Notas iniciais
Espero que gostem, meus patinhos hahahhah

“Você realmente quer ir embora?” Ele perguntou.

“Sem você aqui, não há razão para ficar.” Era verdade, ela não saberia o que fazer aqui sem ele, seria muito doloroso.

“Não estou morto ainda.”

Ela se aproximou lentamente do homem à sua frente. Seu coração martelava rapidamente, mas seu rosto aparentava uma calma que ela não tinha. Seus lábios estavam a míseros centímetros de distância, seus corpos colados se encaixavam como duas peças de quebra cabeça.

“Cameron.” Ele sussurrou fazendo com que um arrepio percorresse seu corpo. Os profundos olhos azuis, onde ela sempre encontrara sabedoria e sarcasmo, agora refletiam seus próprios olhos verdes, bem como o turbilhão emocional que eles carregavam.

Lentamente ela levantou uma mão e percorreu os lábios com o dedo antes de cumpri-los com os seus. Ele estava estático no início, mas, sem que percebesse, começou a responder o beijo timidamente.

É agora ou nunca. Ela pensou enquanto procurava a seringa no bolso de seu jaleco com a mão livre. Assim que seus dedos agarraram o objeto ela sentiu uma mão envolver seu punho e levantá-lo. O beijo havia chegado ao fim e ela se viu olhando ansiosamente para o par de olhos que agora percorria seu rosto e sua mão.

“É um pouco indecoroso beijar e depois espetar.”

“Você retribuiu o beijo.”

“Não queria que você morresse sem saber como é, aliás, nenhuma mulher deveria morrer sem saber.”

“Por favor, House, por favor.” Ela implorou. “Deixe-nos fazer alguns testes, só precisamos de um pouco de seu sangue e..”

“Os lábios de Chase e Foreman não chegarão tão perto agora que sei do plano.”

“House.” Ela mordeu o lábio.

“Sou o paciente número 020406.” Ele gritou, mas continuou com um tom mais controlado. “Uso o nome Luke N. Laura. Tem sangue, tomografias, ressonâncias, tudo que possam precisar.” Ela se virou para sair, mas foi interrompida. “Se precisar de esperma, volte sem a seringa!” Ela revirou os olhos e foi correndo contar a seus colegas sua descoberta.


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House suspirou e sentou-se no sofá encarando seu copo de whisky. Por mais que tentasse, ele não conseguia afastar a sensação dos lábios de Allison nos seus, quando ele fechava os olhos, era como se ela ainda estivesse lá, ele podia sentir seu perfume.

Uma batida na porta o afastou de seus devaneios. Era ela.

“Cameron, o que..?” Ela o interrompeu com um beijo que o deixou sem fôlego.

“Sobre aquela amostra..” Suas palavras o atingiram e, em menos de um segundo, ele a puxou em seus braços em direção ao quarto.


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Cameron acordou em um quarto desconhecido, ela teria se assustado se não fosse o braço que descansava protetoramente em sua cintura, puxando-a para perto. Ela reconheceria aquela sensação em qualquer lugar, de estar nos braços de Gregory House.

“Bom dia.” Ela murmurou timidamente, com medo da rejeição, mas foi surpreendida quando ele levantou seu queixo e a beijou delicadamente.

“Bom dia.” Ela sorriu para ele. “Allison, eu estava errado sobre você, sobre... nós.” Ela esperou pacientemente que ele organizasse seus pensamentos. “Quando disse aquelas coisas, eu queria afastá-la, seus sentimentos me... eles me assustaram.” Admitiu.

“House..”

“Greg.” Ele interrompeu. “Você pode me chamar de Greg.” Ela sorriu intensamente, mas batidas incessantes na porta a impediram de dizer qualquer coisa. Ele se levantou, vestiu um short e foi resmungando e mancando até a porta.

Ela resolveu segui-lo em uma de suas camisas. Ele estava apoiado em seu piano e ela não notou os dois colegas parados na porta ao entrar na sala e ir segurar sua mão.

“Greg, está tudo bem?”

“Cameron?!” Foreman e Chase exclamaram. Ela olhou para eles assustada e envergonhada ao relembrar de seu estado seminu, mas House roubou sua atenção novamente.

“Allison, eu sinto muito.”

“Por quê?!” Foreman entrou no apartamento. “House, não sei se você me entendeu, mas você não tem câncer!”

“Não?!” Ela gritou. “Greg, isso é maravilhoso!”

“Há uma presença anormal de IgG e IgM.” Foreman explicou para a colega, vendo que o assunto em questão não parecia nem um pouco interessado em ouvir e só a olhava com pesar.

“É uma lesão gomosa, é raro não ser no fígado...”

“Espero que os dois tenham usado camisinha.” Chase murmurou ciumento.

“Mas o VDRL foi negativo.” Ela disse.

“Fizemos o FTA-ABS.” Foreman explicou. “O VDRL foi um falso negativo.”

“Isso significa.. significa que você só irá precisar de antibióticos intravenosos!” Ela o abraçou, mas o soltou quando ele não retribuiu.

“Vocês mandaram esses resultados para Boston?” Ele finalmente disse.

“É claro.” Chase afirmou. “Você sabia que não era câncer?” Perguntou ao ver a cara de infelicidade do chefe.

“Eu tinha certeza que era.” Murmurou.

“Então por que não está comemorando?” Chase perguntou o que os três queriam saber.

“Porque não eram meus testes, droga!”

“Você fingiu que estava com câncer?!” Cameron cobriu a boca com a mão.

“O verdadeiro paciente está internado.” Confessou. “Podem ir dizer à mulher que ele não vai morrer, mas a está traindo.”

“Você queria que achássemos..?” Foreman foi interrompido por House.

“Não!” Ele aumentou sua voz. “Eu queria que os médicos em Boston achassem que eu tinha câncer! Eu queria que os caras que iam colocar injetar uma droga diretamente no centro de prazer do meu cérebro achassem!”

“Você fingiu ter câncer para... ficar drogado?” Ela suspirou, eles não tinham percebido que ela estava chorando até aquele momento. Ao ver a colega e amiga daquela maneira, chorando e com o coração completamente indefeso, Chase e Foreman ficaram ainda mais irritados com House.

“Allison..” Foreman tentou se aproximar.

“Por favor... vão.” Ela pediu.

“Tem certeza?” Ela afirmou e Foreman deu um beijo em sua testa antes de sair. “Ligue-me se precisar.”

“O quão grave é a sua depressão, House?” Ela perguntou assim que ficaram sozinhos. “O quão.. o quão infeliz você é?”

“Eu não estou deprimido.”

“Você fingiu câncer!” Ela gritou. “Câncer, House!”

“É um procedimento médico, fiquei curioso.” Ele se arrependeu de suas palavras assim que elas deixaram sua boca, ela começou a chorar ainda mais.

“E você não consegue nem me levar a sério. Você as afasta todas as pessoas que se importam, as empurra para longe. Você disse que mentiu naquela noite, mas mesmo agora não confia em mim o bastante para te ajudar.” Ela pegou seu casaco e as chaves do carro, caídos no chão. “Eu vou embora.”

“Por favor, fique.” Ele disse tão baixo que ela não sabia se tinha ouvido direito.

“Por quê?” Ela suspirou.

“Porque eu estou pedindo, eu.. preciso de você.”

“Greg..” Ela colocou a mão em sua bochecha. “Eu te amo, você sabe disso, e também sabe que eu nunca poderia dizer não a você, então, por favor, peça pela coisa certa.”

Ele se inclinou em direção ao toque. “Ajude-me.” Sussurrou. “Ajude-me com a dor.” Ele pegou sua outra mão e a colocou no seu peito, bem em cima do coração. “Ajude-me com o vazio.”


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Durante dois anos, Allison e Greg moraram juntos, mas não de maneira romântica, apesar de dormirem na mesma cama. Ela controlava o suprimento de Vicodin e as doses às quais ele tinha acesso, e ficava ao seu lado quando ele sofria com as crises de abstinência. Mas, no final, ele estava livre do vício e a perna já quase não o incomodava.

Um dia ela chegou à casa do plantão e encontrou uma mesa de jantar posta, com direito à sua refeição favorita e velas.

“Allison?” Greg caminhou até ela lentamente e segurou suas mãos. “Tenho uma coisa muito importante para te falar, tudo bem?”

Ela ficou chocada quando ele se ajoelhou à sua frente.

“Allison Cameron, eu te amo mais que minha própria via, quer.. quer se casar comigo?”

“Sim.” Lágrimas saltavam de ambos os olhos enquanto ele colocava a aliança em seu dedo.

“Eu também te amo.” Ele sussurrou e eles compartilharam um beijo apaixonado.


The End.



Notas finais
Não deixem de comentar, cada vez que fazem isso, um autor morre '-'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!