmente pulara no muro do vizinho mais próximo e desaparecera do campo de visão da menina, deixando Teodora falando sozinha.
– Tudo bem, que seja... Eu não queria mesmo que você viesse!
Teodora era um pouco rebelde também.
A cidade onde ela e seu gato viviam era cheia de bondinhos. Eles estavam por toda a parte, ligando uma colina a outra, e às vezes ficavam tão baixos que os carros e carruagens tinham que parar para deixa-los passar. Andar de bondinho é uma maneira muito divertida de ir a lugares, já que normalmente você consegue ver toda sua cidade lá de cima. Teodora não se importava de não poder ver o belo cenário com muita frequência, já que a chuva constante pode ser um grande obstáculo para a apreciação da paisagem — e sempre chovia na cidade de Teodora. Na verdade, a menina gostava bastante da chuva.
Uma cidade relativamente pequena também é um bom lugar para as notícias se espalharem. Por esse motivo, quando o homem de azul escuro chegou, todo mundo já estava falando sobre o assunto no mesmo dia. As pessoas diziam que ele era um verdadeiro cavalheiro, que havia vindo de terras ensolaradas e podia fazer todo o tipo de mágica; e logo todos começaram a admirá-lo, mesmo aqueles que nunca sequer o tinham visto.
Mas não havia sido assim no começo. Quando o homem apareceu pela primeira vez na Rua Principal as pessoas ficaram muito assustadas. Estavam com medo porque nunca tinham visto alguém andar lado a lado com um lobo gigante antes, e por isso acharam que os visitantes poderiam ser perigosos. Esse medo do estrangeiro só passou quando eles descobriram que ambos, homem e lobo, eram bastante amigáveis. As pessoas então ficaram maravilhadas com seus incríveis poderes e sua estranha amizade.
Teodora ouviu as notícias também. Ela estava andando pelas ruas, pensando em como deveria ser ótimo ser tão talentoso e famoso. Ela imaginou-se com Theo, entrando em cidades, fazendo todo o tipo de feitiços, e sendo convidados para jantar nas casas das pessoas ou para ensinar mágica em escolas. Ela queria ser uma grande bruxa um dia.
Era uma noite muito estrelada e Teodora quase havia esquecido o que viera fazer nas ruas àquela hora. Ela estava à procura de uma pedra verde brilhante, que só podia ser encontrada naquela noite específica do ano. Essas pedras eram muito difíceis de encontrar, já que podiam estar em praticamente qualquer lugar. Existiam histórias sobre pessoas que acordaram de manhã com uma Pedra Reluzente dentro de suas bocas ou que uma das pedras aparecera na lareira e queimara, deixando o fogo colorido e inapagável por dias.
Teodora estava pensando em olhar dentro da boca de alguém quando concluiu que seu trabalho seria muito mais fácil se Theo estivesse com ela. Gatos tem um bom sentido para achar coisas escondidas, e ela tinha certeza de que Theo era um grande caçador de pedras! Mas Theodor estava caçando outras coisas aquela noite. Ele havia dito que uma noite como aquela era bastante rara, e os ratos seriam muito mais fáceis de serem pegos. Teodora achava que seu gato precisava reavaliar suas prioridades.
– Theo nunca me ajuda... – disse para si mesma – Mas ele vai ver, vou achar não só uma, mas três Pedras Reluzentes sem sua ajuda!
É de conhecimento das bruxas um ditado que prega que se uma pessoa deseja algo com muita vontade, a coisa acontece de uma maneira ou de outra. Talvez isso tenha acontecido àquela noite, porque logo que terminou de falar, Teodora pôde ver uma reluzente pedra verde brilhar dentro de um jarro de água na cafeteria Feitiço de Café.
O dono da Feitiço de Café era um senhor muito mal humorado que não gostava de crianças, por isso Teodora não entrou na cafeteria e pediu a pedra, como qualquer pessoa educada faria. Ele não lhe daria, por isso a menina lançou um feitiço de invisibilidade em si mesma, e entrou sorrateiramente na loja.
Apesar de o dono não ser uma pessoa amigável, ele não era ruim com seus clientes, e naquele momento estava conversando com um bonito casal que se encontrava sentando em um dos cantos da loja. A jarra estava na parte central, bem próxima à janela da cafeteria, o que significava que seria fácil chegar até lá sem chamar a atenção se Teodora ficasse em completo silêncio.
Bem, mas não muito fácil se manter em completo silêncio quando você acaba de pisar na cauda de um gigante lobo negro, e ele coloca seus enormes olhos amarelos em você. Teodora respirou muito profunda e ruidosamente quando viu o lobo, e aquilo foi o suficiente para fazer o dono da loja se virar para procurar a origem do som. Teodora tinha certeza de que estava com problemas, por isso ficou muito surpresa quando o estrangeiro, que estava sentado próximo ao lobo, disse:
– Ah, me desculpe. Eu acabei de derrubar minha xícara de chá na cauda de Crowley... – e realmente havia uma xícara despedaçada no chão quando ele disse isso – Só um segundo e já limpo essa bagunça.
E com um gesto de sua mão não havia mais xícara ou chá no chão. O dono sorriu e voltou-se novamente para o casal, mas o lobo continuava a encarar o rosto assustado de Teodora.
– É melhor irmos agora, enquanto ainda não está chovendo – o homem falou para ninguém em específico, apesar de a frase poder ter sido dirigida tanto a Teodora quanto ao lobo – Venha comigo, por favor, gostaria de falar com você.
Teodora não gostava de desistir das coisas, mas na situação em que se encontrava naquele momento, achou que seria melhor tentar manter distância da Feitiço de Café e procurar por outra Pedra Reluzente em algum lugar mais fácil de entrar. Quando os três estavam na rua, o homem disse:
– Meu nome é Autumn. Dominique Autumn – continuou falando para o ar – E você é?
– Teodora – o ar respondeu – Teodora Rainfall
– Prazer em conhecê-la, Teodora – o homem sorriu – Esse é Crowley, meu amigo. E... – fez uma pausa para pegar algo em seu bolso. – Imagino que esteja procurando por isso.
Teodora viu a Pedra Reluzente que estava dentro da jarra de água brilhar nas mãos dele. Sentiu-se muito tentada a pegar a pedra e agradecê-lo, mas não achou que fosse certo ser ajudada por outras pessoas quando estava tentando provar para Theo que podia fazer tudo sozinha.
– Não, obrigada – disse – Pode ficar com ela, vou encontrar outra.
O homem olhou para o ar novamente, uma de suas sobrancelhas erguida em um tipo de expressão de dúvida:
– Tem certeza? A noite não vai durar muito, e talvez você não encontre outra com tanta facilidade. Pedras Reluzentes são bem difíceis de achar, você sabe.
Teodora confirmou sua decisão com a cabeça (o que o homem provavelmente não viu) e foi embora. Se ela apenas soubesse onde procurar... Tinha certeza de que conseguiria pegar as três pedras muito rapidamente.
Então, um segundo ditado mágico tornou-se realidade. As pessoas normalmente dizem que se alguém precisa de ajuda, ela ou ele pode descobrir que uma maçã pode ser muito útil para incentivar o pensamento criativo. Teodora mordeu a bela maçã vermelha que tinha guardada dentro de sua mochila e teve uma ideia sobre onde poderia encontrar uma Pedra Reluzente sem a ajuda de ninguém: no Jardim de Merlin!
O Jardim de Merlin é o nome de uma enorme loja que vende todo o tipo de item mágico que um mago possa precisar. Apesar de Teodora não estar pensando em comprar uma Pedra Reluzente, ela sabia que o jardim em frente à loja era um bom lugar para que uma delas estivesse se escondendo. O jardim era iluminando por bolas de fogo flutuantes e costumava atrair vários itens mágicos para a área, uma vez que todas as pessoas com algum tipo de poder se reuniam lá.
Teodora chegou à entrada do Jardim de Merlin bem rápido, mas não rápido o suficiente para conseguir entrar usando seu feitiço de invisibilidade, que já havia desvanecido àquela hora. Havia uma música muito agradável tocando no jardim e pessoas com bolsas, carrinhos voadores, tapetes mágicos, cavalos e vassouras estavam saindo da loja a todo o momento. Era praticamente impossível achar uma Pedra Reluzente com todo aquele movimento e com aquela grande quantidade de coisas verdes no mesmo lugar.
Teodora não conhecia nenhum tipo de feitiço de localização que pudesse ajuda-la em sua busca, mas sabia um feitiço de mudança de cor que era bastante útil. As pessoas de sua escola (que, aliás, só tinha aulas três vezes por semana) não achavam que aquele feitiço servisse para outra coisa além de trocar a cor dos cabelos, mas Teodora gostava de mudar a cor dos objetos que tinha em casa, e acabou ganhando muita prática no Feitiço de Mudança de Cor. Logo ela havia se tornado capaz de criar várias cores diferentes, e algumas delas até brilhavam no escuro. E o ponto bom desse feitiço era que ele só trocava as cores de objetos escolhidos: se Teodora dissesse “Cabelo de Teodora”, seu cabelo poderia mudar de castanho acobreado para rosa algodão-doce em segundos (embora o feitiço não durasse muito mais que uma semana ou duas).
Então Teodora disse:
– Pedras!
E de repente todas as pedras começaram a brilhar em branco. Isso realmente ajudou-a saber quais eram pedras normais e quais eram Pedras Reluzentes. Ela encontrou o que estava procurando perto de uma fonte, e estava se aproximando para pegar a pedra, quando alguém derrubou uma poção de sua bolsa e uma fumaça vermelha muito densa começou a tomar conta do lugar. Teodora ainda tentou procurar pela pedra, mas não conseguia nem mesmo enxergar as próprias mãos.
Ela então ouviu alguém lançando um feitiço, e quando a fumaça finalmente desvaneceu, ela reconheceu Autumn e Crowley, tossindo e rindo enquanto o homem que derrubara a poção tentava se desculpar. Mas Teodora achava que ele devia desculpas a ela, porque a menina havia acabado de perceber que a Pedra Reluzente que estava procurando tinha desaparecido. A garota fez uma careta.
– Olá, Teodora – disse Autumn quando a viu – Está procurando por isso?
Mais uma vez o homem estava com a Pedra Reluzente que Teodora queria. Respondeu que não.
– Se aquela poção tivesse alcançado a pedra, o contato entre as duas poderia tê-la destruído e causado algumas consequências difíceis de imaginar. Eu achei que você a quisesse, então a salvei antes que a fumaça chegasse a ela. – ele tentou explicar
Teodora agradeceu, ainda com uma expressão de poucos amigos, e disse que não precisava da pedra no fim das contas, e que ele podia ficar com essa também. Quando terminou, o homem disse que lhe daria uma dica então, caso algum dia ela resolvesse procurar pelas pedras mais uma vez.
Ele disse que as Pedras Reluzentes normalmente aparecem perto de água ou fogo, ou ambos, mas só havia uma delas no Jardim de Merlin, infelizmente. Teodora o agradeceu de novo e foi embora dizendo para si mesma que esqueceria a dica imediatamente e encontraria as três (agora, na verdade, estava achando que apenas duas seriam suficiente) Pedras Reluzentes por si mesma.
Ela estava andando pela rua principal quando viu, sentando em cima de um bondinho, Theo observando a vista.
– Theo! – ela chamou, momentaneamente esquecendo de que estava tentando fazer as coisas sem falar com ele.
O gato olhou para baixo e pulou no telhado de uma casa que estava próxima. Seu segundo pulo o levou direto aos pés de Teodora. Ele perguntou como estava indo a caça às pedras. Teodora não queria admitir que ainda não havia conseguido nenhuma pedra, então disse que tudo ia muito bem e que ela tinha uma pista incrível sobre onde encontrar a próxima.
Theo disse que isso era muito bom, mas que, infelizmente, a caça aos ratos não estava indo tão bem. Ele havia encontrado apenas dois da espécie especial de ratos que ele gostava, e ambos conseguiram escapar, então, até aquele momento, Theo só havia comido biscoitos e outras coisas doces que gatos geralmente não podem comer. Teodora se sentiu mal porque ele estava sendo muito sincero em relação a sua caçada, diferentemente dela.
– Você pode ficar com esse feitiço de velocidade que estou tentando aprender – ela disse para animá-lo –Tenho certeza que vai pegar aqueles ratos com isso!
Theo agradeceu e foi embora bem rápido depois que o feitiço foi concluído. Teodora pensou consigo mesma que talvez não fosse tão difícil lidar com Theo como ela imaginava. Pelo menos, gatos são sempre muito sinceros.
Teodora também pensou que talvez só estivesse tornando as coisas mais difíceis para si mesma ao não seguir a dica que aprendera. Então, concluiu que seguir a dica não era quebrar as regras, afinal. Ela ainda ia pegar as pedras sozinha, com ou sem o aviso, e logo que decidiu-se começou a dirigir-se para a ponte que cortava a Rua Principal, que era iluminada por várias lanternas de fogo.
Não demorou muito para que ela encontrasse uma Pedra Reluzente perto do começo da ponte. Teodora ficou muito contente, já que finalmente pegaria uma pedra e provaria para todos que podia fazer qualquer coisa sozinha. Estava tão distraída por esses pensamentos que não percebeu um feitiço no caminho. Alguém havia invocado uma enorme caixa de vidro ao redor da ponte e Teodora bateu o rosto nela quando tentou se aproximar da pedra.
– O que é isso? – ela pensou – Não posso acreditar que há um feitiço aqui!
Ela não tinha ideia do motivo de uma parede de vidro estar naquela parte da cidade, nem como passar por ela, por isso ficou muito desapontada. Começou a pensar que deveria desistir de uma vez de toda a busca. Ela não poderia ser uma grande bruxa se não pudesse fazer as coisas por si mesma, e mesmo quando decidira seguir o conselho, o mundo continuou provando que ela não era boa o suficiente. Ela pensou que Autumn era uma pessoa muito incrível, fazendo todos aqueles feitiços e ajudando todas as pessoas sozinho.
Teodora estava abandonando a ponte quando ouviu um som sair de dentro da caixa de vidro. Theo estava perseguindo um grande rato vermelho nas margens do rio, e ela viu quando o gato o pegou e desapareceu nas sombras.
– Pelo menos Theo está indo bem – pensou – Me pergunto como ele entrou aí...
Então, mais um ditado dos magos tornou-se realidade. Eles normalmente dizem: “Se um gato pode fazer, você também pode”, embora a frase também possa ser aplicada para outros animais mágicos. De qualquer forma, Teodora percebeu que embaixo da ponte, bem ao lado do rio, havia uma pequena abertura que provavelmente Theo e o rato abriram durante a caçada.
– Se eu conseguir fazer com que a rachadura fique maior, talvez consiga passar!
Ela tentou lembrar-se de cada feitiço que conhecia, mas nenhum parecia ser de muita ajuda ali. Estava pensando em usar um feitiço de chiclete na rachadura (mas ela percebeu que isso só iria fechar a abertura ainda mais) quando ouviu o alarme da Joalheria Real soar. Um homem pequeno saiu correndo da loja com algo nas mãos e uma mulher gritou que iria chamar a Polícia do Ar. Teodora não havia percebido antes, mas Autumn e Crowley estavam subindo a Rua Principal naquele momento, e quando viram o homem correr, começaram a persegui-lo. Teodora não estava com medo do ladrão, mas não queria que ninguém a incomodasse enquanto tentava pensar em um meio de pegar a Pedra Reluzente. Infelizmente, o homem pequeno estava indo em sua direção.
O homenzinho era bem rápido, e quando ele chegou à ponte só Crowley estava a uma distancia boa o suficiente para poder vê-lo. O lobo fez menção de pular no ladrão, mas o pequeno homem apontou para a caixa de vidro e fogos de artifício começaram a queimar e subir em direção ao céu. Havia tantos fogos de artificio que Teodora imaginou que a única coisa grande o suficiente para ser capaz de armazená-los era aquela caixa de vidro. Algumas letras se formaram no céu, mas Teodora estava perto demais do fogo para conseguir lê-las.
O ladrão achou que aquela distração era boa o suficiente, então parou de correr e andou calmamente até um barco, onde foi surpreendido por Autumn, que havia transformado a embarcação em pedra. Vendo que não podia mais fugir pelo rio, o ladrão rapidamente foi para perto da caixa de vidro e disse:
– Você pode ser bom, mas não pode passar através do vidro como eu! Levei anos para aprender, e graças a isso você nunca irá me pegar!
O homenzinho entrou na caixa enquanto os últimos fogos de artificio ainda saiam e riu. Ele estava escapando, mas Autumn disse calmamente:
– Vejo que você consegue passar através de vidro, mas e através de plástico?
E repentinamente a grande caixa de vidro tornou-se uma grande e indestrutível caixa de plástico, onde o ladrão se encontrou completamente preso. Teodora achou aquilo incrível, mas o homenzinho ainda estava rindo quando começou a diminuir de tamanho.
– Ah, não – ela pensou – O homem vai passar pela fenda, e Autumn ainda está concentrado em manter o feitiço da caixa de plástico!
Teodora não conseguia pensar em um feitiço que fosse capaz de fazer o homem parar de encolher, então conjurou a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Em instantes a rachadura começou a ser preenchida por uma densa camada de chiclete (dura o suficiente para ninguém conseguir mascar), fazendo o pequeno (agora ainda menor) homenzinho ficar sem saída.
– Que feitiço maravilhoso! – disse Autumn quando o percebeu.
A Polícia do Ar chegou poucos segundos depois, levando o ladrão e dando a Autumn, Crowley e Teodora uma medalha feita de biscoito (o que fez Teodora ficar um pouco desapontada, uma vez que estava esperando algo feito de metal, embora a medalha tivesse um gosto muito bom).
Quando terminou de comer sua medalha, dando metade para Theo que estava sentado junto dela embaixo de uma árvore, ambos puderam ver o sol sair do horizonte, e Teodora se sentiu triste. Ela não tinha conseguido pegar nem mesmo uma Pedra Reluzente...
– Eu acho que isso é seu – disse um homem estendendo a mão com uma pedra verde em direção a Teodora.
– Pode ficar com ela. Você achou e pegou, então é sua – ela disse.
Autumn e Crowley sentaram-se próximos a ela.
– Bem, eu acho que você merece todas elas. – ele disse – Não fui eu quem viu que havia uma pedra dentro daquela jarra, por exemplo. Nem fiz um incrível feitiço de mudança de cor para encontrar essa outra, e sem você, o ladrão provavelmente teria fugido de mim e Crowley.
Teodora olhou para ele por um momento:
– Mas eu disse a mim mesma que ia pegar as pedras sozinha. Eu não teria pego nenhuma delas se você e Crowley não tivessem ajudado! Eu queria muito ser uma grande bruxa...
Theo disse para que ela parasse de agir como boba. Se não fosse ela, ele não teria conseguido pegar todos aqueles ratos raros em uma só noite. Ela era uma grande bruxa: grandes bruxas ajudavam os outros daquela maneira. Grandes bruxas também sabiam aceitar ajuda e aprender com os outros.
– Você é uma bruxa brilhante, senhorita Teodora! – disse Autumn – Você pode ter pensado que sou um grande mago por fazer as coisas por mim mesmo, mas na verdade, estou sempre recebendo ajuda de outras pessoas. Crowley, por exemplo, pôde ver através do seu feitiço de invisibilidade, mas eu não. Não poderia ter te ajudado na Feitiço de Café se Crowley não estivesse comigo. Tampouco teria pegado o ladrão. Você merece as Pedras, pequena moça.
Teodora sorriu e finalmente concordou. Mas disse a Crowley, Autumn e Theo que as poções que faria com as pedras seriam um presente para eles. E talvez ela pegasse muitas outras Pedras Reluzentes no próximo ano, sozinha.
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