A Ninfa.
1 Adria, a Ninfa.
Pequenos sinos tocavam e a delicada alourada abria cerradamente seus olhos até a metade, visando luzes foscas ao seu redor, contempladas em meio àquelas verdes folhas que a cobriam os céus, impedindo que o azul indivisível dardejasse sobre sua visão.
Aos poucos a remanescente do combate despertara por completo, sentindo o fôlego sossegado de um alguém confinante a ela. Curvou o rosto em supra e gracejou silenciosamente ao notar a ternura dos traços másculos e simultaneamente enternecidos do rapaz à quem mansamente concedeu seus sentimentos.
— Dormistes literalmente como uma ninfa. — afirmou o púbere rouquenho enquanto retirava as madeixas louras dos azulados olhos de sua amásia.
— Após a batalha, todos nós merecemos sota, Krayvhus. — responde em tom suave, depositando nos macios lábios de seu amado um beijo sutil.
— Porém não podemos ser menos cautelosos. — o guerreiro algoz afirma temendo a tormenta. — A guerra acabou, mas isso não impossibilita a existência de inimigos próximos.
— Certo. — a guerreira responde cabisbaixa, demonstrando angústia.
— O que te preocupas, pequena? — o jovem de cabelos negros a pergunta gentilmente, aprumando sua coluna no maciço tronco de árvore enquanto ajeita sua ninfa em seus sadios braços.
— Ash. — ela responde de forma direta e tristonha, correspondendo o abraço. — A Ash ainda está desaparecida, Kray.
— Nós vamos encontrar sua irmã, Adria. — o jovem a responde, confortando-a. — Se nós não encontrarmos, ela nos encontrará. — e deposita-lhe um suave beijo no topo de sua cabeça. — Ash é uma grandiosa guerreira, você tem ciência nisso.
— Acredito que ela esteja viva. — e arqueja em ansiedade. — Ela é uma paladina... Pessoas devem estar a ajudando.
— Ela é uma paladina, assim como você. — o algoz responde em meio a delicados risos. — E paladinas como vocês, não precisam da ajuda alheia.
Ouvindo essas palavras, Adria apenas cogitava entre sorrisos. Ash era considerada a segunda mais poderosa elfa guerreira da cidade de Sisteron, logo após Adria, sua irmã caçula. Quando Sisteron foi atacada pelos Bárbaros de Turenne, Krayvhus tomou posse da liderança do exército de algozes, enquanto Adria comandou o batalhão de arqueiros. Ash lutava no batalhão de cavaleiros, sendo injustamente não convocada à liderança e sumindo nos primeiros dias de batalha.
Após três anos de guerrilha, Ash simplesmente não deu mais notícias. Rumores diziam que ela estava hospedada em um castelo na cidade de Saorge, mais conhecida como a “Cidade dos Magos”, que ofereceu amparos a Sisteron, recompensando grandes ajudas históricas vindas do mesmo.
Os Bárbaros de Turenne estavam atrás dos assombrosos estilhaços da estrela Lux que caiu honrosamente em Sisteron há milênios atrás, provocando um imenso estrago. O desejo de obter tal poder deu início a guerra. Seu poder nunca foi testado, sendo então guardado em locais de extremas proteções no Castelo Principal da cidade dos Elfos.
Os Elfos da antiguidade diziam que o poder de Lux era um poder assassino, possibilitando a exterminação das raças, exceto aquela por quem o poder foi usado. O motivo egoísta pelo qual os Bárbaros desejavam tanto esse poder era pelo anseio de uma vida anarquista, onde não existem fronteiras e outras raças, a não ser a deles.
— Adria? — uma voz doce e feminina chamava à longe, fazendo a ninfa virar-se pela procura da pessoa. — É você quem está aí?
Adria e Krayvhus levantam-se das gramas em silêncio e em extrema precaução. Krayvhus já retirava dos bolsos suas duas adagas e fitava os arredores com aptidão.
— Quem está aí? — perguntava a menina dos cabelos dourados, já posicionada em defesa com seu arco mirando em vários pontos da floresta iluminada.
— Por Ártemis, Adria! — a voz reclamava e logo após surgia a imagem familiar de uma garota carregando nas costas uma espada maior que a mesma. — Abaixe esse arco, sou eu.
— Lorraine? — já com seu arco abaixado, a garota sorri de orelha a orelha. — É você mesma? — surpresa, a menina continua incrédula com o riso no rosto.
— Quem mais seria? Afrodite? — respondeu ironicamente.
Lorraine era mais conhecida como a “Cabeleira do Inferno”, por ter cabelos longos e ruivos. Se intitulava como “Matadora Camuflada”, por ter os cabelos da cor do sangue do inimigo.
— Como sempre agindo de forma estúpida. — disse o jovem Krayvhus.
— Pensei que tivesse morrido na guerra, Menino das Adagas. — e então arqueia uma das sobrancelhas enquanto fita o guerreiro, aproximando-se da amiga Adria.
— Não morro facilmente. — respondeu em meio a um sorriso charmoso.
— Fico feliz por isso. — a ruiva diz, abraçando a jovem de cabelos louros. — Adria seria infeliz te perdendo na batalha... E se ela ficasse infeliz por sua causa, eu decerto desejaria que Hades te fizesse sofrer no inferno.
— Que horror, Lorraine! — os três passam a rir.
— Seu namoradinho Krayvhus adora irritar os outros. — a matadora camuflada revira os olhos. — Não sei como você suporta alguém como ele, ninfa. — Adria riu e Krayvhus sorri, puxando a loira para seus braços e arrancando-a da guerreira de cabelos vermelhos.
— Pare de usar meu nome em vão, Lorruiva. — Krayvhus faz um trocadilho com o nome da guerreira, fazendo-a bufar. — Agora, nos diga. O que está fazendo aqui?
— Estava de passagem por Sisteron, revendo alguns amigos e descobrindo quem está morto e quem sobreviveu. — a moça responde, sentando-se nas gramas e posicionando sua espada sobre as duas pernas entrelaçadas.
— Já vai voltar para Saorge? — a ninfa pergunta, soltando-se dos braços do amado e sentando-se a frente de Lorraine.
— Sim... Eliphas, o Mestre dos Magos, quer que eu vá para lá o quanto antes, pois teme um ataque de Grifos vindo do norte. — responde observando seu reflexo na ponta de sua espada. — Seria perigoso se Pássaros-Leões atacassem minha cidade, ainda mais nessa vulnerabilidade em que ela se encontra.
— Certo.. Mas tens certeza de que não quer ficar mais um pouco, pelo menos um dia? — Krayvhus pergunta, sentando-se ao lado das moças. — Hoje terá uma comemoração pelo fim da guerra e seria muito interessante se você, sendo uma das principais guerreiras desse combate, participasse.
— É verdade! Todos os guerreiros estão convidados, até mesmo o pessoal de Saorge, de acordo com o Lorde Lothar. — Adria completa, vendo no rosto da amiga uma expressão de dúvida.
— Quando será? Tenho que estar em Saorge amanhã, antes do Sol se pôr. — ela informa.
— Será hoje quando o Sol se pôr, próximo ao Oásis. — o algoz responde enquanto gira suas adagas entre os dedos.
— Tudo bem, quem sabe eu não conheça algum elfo atraente nessa festa. — ela responde fazendo o casal rir.
— E o Kishaon, Lorraine? — Adria pergunta, de olhos semi arregalados, sobre o guerreiro com quem Lorraine tinha um caso.
— Arrumou uma amante. — a ruiva responde revirando os olhos e jogando seus longos cabelos para trás do ombro.
— Guerreira? — Krayvhus pergunta enquanto acaricia o rosto de sua ninfa.
— Camponesa. — ela responde em um ar desgostoso. — Uma linda camponesa. — e fixa o olhar tristonho em um mesmo ponto. — Sabe... — ela continua a falar cortando o silêncio. — Eu gostaria de, um dia, ter a sorte que vocês tiveram... —e passa a fitar, com um sorriso no rosto, o casal de elfos. — Ter alguém que sempre vai olhar por mim e me proteger... — ela completa com os olhos úmidos. — Como vocês dois tem um ao outro. — e sorri.
Ouvindo isso, a arqueira abre um sorriso, metade feliz e metade triste. Era bom ouvir isso das pessoas, ouvir a percepção delas em relação a seu romance com o grandioso Krayvhus, que ela tanto amava. Mas ouvir essas palavras de forma lôbrega, ainda mais vindo de uma grande amiga, deixava-a lúgubre.
— Você é fascinante, Lorraine. — a jovem diz. — Com certeza encontrará alguém tão fascinante quanto você. — e sorri, tendo de volta o sorriso da ruiva.
— Eros te abençoou, minha amiga. — a ruiva diz, provocando um sorriso na moça, que tinha a encantadora mania de sorrir com os olhos, juntamente.
Após algum tempo, os três saíram da magnífica floresta. Lorraine foi fazer mais um turismo pela cidade dos Elfos enquanto Krayvhus e Adria foram para casa. A casa deles se localizava sobre uma alta árvore, assim como toda a cidade de Sisteron. Essa localização era vantajosa para batalhas e era a marca registrada de moradias de elfos. As casas, sempre em um padrão cilíndrico, se interligavam por caminhos que rondeavam as árvores, subindo com várias moradias e formando uma majestosa cidade.
— Os cabelos da Lorraine estão cada vez maior. — o jovem algoz afirmava ao entrar em casa e fechar a porta.
— Aquele cabelo é poderoso. — Adria respondia olhando pela janela a paisagem cativante das montanhas ao sul. — E muito bonito, também. — completava, sentindo seu amado abraçá-la por trás e beijar-lhe lenta e mansamente a dobra de seu pescoço.
— Só não é mais bonito que essas madeixas douradas que você chama de cabelo. — responde, enrolando em seu próprio dedo alguns poucos fios louros de Adria.
E então a mesma se vira, recostando suas costas na janela e fitando, com um sorriso nos lábios, Krayvhus olhá-la no fundo dos olhos com tremenda paixão. Corada e sem tirar do rosto as feições amáveis, ela toca seu rosto sutilmente.
— Eu tenho sorte de tê-lo em minha vida. — ela diz tendo seu sorriso apagado e sendo tomada por uma onda calorosa de realidade. — Me falta o chão quando lembro que eu quase te perdi. — afirmava, descendo a mão pelo braço do jovem e apertando-o com fervor.
— Não se machuque lembrando disso. — ele pedia, capturando-a em um abraço. — Eu estou aqui, não estou? — eles afastavam o rosto para poder se olhar e então juntaram as testas uma na outra. — A guerra acabou, minha arqueira. — ele dizia docemente. — E estou aqui com você. — Krayvhus completava, ao notar que uma lágrima percorria a pele alva da jovem.
— Desde que Ash sumiu, eu venho sentindo uma sensação ruim. — ela dizia olhando para baixo, sem se soltar dos braços de Kray.
— Vamos pedir para Lorraine procurá-la em Saorge. — ele sugeria segurando pacificamente o rosto angelical de Adria. —Se os boatos forem verdadeiros, ela está lá; se não, nós mesmos iremos atrás dela.
— Não sei se ela iria gostar que eu fosse atrás dela... — Adria dizia pousando os braços em um entrelaço na nuca do guerreiro.
— Ela acharia perigoso demais para você? — ele perguntava em um tom sarcástico.
— Não... — ela respondia um tanto cabisbaixa. — Ash é orgulhosa demais para aceitar minha ajuda... Às vezes, para ela, é preferível morrer em uma batalha.
— Ela sempre teve um lado odioso. — Krayvhus afirmava fitando a janela atrás de Adria. — Sem ofensas à sua irmã. — completara voltando o olhar para a ninfa, que sorria.
— Ash é estranha... Mas ainda é minha irmã. — Adria respondia de forma serena. — E eu me preocupo com ela.
— Você está certa... Essa atitude é adorável, vendo que eu no seu lugar, não me arriscaria da forma que você se arrisca por ela. — ele dizia depositando-lhe um beijo sutil nos lábios rosados.
Ao receber um sorriso dócil como resposta, o guerreiro não demorou a pegar sua amada no colo e ela, consequentemente, enlaçou as pernas na cintura do jovem. Ele a levou até a cama, onde assentou-a. A ninfa o puxou pela nuca, cobrindo-o de beijos, enquanto o mesmo ia a deitando vagarosamente na medida em que o desejo aumentava. Ele apoiava os braços na cama, em volta da menina, para que não fizesse peso sobre o frágil corpo de Adria, enquanto ela o tratava de forma nem um pouco fragilizada ao retirar a parte de cima da roupa do jovem e raspar em suas costas as afiadas unhas.
Sem perder muito tempo, o algoz muda a rota de seus beijos, beijando o maxilar da moça e indo até o queixo. Logo após, seus lábios já tocavam seu pescoço, que era erguido para trás enquanto a moça permanecia de olhos fechados. As másculas mãos do guerreiro percorriam as finas pernas da arqueira com tamanha delicadeza, fazendo do corpo da moça algo próximo a uma porcelana de tão frágil.
Enquanto sentia os beijos, a garota sentia, também, o definido peitoral de seu amado, ao tocar-lhe de forma selvagem. Correndo com as mãos até as costas do homem, ela não hesita em puxar-lhe para mais perto dela, aproximando, assim, o calor dos corpos.
Satisfeito com as marcas que havia deixado no sensível pescoço da guerreira, o jovem agora descia os beijos para o colo da menina, enquanto abaixava sua manga bufante no mesmo ritmo de lentidão e charme.
Com o tomara-que-caia verde musgo já abaixado até próximo aos seios, o jovem volta a olhar os olhos cor-de-céu da moça e sorri. Aproxima-se novamente do rosto da loira, beijando-a apaixonadamente. Os dois sorriram entre o beijo e ela, então, segura o rosto juvenil do moreno de barba mal feita e se afasta, podendo olhar no fundo daqueles olhos verdes.
— Krayvhus! Adria! — uma voz externa os chamava. — Olhem aqui pela janela!
— Quem será? — o guerreiro pergunta, um tanto bravo por terem estrago o momento tão desejado do casal.
— Essa voz me parece da Namish. — ela responde em um tom tranquilo. — Mas o que ela estaria fazendo aqui?
— Ela está em Saorge, não? — o rapaz pergunta e a menina o responde com expressões de dúvida.
E então o jovem se joga do outro lado da cama, saindo de cima da bela ninfa e fechando os olhos. A menina se levanta, subindo sua blusa e vai até a janela, onde se debruça e olha para baixo, reconhecendo a pessoa a quem a chamava.
— Namish! — a menina sorria vendo uma velha conhecida. — O que queres?
— Adria! — a mulher correspondia o sorriso. — Gostaria muito de perguntar como tu estás, mas trago uma mensagem importante de Lothar.
— Lothar? O Lorde de Saorge? — surpresa e de olhos arregalados, a menina pergunta.
— Sim! — ela responde colocando uma das mãos sobre os olhos, impedindo que os raios solares tirassem sua visão. — Ele pediu para que eu lhe trouxesse esta carta! — e mostrava a carta na outra mão. — Lothar quer que você leia a carta juntamente de Krayvhus e Kulak, o Lorde dos Elfos.
— Suba aqui, Namish. — a loira pede e então, rapidamente, um par de asas brancas e semi transparentes surgem na maga de cabelos brancos, que logo sentou-se na janela de Adria.
— Aqui está. — e entrega as palavras de Lothar nas mãos da arqueira.
— Aconteceu algo? — Krayvhus pergunta dirigindo-se a janela, junto das duas.
— Sim. — a maga responde. — Tem a ver com sua irmã, Adria.
— Com a Ash?! — a garota pergunta, ignorando a carta e encarando a menina das asas. — O que aconteceu com ela?
— Não me surpreende você não saber. — responde a mística. — Apenas meu clã, Lothar e Kulak sabem do ocorrido. — completava ao encostar-se no apoio vertical da janela, encarando os céus. — Mas não se aflija... Vá procurar Kulak.
E então, a guerreira assente com a cabeça. Inesperavelmente, começam a ouvir vozes de uma multidão. Não parecia ser uma rebelião, nem algo do tipo, mas parecia um exército vindo pacificamente na direção da cidade. De forma agasta, os três olham para o horizonte a sua frente, visando às vozes. Era, realmente, um batalhão... Mas não era qualquer batalhão; era a cidade aliada à Sisteron: Saorge.
Debruçados na janela, o casal observava a multidão se aproximar. Namish apenas olhava atenta, mas não tão surpresa.
— O que é isso, Namish? — Krayvhus perguntava de olhos arregalados, sem desviar a atenção das pessoas surgindo por entre a floresta mágica de Sisteron.
— Essa é Saorge pedindo socorro. — ela informava, agora, cabisbaixa. — Eu só não esperava que isso fosse acontecer tão rápido; não esperava que fosse acontecer agora.
— Do que você está falando? — Adria perguntava preocupada, sem entender nada. Por que os magos de Saorge estavam vindo para a cidade dos Elfos?
— É sobre isso que a carta fala, ninfa. — a jovem respondia docilmente. — O Lorde Kulak já está ciente do acontecimento e, provavelmente, o amigo dele, Lorde Lothar, se hospedará aqui, também.
— “Hospedará”? — pergunta o portador das adagas.
— Já dei muitas informações. — a guerreira de asas dizia. — Agora, vão falar com o Lorde dos Elfos.
Assustados, os dois se retiraram de casa e Namish desceu pelos ares, indo de encontro à seu povo.
Ao saírem do local, foram diretamente para o Templo do Lorde Kulak. Recebidos atenciosamente pelos guardas, logo entraram na majestosa sala do Elfo Principal.
— Senhor Kulak. — Krayvhus fazia os cumprimentos enquanto Adria apenas demonstrava estar aflita com a situação e preocupada com sua irmã.
— Cavaleiro Krayvhus. — o Lorde respondia o cumprimento, abaixando-se um pouco e logo voltou a olhar para o casal. — Adria, a ninfa! Minha guerreira mais honrosa. — dizia o Lorde de orelhas pontudas, recebendo um sorriso da jovem como resposta. — Por favor, sentem-se.
— Senhor, pode me dizer, por favor, o que aconteceu com Ash? — a loira ia diretamente ao ponto.
— Adria, não seja ansiosa. — o velho informava. — As notícias podem não ser muito boas.
— O que aconteceu com ela?! — a menina já se exaltava. —Não me dia que ela... Não aguentou... E...
— Nada disso. — ele a interrompia. — Sua irmã, infelizmente, está invejosamente saudável.
— “Infelizmente?” — a arqueira perguntava com o cenho franzido, vendo que seu namorado também não entendia coisa alguma.
— Vou explicar resumidamente e o resto você lê na carta que Lothar lhe enviou, com todos os detalhes do ocorrido. — o velho dizia apoiando os cotovelos sobre a mesa e apoiando, também, o queixo nas mãos entrelaçadas. — Adria, sua irmã foi quem informou aos Bárbaros a existência do poder Lux, que está mantido aqui em Sisteron.
— O quê... O que o Senhor... O que o Senhor está dizendo? — a menina, sem reações, tentava encontrar algo que fizesse sentido naquela história. Por que sua irmã mais velha faria isso?
— Ela provocou a guerra, Adria. — ele continuava a explicar, enquanto Krayvhus, atento, também tentava compreender a situação. — Ela planejava que os Bárbaros roubassem o poder, para que ela pudesse roubar deles. Foi por isso que ela sumiu durante toda a guerra; Ash tem força suficiente para derrotar um batalhão inteiro, por isso foi de tamanha estranheza que essa guerra persistisse por tanto tempo.
— Mas... Isso não faz o menor... Sentido... — ela dizia cambaleando entre as palavras, fitando o chão.
— Deixe ele terminar de explicar, Adria. — Krayvhus pedia, já entendendo toda a situação.
— Continuando... — o velho inspirou profundamente. — Vendo que os Bárbaros foram derrotados sem chegar perto do poder, Ash revoltou-se, tomando o trono do Lorde Lothar e expulsando todos os Magos Humanoides de Saorge para, assim, poder construir seu próprio exército. — ele dava fim às explicações, deixando que a ninfa, finalmente, tirasse suas dúvidas.
— Mas não faz sentido. — ela retrucava. — Ash, como o Senhor mesmo disse, tem poder suficiente para derrotar um batalhão sozinha, tendo a capacidade de roubar o poder da Lux, também, sozinha.
— Ela teria, sim, essa capacidade... Se não houvessem obstáculos.
— Quais?
— Sua irmã caçula... Você... Adria. — o velho se referia a ela própria, deixando-a um tanto boquiaberta e de expressões confusas.
— Aonde o Senhor quer chegar? — ela perguntava.
— Ash não entraria em combate com você, pois você é a única que deixa a dúvida no ar; a dúvida da vitória dela. Ela sabia que se ousasse em se aproximar de Lux, você a impediria, em honra à Sisteron. Ela simplesmente não quis arriscar, planejando, então, a falha guerra.
— Mas por que ela gostaria de exterminar todas as raças? Ash sempre odiou Humanoides, Bárbaros, Anões, Vampiros... Mas por quê? Por que ela chegaria a esse ponto?
— Isso, minha filha, ninguém sabe. — o velho respondia levantando-se da cadeira e indo até a janela. — E essa a missão que eu lhe dou... Descubra quais são as intenções de Ash. Impede-a. Impede-a por meu receio de outra guerra mais devastadora. — a arqueira se mantinha a observar um mesmo ponto fixo no chão. — E por Lothar, devolva Saorge aos Humanoides Magos... Ash quer destruir toda a história destes que nos ajudaram a vencê-la. Não deixe que isso ocorra com nossos aliados, Adria; com nossos irmãos. — Adria sentia Krayvhus passar-lhe a mão no rosto. — Essa missão não é só sua, ninfa... É de seu amante Krayvhus, o Cavaleiro, também... E de todos nós de Sisteron!
— Lamentavelmente, Ash tomou esse rumo; e eu sei que ela é sua irmã, meu amor, mas não vou deixar que ela coloque as mãos em Lux; não vou deixar que ela extermine meus amigos de outras raças. — Krayvhus dizia e Adria o respondia apenas com o silêncio.
— Eu respeito se você não quiser prosseguir na missão, Adria. Mas saiba que você é a únic—
— Não, Senhor. — a ninfa o cortava as palavras. — Eu vou. — ela dizia, olhando de atitude firme nos olhos do homem de cabelos longos e brancos. — Não importa se ela é minha irmã... Eu, como guerreira de Sisteron, luto pela justiça.
O velho, instantaneamente, abre um sorriso.
— Eu sabia que podia contar com você, Adria. — e fecha os olhos em um sorriso, abaixando o rosto para agradecê-la de longe. — Lothar certamente está tão grato quanto eu.
E então, Adria e Krayvhus saem do Templo. Ao lado de fora, ouviam-se músicas celtas e pessoas felizes andavam para lá e para cá, surpresas com a presença de Saorge em Sisteron. Pensavam que era uma visita rápida da cidade aliada, mas quem dera fosse apenas isso. Saorge agora era comandada pela elfo soldada, Ash, que montava um batalhão de Bárbaros derrotados, mesmo equivalendo, sozinha, a um. Uma segunda guerra estava por vir, agora, com a presença de uma das guerreiras mais poderosas já existentes. Com a verdade estampada na cara das pessoas, Ash não precisara mais se esconder de ninguém, nem mesmo da irmã. Muito pelo contrário; enfrentá-la-ia. Enfrentá-la, queria.
Notas finais
Se vocês me dissessem o que acharam, ia ser muito bom! Sabe, dizer o que ficou bom, ruim, toda crítica é bem-vinda. Mesmo se eu não criar a fic baseada nisso, seria legal ver o que as pessoas acharam, já que é minha primeira fic/oneshot original. ^^ E obrigada a todos que leram.
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