A Noite Fria
1 A Fria Noite
Era noite, a torre do relógio já marcava 11h45minh, a névoa cobria os muros da pequena cidade o que a fazia parecer macabra. Existia uma grande mansão no seu centro, que por motivos desconhecidos fora abandonada em meados do século xx.
Estavam com a pintura desgastada pelo tempo, as janelas com vidros quebrados. Adentrando pelo jardim, que um dia já fora bem cuidado, hoje era apenas um matagal com mais de meio metro. A porta de entrada esta quebrada com sinais de arrombamento.
Ao entrar, me vi parada em um belo cômodo, teias de aranha e ratos mortos era a melhor decoração para esse local, o cheiro de mofo e podridão chegou as minhas narinas, seringas e poças de sangue pelo chão davam aquele lugar um ar de morte. Poucos raios de luz da lua tinham coragem de entrar na casa, e os que entravam deixavam a lua tão horrorizada que fazia ela se esconder em meio às nuvens.
A minha atenção foi dirigida a escada de marfim, o sangue fazia parecer que alguém fora arrastado com um ferimento muito grave. Como sempre a curiosidade falou mais alto, e fui seguindo o sangue degrau por degrau.
A cada passo que dava o cheiro de podridão aumentava, de repente um grito de dor irrompeu o ar. O grito vinha de um quarto que estava com a porta entreaberta, o sangue agora era muito mais visível, nas paredes havia marcas de fogo, os gritos continuavam cada vez mais altos, me deixando mais e mais curiosa. Ao perceber que minha respiração falhou, aprecei mais ainda o passo.
Vi-me de frente com a porta, já incomodada com os gritos, abri a porta devagar e me deparei com uma cena macabra.
Uma linda mulher loira de rabo-de-cavalo, ela usava uma calça cintura alta preta colada, uma camisa branca estilo colegial com respingos de sangue e uma bota preta de salto agulha, na mão direita segurava um bisturi enferrujado e na outra um isqueiro.
No chão havia uma mulher de cabelos cacheados que lhe tampavam o rosto, tinha cortes profundos por todo o corpo, e ela repetia em meio aos gritos:
-Pare!! Por favor...
A outra por sua vez largou o bisturi em uma mesa em que havia vários instrumentos com sangue, que pude supor eram para tortura.
-Não...
Depois dessas palavras ela se virou para mim, tinha uma pistola calibre 38 na mão, ergueu-a e tudo que pude escutar foi o barulho do tiro e um grito de medo. Depois disso a minha vista escureceu, mas pude ver que lágrimas saiam de seus olhos e seus lábios se mexerem em um “desculpe” sem som...
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