#Storybook(Presente)#

Pov narradora

22:46

Devido ao céu escuro e o frio repentino que atingiu a pequena cidade, todos os cidadãos se mantinham seguros em suas residências.

Enquanto David trancava as janelas e fechava as cortinas, Branca usava de todo seu esforço e criatividade para acalmar um Neal que insistia em um pranto honroso.

— Acha que pode ser cólica? – David questiona tomando a criança em seus braços

— Talvez leva-lo ao hospital seja a melhor opção. – deu como resposta

— Acha mesmo necessário?

— Sim, ele está chorando a mais ou menos uma hora e não parece que vai parar tão cedo.

— Então vamos, — pôs a criança no bebê-conforto – Enquanto você troca de roupa eu ligo o carro. – disse já na porta

[...]

Apos 20 minutos Branca e David chegam juntos e vão até a recepção que logo os encaminha para o Dr. Whale.

— OK, vamos ver o que vossa alteza tem. — brinca pegando Neal no colo colocando-o na maca — Olha, eu não vejo nada de errado com ele, talvez seja só mal estar... – decreta pensativo — Eu não sei oque mais poderia ser.

— Não tem nada que possamos dar a ele? — David pergunta apreensivo

— Receitar remédios para um bebe saudável é loucura David. – respondeu

— Mais ele não para de chorar. — diz Branca se desesperando

— Calma, olha vai pra casa e tenta faze-lo dormir, talvez melhore.

— “Talvez”?! — repete David

— Eu não sou pai, não sei acalmar crianças, sei cura-las e o seu filho não precisa de cura, então com licença.

Whale sai da sala, deixando dois pais angustiados

[...]

Na volta pra casa Neal se acalmou um pouco, mais ainda continuava inquieto

— E se chamarmos a Emma? — David propõem

— Emma?

— Sim, ela pode ajudar, talvez com magia... — ele explica

— Pode ser uma boa ideia.

— Sim, eu vou ligar pra ela assim que chegarmos em casa.

[...]

Com a criança no berço e brinquedos na mão David tenta, mesmo que apenas por alguns minutos, tomar a atenção da criança que a pouco voltara a chorar

—Ela já está vindo. – branca avisou descendo as escadas com pressa

—Ótimo. — diz David tirando a criança do berço já que a mesma só tinha ficado mais irritada ali.

[...]

Emma entrou no apartamento seguida por Hook e Harry.

—Oque ouve? — pergunta ela vendo sua mãe assustada e seu irmão aos berros

— Eu não sei, ele só não para de chorar, já tentamos de tudo. – explicou – Pensamos em magia...

— Eu não sei, não sei que tipo de magia posso usar em uma criança – cortou a mãe

— Talvez minha mãe ajude. – Herry manifestou-se

— O garoto tá certo, Regina é a única aqui que já passou por isso. — afirma Emma

— Eu vou chamar ela. — diz David correndo para cima

— Faz quanto tempo que ele está assim? – questiona tomando o irmão dos braços da mãe

— Faz umas duas horas, estou ficando preocupada. — declara com os olhos cheios

—Calma não deve ser nada. — diz Harry enchendo um copo de agua para a avó — tome.

—Obrigada querido. — ela agradece antes de sorver um pouco do liquido, liquido este que quase foi posto pra fora no momento em que uma morena de olhos cansados e expressão nada contente surgiu ao seu lado sem nenhum aviso.

— Acordar alguém em plena madrugada de sábado devia ser crime. – Regina reclama tirando a criança de Emma — Oque ah de errado com nosso príncipe, hum? — ela murmura para si mesma enquanto caminha com o bebe até uma das janelas onde abriu as cortinas dando visão para a tempestade que agora atuava com maestria pelas ruas de StoryBrooke. Neal que até então mantinha-se em prantos, agora, apenas balbuciava sílabas desconexas.

— Algo tão simples, uma tarefa fácil para duas pessoas. – zombou do casal que a olhavam pasmos para a cena: Neal com a cabeça nos ombros da rainha enquanto gozava de um sono profundo.

— Como fez isso? – Branca quis saber

— Ele estava cansado, as vezes as crianças são confusas, mesmo que estivesse com sono não se deu por vencido, talvez tenha ficado irritado com uma posição errada ou simplesmente não encontrou a certa. – respondeu reclinado a criança nos braços — Olha, eu estou cansada, preciso da minha cama.

—Claro, pode por ele aqui. — diz Branca apontando para o berço

—Não feche as janelas, ele parece gostar de tempestades. – aconselhou cobrindo Neal com a manta

— Obrigada. – o casal agradece em uníssono

— Tudo bem. — ela se vira para Henry — O mocinho já não devia estar na cama?

— Eu já estava, mais o vô chamou e a Emma não quis me deixar lá sozinho. – explicou

A morena dançou os olhos pela loira e sorriu contida. Voltou sua atenção para o filho

— Vem aqui. – chama-o — Boa noite. – deseja puxando-o para seus braços

— Boa noite mãe. — diz ele retribuindo o abraço

E do mesmo jeito que chegou a morena se foi.

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Momentos antes

Pov Alice

Abri os olhos com certa dificuldade, devido a forte chuva que caia sobre mim. A visão manteve-se turva o vento batia em meu rosto fazendo do meu cabelo impecável uma bagunça. O vestido em meu corpo, agora, pesava duas vezes mais. Ri de mim mesma ao notar onde estava. Com tantos lugares para um portal do tempo abrir, eu tinha que aparatar logo em um cemitério? Se eu fosse mais crente poderia dizer que isso era um sinal, não! uma mensagem do destino, dizendo que de nada adiantará meus esforços. Mas como sou filha de duas mulheres que literalmente riram na cara do “Sr. Destino.”, vou encarar isso como uma coincidência ridícula. Andar na chuva, segundo os livros é algo como soltar as amarras, rodopiar abaixo dos pingo sem se importar com maquiagens ou cabelo, gritar algo sobre liberdade e então depois... Depois eu não sei, todos os livros que li cortavam o “depois”, agora eu entendo o porque, a agua deixa a terra molhada e a terra molhada é escorregadia e se você não é bom com equilíbrio você está muito fudido. Depois tem o frio, frio este que estou sentindo agora, e que vai perdurar por um tempo, pelo menos até eu achar uma cabana ou algo do tipo. Usaria magia se não fosse por Rumpel e sua sensibilidade para magia alheia. O caminho para fora do cemitério foi longo e desgastante, acompanhado de dois tombos ridículos, oque fez meu vestido molhado se tornar um vestido molhado com lama e uma princesa muito puta. Agora andando sobre oque eles chamam de “asfalto” estou repassando o plano em minha mente e dando conta de que não existe um plano. Pensando bem eu nem sei por onde começar, quer dizer, tudo aconteceu tão rápido que eu nem me dei conta do quanto despreparada eu estava.

— O pior é que não da pra voltar antes do prazo e se o prazo expirar e eu não concluir meu trabalho não da pra voltar e eu ficarei presa neste tempo e nunca mais verei minha família e as pessoas que eu amo, eu sou tão irresponsável! E burra, isso! Eu sou muito burra! Como vou salvar minha família se nem uma simples tarefa como mudar o passado eu consigo? Mas também não é como se eu pudesse simplesmente voltar sem resolver as coisas, oque minha mãe diria? Eu seria uma vergonha para ela, uma salvadora, aquela que trás os finais felizes, quebra maldições... Oque ela vai pensar de mim além de como eu fracassei? Deus! E o meu castigo por quebrar as regras? Não quero nem pensar no que vão tirar de mim...

— Para quem é neta de quem é, você não tem muita esperança né? – zombou aquele que a muito não vinha até mim

— Que porra! – gritei com o ser mascarado a minha frente – Oque faz aqui? Como está aqui? Este não é o seu tempo!

— Este não é o meu tempo, mas você está aqui, eu faço parte de você, sendo assim eu posso estar aqui. – explicou meio rápido, meio gritado e meio histérico, nada que fosse diferente das outras vezes em que nos encontramos.

— Está ai a quanto tempo? — perguntei

— Peguei a ultima parte do discurso, algo sobre sua mãe ter você como um fracasso e os castigos que você vai receber por viajar no tempo. – respondeu rindo – Antes que você pergunte eu estava cuidando do nosso futuro. – levou as mãos escamosas para meu rosto

— Machucou alguém? – desvencilhei-me de seu toque

— Eu? Não poderia. – declarou mostrando os dentes de ouro – Oque eu fiz foi traçar uma estratégia para que vossa alteza conclua seus objetivos. – soltou mais um de seus risos sem motivos aparentes – Pra sua sorte, voltamos para um pouco antes da fada negra. – contou me deixando confusa

— Porquê? Eu fiz tudo certo, a porção me levaria para dias antes da batalha final. – disse puxando o pergaminho de dentro da bota – Aqui diz que a batalha final só acontece duas luas após a chegada da sua mãe. – conclui enquanto relia alguns trechos do texto

— Ela não é minha mãe, é mãe dele, eu não sou ele, pelo menos não exatamente.

— Não, você consegue ser pior. — declarei guardando o pergaminho que por ser sagrado não foi destruído pela água

— Eu sou mais você do que um dia fui ele, talvez eu não seja tão ruim assim. – defendeu e pela primeira vez na noite exibiu o semblante sério

— Você disse algo sobre estratégia? – mudar o ponto parece ser a melhor opção, esse tópico ainda me causa arrepios

— Gold não está na cidade, mas já previu sua chegada. – “Droga!” – Ele está a sua espera, oque vai fazer?

— A ideia era não me envolver com ninguém, isso pode causar um desiquilíbrio da linha do tempo e não é o queremos, certo?

— Ele pode ajudar, se você deixar...

— Ele é traiçoeiro, sem ofensa. – cortei

— Ele não machucaria você, nem se quisesse.

— Vou pensar no que fazer, até lá eu preciso de um lugar para ficar.

— Eu não tenho mais tempo. – lamentou

— Tá brincando comigo? Eu não sei pra onde ir!

— Siga o som daquele que pelo destino foi ligado a você. – aconselhou, se é que isso foi um conselho

— Olha pra mim! Eu não tenho tempo pro seus jogos. – gritei para o senhor das trevas que começara a se desfazer na noite

— Eu volto amanhã. – afirmou antes de sumir completamente

Quase que tão logo o som de um choro infantil foi ouvido, junto de uma linha dourada que seguia pelo asfalto até oque parecia o começo da pequena cidade. Seguindo por ela o mais rápido que meus pés aguentavam, após meia hora eu cheguei no que parecia uma cabana mas que levava o nome de Granny’s. Revirei os olhos para as dezenas de snowbell”s que decoravam o jardim. Adentrando o hall a primeira coisa que vi foi o balcão antigo, atrás dele de costas para a entrada, uma senhora se dedicava em pendurar todas as chaves no gancho da parede.

— Boa noite. – desejei assustando a senhora – Desculpe. – pedi observando a mulher a minha frente passar os olhos por mim

— Em que posso ajudar? – quis saber

— Um quarto, por favor.

— Com vista pra floresta ou pro relógio?

— Relógio.

— Aqui está. – entregou-me a chave – tenha uma boa estadia – desejou apontando para as escadas

— Obrigada.

Subi as escadas o mais rápido que pude, segundo a chave meu quarto era o de número 18 – 29,28,26,25,22,20... – sussurrei até chegar no fim do corredor e parar na frente da porta. Girei a chave e com um pouco de dificuldade —que pra min nada vem fácil— consegui abrir a porta, bati o dedo no interruptor e achei fascinante essa coisa de tecnologia, —os livros de Harry me ajudaram muito—. O quarto em si não era nem de longe um quarto de princesa mas por hora tinha tudo oque eu precisava; uma cama grande e uma banheira com agua quente. A primeira coisa de que me livrei foi minhas botas, depois o vestido, vestindo um roupão que havia para os hóspedes, eu enchi a banheira. Não demorou muito e eu já estava tomando meu merecido banho. A cama não era macia mas serviu para esquentar meu corpo nu, e isso bastava.

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— As roupas deste mundo lhe caíram bem. – elogia do espelho

— Estava me espionando? – perguntei tamanha era minha indignação

— Não lhe vi nua. — ele assegura

Procurei algum rastro de mentira em suas palavras ou em sua face mais oque encontrei não passou de sincero

— Oque você quer? – pergunto indo até minha —provisória— cama e pegando minha jaqueta preta

— Vejo que usou de sua magia. – apontou vendo as roupas e acessórios que pousavam acima de minha cama, junto deles um maço de dinheiro para quitar minha estadia aqui.

— Eu precisei, não dava pra usar as roupas de ontem, estão precárias. – ajeitei meus cabelos em um rabo de cavalo – E preciso comer. – justifiquei o dinheiro

— Tanto faz, o choro ajudou? — quis saber reaparecendo na minha cama

— Beliscou um bebe? – ri da cena

— Não precisei, Neal é inteligente. – respondeu cessando meu riso

— Neal? – repito

— Quem além do filho dos encantados tem uma ligação com você?

— Não pensei nele, quer dizer ele é só um bebe, certo?

— Sim, mais ainda é o Neal. – apoiou a cabeça nas mão para me encarar – Ele não deixaria você em apuros.

— Ele nunca deixa. – lembrei sorrindo

— É incrível, não?

Soltei o ar ao lembrar das ultimas coisas que foram ditas entre nós

— Oque pode fazer por mim? — perguntei

— Eu sou o senhor das trevas. – lembrou

— E eu a herdeira delas... — sorri com deboche

Ele salta da cama rindo

— Do que adianta tanto poder, se não sabe como usar? – perguntou quando chegou perto o suficiente para sentir seu hálito em meu rosto

— Lembre-se de quem eu sou crocodilo. – o empurrei para longe

— Ah eu não me esqueceria, todo aquele sangue ainda está em você alteza.

— Aquilo foi um acidente.

— Não é bem um acidente quando a uma parcela de intenção. – contradisse – E mesmo que esconda, eu sei que você queria, não queria querer, mas queria. – concluiu voltando para o espelho – O meu “eu” daqui está a sua espera, não o deixe esperando.

— Já disse que não vou me envolver com ele.

— Não tem escolha, ele é o único que pode acabar com seus problemas, – sorriu – por um pequeno preço é claro.

— Sem tratos Rumpel! – disse já cansada

— Acha mesmo que vai viajar no tempo sem sofrer as consequências? – perguntou rindo – Antes isso do que a ira e desgosto de sua mãe. — isso foi como um soco no estomago — Eu não posso lhe ensinar mas ele pode, deixe que te treine para a batalha final. – pediu mais sério

— Vou descer e comer alguma coisa, talvez depois de matar oque está me matando eu vá até ele. – disse para seu deleite

— Faça isso. – concordou antes de sumir do espelho.

[...]

Pov narradora

Lanchonete 07:30

— Deixa eu ver se eu entendi, — pediu indignada com a desculpa da senhora para a falta de sua fruta preferida no cardápio – Branca de Neve cai num sono profundo, e as pobres maçãs pagam o pato?

— Eu disse que não temos no cardápio por falta de pedidos...

— Esqueça isso, traga-me um chocolate quente com chantilly e um pouco de canela, não muito, um pouco. – enfatizou impaciente

— Chocolate quente com chantilly e um pouco de canela. – repetiu em estranheza

— Oque? – notou o espanto no rosto da senhora – Vai dizer que não tem canela ou...

— Não, é que são poucos a se arriscarem nessa mistura. – explicou-se

— Eu imagino, — sorriu para a mulher que ainda se mantinha parada — agora por favor, o meu pedido. – reforçou na tentativa de acordar a mais velha

Ao ficar só, a morena volta a ler seu tão amado livro de feitiços.

Com o intuito de achar uma mesa pra si e para suas mães, Henry rola o olhos por todo salão até que, no fundo ao lado da janela com um livro de couro nas mãos, uma garota que nunca vira tomou sua atenção. Com a ideia de restaurar as historias das centenas de pessoas do mundo das histórias não contadas, o jovem caminha sorrateiramente até a mesa da desconhecida ocupando o lugar a sua frente.

— Não me lembro de ter deixado você se sentar. – declarou ainda sem olha-lo

— Prazer, eu me chamo Henry e sou o escritor. – apresentou-se com orgulho – Você deve ter vindo do mundo das historias não contadas...

— Oque você quer Henry? – interrompeu

— Meu dever é contar sua historia, colocar você no livro e...

— Não vamos fazer isso, até porquê eu não preciso estar ai. – apontou para a mochila do irmão – Agora se me der licença, eu quero ficar só. – foi contra o desejo se mantê-lo perto

— Não, você não entendeu, — retirou o livro da mochila – Isso é importante, ter sua história contada...

— Você está sendo inconveniente. – decretou subindo o tom sutilmente – Se eu quisesse que minha historia fosse contada eu já teria lhe procurado...

— Porque não? – perguntou curioso

— Eu não lhe devo satisfação, e mesmo se eu quisesse você não poderia me por ai. – voltou os olhos para o livro que, agora, descansava sobre a mesa

Ele riu — Isso é impossível, todos podem estar no livro.

— Quer tentar? – desafiou. Mesmo estando ciente de que aquela não era a atitude mais correta a ser tomada, a princesa deixou-se levar pelo incômodo de ser contrariada.

Com um sorriso regado de certeza, Henry deslizou as folhas até aquela que estava vazia, buscou no bolso interno da jaqueta a caneta tão conhecida por Alice – Então, — encarou os olhos debochados da morena – me conte um pouco de sua historia.

— Oque quer saber? – perguntou. Mesmo sendo impulsiva Alice, de fato, nunca fora idiota, mesmo achando graça de sua atual conjuntura a princesa jamais daria informações validas para o irmão.

— De todos as terras, a qual você pertence?

— Floresta encantada. – respondeu voltando seus olhos para o texto que explicava passo-a-passo de como quebrar um feitiço duplicata

— Como foi parar na terra das histórias não contadas?

— Eu não saí daquele fim de mundo. – disse ofendida – Eu vim com a maldição, assim como a maioria. – completou ao notar oque parecia desconfiança nos olhos de Henry

— Mas você é jovem, quantos anos tinha? – quis saber. Em sua face era visível a confusão.

— Isso não é da sua conta, onde estão seus modos? — questionou fechando o livro com força

— Desculpe, eu realmente não quis ofender. – pediu, agora, menos desconfiado – Qual é o seu nome?

— Alice.

— Alice... – repetiu – Tem um sobrenome?

— Não que eu vá dizer. – respondeu

Balançando a cabeça em sinal de paciência o escritor começou – “Alice da floresta encantada... – dizia enquanto escrevia em sua mais perfeita caligrafia – Mas oque...? – questionou ao se dar conta de uma luz sútil que emanava das letras fazendo com que as mesmas sumissem deixando o papel branco novamente

— Eu tentei avisar. – lembrou entre uma risada – Não pode me por ai. – terminou se ajeitando na cadeira

— Isso nunca aconteceu, — disse ainda abalado pelo ocorrido – Por que não funcionou?

— Eu não sei. – mentiu

Henry estudou a face da misteriosa garota e usando de seus dons herdados de sua mãe ele viu a mentira – Não minta pra mim, não tem motivos para isso.

— Eu não sei do que está falando. – mentiu de novo

— Eu não sou idiota! – se alterou – Você sabe oque aconteceu e não quer contar...

— Contar oque? – a voz fez com que ambos ali pulassem em seus lugares – Responda Henry, contar oque?

Paralisada. Alice parou de pensar por alguns instantes, ver sua mãe ali foi um misto de alegria e saudade junto de arrependimento e culpa.

— Oque aconteceu foi que... – começou

— Desculpa a demora, mas estávamos sem a canela. – uma vovó agitada chegou na mesa – Uma de minhas garçonetes foram buscar e acabaram por demorar um pouco. – explicou deixando a xícara fumegante a frente da jovem – Chocolate quente com chantilly e canela, pouca, não muita. – repetiu o pedido causando estranhamento nos outros dois que se mantinham calados

— Chocolate quente e canela? – Regina questionou com cenho franzido

— Vai entender né? – granny soltou antes de sair batendo as mãos no avental

— Porque essa reação? – a princesa que já estava incomodada com a situação perguntou

— É que... – novamente o moreno foi interrompido, só que desta vez por uma loira de olhos azuis que praticamente entrou correndo na lanchonete

— Desculpe o atraso, Leroy bebeu e ficou preso em um esgoto. – explicou para Regina que por sua vez apenas girou os olhos para a atitude da loira – Oque eu perdi? – perguntou, agora, notando a presença de Alice. Passando os olhos pela princesa de traços fortes e depois para o filho que se encontrava com o tão famoso livro e em sua mão a caneta do escritor que era encarada de perto pelo filho

— Alice essa é a Emma e essa é Regina, elas são minhas mães. – apresentou – Mães essa é a Alice, ela veio da floresta encantada. – terminou

— Que cheiro bom. – a loira comentou

— A mocinha aqui, — Regina indicou com a cabeça – também curte chocolate e canela. – contou enrugando o nariz

— Jura? – encarou a estranha que se manteve calada. Na cabeça de Alice as imagens da ultima briga entre as duas rodavam em sua mente. Dias antes de partir, por um motivo bobo que nem deveria ter evoluído tanto. Coisas foram ditas e ambas se machucaram, depois do fatídico dia Emma partiu para o leste na intenção de visitar a mãe e o mais novo irmão, antes de partir Alice tentou falar com Emma mas a mesma arranjou alguma desculpa para evita-la – Oi? – Emma tentou acordar Alice de seu “transe”

— Oi.

— Você está bem? – questionou afagando o ombro esquerdo da desconhecida

— Sim, — respondeu baixo – Eu só lembrei que tenho que resolver algumas coisas agora.

— Mas você nem encostou no chocolate. – Henry observou

— Perdi a vontade. – contradisse – Mas fique a vontade, sei o quanto gosta. – ofereceu empurrando a xícara para o rapaz – Com licença. – pediu deixando algumas notas na mesa e saindo em disparada do estabelecimento.

Pov Alice

Pelas Deusas! Como eu pude ser tão influenciada? Mas isso é para que eu aprenda a não ir na onda dos outros. Encontrar minhas mães não estava nos planos, eu imaginei ter contato com Henry mas não agora e não desse jeito. Maldita seja! Essa minha intolerância ao limite, ainda vai me matar. Eu vi o problema assim que senti a presença de Henry, eu sabia que ele viria até mim, mas não pude ver no que isso resultaria. Agora as coisas mudaram, Emma e Regina me conhecem e Henry não vai cansar até descobrir oque aconteceu com seu preciso livro, não quero nem pensar na possibilidade daquele mané contar o ocorrido para nossas mães, isso me causaria tanto estresse. Neste momento falar com meu padrinho não parece ser algo tão ruim —ele pode não ser o homem que eu conheço, mas ainda sim é o senhor das trevas—, com este pensamento eu me dirijo até sua loja. Pensa num lugar empoeirado, essa espelunca não vê um espanador a meses. Bufando com a minha “amada” alergia que se mostrou presente devido aos quatro espirros seguidos que eu acabara de dar.

— Perdoe-me pelo pó. – pediu a tão conhecida voz

— Já ouviu falar em empregada? – brinquei antes de me virar para encarar o rosto sombrio – São muito úteis.

— Alice. – saudou baixo – Eu esperava por você. – afirmou dando a volta no balcão para se aproximar

— Sabe quem eu sou? – questionei ao perceber familiaridade em seus olhos – Como?

— Achou mesmo que eu iria deixar você partir sem ajudar? – Sorriu puxando-me para seus braços

— Eu não entendo. – expus – Isso não é possível, eu viajei no tempo sozinha...

— Eu não vim com você. – segurou em minhas mãos nos levando para seu escritório, este que ficava no fim da loja – Eu viajei por mim mesmo, criança. – contou

— Viajou por si mesmo? – repeti ainda mais confusa

Me acomodei na confortável poltrona que ali havia

— Isto está muito além de seus conhecimentos, — decretou ocupando a segunda poltrona que ficava a minha frente — mas não se preocupe, com todo esse poder não vai demorar até conseguir executar qualquer feitiço com êxito. – meio que me elogiou e meio que mais uma vez mostrou saber mais de mim do que eu mesma.

— Porque veio?

— Porque você só está aqui para provar para suas mães que pode ser tão heroína quanto elas. – respondeu de imediato

Oque eu respondi? Nada. Ele estava certo, sempre está. No fundo era por este motivo, eu queria salvar minha família mas mais do que isso eu queria me provar.

— Eu vi isso antes de você partir, quando visitou meu reino em busca da varinha, e mentiu pra mim quando questionei o motivo pela sua inesperada presença, ali, olhando em seus olhos eu vi oque estava fazendo. – concluiu com pesar

— Eu não pensei muito. – admiti, aquilo era difícil – Ela sempre espera muito de mim e Regina, mesmo que tente esconder, também espera.

— As coisas ficaram ruins, mas nós vamos dar um jeito. – disse com um sorrio confortante – E então, quando voltarmos resolveremos essas pendências.

Notas finais
Comentários são importantes. (^.^)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.