Notas iniciais
Oi lindas!
Mais um cap!
Espero mesmo que gostem :)
Criticas tbm sao bem vindas :)
Essa semana, já começa a faculdade de novo...entao...eu posso demorar mais a postar...espero q entendam :)

P.O.V. Elena Gilbert

Abri a porta de casa tão assustada. Meu corpo estava tremendo em pânico. Matt estava sentado em sua poltrona me encarando. Quando olhei em seus olhos, fiquei ainda mais assustada, eles estavam faiscando de ódio. O medo me corroeu por inteira, provocando um arrepio gelado em minha espinha? Por que tinha que ser assim? Por que ele tinha que ser tão mau? E por que eu tenho que viver assim.

-Eu disse que você tem que estar aqui sempre às 18:45. -Ele falou em um tom agressivo. -São 22horas, Elena.

-Eu sinto muito. -Falei em um sussurro, baixei o meu olhar. Não tinha coragem de fitá-lo novamente. -O escritório pegou um caso importante e eu tive que ficar até mais tarde.

-Eu não quero saber de nada disso! -Continuou em seu jeito autoritário. -Você tem que fazer o que eu mando e eu disse que eu te quero aqui as 18:45. Se alguém te mandar fazer hora extra, você diz que não pode!

-Eu sinto muito! -Desculpei-me novamente. -Eu só trabalho há uma semana lá, fiquei com medo de perder o meu emprego. -Confessei.

-O seu emprego não é importante! -Ele realmente acreditava nisso. -E você não vai durar muito tempo lá de qualquer forma. Eles logo vão perceber o quanto você é burra e incompetente! -Matt sempre me desmerecia, sempre dizia que eu não era boa o suficiente e eu me sentia horrível. Ele se levantou e veio na minha direção. Eu estremeci. Como um instinto, me encolhi.

-Eu peço perdão. -Mais uma desculpa, eu me sentia tão inferior. Eu não aguento mais viver desse jeito, mas eu não tenho como me sustentar. Ainda assim, eu acredito que isso vai mudar, eu vou conseguir juntar algum dinheiro do meu salário e vou fugir.

-Não tem desculpa. -Ele me deu um tapa em meu rosto com toda a força. Eu perdi o equilíbrio e cai no chão, me machucando ainda mais. Só que ele não tinha piedade, me chutou bem na barriga. Eu senti tanta dor. Eu me contorci e depois me curvei, tentando achar um jeito de me proteger. Mesmo vendo que eu estava chorando, ele me chutou novamente, dessa vez nas minhas pernas. -Para, por favor. -Pedi em meio às lágrimas.

-Cala a boca, vagabunda. -Gritou. Ele me pegou pelos cabelos fazendo com que eu me levantasse e me jogou contra a parede, mantendo meu rosto contra esta. -Você tem que ser uma mulher obediente, entendeu?

-Sim, eu vou ser obediente. -Acatei. Minha voz estava fraca, afetada pela dor.

E mesmo vendo como eu estava, ele me bateu novamente. Mais chutes, até que tirou o cinto e me golpeou várias vezes. E depois de me acerta com o cinto ainda me deu vários socos. Embora ele sempre fizesse isso comigo, eu não conseguia me acostumar com a dor. Eu sonho com o dia em que ele iria me bater e já não conseguisse sentir nada. Só que cada vez parece doer mais. Depois de me bater o que ele considerou ser uma punição justa para mim, ele me largou na sala, caída no chão. Demorei em conseguir me levantar. Meu corpo inteiro estava doendo. É uma sensação horrível. Havia cortes na minha pele, resultado da fivela do cinto que me acertou tantas vezes, rasgou primeiro as roupas que eu vestia, depois a minha pele.

O Matt era tão cruel. Fiquei imaginando o que ele teria me feito se tivesse me visto chegando com o Damon, ele teria me matado. Fui até o banheiro, precisava de um banho para limpar o meu corpo do sangue, mas principalmente da vergonha. Tentei pensar em algo que pudesse me distrair e fazer com que eu não me lembrasse do que tinha acabado de acontecer. Peguei-me pensando no Damon. Eu gostava da companhia dele. Ele era tão educado e gentil. Por mim, eu passaria o dia inteiro conversando com ele. E hoje ele tinha até me feito sorrir de verdade. Eu não sei há quanto tempo eu não sorria desse jeito. Se a Katherine ainda fosse viva, eu teria inveja dela por tê-lo como marido. Tenho certeza que ele deveria ser maravilhoso para ela. "Mas o que você está pensando, Elena? Para com isso!" Eu me repreendi mentalmente. Não tinha que pensar no meu chefe. A vida dele não é meu problema! Depois de quase uma hora no banho, eu fui me deitar. Meu corpo estava muito dolorido. Era terrível e era ainda pior porque eu tinha que dormir na mesma cama com o Matt. Ele tinha acabado de me bater e eu tinha que dividir a cama com ele e deixar com que ele me tocasse como quisesse. Era um pesadelo.

...

Quando acordei na manhã seguinte, eu ainda estava com muitas dores. Demorei em conseguir me levantar da cama. Por que eu tinha que sentir tanta dor? Tomei um banho rápido, me vesti para ir trabalhar. Sim, eu iria trabalhar mesmo assim. Dessa vez, nem a maquiagem conseguiu disfarçar as marcas, mas tudo bem, eu inventaria uma desculpa para justificá-las. Fui preparar o café da manhã para o Matt. Deixei a mesa pronta com pães, geleia, queijo, ovos mexidos e suco. Exatamente o que ele gostava. Depois que nós dois tomamos café da manhã juntos, eu lavei a louça e finalmente pude sair para ir trabalhar. Quando eu cheguei a Caroline já estava lá, estava organizando as gavetas que nós havíamos deixado um pouco bagunçadas no dia anterior devido ao excesso de trabalho que tivemos.

-Meu deus, Lena! -Ela exclamou ao me olhar. -O que aconteceu com você? -Estava olhando assustada para as marcas que eu possuía em meu corpo.

-Ah, Carr, você não vai acreditar! -Falei em um tom absurdamente natural. Eu sempre tinha uma desculpa pronta. -Eu quando cheguei a casa fui subir correndo para o segundo andar, me desequilibrei e caí da escada! -Menti.

-Ai, amiga! Que falta de sorte. -Ela tinha acreditado plenamente. -Eu sinto muito! Você foi ao hospital, não foi?

-Fui sim! -Continuei falando do jeito mais convincente possível. -Eles falaram que não tinha nenhuma fratura e me passaram um remédio para dor.

-Menos mal! Que bom que você não quebrou nada.

-Que bom mesmo! -Concordei.

-Menina! Hoje o dia vai ser cheio também. Como tem trabalho nesse escritório!

-Ah! Eu tenho que marcar a reunião que o Damon me pediu! -Lembrei-me de imediato e abri a minha agenda para ver para quem eu tinha que ligar.

-Tá vendo? A gente mal chega ao escritório e já tem trabalho. -Caroline brincou. -Vida cruel!

Nós ficamos focadas no trabalho até que, eu decidi puxar o assunto que estava martelando em minha mente.

-Eu não imaginava que o Damon era viúvo...

-Você não sabia por que nunca deixou eu te falar! E você e o Doutor nunca falaram sobre isso?

-Eu não fico perguntando sobre a vida dele. Só ontem que ele me disse! Eu nunca imaginei que ele tinha perdido a esposa...

-Ai, Lena! É horrível, não é? Coitadinho, se não bastasse perder a esposa, perdeu os filhos também!

-Ele me contou. -Respondi. -Ele tem cara de que era um pai maravilhoso. -Falei. -Eu vejo a quantidade de fotos que ele tem na sala dele.

-E além de ótimo pai, ele era um marido perfeito!

-Sério? -Perguntei interessada. Eu sei que isso não é da minha conta, mas eu não consigo evitar.

-Sim! Ele tratava a Katherine como uma princesa! Eles almoçavam todos os dias juntos...

-Ela era advogada também? -Eu a interrompi.

-Não! Ela era arquiteta, mas ele sempre ia buscar ela no escritório onde ela trabalhava para eles almoçarem. Eles trabalhavam muito, então sempre achavam um jeito de ficar juntos. Quase sempre ele tinha um presente para ela. Ele ligava para dizer que a amava... Nossa! Você precisava ver as coisas que ele fazia para ela!

-Nossa que romântico! -Senti uma pontada de inveja. Muita inveja!

-Demais! Eles estavam sempre juntos, dizendo o quanto se amavam. Eram um casal perfeito. -Contou. -Você tinha que ver quando ela ficou grávida. Essa mulher foi tão mimada! Ele ligava várias vezes para saber como ela estava. Ele sempre ia aos ultrassons com ela e eu aqui me virando para remarcar os compromissos profissionais dele, só para ele poder acompanhá-la.

-Ela teve muita sorte. -Sussurrei.

-Demais! Ela era uma princesa para ele. Você precisava ver! E desde que ela morreu, ele não ficou com ninguém. Tipo, com ninguém mesmo!

-Você acha que ele nunca mais vai querer outra namorada?

-Ah, eu não sei, Lena! Ele amava demais a Katherine. -Fez uma pausa.

-Eu acho que sim. -Nem quis mais continuar falando sobre isso, por algum motivo que eu não sabia qual era, esse assunto me incomodou. Eu não queria saber sobre a Katherine. Não mesmo.

...

P.O.V. Damon Salvatore

Por mais que eu tente, eu não consigo parar de pensar nos meus filhos. Eu vejo a foto deles o dia inteiro, lembro-me de cuidar deles, da voz deles quando me chamavam de "papai". Lembro-me de quando eu e a Katherine levávamos os dois para passear. Eu sinto tanto a falta deles. E eu sinto tanto a falta dela. Ela era mulher da minha vida, ninguém nunca seria capaz de substituí-la. Tentei afastar as lembranças e todos os pensamentos de minha mente, mas não consegui. Demorou em que eu conseguisse me focar em outra coisa. E quando eu percebi, eu estava pensando na Elena. E eu nem sei o porquê disso. Deve ser porque eu gosto da companhia dela, nós estamos sempre conversando, temos sempre algum assunto. De alguma forma que eu não consigo entender muito bem, ela faz com que eu me sinta um pouco melhor.

Ontem, falando com ela, foi a primeira vez que eu consegui me divertir nem que fosse apenas por um momento desde que eu perdi os meus filhos e a minha Katherine. Eu acho que ela foi a única com quem eu consegui falar sobre outra coisa que não fosse o acidente. Todos os meus amigos só me perguntam como eu me sinto, ou como eu estou lidando com a perda. Eu não aguento mais isso, ter que ficar falando sobre o pior acontecimento da minha vida o tempo inteiro. Não que eu não tenha falado sobre isso com a Elena, mas ao menos ela quis mudar de assunto. Ela é uma boa companhia. E eu tenho que admitir que o jeito dela me deixa curioso. Às vezes, parece que ela está assustada com alguma coisa, mas ela é sempre tão doce. E também parece que ela tenta esconder alguma coisa ou eu estou ficando apenas louco. Com toda a certeza, eu estou ficando completamente maluco. A saudade que eu tenho dos bebezinhos e da Katherine está me deixando maluco. Só pode ser isso. Decidi me concentrar no trabalho. Eu dois processos para ler agora, depois tenho que redigir petições, eu não posso ficar perdendo o meu tempo. Eu já tinha terminado de ler um dos processos quando era por volta de 12:30, então, eu decidi sair para almoçar e encontrei justamente com a Elena no corredor.

-Oi, Elena. -Falei enquanto examinava os diversos machucados que ela possuía. Parecia que alguém tinha batido nela. -O que aconteceu com você?

-Eu fui subir a escada correndo e caí. -Falou naturalmente. -Estava escuro, eu deveria ser mais cuidadosa.

-Mas você está bem? -Fiquei automaticamente preocupado com ela. -Quer que eu te leve ao hospital?

-Não precisa. -Ela me agradeceu. -Eu fui ontem mesmo, e está tudo bem! Não foi nada grave.

-Ainda assim, você deve estar sentindo dor. -Eu argumentei. Não gostei de vê-la tão machucada, ela parecia tão frágil. -Você não precisava vir trabalhar desse jeito, poderia ter ficado em casa descansando. E se quiser ir embora, não tem problema algum.

-Eu estou bem. -Ela insistiu. -Não precisa se preocupar comigo.

-Se eu puder fazer alguma coisa para te ajudar... -Ofereci.

-Obrigado, mas eu realmente estou bem. -Ela respondeu um pouco sem graça, acho que já estava se cansando de recusar a minha ajuda.

-Já que você está bem... -Fiz uma pausa. -Será que você quer almoçar comigo agora? -Mas o que eu estou fazendo? Eu não tenho que convidá-la para nada. Durante os últimos anos, eu almoçava todos os dias com a Katherine, eu não posso sair com outra mulher, mas ainda assim, eu quero sair com a Elena.

-Claro. -A voz delicada cortou os meus pensamentos. Um sorriso lindo se esculpiu no rosto dela e foi como se iluminasse tudo. O sorriso dela era contagiante. Ela é contagiante. Ela é tão bonita.

-Aonde você quer ir? -Deixaria que ela escolhesse. Eu estava tentando ser gentil com ela.

-Qualquer lugar... -Ela falou com aquele jeito delicado que ela possuía. -Onde você quiser... -Continuou. A pele de seu rosto ficou vermelha. -Eu não estou muito acostumada a escolher... Nunca me deixam...

-Hoje você pode escolher. -Sorri. Eu devia estar sendo chato insistindo em que ela escolhesse algum lugar. Faz tanto tempo que eu não saio com uma garota que... Interrompi esse pensamento. Eu não posso estar considerando isso como um encontro! Não mesmo.

-Nós podemos ir ao restaurante italiano que tem aqui perto. -Sugeriu.

-Tudo bem, onde você quiser.

P.O.V. Elena Gilbert

Eu não podia acreditar que ele tinha me convidado para almoçar e ainda tinha deixado com que eu escolhesse o restaurante. Na minha vida inteira, eu nunca pude escolher nada. Se eu der apenas um palpite, já é o suficiente para o Matt me bater. Mas eu não vou ficar pensando no Matt agora. Não quando eu posso olhar para os olhos tão azuis do Damon. Nunca vi olhos tão azuis na minha vida. "Elena, por que você não entende que não pode ficar reparando nele?" Nós fomos até o restaurante e quando chegamos, eu escolhi uma mesa no cantinho, a mais afastada de todas. Eu tinha medo que o Matt pudesse passar e me ver, então eu tentei me esconder o máximo que eu pude. Damon puxou a cadeira para que eu pudesse me sentar. Isso é tão fofo. Ninguém nunca se preocupou em ser tão gentil comigo. Ninguém nunca foi gentil comigo.

-Obrigado por ter me convidado. -Eu realmente estava agradecida. E também sem jeito. Eu nunca tinha sido convidada para sair. Nunca. Eu acho que ele também estava sem jeito, eu não sou a Katherine e ele só saía com ela, então...

-Quem tem que agradecer sou eu. -Ele sorriu. O sorriso dele é tão bonito. -Agradecer por você está me aguentando.

-Imagina! -Rolei os olhos. -Eu adoro a sua companhia. -Confessei. Meu rosto queimou de vergonha.

-Que bom! Porque eu também gosto muito da sua companhia. -Ele me respondeu. -Eu iria odiar saber que você me acha chato!

-Você não é chato! Nem um pouco. -Falei sinceramente. -Eu adoro quando nós conversamos. -Continuei. -Você que deve me achar uma chata! Eu e a minha falta de habilidade em escolher um restaurante! Eu espero que você goste de comida italiana, pelo menos. -Falei um pouco assustada, se ele não gostasse. Ele podia brigar comigo... Eu tenho medo de tudo mesmo, mas depois de tudo que eu passei e ainda passo, eu acho que é normal eu ser tão medrosa.

-É claro que eu gosto, Elena. -Ele continuava tranquilo. É lógico que ele não iria brigar comigo. Ele não é assim. -Não precisa ficar assustada. -Ótimo, ele tinha percebido.

-Eu não estou assustada. -Desconversei. -Só fiquei com medo que você tivesse achado que a minha escolha fosse péssima. –Falei meio sem graça.

-Eu gosto daqui. Eu vinha almoçar muito aqui... -Damon não continuou, mas eu já sabia. Ele vinha muito nesse restaurante para almoçar com a Katherine. Eu tenho tanta inveja dela.

-Eu não costumo sair muito. -Contei. -Eu não tenho muitos amigos, então... –Eu não tenho nenhum amigo. Essa é a verdade. Quem vai querer ser meu amigo? Ninguém! Eu sou esquisita demais.

-Como você pode não ter vários amigos? Você é uma garota incrível, Elena! –Meu coração se acelerou. Ele me achava incrível. Para alguém como eu, isso era mais do que um elogio.

-Eu acho que você é o único que pensa isso! –Falei em um tom de brincadeira, mas essa era a verdade! Ninguém me achava incrível. Eu nunca recebo um elogio sequer.

-Eu duvido muito! –Contestou.

-É sério! Eu não tenho amigos! -Admiti. Como uma garota como eu poderia ter amigos?

-Isso tem um lado bom. -Respondeu. -Para mim pelo menos.

-Qual? -Perguntei curiosa.

-Eu não preciso te dividir com os seus amigos. –Seu olhar encontrou o meu e eu me arrepiei. Ele mexia comigo, eu só não sei muito bem como.

-Gostei disso. –Não pude evitar sorrir. Ele era maravilhoso.

Nesse instante, eu percebi que a mão dele estava sobre a minha. Senti um formigamento gostoso envolver todo o meu corpo, mas no momento seguinte nós dois nos afastamos. Eu nem sei por que nós dois nos tocamos.

Notas finais
Comentem por favor!
Beijos