A New Chance To Love
1 Capítulo 1
Flashback ~Ano de 2003~
Eu era apenas uma adolescente de quinze anos quando toda a minha vida mudou, ou melhor, a minha vida desabou bem na minha frente. Eu tinha tantos sonhos, mas todos eles foram perdidos. Aquele deveria apenas um dia normal, mas não foi. Foi um desastre. Eu, Elena Gilbert, era uma garota tão feliz, eu tinha muitos amigos, era popular e muito querida na escola. Eu era líder de torcida e se tudo isso não fosse suficiente, eu ainda era uma boa aluna. Eu podia dizer que eu era até perfeita. Até que tudo mudou. Eu estava em meu quarto quando meus pais vieram me dar à notícia que me devastou.
-Elena, nós precisamos conversar. -Minha mãe me chamou em um tom carinhoso. Ela parecia estar contendo as lágrimas.
-Está tudo bem, mamãe? -Perguntei preocupada.
-Está sim, minha filha. -Respondeu, já estava se recompondo.
-Filha, nós precisamos te contar algo muito importante. -Dessa vez era meu pai quem estava falando.
-Claro. -Falei suavemente. Não tinha ideia do que ele iria me falar.
-Nós tentamos te preservar disso o máximo enquanto nós tentávamos resolver a situação, mas tudo saiu do controle, Elena. -Meu pai falava pausadamente. -Nossa família está repleta de dívidas. -Fiquei completamente surpresa ao ouvir, nós sempre tivemos uma situação confortável. Nunca faltou nada em casa, como nós poderíamos ter tantas dívidas? -Eu sei que você parece surpresa, mas durante esse tempo todo, eu vim usando o dinheiro da poupança, mas não foi suficiente. -Ele explicou. -Todas as mensalidades da sua escola estão atrasadas. -Revelou. -E nós estamos devendo a hipoteca há um ano e a construtora irá tomar o nosso apartamento.
-Não, não pode ser. -Balancei a cabeça negativamente. Estava completamente afetada pela notícia.
-Mas existe um jeito de saldar todas as dívidas. -A minha mãe continuou. -Mas nós precisamos da sua ajuda, Elena.
-Claro. -Concordei no mesmo instante. -Eu posso arrumar um emprego. -Ofereci. -Eu consigo trabalhar e estudar. -Já estava pensando onde eu poderia trabalhar. Poderia trabalhar de recepcionista ou de vendedora em uma loja, isso já iria ajudar, pelo menos para pagar a minha escola.
-Isso não é suficiente, meu amor. -Minha mãe sussurrou. -Você precisa fazer mais do que isso para ajudar.
-Tudo bem, o que eu preciso fazer? -Estava desesperada.
-Você se lembra do Matt? -Meu pai perguntou.
-Claro. -Respondi. Matt era um amigo de meu pai. Ele tinha 36 anos e era um empresário muito rico.
-Ele concordou em pagar a hipoteca do apartamento e em arcar com todas as suas despesas. Você vai poder continuar estudando e fazer faculdade... -Minha mãe completou.
-Isso é ótimo! -Falei aliviada. O Matt deveria ser uma pessoa maravilhosa, pensei.
-Mas ele tem uma condição. -Ela continuou.
-Qual? -Perguntei.
-Ele quer se casar com você.
-O que? -Eu não podia ter entendido direito. Isso não fazia sentido nenhum. -Como assim se casar comigo?
-Ele sempre te achou bonita... -Explicou. -E essa é a sua única chance de continuar com a sua vida. Ou isso, ou você vai terminar sendo uma mendiga.
-Eu tenho quinze anos! -Gritei. -Ele é mais de vinte anos mais velho do que eu! -Eu estava abalada, estava revoltada. -Esse cara é o que? Um pedófilo?
-Você não é mais nenhuma criancinha. -Meu pai me repreendeu.
-Você é uma mulher linda, filha! E ele vai ser um ótimo marido.
-Não! Nem pensar! -Gritei mais uma vez! -Eu não quero me casar! Eu não vou me casar! Quem em pleno ano de 2003 se casa com um homem vinte e um anos mais velho para quitar dividas da família? -Em que época eu estava vivendo? -Casar aos quinze nem é permitido por lei! -Argumentei.
-É permitido desde que você tenha autorização dos seus pais e nós iremos autorizar. -Meu pai explicou.
-Ou você se casa, ou na semana que vem, nós não vamos ter mais onde morar. -Minha mãe falou.
-Eu não quero saber! Eu posso trabalhar! É muito mais digno do que isso!
-Você não tem escolha. Já está decidido.
E eu não tive outra escolha mesmo. Dois dias depois, eu já estava noiva, usando um anel que eu não queria usar. Eu era só uma menina, eu nunca nem tinha beijado na boca e já iria me casar. Não conseguia acreditar que a minha família estava fazendo isso comigo! Eu, em pleno XXI, estava sendo tratada dessa forma. Isso é absurdo. Eu tentei esconder na escola sobre o casamento o máximo que pude, tirava o anel nas aulas, para que ninguém o visse. Não contei nem para as minhas melhores amigas, tão pouco, enviei convites para a "festa".
Só que apesar dos meus melhores esforços em esconder o casamento, eu não consegui fazê-lo por muito tempo. Quando os meus colegas descobriram que eu iria me casar, eles se viraram contra a mim, até aquelas que eu julguei serem minhas amigas. Diziam o quão vadia eu deveria ser por estar me casando nessa idade, diziam que eu deveria estar grávida. Eles não entendiam que eu não queria isso! Eu comecei a ser perseguida na escola, sofrer bullying, minha vida se tornou um inferno. E quando eu me casei, o inferno tornou-se ainda pior. Eu me lembro como se fosse hoje do dia do casamento.
Eu estava devastada, absolutamente triste. Eu tinha tentado fugir várias vezes antes dessa data, mas nunca consegui. E lá estava eu. Olhando-me no espelho, vestida de noiva com apenas quinze anos de idade. Eu nem me reconhecia. Eu estava deprimida, meus olhos não possuíam brilho algum, possuíam olheiras em seu redor. Eu nem parecia mais a menina linda que eu sempre fui. Minha pele tão pálida era quase tão branca quanto o vestido que eu usava. Eu ainda não podia acreditar que isso estava acontecendo comigo realmente. O caminho até o altar pareceu durar horas, parecia que eu tinha percorrido quilômetros.
Meu pai me conduzia como se eu fosse uma mercadoria que ele estava vendendo por um preço bem alto, por isso ele parecia tão orgulhoso. Eu mal conseguia falar com ele ou com a minha mãe, eu tinha raiva deles. Eles deveriam me proteger, mas estavam me obrigando a fazer algo que eu não queria. Eles estavam destruindo a minha vida. O meu noivo sorria satisfeito. Eu também era uma mercadoria para ele. Ele estava pagando aos meus pais para me ter. Naquele instante, eu me sentia uma prostituta.
Eu me sentia horrível. E para piorar, eu via os meus colegas da escola. Mesmo eu não os tendo convidado, eles estavam lá. Eles estavam rindo e isso piorava ainda mais as coisas. Eu pensava que isso não acontecia mais, que casamentos arranjados não existiam mais, só que eu estava enganada. Completamente enganada! Tudo se passou como um borrão. Eu sequer ouvia o que era dito durante a cerimônia. Sei apenas que em algum momento eu falei um pouco convincente “sim” e foi o suficiente. Será que ninguém via que o quanto eu estava triste? A verdade é que ninguém se importava com o que eu sentia. Ninguém mesmo.
Notas finais
Comentem, pls!
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