POV SAM

Ufa, pensei que não chegaria nunca, dormi e acordei umas três vezes.

S: Ahh Seattle, que saudades — falei enquanto rodava com os braços no ar, que bom estar em casa.

Saindo do aeroporto passei na locadora onde deixei um carro reservado para sobreviver por aqui durante esses dias, afinal, eu desaprendi a andar por aqui com o passar do tempo e nada como um bom carro e um GPS.

Saindo da locadora depois de assinar umas 5 folhas de contrato, lembrei do que me propus a fazer assim que pisasse aqui.

Ainda um pouco perdida mas nada que as boas memórias e vivências não me trouxessem ao lugar exato.

Estacionei em uma rua ao lado, e segui em linha direta pela calçada, e assim que virei a esquina pude sentir o mesmo cheiro de tacos e de frutas batidas vindo de um exaustor que rodava na parede lateral do restaurante, olhei fixamente para onde dava aquela parede, e bom, estava um pouco diferente mas com a mesma essência de alguns anos atrás, já era de se esperar, minha última vez aqui foi quando eu passei pegar uma ultima vitamina antes de partir rumo NY, eu tinha exatos 18 anos, hoje, 17 anos depois ainda posso sentir como era passar minhas tarde aqui com pessoas que hoje nem sabem como estou e eu nem imagino como estão... será que Carly se casou? E o Fredonho, será que já é papai?

Perdidas em meus pensamentos enquanto atravessava a porta do restaurante senti uma mão quente sob a minha, vinha acompanhada de um rapaz branco, com barba por fazer e um cabelo com um perfeito topete que somente uma pessoa sabia fazer.

F: SAM? — gritou espantado esboçando um sorriso genuíno.

S: Freddie? — indaguei incrédula, mas nem tanto, afinal, Freddie ficou por aqui mesmo.

Eu senti um gelo na barriga como o da primeira vez em que...

F: Quando você voltou? Porque não me escreveu? Senti sua falta, Carly também. Como você está? Eu vi que casou com o Ryan Wheeler, e vocês tem uma franquia de restaurante no Estado, sua filha é tão linda quanto você e você surpreendeu a todos se superando e sendo super talentosa na sua área. Me responde mulher! — disse Freddie vomitando essas palavras e quase sem ar por falar sem parar.

S: Wow, você sabe tudo sobre minha vida Freddie. — respondi surpresa.

F: Eu tentei contato com você algumas vezes...sentimos sua falta, é sério. — falou em um tom mais grave tirando sua mão de cima da minha.

S: Perdão Freddie, mas minha vida tomou um curso tão acelerado que às vezes eu não consigo nem sentar para almoçar sem que seja interrompido por alguma reunião. Eu acho que te segui de volta no instagram há uns 3 anos atrás... Como está a Carly? -perguntei serena.

F: Ainda na Itália, vem esporadicamente visitar Spencer, e ela está noiva de um militar.

S: Wow.. sério? — ri, pois sabia que Carly Shay tinha o sonho de se casar, fiquei feliz.

F: É sim, e ele é muito gentil com ela, formam um bom casal... — disse com um sorriso de canto.

S: E você? — perguntei arqueando a sobrancelha.

F: Bom... eu tenho uma Startup de tecnologia e divorciei há uns 4 anos atrás.

S: Você foi casado? Hahaha, quem você torturou? — falei em um tom brincalhão.

F: Sempre engraçadinha né Puckett... Enfim, nos separamos simplesmente porque não nos amávamos mais, mas somos bons amigos.

Nesse momento fomos interrompidos por um rapaz alto, com cabelos grisalhos querendo passar. Estavamos no meio da passagem e nem nos demos conta.

S: Vamos sentar? — sugeri apontando pra dentro do restaurante. Freddie assentiu.

Passamos horas conversando, Freddie estava lindo, ainda era um Nerd, nada mudou, sua essência ainda era de um menino doce e eu via nele o quanto ele estava feliz em compartilhar sua vida adulta comigo.

Ele falava sem parar em como sentiu minha falta e em como ele queria ter conhecido Amber quando nasceu, ele realmente acompanhava minha vida, mas eu nunca vi as mensagens que ele e Carly mandaram, achei um pouco estranho, mas não aprofundei o assunto.

Freddie em um momento parou de falar e me olhou no fundo dos olhos, senti a mesma sensação daquela vez em que nos beijamos pela primeira vez, o olhar dele era o mesmo, era o Freddie garoto me encarando ali, ele então cortou contato visual e soltou.

F: Você me perdoa? — fiquei um pouco confusa e sem entender o que exatamente ele queria me pedindo perdão, nessa hora a lanchonete estava com pouco movimento e tudo o que falássemos outros poderiam ouvir de volta, então eu não estava mais tão a vontade e sugeri:

S: Podemos terminar nossa conversa amanhã aqui? Ou quer ir para um pub tomar umas cervejas e conversar?

Eram 10h PM eu estava curiosa para saber o que exatamente ele quis dizer com aquilo, mas também não queria perder minha primeira noite em Seattle sem curtir uma rodada de cervejas com meu melhor amigo de infância.

F: Vamos ao PUB.

Pagamos a conta e saímos do restaurante.

S: Meu carro está ali... — apontei para a rua onde havia o deixado.

Seguimos rumo ao carro, abri a porta de trás para pegar minha bolsa, quando Freddie me empurrou para que eu sentasse ali mesmo no banco traseiro e se sentou ao meu lado.

F: Você não respondeu minha pergunta Sam.. — disse sério enquanto me olhava no olho, seus olhos castanhos eram hipnotizantes, me levava a uma espécie de transe, me trazia sentimentos que eu só senti uma única vez, há 17 anos atrás dentro de um elevador do Bushwell Plaza, me senti a Sam de 18 anos novamente.

S: Te perdoar? Do que exatamente você está falando? — perguntei um pouco confusa.

No fundo eu sabia do que se tratava, mas porque tocar nessa ferida que já está curada?!

F: O dia em que você foi embora, eu beijei a Carly no estúdio, e desde então eu nunca me perdoei por isso, em senti desrespeitando nossa história de quando fomos um casal, e eu não quero que você pense que foi isso, eu era um moleque e vi aquilo como um troféu e..- eu o interrompi.

S: Eu nem sabia Freddie, está tudo bem, nossas vidas caminharam, e hoje..

F: Não Sam, você não faria isso comigo e eu fiz com você, eu não me perdoei.

S: Certo, e você guardou isso com você todo esse tempo? Porque você não foi atrás de mim? Porque não me procurou de fato, textos não querem dizer nada... — falei um pouco brava, mas porque brava, isso já foi há anos e eu tenho um bom casamento com alguém que amo.

F: Eu te mandei centenas de mensagens tentando te contatar para ter uma última conversa sincera com você, e você só me ignorou.

S: Então a culpa foi minha? Eu te fiz sofrer por essa culpa que você mesmo causou?

S: Desculpa Freddie, mas se tem uma pessoa culpada aqui, essa pessoa não sou eu. — falei séria me pondo a levantar.

F: Espera. — pediu segurando meu braço.

S: Freddie, fazem anos, eu te perdoo, o premio de consolação fazia sentido pra você então tudo bem.

F: Premio de consolação?

S: Sim, mesmo quando tivemos algo seu lance de correr atrás da Carly nunca cessou, você a queria porque na sua cabeça ela era a menina perfeita para se casar com você, quando nos relacionamos você não se mostrou interessado a lutar por aquilo que acreditávamos sentir.

F: Acreditávamos?

S: Sim.

F: Então pra você só foi...

S: Experiência, e tá tudo bem, não deu pra conquistar de fato o coração do nerd apaixonado.

F: Eu te amei Sam.

S: Não o suficiente, quem me ama está agora lá em NY cuidando da nossa casa, indo aos compromissos que temos juntos, isso sim é amor.

O que tivemos foi experiencia, e você deveria saber, foi casado, passaram-se 17 anos desde então, eu não queria transformar meu reencontro com você em lavação de roupas sujas.

F: Eu só senti que deveria saber.

S: E agora eu já sei, está perdoado.

F: Me sinto aliviado. — disse abaixando cabeça um pouco triste.

S: Não é possível que você tentou falar comigo todo esse tempo.

F: Eu tentei, mas segui a vida e sempre levarei boas memórias que vivemos juntos.

S: Relaxa Fredonho. — disse apertando seu nariz.

Ele riu e me abraçou, eu senti falta desse abraço.

Eu segui sim minha vida mas Freddie foi meu primeiro amor, eu deixei Seattle para não sofrer vendo ele seguir com a vida planejada perfeitamente por ele enquanto tudo o que eu sabia fazer na época era servir pessoas e ir embora pra casa com o cabelo cheirando gordura velha.

Freddie me desprendeu do abraço e se aproximou mais deixando nossos rostos grudados, eu conseguia sentir sua respiração e ouvir seu coração bater acelerado.

F: Não suma mais Sam..- falou em um tom de súplica.

S: Pode deixar Benson — respondi descendo o olhar para sua boca, eu ainda lembrava do seus beijos ás vezes, já sonhei diversas vezes com nossa noite no elevador, era tudo perfeitamente desenhado em seu rosto, mas esses olhos castanhos...

Senti a mão de Freddie em minha cintura me puxando pra perto, me aproximei um pouco sem jeito, afinal estávamos no banco de trás do carro e era um tanto quanto desconfortável.

Sua respiração estava mais forte e seu coração mais acelerado, ele subiu a mão até minha nuca me puxou lentamente até que...

S: Freddie... eu sou casada.

F: Perdão... — disse sem jeito me soltando.

S: Vamos? — perguntei tentando mudar o assunto

F: Vamos. — Freddie se levantou e sentou-se no banco da frente.

Fomos o caminho do Pub calados, eu ainda estava absorvendo tudo o que aconteceu, suas palavras ecoavam minha mente e essa última conversa sobre como ele se sentiu nesses últimos anos.

Como assim ELE quem se sentiu ignorado?!

Ele terminou comigo e já foi igual cachorrinho para os braços da Carly.

Bom, eu nem tenho que me preocupar com isso, afinal já tenho o meu casamento que inclusive há 2 meses passou por uma crise terrível.

Eu amo o Ryan e nossa família, não posso deixar um ex amor de adolescência entrar novamente em minha vida achando que é só pedir desculpas que terá meu corpo de volta, eu ainda sou a Sam Puckett.

F: Chegamos...

Notas finais
E ai, que conversa sobre o passado, nao?! Amanhã tem mais.