A New Easter's Tradition
1 Capítulo Único - Especial de Páscoa
Notas iniciais
Sei que a Páscoa já passou há 3 dias, porém uma uma vez que ainda temos chocolate em casa (eu pelo menos ainda tenho hajshdja), vamos voltar ao espírito de Páscoa só por um momento e apareciar esse momento que escrevi com muito carinho.
Aliás, essa ideia surgiu no 45 minutos depois do segundo tempo, motivo pelo qual não consegui postar ela em dia.
Enfim, desculpem o atraso na data comemorativa e boa leitura!
Espero que gostem, comentem o que acharam! ❥
Datas comemorativas e feriados no FBI nem sempre eram sinônimo de dia livre. Há dias em que o único momento que temos livre era o almoço, e hoje foi um desses dias em que sequer tivemos tempo de comemorar a páscoa adequadamente. Aliás para não dizer que não comemoramos, no breve tempo que tivemos para almoçar, paramos em uma doceria, compramos chocolates e organizamos rapidamente um amigo oculto-chocolate sorteado no meio da rua mesmo, no caminho de volta para o FBI.
E essa foi a nossa páscoa.
“Vem jantar aqui?”
“Isso é um convite ou uma pergunta? Pq não tenho para onde ir :(” — eu respondo.
“O que você acha?” — rebate ela.
“Daqui a pouco estou ai :*” — eu confirmo. “Vem logo ♥”
É o tempo de bloquear a tela e meu celular vibra sinalizando uma nova mensagem.
“Ah, você pode trazer um vinho para o jantar?
Por favor.
Aquele que fica na penúltima prateleira,
Em frente à comida de roedor.
Olhe mais a fundo e você irá encontrar.”
Encaro a tela do celular por alguns instantes, rindo pela súbita mudança na estrutura e escolha de palavras, mas respondo em seguida, “Ok, a caminho”.
Termino de pegar minhas coisas na locker room e sigo para o mercado que havia a caminho da casa dela.
Virando a rua, entro no estabelecimento de esquina e sigo para o corredor dos vinhos, logo encontrando o nosso vinho preferido. Na penúltima prateleira da sessão. Em frente à bancada dos queijos. Não consigo não rir ao lembrar da mensagem que ela havia me mandado. Me abaixo para pegar uma garrafa do vinho e me surpreendo por haver apenas uma garrafa ali. Porém, na prateleira ao lado — no lugar errado — o restante das garrafas está no meio dos espumantes.
Estranho.
Olho mais atentamente no lugar onde estava o vinho e um pouco mais ao fundo, um objeto colorido chama minha atenção. Um pequeno ovo colorido com padrões tribais e um post-it amarelo com algo escrito em sua caligrafia.
“Sabia que você iria encontrar.
"E ah, já que está aqui, pode comprar também alguns morangos?
Se não tiver caro, é claro.”
Ovos decorados e pistas. Ou Patterson esta estava fazendo uma espécie de guia para compras ou eu acabara de cair em uma caçada.
— Será que você pode me explicar o que é isso? — pergunto assim que Patterson atende o celular.
— Isso o que? — questiona ela.
— Você sabe do que eu estou falando. — respondo tentando segurar o riso para manter uma voz séria, enquanto seguro o pequeno ovo entre os dedos.
— É exatamente o que parece. — responde ela acompanhando a minha seriedade. Pelo seu tom de voz, quase posso vê-la arqueando as sobrancelhas ao falar.
— Eu não vou fazer isso. — digo olhando em volta e em seguida voltando para minha mão e segurando o riso. — Acho que já passei um pouquinho da idade.
— Nunca se é velho para uma caça aos ovos. — replica ela prontamente em defesa de sua ação. — Além do mais, duvido que você já tenha feito isso alguma vez na vida.
— Nunca. — confesso.
— Então...
— Patterson…
— Boa sorte, Roman.
E ela desliga o telefone me deixando no meio o mercado, com uma garrafa de vinho em uma mão, celular e um ovo decorado na outra, e uma caçada para realizar.
Eu não fazia ideia de quantas pistas mais eu teria de encontrar e seguir para encontrar os ovos, mas admito que estava curioso e a adrenalina do desafio estava me empolgando.
Sigo para a sessão das frutas e verifico as bandejas de morangos fresco à procura de mais pistas. Nada. Até que me lembro da dica, “Se não tiver caro, é claro,” e começo a verificar o preço de algumas bandejas até que encontro uma que ao invés das informações habituais e preço, trazia mais uma pista e mais um ovo decorado.
“Um fondue precisa de chocolate também,
e páscoa sem chocolate
não faz a alegria de ninguém.
Em meio aos tabletes brancos há felicidade também.”
Era impossível não rir com os poeminhas e imaginar Patterson elaborando e escrevendo cada um deles. Não acredito que ela havia conseguido fazer tudo isso mesmo com o dia cheio hoje no FBI.
Vou até os chocolates e pego algumas barras ao leite e sem conseguir negar que entrei totalmente no espírito da caça aos ovos, procuro nos tabletes brancos alguma pista e encontro colado em um tablete meio a meio, mais um post-it amarelo e uma dica.
“Sei que nunca fez isso antes mas não vou facilitar as coisas para você.
Situações extremas exigem saídas extremas.”
A saída de Emergência.
Pago pelos objetos que comprei e vou em direção à saída de emergência.
Estava fechada.
Olho em volta para me certificar de que não há ninguém por perto e percebo que àquele canto é um dos únicos onde não há câmeras e a mais próxima estava virada totalmente para a esquerda. Um sorriso surge em meus lábios ao imaginar Patterson estudando o estabelecimento para que seu plano desse certo.
Tento abrir a porta novamente porém ela parece trancada, então retiro do bolso um clipe de papel, e olhando para os lados novamente para me certificar de que estava sozinho, insiro o clipe na trava emergencial da porta e mexo até ouvir um clique e sentir a porta abrir.
A saída de emergência me levou para a rua paralela à casa dela, de modo que para chegar lá eu teria que dar a volta no quarteirão. Ela não estava afim mesmo de facilitar.
Olho em volta à procura de mais pistas e encontro no poste de luz, um já conhecido post-it amarelo e um ovo decorado. indicando com uma seta o caminho de volta.
“Te levei para a contramão não foi?
Mas não se preocupe,
Foi na contramão que nos encontramos
e isso foi e sempre será a melhor coisa da vida.”
Sorrio relendo a mensagem sentindo meu coração se aquece e pular uma batida ao mesmo tempo. Como eu havia tido sorte em encontrá-la na contramão do destino, mas que acabou por ser a mão certa e exata para nós.
Guardo o post it no bolso da calça já sabendo para onde encontrar a próxima pista.
Uma das únicas coisas que fazia Patterson soltar uma frase dessas é o Latte Macchiato Cappuccino, que um toque de caramelo e era mais cremoso. Nosso café preferido aos domingos e finais de tarde. Na verdade, uma gambiarra entre o Latte Machiatto e o Café Latte.
O estabelecimento estava fechado mas encontro na porta um post-it fixado.
“Acho que estamos um pouco atrasados para o expediente de hoje
ou adiantados para o de amanhã.
Estou muito orgulhosa de você meu garoto.
Agora volte para o plano A.
PS: Você deve um café amanhã.”
Plano A: jantar na casa dela.
Coloco os ovos decorados na sacola junto e subo a rua em direção à casa dela, levando comigo o vinho, morango, chocolates e um sorriso que poderia iluminar a rua inteira.
Na porta de seu apartamento havia um último post-it.
“Agora você sabe o que é uma páscoa de verdade.
Abra a porta e siga a trilha.”
As patinhas começaram logo na porta e levavam até o tapete da sala. A meia luz do ambiente deixava tudo ainda mais mágico.
— Hey, você chegou! — exclama ela assim que me vê deixando evidente todo o seu entusiasmo. — Feliz Páscoa!
No meio da sala, uma mesinha havia sido colocada juntamente com algumas almofadas para acomodar um jantar íntimo. Apenas o vinho, os morangos, chocolates e eu estávamos faltando ali.
— Eu não acredito que você fez tudo isso.
— Você gostou? — pergunta ela enquanto eu me abaixo para deixar o vinho em cima da mesinha. — O dia foi cheio, quase não consegui sair mais cedo para deixar tudo pronto.
— Eu adorei. — respondo me aproximando e enlaçando-a pela cintura. — Porém confesso que fiquei esperando o coelho da páscoa.
— Eu tentei evitar ele. — revela ela um pouco apreensiva, mordendo o lábio.
Sorrio pelo fato de que devido a história da minha infância no orfanato, Patterson havia tido a sensibilidade e o cuidado de elaborar toda a caçada se distanciando o máximo possível de tudo o que lembrasse coelhos.
— Eu percebi. — digo pegando sua mão e entrelaçando nossos dedos. — Mas, eu acho que está na hora de ter lembranças boas relacionadas a coelhos.
— O que...
Tiro do meu casaco as orelhinhas que havia comprado no caminho para sua casa.
Patterson abre a boca para falar alguma coisa mas fecha em seguida, sem palavras, e termina apenas por sorrir, rindo levemente. Seu sorriso era tão sincero e genuíno que palavras não eram necessárias para expressar tudo o que ela estava sentindo, até porque, eu estava sentindo a mesma coisa.
A história do coelho estaria para sempre em minha memória, mas já não me controlava nem me afetava como antes. O que antes era uma ferida aberta havia se tornado cicatriz. Patterson havia trazido cor e amor à minha vida de uma maneira que eu nunca sequer imaginei, e deus! como eu amo essa mulher.
— Você está ótima com essas orelhas. — digo sorrindo para ela, que olha para cima como se tentasse em vão vê-las. — Só está faltando uma coisa.
— O que? — pergunta ela novamente, sorrindo.
Vou até seu quarto e pego um de seus lápis de olho. Paro na frente dela e sorrio mordendo o lábio pelo que estava prestes a fazer. Peço que ela feche os olhos e assim que ela fecha, eu faço bigodinhos de coelho nas bochechas dela.
— Perfeita! — sorrio segurando o rosto dela com as mãos. — Eu não acredito que estou apaixonado por você com essas orelhas.
Ela abre os olhos, rindo e faz uma careta, com certeza imaginando como ela deve estar com as orelhas e bigodes de coelho improvisados. Ela sacode as orelhas e sorri e eu não resisto ao desejo de beijá-la, apenas tomando cuidado para não tirar suas orelhinhas de coelho.
— Essas orelhas estão me dando ótimas ideias. — sussurro com um sorriso malicioso, roçando meu nariz em seu pescoço e colocando minha mão por baixo de sua blusa. Patterson ri encolhendo o pescoço e eu sinto seu corpo arrepiar.
— O jantar vai esfriar…
— Eu não me importo… — confesso trazendo-a para o meu colo e voltando a beijá-la, deixando o jantar para mais tarde. Bem mais tarde.
— Feliz Páscoa.
— Feliz Páscoa, meu amor. — murmuro colocando um morango em sua boca, saboreando o sabor do chocolate que ficava ainda mais gostoso quando estava nos lábios
A páscoa mais doce que eu já tive.
Notas finais
Comentem, me digam o que acharam! ❤
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