A New Chance To Love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Decidi postar mais um cap hoje.
Esse cap é só para situar a história dos dois.
A vida de cada é bem dificil.
Bem, eu raramente narro fics em primeira pessoa, eu nao fico muito confortável, mas decidi narrar essa por considerar um pouco mais emotiva, qualquer critica...só falar...
No inicio, vai ser meio devagar entre Delena, até pelo momento que eles estao vivendo...mas vai acontecer...
espero que gostem
P.O.V. Elena Gilbert
Eu estava me arrumando para o meu primeiro dia de trabalho como secretária em um escritório de advocacia. A verdade é que esse é o meu primeiro emprego, antes disso, o Matt nunca me deixou trabalhar. Eu nem podia sair de casa sem autorização. Ou melhor, isso continua até hoje. Eu tenho que pedir permissão para tudo que eu desejo fazer, eu vivo quase como uma prisioneira desde a minha adolescência. A verdade é que ele não aceitou muito bem a ideia de que eu irei trabalhar. Ele quer que eu sempre dependa dele, assim fica mais fácil para me subjulgar. Mas eu preciso dar um basta nisso tudo, eu não aguento mais viver desse jeito há dez anos! E foi por isso que eu insisti tanto em poder trabalhar. Eu fiz faculdade de jornalismo, mas ele nunca deixou que eu trabalhasse na minha profissão, eu nem acredito que eu pude estudar até hoje.
Só permitiu que eu aceitasse esse emprego de secretária, pois o salário não é muito alto e assim eu vou continuar dependendo dele. E mesmo assim, hoje ele me bateu muito para mostrar que vai ser sempre ele quem manda. Olho no espelho a minha figura refletida, eu sou tão diferente daquela menina que eu era aos quinze anos. Eu me sinto horrível. Todos os meus dias são infinitamente tristes. Pego a minha maquiagem, preciso esconder as marcas que ele deixou no meu rosto e eu já estou tão boa nisso que rapidamente eu passo base e pó suficiente para mascarar tudo. Passo só um pouco de batom bem clarinho e rímel, apenas por passar. Eu não me sinto vaidosa, eu não tenho motivos para ser. Escolho uma roupa qualquer, uma calça social preta e uma blusa da mesma cor. Eu já estou pronta. Peguei a minha bolsa e saí. Depois de quase uma meia hora no ônibus, finalmente cheguei ao escritório.
Você é a Elena, não é? -Uma garota loira me perguntou em um tom muito simpático.
Sou sim. -Respondi um pouco sem jeito. Ela deveria ter a minha idade e eu não sabia muito bem como me comportar, afinal, depois do meu casamento eu sempre sofri bullying e com o passar do tempo, eu já não tinha nenhuma amiga.
Seja bem vinda! Eu sou a Caroline! -Apresentou-se com a mesma simpatia de antes. -Nós vamos trabalhar juntas.
Muito obrigado, Caroline. -Agradeci e ousei sorrir timidamente.
Primeiro dia é sempre estranho, não é? -Falou tentando quebrar o silêncio.
Eu acho que sim. -Eu não sabia o que responder, eu não estou muito acostumada a conversar, eu quase não saio de casa, não falo com ninguém, a não ser com o meu marido e mesmo assim nossas conversas se resumem a eu concordando com ele em tudo ou ele me ofendendo ou me batendo por ter dito que eu não devia.
Então, nós vamos dividir essa sala. -Apontou. -Em frente, fica a sala do Dr. Damon Salvatore, nós somos secretarias dele e da equipe de advogados que ele coordena. Tem mais cinco equipes. Eu não falei nada. Apenas assenti positivamente com a cabeça. -Ah, sim! Antes que eu me esqueça! Ele é um completo gato! -Falou entusiasmada! -Ele e o irmão dele, o Stefan. Ele trabalha aqui também. Os dois são lindos! Mas eu tenho que admitir que o Damon é mais bonito!
Então, eu vou trabalhar apenas com ele, é isso? -Quis apenas confirmar e também evitar o assunto sobre quem era o mais bonito. Eu realmente não tinha nenhum interesse e mesmo se tivesse seria impossível. Eu nunca fiquei com ninguém por quem eu tivesse sentido atração, muito menos com alguém que eu gostasse. E a verdade, é que quando eu consegui sair desse casamento, se é que eu vou conseguir, eu não quero ter ninguém. Eu não confio em nenhum homem.
Isso mesmo! -Ela respondeu, pareceu um pouco frustrada por eu não ter dado continuidade para o assunto. -Bem, você vai ter que cuidar da agenda dele, profissional e pessoal. Ou seja, só da profissional! Ele não tem uma vida pessoal muito agitada. E eu vou ficar cuidando da parte "jurídica" por enquanto. Somos nós que temos que lembrar a ele e ao resto da equipe dos prazos de cada processo, organizá-los. -Rolou os olhos. -É muita coisa, mas por enquanto eu vou fazer isso até você pegar o ritmo, depois nós dividimos o trabalho, tudo bem?
Claro. -Concordei de imediato. Eu nunca tinha trabalhado antes, então era melhor eu pegar as coisas aos poucos.
Qualquer dúvida, você pode me perguntar. -Caroline realmente parecia ser muito legal. -Ah, Lena! Que bom que você está aqui! Eu já estava ficando louca de tanto trabalho! A última secretária deixou tudo uma bagunça e ela ainda era uma chata! -Desabafou. -Você parece ser muito mais legal do que ela!
Obrigado! -Agradeci, agora eu estava um pouco mais confiante, eu ainda não sabia muito bem o que responder. É isso que acontece quando se fica dez anos sem ter uma amiga sequer. Você se sente perdida. -Depois você precisa me apresentar o Dr. Salvatore, eu ainda não o conheço.
Ele ainda não chegou ao escritório. Ele chega mais tarde, por volta das dez ou onze horas da manhã! Ele deve vir conversar com você, ele é muito legal, então, fica tranquila.
Tudo bem.
Deixa eu te mostrar onde cada coisa fica guarda, se alguém te pedir algo, você já sabe onde está.
Caroline foi me mostrando tudo e apesar de toda a paciência que ela tinha em me explicar, às vezes, eu ficava perdida, mas eu acho que é normal. Fiquei aliviada porque ela na me perguntou nada sobre a minha vida pessoal ainda. Não quero dizer que eu sou casada desde os meus quinze anos. Na verdade, eu queria ser outra pessoa.
...
P.O.V. Damon Salvatore
Hoje completa exatamente um ano que as pessoas mais importantes da minha vida foram retiradas de mim em um acidente de carro; a minha amada Katherine e os nossos dois filhinhos, Amanda e Daniel. Eu sinto tanto a falta deles, mas tanto! Eu nunca irei me recompor dessa perda. Eu ainda imagino que ela irá chegar a casa, carregando os nossos bebês no colo, e sorrir para mim. Como eu queria estar naquele carro com eles. Katherine tinha saído do trabalho às seis horas em ponto como todos os dias e foi buscar os bebês na creche. No caminho para casa, um carro ultrapassou o sinal vermelho e se chocou com o carro que ela dirigia, todos morreram. Ela era a mulher da minha vida, os meus filhos eram a minha alegria.
E pensar que naquele era dia era eu quem deveria buscar os nossos filhos, mas eu, como sempre, não pude. Eu tive que ficar no escritório até mais tarde como sempre e isso aconteceu. Eu me sinto tão culpado. Se eu tivesse ido, isso não teria acontecido. E esse pensamento vai me torturar eternamente. Desde então, eu nunca mais me relacionei com ninguém. Nenhuma mulher poderia ocupar o vazio que ela deixou e jamais alguém será capaz de preencher a falta que os meus filhos me fazem. Eu pensei em ter outro filho, mas isso é impossível. Eu jamais me apaixonarei por alguém o suficiente para querer ter uma família com ela. Nesse dia, eu comprei as flores mais bonitas que eu pude encontrar. Escolhi tulipas e orquídeas, essas são as preferidas da Katherine, para levar até o túmulo, que eu sempre mantenho repleto de flores. Isso é tudo que eu posso fazer. Dirigi até o cemitério, estacionei o meu carro ali perto e fui até os túmulos, que eu cobri com as flores que eu tinha trazido.
Você não tem ideia do quanto eu sinto a sua falta. Falei como se Katherine pudesse me ouvir. Eu prefiro imaginar que de alguma forma, ela consegue escutar tudo que eu digo. Eu te amo tanto.
Meus amores, eu queria tanto poder ver vocês crescendo... -Desabafei emocionado. Eles eram os meus filhos, eu os amo mais do que tudo. Eu daria tudo para tê-los de volta comigo.
Quando eu percebi, eu estava chorando, justo eu que nunca chorei por nada. Sempre preferi não demonstrar o que eu estava sentindo, ainda mais depois do acidente, mas hoje eu simplesmente não estou conseguindo.
Fiquei quase que a manhã inteira conversando com eles no cemitério. Eu não quis fazer nenhuma missa, eu e a Katherine nunca fomos muito religiosos e eu preferia ficar com eles a ficar em alguma igreja com todos os meus parentes e amigos perguntando como eu estou, como se a resposta já não fosse óbvia. Depois disso, eu fui para o escritório. Sim, eu iria trabalhar. Isso foi tudo que tinha me restado e era um jeito de eu tentar me desligar de tudo isso e também de evitar ficar conversando sobre isso. Mesmo assim, eu não consegui evitar o meu irmão Stefan. Ele já tinha me ligado o dia inteiro e eu ignorei as suas ligações, mas quando cheguei ao escritório, ele estava me esperando junto com o meu amigo, Ric.
Oi, Damon. Stefan foi o primeiro a me cumprimentar.
Oi, irmãozinho. Respondi irritado. Se eu não estava atendendo o telefone era porque eu não queria falar com ele. O que vocês querem? Perguntei focando o meu olhar no Alaric.
Damon, hoje faz um ano que a Katherine e os bebês faleceram. Ric respondeu calmamente. Eu imagino o quanto o dia deve estar sendo difícil para você.
Eu sinto muito pelo o que aconteceu. Stefan continuou. Eu quero saber como você está. Meu irmão e suas perguntas estúpidas.
Eu nunca me senti tão bem, Stefan. Ironizei.
Eu imagino que você já tenha ido ao cemitério, mas eu e a Jenna vamos até lá deixar flores também. Alaric insistiu no assunto. Ela era muito amiga da Katherine e nós dois éramos os padrinhos das crianças, então...
Antes que eu conseguisse responder alguma coisa, Stefan já começou falando.
Damon, eu estou preocupado com você.
Preocupado com o que? Perguntei impaciente.
Eu sei que a sua perda foi muito grande, mas você não pode viver desse jeito. Ele argumentou. Todo mundo já percebeu que você está em depressão. Você não quer conversar, você nunca nem tentou ficar com uma nova garota...
E o que você tem a haver com isso? Você acha que eu deveria colocar a primeira vadia que eu encontrasse no lugar da Katherine e esquecer que os meus filhos morreram junto com ela? Estava irritado.
Eu concordo com o Stefan. Alaric se meteu na conversa. Você precisa seguir em frente. Você ainda usa a aliança de casamento...
Eu tenho mais o que fazer. Eu tenho um cliente preso que precisa que eu consiga um Habeas Corpus para ele imediatamente, eu não tenho tempo para isso.
Nem continuei ouvindo, simplesmente sai andando. Era esse tipo de conversar que eu queria evitar o dia inteiro. Fui para a minha sala. Eu precisava de um pouco de paz. Iria trabalhar, era realmente a única coisa que iria me fazer me desligar um pouco. Estava tão atordoado que fiquei procurando o processo na minha mesa, nas gavetas, até me tocar, que a Caroline o tinha guardado. Tudo que eu precisava era pedir para ela. Em vez de ligar no ramal dela, fui até lá e nem sei por quê. Eu realmente não deveria estar bem, eu não estava bem.
Caroline, você pode me dar o processo do Sr. Clarke? Pedi sem prestar muita atenção no que estava fazendo.
A Caroline não está. Uma garota morena me respondeu. Fiquei a admirando por um tempo. Ela era muito bonita, não pude negar. Você é o Doutor Salvatore, não é isso? Ela perguntou em um tom de voz muito baixo.
Sou sim e você é? Perguntei confuso. Eu não me lembrava daquela garota.
Eu sou a Elena, sua nova secretária. Respondeu do mesmo jeito e baixou o olhar. E então, eu me lembrei de que no dia anterior a Caroline me avisou sobre a nova secretária, mas eu estou com tanta coisa em minha mente que havia esquecido completamente. Perdi mais um momento a olhando e fiquei surpreso comigo mesmo. Essa é a primeira garota em quem eu reaparo, que eu acho bonita desde que a Katherine se foi.
Ah, e verdade. Sorri gentilmente. Desculpe, eu me esqueci completamente de que você começava hoje.
Tudo bem, Doutor. Ela sorriu em retribuição de um jeito muito tímido. Ela tinha um jeito diferente, parecia tão doce e ao mesmo tempo tão assustada. Ela era intrigante. Por que ela está chamando tanto a minha atenção? Você precisa de alguma coisa, não é?
Eu preciso de um processo. Respondi. Você consegue pegar para mim?
Claro.
P.O.V. Elena Gilbert
Eu estava completamente perdida. Não conseguia encontrar o processo que o Damon havia me pedido. Eu não conseguia me lembrar de onde a Caroline tinha me dito que eles eram guardados e eu estava procurando em todos os lugares. Que ótima hora para a Carol sair para almoçar! Eu fiquei sozinha! E bem, falando no Doutor Salvatore, ele pareceu alguém muito simpático, assim como a ela havia me dito, e bem, ele é sim, muito bonito. Mas essa última informação, não é algo com que eu deva me preocupar. Eu não devo olhar para homem algum. Nunca! Ele ser bonito não me diz respeito. Ainda assim, o jeito dele me surpreendeu. Ele me tratou bem. A minha vida é tão ruim que quando alguém me trata educadamente, eu acho que estou sendo muito bem tratada. Sim, eu não convivi com muita gente.
Na escola, eu sofri bullying, na faculdade, eles também me achavam estranha e aconteceu a mesma coisa. Claro que eu deveria ser estranha. Eu entrei na faculdade com dezoito anos. Já era casada a três, vinha sendo abusada por todo esse tempo, eu não deveria ser mais a mesma. Às vezes, eu tinha crises nervosas, resultado de todo o estresse e trauma que eu estava passando. Ao menos, essas crises passaram, eu me acostumei com essa vida. O meu marido sempre me levou e me buscou, eu nunca pude ir a uma festa. Eu não estava acostumada a conviver com outras pessoas. Só estou acostumada a ser mal tratada. Eu estava remexendo todas as gavetas e fazendo a maior bagunça quando ele apareceu de novo.
Elena, você conseguiu achar o processo que eu te pedi? Perguntou enquanto analisava o lugar, ou melhor, o caos que eu estava fazendo.
Desculpa, Doutor... -Falei assustava, estava com medo que ele brigasse comigo. Eu tinha medo de qualquer homem que se aproximava de mim. A Caroline me disse onde guardava as coisas, mas eu não consegui lembrar, desculpa por eu ser tão... -Comecei a me desculpar incessantemente, mas ele não deixou que eu continuasse.
Tudo bem. Ele sorriu, pareceu que tinha se divertido com toda a bagunça que eu estava fazendo. Você é nova aqui, eu entendo que você ainda esteja um pouco perdida. Damon foi compreensivo comigo! Ninguém tinha sido compreensivo comigo. O meu marido me bate, os meus colegas de colégio e faculdade me ofendiam, me chamavam de vagabunda, de esquisita... -E você pode me chamar de Damon.
Obrigado, Damon. Agradeci. Por favor, me dê mais alguns minutos e eu levo o processo para você.
Eu sei onde está, pode deixar que eu pego. Ele foi até o armário e sem muita demora encontrou exatamente o que estava procurando.
Nossa, que vergonha! Exclamei. Estava na minha cara e eu não vi. Eu sinto muito por estar te dando trabalho.
Não é trabalho nenhum. Damon me respondeu tranquilamente. Eu não quero vê-los voando por aí. Brincou.
Foi quando eu olhei nos olhos dele e percebi o quão distante era o seu olhar. Eu reconheci de imediato esse olhar. Ele estava triste. Eu sempre percebo quando as pessoas não estão bem, talvez porque eu me identifico com esse sentimento. Não falei nada, é claro. Eu não tenho liberdade alguma para me intrometer nos assuntos pessoais dele. -Você precisa de mais alguma coisa? Perguntei. Quer que eu leve um chá? Ou um suco? Ofereci. Quis ajudar de algum jeito nem que fosse com esse simples gesto.
Não, não precisa, Elena. Ele me respondeu da mesma forma gentil. Se eu precisar de mais alguma coisa, eu ligo no seu ramal, tudo bem?
Claro. Sorri. Mas por que eu estava sorrindo desse jeito para ele?
Notas finais
=*
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