A Noite Irá Escurecer, Junto Com Você?!
12 O Fantasma da Biblioteca - Parte 4
Notas iniciais
Já tinha certo tempo que estava andando por aí a procura de pistas.
Olhava para cada livro, lembrando-se de Levy. Ah, como odiava sentir o aperto no coração ao lembrar do rosto sorridente das amigas que ainda acreditavam em Lucy.
Não conseguia parar de se perguntar se elas ainda estavam vivas.
Dúvida cruel...
Vida cruel...
A loira ainda andava sem rumo pela gigantesca biblioteca, de vez em quando cantarolando alguma música estranha para conseguir se distrair o bastante e não pensar na Fairy Tail.
Depois de minutos, a loira ainda andava sem rumo por aí, mas ela estava tensa, podia sentir a atmosfera mudar no local, e a temperatura baixar.
Ela estava ali. Estava ali, ao lado dela. Medo não era algo para se sentir no momento.
A loira virou-se para enxergar o rosto de sua inimiga no momento.
Ah, como se arrependeu de ter feito isso.
Um calafrio subiu a espinha de Lucy. O que a jovem via a sua frente, não era algo que poderia ser considerado um ser vivo, em parte porque não estava viva, mesmo. Porém... sua forma, sua forma era horrorizadora.
Lucy não sabia dar detalhes à criatura, era como se não conseguisse ao menos pensar ao olhar nos olhos dela. Os olhos da criatura à sua frente eram negros, e tal penumbra conseguia refletir os olhos de Lucy. Ela jamais conseguiria esquecer os olho daquele ser.
O que era aquilo?
Ela não sabia explicar... não... Ela não queria saber o que era isso, porque ela não queria sentir aquilo, seu orgulho jamais admitiria que estava com... medo.
Sim, medo.
Medo pela criatura à sua frente. De alguma forma a loira consegui muito bem sentir as emoções que a criatura estava sentindo. Os dois seres tinham medo um do outro. Lucy voltou a sua posição fria por um momento.
O que fez a “garota” se assustar e dar um passo para trás.
–O que aconteceu com você?
–…
–Não vai responder? — A mente de Lucy, por uma momento, clareou-se, e ela pode distinguir a criatura.
Era a sombra deformada de uma garota, ela parecia reluzir todas as luzes ao seu redor. E, seus olhos, eram como órbitas vazias. A loira deduziu que se olhasse por muito tempo dentro daqueles olhos, ficaria paralisada de medo novamente, então recusou-se a olhar nos olhos do fantasma.
–por favor... a-a-acre-edite-e... e-em mi-im... — a figura reluziu um brilho forte e pulou por sobre uma das estantes que as cercavam.
–Hunf... é por isso que odeio fantasmas...- Lucy seguiu a garota, elas pulavam de estante em estante, cuidadosamente.
E, no fim do grande salão, havia uma estante, apenas uma, e foi justamente lá que elas pararam.
As duas olhando sem emoção para a estante.
– Acredite... — e, após sua fala, ela apontou para um livro, pequenino e de capa preta, quase não era visto em meio há tantos livro grossos.
A “garota” sorriu tristemente. Uma brisa suave atacou os olhos de Lucy, fazendo-os fechar por um segundo, e quando abriu-os novamente, a criança não estava mais lá.
–Poderia ter me dito mais... — Lucy examinou o livro, na capa desgastada pelo tempo, não havia uma palavra sequer, abriu o livro, percebendo na hora que era um caderno.
Folheou o mesmo.
Começando a ler seu conteúdo.
“ Já devem fazer três dias que acordei nesse lugar imundo e sujo, terrível, em minha opinião.
Já fazem três dias que não vejo a luz do sol, fazem três dias que eu não como.
Fazem três dias que estou presa em uma cela, em um quarto escuro.
Eu acordei com esse caderno e uma caneta ao meu lado hoje.
Não sei quem me prendeu aqui, mas deve querer que eu faça anotações do que sinto para não cair na insanidade absoluta. Uma boa ideia.
Estou com uma dor de cabeça terrível.
Não sei mais quantos dias fazem que estou aqui, já que não posso ter noção do tempo trancafiada aqui.
Hoje acordei com uma bandeja de pão e água ao meu lado. Comi.
Me pergunto qual o meu nome. Qual minha aparência e como vim parar aqui.
A dor de cabeça é maior do que antes, parece que ela vai explodir a qualquer segundo.
Um homem entrou em meu quarto hoje, não consigo ver seu rosto, mas ele sempre está sorrindo para mim, ele me observa como se eu fosse uma obra de arte. Eu acho que foi ele quem me prendeu aqui.
Hoje ele me disse que tudo ficaria bem, no final. Eu tenho sérias dúvidas sobre isto, mas é a única coisa que posso fazer, eu preciso acreditar. Ele me chamou de B-2, provavelmente será meu nome temporário.
A dor de cabeça está mais forte. Hoje eu acordei com cortes profundos nas pernas.
O que ele fez comigo?
Ou será que eu fiz isso comigo mesma?
Eu não sei mais em quem acreditar. Deus não me salvará.
Não consigo lembrar de absolutamente nada de alguns dias atrás. Eu não sei o que aconteceu, mas se não fossem por minhas anotações eu provavelmente não saberia de nada, mais uma vez.
Hoje acordei com uma cicatriz enorme em minha barriga. Eu não sei por quanto tempo dormi, mas ela já está cicatrizada.
Ele vem me deixar um prato de comida diariamente.
Hoje ele me disse que eu sairia da cela, por uma hora, apenas. Eu sai e ele me levou à uma sala estranha parecia ser uma sala de cirurgia. No caminho para lá, passamos por muitas outras celas, mas elas estavam vazias.
Depois de chegarmos lá, ele injetou algo em meu braço, minha visão estava turva demais para que eu visse o que acontecia, parece que adormeci na maca. Acordei com a dor de cabeça mais uma vez, pergunto se isso foi efeito da seringa, mas me sinto mais leve do que o normal. Minha dor de cabeça não é mais tão forte. Parece que ele está tentando fazer bem para mim. Devo acreditar em suas palavras?
Eu estou com medo.
Estou na escuridão novamente.
Porque ele não voltou mais?
Ele me abandonou?
Eu não sei quantos dias se passaram.
Mas, ele voltou ao quarto onde se localiza minha cela, mas ele mal me olhou. Apenas me tirou com brutalidade da cela, e, eu não me lembro mais do que aconteceu.
Eu acordei aqui novamente, com minhas partes íntimas sangrando.
Ele me estuprou?
Não... ele queria o meu bem, não é?
Mais dias se passaram, e percebi que estava errada, ele não queria meu bem.
Eu odeio ele.
Porque ele faz isso comigo?
Acordei com mais cicatrizes.
Estou sem voz de tanto gritar para ele me soltar. A única coisa que posso fazer agora é chorar. Mas nada adiantará.
Me pergunto mais uma vez porque estou aqui.
Ele me estuprou.
Ele veio a minha cela novamente, me disse coisas sem sentido. Mas eu consegui entender algo em suas palavras. Ele me disse que eu era uma maga de Espíritos Estelares. Não entendo mais nada agora.
Ele injetou o líquido estranho em mim de novo.
Eu acordei.
Tentei me levantar, mas minhas pernas não me obedeciam, era como se eu não as sentisse. Eu tentava mexê-las, mas elas ficavam ali paradas.
Talvez eu deva cair na insanidade, qualquer coisa é melhor que esse pesadelo.
Não consigo parar de chorar.
Mais um dia se passou e eu não sinto minhas pernas.
Não consigo parar de pensar nas minhas chaves. Me pergunto se meus espíritos gostam de mim, se eu já fui má com eles. Isso só me deixa mais triste.
Dois dias...
Eu já amo meus espíritos sem antes conhecê-los.
Quase não consigo escrever... minha mão treme muito. Eu preciso comer.
Eu sei que morrerei aqui, mas, eu queria que meus espíritos estivessem bem. Me pergunto novamente se eles estão bem.
Eu deveria estar viva? (nesta página haviam rastros de sangue)
Eu estou com medo.
Ele me alimentou hoje. Mas. Disse que haveria um preço.
Ele arrancou uma das minhas unhas com uma alicate.
Eu não deveria estar viva até agora.
Porque resisto tanto?
Porque?
Descobri que faço tudo isso pelas minhas chaves.
Não consigo mais falar, chorar ou gritar. É difícil escrever agora.
Todo dia que ele vem me alimentar, ele tira uma parte do meu corpo.
Hoje foi minha língua. Não posso mais comer, agora com certeza morrerei.
Não consigo mais andar, falar, comer.
Ele me disse que não fazia isso por que queria. MENTIRA! Ele me disse que precisava fazer experimentos para uma mulher. MENTIRA! Ele me disse que a mulher tinha cabelos brancos e curtos, extremamente linda. Eu odeio essa mulher.
Mais um dia ele veio até mim, com aquela seringa que fazia minha dor de cabeça parar por um momento.
Ele injetou em mim, e arrancou meu olho direito.
Posso sentir que a morte está próxima, eu queria saber como meus espíritos estariam. Estariam sentindo minha falta? A única coisa que ainda não perdi foi minha sanidade.
Logo perderei minha vida... e eu nem sei o porque.
Eu odeio aquele homem.
Eu não sei como ainda estou viva, mas, eu descobri o nome dele.
O NOME DELE É YUK”
Não havia continuação. A página estava completamente manchada com sangue, todas as outras páginas estavam manchadas com sangue.
Lucy folheou as páginas até chegar na última folha.
Na última folha do caderno, havia um desenho de Yuki Sazuyo, e embaixo escrito em letras apressadas: “EU SEI QUEM ELE É”
Continua...
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