A New Chance.
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Mac entrou em sua sala e se sentou em sua cadeira de trabalho, ele descansou no respaldo da mesma e se virou para a vista que tinha fechando os olhos enquanto a luz que entrava pela janela batia em seu rosto cansado, mas com o passar dos segundos em que permanecia assim a imagem de Stella abraçando Anthony Keller e lhe dando um beijo o atormentou e fez com que ele abrisse os olhos rapidamente. Aquela havia sido a última coisa que havia visto quando deixou ela acompanhada do namorado no hospital, ainda antes de fechar a porta para sair ele pode ouvi-la animada contar ao homem que lhe chamou de “amor” que iria sair da UTI.
Ele suspirou e tirou do bolso a corrente de Stella, ela havia pedido para que ele guardasse enquanto estava no hospital e quando ela saísse, então ele poderia lhe devolver para que a corrente voltasse para o seu devido lugar: o seu pescoço. O detetive observou a joia e alisou como de costume a letra S gravada, ele sorriu ao se lembrar de quando colocou aquele colar no pescoço de Stella, aquela noite como todas as outras que tivera com ela havia sido incrível. Ele se virou para sua mesa e abriu uma de suas gavetas, deixando o pertence de sua melhor amiga guardado e trancado em seu escritório.
…
“Ela sentiu o impacto ao ser jogada contra a parede com força, seu corpo foi ao chão e sem forças ela apenas ficou caída sobre a imundice daquele lugar. O som dos passos se aproximando fez com que seu corpo tremesse, ela tentou se arrastar pelo chão mas sentiu sua cabeça ser puxada para trás pelo mesmo alguém que a segurava pelos cabelos.
Stella o olhava ofegante, sua boca e seu nariz sangrava, seu rosto tinha hematomas, olheiras e principalmente medo. O homem sorriu e com sua outra mão segurou sua mandíbula com força, ela gemeu de dor.
— Você não aprende, não é?! – Sussurrou.
Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto fino. Ele se levantou e a fez ficar de pé puxando-a pelo cabelo, com um sorriso diabólico nos lábios ele a segurou pela garganta e a empurrou contra parede, prensando-a com força. Stella sentiu seu ar faltar quando sentiu a força do concentro contra seu corpo. “
…
– Stella? – A voz fez com que ela voltasse a realidade.
O toque em sua pele a assustou, ela puxou sua mão para si e se deparou com o olhar preocupado de Anthony. Stella sentiu duas lágrimas solitárias escorrerem pelo seu rosto, uma de cada lado e ela imediatamente as limpou.
— Stell, o que foi? – Indagou se aproximando. – Está tudo bem?
Ela assentiu.
— Me desculpa. – Sua voz saiu trêmula
— Não precisa se desculpar. – Ele iria tocá-la mas hesitou. – Está tudo bem, meu amor.
Stella respirou fundo e controlou a vontade de chorar presa em sua garganta. Sua mente estava a mil com aquela lembrança, ela era idêntica ao pesadelo que tivera depois que acordou durante a madrugada, era como um flash que desde queacordou não parou de aparecer em sua cabeça.
O som de batidas leves na porta alertou-os e ambos olharam para porta. Barbie entrou pedindo licença.
— Eu sinto muito por interromper, mas, você precisa ir para sua primeira consulta com a psicóloga, Stella.
— Eu tenho mesmo que ir? – Olhando para o namorado.
— É importante que faça isso. – Barbie os deixou a sós. – É por você mesma, pelo seu bem depois de tudo o que passou. – Ela assentiu com receio.
— Eu vou te esperar bem aqui, está bem?
— Você sabe que não pode, tem o horário de visitas. – Ele suspirou e ela sorriu. – Está tudo bem! A gente se vê mais tarde no meu novo quarto. – Piscou para ele.
— Quando chegar a hora de ir, eu estarei te esperando na porta da ala, irei te acompanhar até lá e não vou deixá-la tão cedo. – Stella segurou na mão dele. – Eu amo você. – Acariciou a mão dela.
A porta se abriu novamente e Barbie entrou com a cadeira de rodas, impedindo Stella de responder. Anthony se levantou e deu um beijo em Stella que retribuiu o selinho sob o olhar atento de Barbie, ele saiu do quarto e acenou antes de seguir caminho. Stella olhou para Barbie que estava um pouco distante mas a olhava fixamente.
— O que foi?
— Eu não disse nada. – Negou com um sorriso. – Vamos que a doutora deve estar esperando.
A enfermeira se aproximou de Stella e a ajudou sair da cama e se sentar na cadeira de rodas que estava bem próxima. Barbie girou a cadeira e a empurrou para saída do quarto, levando-a em direção ao elevador e subindo de andar até a ala psiquiátrica.
…
Stella voltava da sua consulta com a psicóloga pensativa, pelos corredores do hospital ela era levada de volta para o quarto por Barbie e antes que notasse já estava em frente ao seu destino, a enfermeira abriu a porta e a empurrou para dentro do quarto. Ao entrar no cômodo hospitalar silencioso ela sorriu abertamente ao ver o homem de olhos azuis sentado na poltrona a encarando com um buquê de flores colorido.
— O que é isso? – Perguntou.
Don Flack se levantou e caminhou na direção de Stella.
— É para você. – Ele entregou o presente. – E antes que sua enfermeira me mate com o olhar dela, eu garanto que estou aqui com a aprovação da doutora Hunter e esse buquê foi aprovado pela mesma também. – Stella riu e ergueu o olhar para Barbie que sorria para Don. – Você tá bonita hoje, Barbie! Cortou o cabelo ?
— Depende. Você convidaria para jantar se eu dissesse que sim? – Flack e Stella riram.
— Claro, mas depois você vai ter que se entender com a minha namorada. – Ele pôs as mãos nos bolsos. – Ela tem cara de boazinha mas te dá uma surra. – Barbie riu.
— Eu vou ajudá-la a se acomodar. – Ela se direcionou para o lado de Stella.
— Não. – Ela negou. – Eu já fiquei demais naquela cama, eu gostaria de ficar um pouco aqui. – Sorriu temida. – Tudo bem?
— Claro que sim. – Tocou seu ombro. – Eu vou deixá-la então nas mãos dele, okay ?! Se precisar de mim é só gritar que eu chuto ele lá para fora. – Stella assentiu sorrindo da situação. – Sua namorada me dá uma surra, mas, eu ainda bato em você. – Ela apontou para Flack em tom ameaçador.
— É uma ameaça? Isso é um desacato, sabia?! – Don tinha um sorrisinho escondido. – Eu sou um policial, Barbie. – Ela ergueu os ombros.
— Grande coisa. – Saiu do quarto sorrindo.
Stella encarou Don que se ajoelhou na frente dela, ela sorriu e ele apenas devolveu o gesto docemente observando-a carinhosamente.
— O que foi? – Soltou um risinho sem graça. – Até parece que está com a mesma mania do Mac de ficar me olhando em silêncio com esse ar de mistério.
— Eu amo você, Stell. – Ela arqueou a sobrancelha.
— Eu sei disso. – Concordou. – Eu amo você também. – Sorriu fraternalmente. – E obrigada pelas flores, eu amei. – Desviou o olhar para o presente.
— É de toda a equipe e de uma pessoa em especial. – Stella o olhou. – Na verdade, eu poderia me gabar de ter sido uma ideia minha mas não foi, foi dessa pessoa, ela inclusive escreveu um cartão. – Retirou o papel do bolso. – Ela queria poder te entregar pessoalmente as flores e o cartão mas ainda não pode entrar aqui. – Entregou para a grega se levantando do chão.
Stella pegou o papel com um sorriso formado em seus lábios, ela sabia de quem Don se referia. A grega deixou as flores em seu colo e abriu o cartãozinho, seus olhos se encheram ao ver as letras de criança cada uma de uma cor e embaixo do recado havia desenhos de flores e de uma criancinha de vestido de rosa.
“ – Eu logo vou ai te ver, madrinha. Prometo. – Lucy “— Leu em silêncio.
— Ela já soube? – Flack assentiu.
— Lindsay e Danny contaram assim que chegaram em casa, eles disseram que nunca viu aquela menina pular tanto. – Stella riu. – Ela está empolgada para te ver e pelo que soubemos hoje cedo isso vai ser possível logo. – Stella assentiu enquanto olhava o papel.
— É sim, o doutor Williams disse que posso ir para a outra ala assim que ele voltar para cá, talvez depois do almoço. – Disse erguendo seu olhar. – Eu estou tão feliz. – Seus olhos se iluminaram junto com o sorriso que ela lançava para Flack.
— Nós também estamos, Stell.
— Foi o Mac que contou? – Don assentiu. – Ele foi trabalhar, não é?
— Você o conhece, Stella. Ele ainda é o mesmo Mac. – A grega assentiu. – Ele estava indo para uma cena quando nos falamos há dez minutos atrás. – Ela desviou seu olhar para as flores. – Está tudo bem? – Indagou ao notar o silêncio e a mudança de expressão dela.
— Eu sinto que o Mac está me escondendo alguma coisa, Don. – Flack ficou em silêncio a observando-a. – Tem alguma coisa o incomodando, eu sei disso, eu posso sentir. – Ela ergueu seu olhar de volta. – Tem alguma coisa sobre o meu caso que está o deixando assim?
— Você não tem um caso. – Se aproximou dela. – E não deveria se preocupar com o Mac, não é hora para você fazer isso.
— Eu sempre estarei preocupada com ele, Don. – Ela desenhou um sorriso fraco. – Isso já faz parte de mim, assim como me preocupar com você e com a equipe, não é algo que eu possa mudar mas é algo que eu sempre faço, toda hora e todo dia.
Ele suspirou e se curvou deixando seus olhos na altura dos dela.
— O que eu vou fazer com você, Stella?
— Você vai continuar se preocupando comigo e vai ser sempre o melhor irmão que a vida me deu.
Don passou a mão sobre a cabeça dela e sorriu.
— Obrigado. – Agradeceu. – Muito obrigado por ter voltado. – Os olhos de Don brilhavam cheios de lágrimas
— É impressão minha ou os homens do laboratório estão ficando cada vez mais emotivos? – Ele riu. – Está tudo bem com ele, não é?! Você não mentiria para mim, certo?
— O Mac está bem, não se preocupe. – Disse o policial. – Se existe algo que o incomodando, ele é o único que pode resolver e acabar com isso. – Stella o olhou desconfiada. – Um dia você vai entender, quando for a hora certa.
— Vocês sempre foram tão misteriosos assim ou é apenas um castigo por eu ter me colocado em risco?
— Considere isso. – Ela riu.
O sorriso estava estampado nos lábios da grega e Don não conseguia imaginar satisfação maior do que ver aquele belo sorriso e a vivacidade e alegria que eram transmitidos através daquele gesto junto com o som da sua voz que tão perto fazia qualquer medo e insegurança irem embora, era como se trouxesse a segurança e a paz que ele não teve sobre ela durante seu o tempo longe.
…
O som das batidas na porta fizeram Flack sair da nuvem de admiração em que estava perdido, ele seguiu o olhar de Stella até a porta onde encontrou o médico responsável por ela parado com um ar de boas notícias. Conforme o médico falava, Don olhou para Stella e a viu comemorar, ela olhou para ele e sorriu abertamente, ela estava feliz e ver aquela felicidade estampada em seu rosto não havia preço.
— Você ouviu, Don? – Esticou a mão para ele.
Flack sorriu para Stella e segurou sua mão, beijando-a em seguida.
…
“Mac subiu o último degrau da escadaria que o levava até o terraço do laboratório, ele abriu a porta e de longe avistou uma Stella Bonasera solitária de costas para ele observando a cidade em meio ao frio que corria pela noite. Ele atravessou a porta e sentiu o vento acariciar seu rosto, protegido contra o mesmo pelo grosso casaco, ele começou a caminhar até a parceira.
— Finalmente te achei. – Disse enquanto se aproximava.
Stella se virou para ele e o encarou em silêncio por alguns segundos.
— Oi. – O cumprimentou expressivamente surpresa. – O que está fazendo aqui? Eu achei que tivesse um compromisso hoje à noite. Aliás, como me achou aqui em cima ? – Questionou vendo-o caminhar em sua direção.
Mac finalmente chegou próximo o suficiente para estar ao seu lado, ele se juntou a ela para observar as luzes dos diversos arranha-céus espalhados por Manhattan.
— Eu não sei, acho que foi intuição. – A costumeira seriedade em sua voz a fez apenas assentir para sua resposta.
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos apreciando a visão que lhe eram proporcionados.
— É lindo, não é ?! – Suspirou uma Stella quebrando o silêncio. – É possível ver a Nova York inteira.
— Muito linda. – Concordou. – São poucas as pessoas que têm esse privilégio.
– Mac?
Ela o chamou e ele a olhou, as esmeraldas estavam presas nele de forma curiosa.
— Como sabia que eu estava aqui? – Repetiu a pergunta principal.
Mac pensou por alguns segundos, ele permaneceu quieto analisando suas opções até ver o sorriso de canto se formando nos lábios dela.
— Você me seguiu, Taylor? – Indagou com um tom divertido.
— Eu não te segui, Stella – Negou prontamente. – De onde tirou essa ideia?
— Você sabe que eu sei quando está mentindo para mim, não sabe?! – Perguntou arqueando as sobrancelhas.
— Está bem, você venceu! Eu sou culpado da acusação! – Assumiu. – Mas, eu estava preocupado com você, foi apenas por isso que eu te segui até aqui. – Se justificou visivelmente nervoso.
Sob o olhar atento dele, Stella olhou para o outro lado escondendo o sorriso, ele automaticamente sorriu e desviou seu olhar assim como ela, voltando ambos ao silêncio de palavras, mas ao embalo do som de buzinas e da vida que acontecia lá em baixo.
— Obrigada, Mac. – Ele a ouviu agradecer. – Por sempre se preocupar comigo, você é um bom amigo.
Ele voltou seu olhar para Stella que o olhava com um sorriso aberto e gentil, ela suspirou e encolheu seus braços cobertos e aquecidos pelo sobretudo cinza colocando suas mãos nos bolsos do casaco com o seu olhar pairando sobre a cidade novamente. Mac deixou um sorrisinho escapar enquanto a observava, e mesmo sentindo seu celular vibrar em seu bolso ele ignorou a ligação, ele sabia que provavelmente estava atrasado para ir ao encontro de Peyton, mas naquele instante ele não se importou com aquele fato, apenas deu um pequeno passo tirando seu cachecol e passando pelo pescoço de Stella que o olhou surpresa.
— Está frio! Você vai ficar resfriada e uma Stella resfriada fica meio chata e um pouco rabugenta. – Alertou e ela sorriu lhe dando um leve empurrão. – Não me leva a mal, Stell, mas, eu sou o rabugento dessa amizade e eu gosto do meu papel, então contente-se com o seu. – Ela riu.
— Você não tinha um compromisso? – Perguntou enquanto o observava. – Vai chegar atrasado desse jeito.
Ele ignorou-a por alguns segundos enquanto ajeitava a peça enrolada no pescoço dela.
— Mac. – O chamou. – Vai logo! – Mandou com o tom baixo, quase sussurrando.
— Me promete que vai ir para casa? Você já trabalhou o suficiente por hoje. – Afastou-se e ela assentiu.
— Eu prometo, detetive. – Sorriu.
Mac se virou em direção a saída e começou a caminhar de volta para a saída do terraço e entrada para o laboratório.
— Mac. – O chamou novamente.
Ele cessou seus passos no mesmo segundo e se virou para a detetive que o encarava.
— Tenha um bom encontro… Ah é mesmo, é um compromisso. – Ela disse com o sorriso escondido. – Divirta-se no seu compromisso de hoje. – Acenou para ele despedindo-se.
— Nos vemos amanhã, Bonasera. – Sorriu para ela.
— Que coisa feia, Taylor. – Balançou a cabeça reprovando-o. – Está indo em um compromisso com uma mulher e já está combinando de se encontrar com outra amanhã? – Ele riu e a viu rir junto. – Até amanhã, detetive.
Stella manteve o sorriso no rosto acenando para ele que lhe deu um último aceno e caminhou para saída. “
…
Mac sorriu automaticamente ao lembrar daquela memória deles juntos mas também se arrependeu amargamente por tê-la deixado e ido de encontro com Peyton, aquelas era uma das vezes em que ele desejou poder voltar no tempo e mudar as coisas.
Por um minuto no absoluto silêncio Mac tentou imaginar como seria sua vida se tudo tivesse sido diferente, se ele e Stella tivessem deixado a amizade de canto e dado a chance para a possibilidade de um relacionamento, naquele momento Mac imaginou que ela também sentia algo por ele e assim como ele queria que tudo desse certo para eles dois. Ele suspirou frustrado por ver tudo em branco, ele não entendeu porque não conseguia ver ou imaginar um passado, ou um presente e até mesmo futuro diferente com Stella sendo mais que sua melhor amiga.
O curto som do elevador o alertou que as portas estavam abrindo, ele ergueu seu olhar e atravessou as portas de ferro saindo daquela caixa moveis junto com as duas pessoas desconhecidas que estavam com ele.
Mac caminhou até o quarto de Stella e ao passar pelo balcão onde Barbie estava junto com outra enfermeira foi informado que a grega estava acompanhada, ele não se frustrou ou decepcionou por saber que era Flack quem estava no quarto. Ao chegar em frente a porta, ele a abriu e foi recebido pelo olhar de uma Stella que estava rindo junto com o policial que apenas sorria enquanto a olhava rir.
— Mac – Ela se recuperava das risadas. – O que está fazendo aqui? – Indagou surpresa.
— Eu atrapalho? – Arqueou as sobrancelhas. – Pelo visto está em boas mãos.
— Você sabe que não. – Mac entrou e fechou a porta. – Mas eu estou surpresa, achei que estava trabalhando.
— Eu soube que sua passagem para o quarto foi adiantada. – Se aproximou da cama.
Stella olhou para Flack que lhe deu um sorrisinho.
— Você foi ligar para a Jess, não é?! – Don riu.
— Eu liguei para ela também, então, tecnicamente não menti para você. – Justificou-se.
Stella sorriu desacreditada e olhou para Mac.
— Está finalmente convencido que eu vou ficar bem lá na outra ala, Taylor ? – Perguntou e Mac ficou em silêncio pensativo. – Mac, não me obrigue a bater em você com aquele buquê de flores. – Flack riu junto com Mac. – Não riam ! Vocês sabem que eu posso fazer isso.
Mac ergueu as mãos em sinal de redenção, Stella escondeu o sorriso e Flack não fez questão de nada daquilo, continuou a sorrir para os dois com a cena.
— Me prometa. – Exigiu Stella cruzando os braços.
— É, Mac, promete para ela. – Disse Flack encarando Mac com um sorrisinho nos lábios.
Mac olhou para ele e em seguida olhou para Stella que levantou as sobrancelhas e o olhou de forma persistente, ele suspirou vencido por ela e assentiu.
— Eu prometo que vou aceitar a palavra do médico e não vou mais importuná-los com perguntas como fiz com a doutora Hunter ontem. – Disse ele. – Está feliz agora? – Indagou a detetive.
— Eu diria satisfeita. – Sorriu.
Mac a olhou desacreditado.
— Não me olhe assim, não é nada com você. – Disse Stella. – Eu só vou ficar feliz quando sair daqui e me refiro ao hospital. – Ela dividiu seu olhar. – Aliás, esse é bom assunto para nós três discutirmos.
Don e Mac se olharam até o detetive assentiu para o policial.
— Stella ? – Don segurou a mão dela, recebendo sua atenção. – Ah Stell, tem uma coisa que você precisa saber. – Sorriu. – Esse assunto ainda não está e nem estará em pauta tão cedo.
Ela olhou para Mac que sorriu e balançou a cabeça negativamente, ela suspirou impaciente pela resposta obtida pelos dois homens.
— Saiam do meu quarto! Agora ! – Apontou para a porta. – Eu não quero vocês dois aqui. – Brincou arrancando risos.
…
Depois de alguns minutos de descontração com conversas fiadas e risadas, Flack se despediu de Stella com um demorado beijo em sua testa seguido de um carinhoso afago em seus cabelos, ele se afastou e trocou olhares com a mesma por alguns segundos.
— Eu só vou para outro quarto em outra ala, Don. – Ele sorriu. – Não se preocupe, eu não vou fugir do hospital.
— Eu confio em você para aguentar a barra. – Flack olhou para Mac e Stella lhe deu um leve tapa. – Nos vemos mais tarde, okay ?
— Estarei te esperando pacientemente em minha nova cama no meu novo quarto.
Ele e Mac riram do seu tom irônico.
— Essa é a Stella que eu conheço. – Ela sorriu para ele. – Até mais tarde, garota. – Se afastou. – Boa sorte para você, Taylor. – Acenou para os dois sobre o olhar indignado de Stella.
Don fechou a porta mas antes piscou para Stella que acenou animada para ele com um sorriso em seus lábios. Ela suspirou quando a porta se fechou e Donald sumiu de sua vista.
— É tão frustrante assim se despedir dele e ficar na minha companhia ? – Ela riu olhando para Mac.
— Desde quando se tornou dramático ? – Ergueu sua sobrancelha. – Ou você sempre foi e eu nunca notei ? – Ele sorriu.
— Eu posso ter me tornado um pouco na sua ausência.
— Eu sempre te disse para tomar cuidado ao ficar muito tempo como Danny sem uma segunda supervisão. – Mac riu. – E a Lindsay me prometeu que cuidaria bem de você. – Sussurrou desviando o olhar.
Aquelas palavras foram suficientes para manter um belo sorriso nos lábios do detetive, ele permaneceu com o olhar intacto sobre ela que tinha seu olhar em outro foco.
— Então quer dizer que você pediu para cuidarem de mim ? – Ela o olhou.
— Que sorriso presunçoso é esse, detetive ? – Ele tentou contê-lo. – Eu já vi, Mac, não tente escondê-lo de mim, você não pode mais fazer isso, está tarde demais, amigo. – Ela sorriu divertida.
— Não respondeu minha pergunta. – Stella soltou uma gargalhada.
— Agora está mudando de assunto. – Droga! Aquela mulher era impossível. – São anos de experiência, Mac. – Ela lhe dava um sorriso presunçoso dessa vez.
Mac aproveitou que estavam apenas os dois para iniciar uma conversa que já planeava ter antes que ela fosse transferida, ele aderiu uma expressão de seriedade aos poucos o que claramente não passou despercebido por Stella que vestiu a preocupação assim que notou algo.
— Agora essa cara não me parece de boas notícias. Acertei ? – Ele assentiu.
— Eu preciso te contar uma coisa, eu não quero que seja pega de surpresa.
— Está me assustando, Mac. – Ela se remexeu na cama. – O que foi ? É sobre o Clark ? Ele conseguiu fugir ?
— Não, não é sobre o Clark e ele está preso, não se preocupe. – Tranquilizou a grega. – Mas é sobre o Turner.
— Turner ? – Sussurrou o nome do antigo capitão. – Tudo bem! Me diga.
— Ele está morto. – Contou.
— O que ? Morto ? – Indagou surpresa.
Mac afirmou com um aceno positivo. Boquiaberta, ela demorou alguns segundos digerindo a informação.
— Como ? – Perguntou.
— Suicídio. – Ela levou suas mãos até a boca chocada. – Não temos detalhes, não sabemos a forma e nem como aconteceu, como ele conseguiu, mas encontraram ele ontem pela manhã, Don foi informado de tarde e ele me informou enquanto eu estava aqui no hospital de noite.
— Eu sei que ele está por trás de metade de tudo o que aconteceu comigo, sei que ele não prestava e era sujo, mas, é errado eu ainda achar isso horrível ? – Desviou seu olhar de Mac. – Talvez fosse melhor ele só cumprir a pena dele.
— James sabia o que enfrentaria tanto no tribunal com a imensa lista de acusações e inúmeras testemunhas quanto na própria Rikers com muitos criminosos que de certa forma ele ajudou a colocar lá, assassinos, traficantes de cartéis perigosos e rivais do que ele estava por trás, ele estava ferrado de uma forma ou de outra e sabia disso. – Stella o olhou. – O Turner procurou por tudo isso.
— Mac. – O chamou repreensiva.
— Stella, ele usou aquele lunático para machucar você e depois matá-la. – Seus olhos estavam fixos um ao outro. – Eu não estou comemorando a morte dele, eu só estou aliviado por saber que ele não vai poder mais machucar você, nem ele e nem o Clark.
Stella manteve seu olhar firme na direção dos olhos azuis de Mac em silêncio por alguns segundos, ela respirou fundo e abriu um discreto sorriso.
— As coisas não mudaram, não é ? – Sua voz baixa indagou.
Mac ergueu suas sobrancelhas e sua expressão confusa mantiveram o sorriso nos lábios da grega que balançou a cabeça negativamente.
— E quando vai me falar mais sobre a sua nova pessoa ?
— Do que está falando ?
— Você está tentando se fazer de desentendido comigo, Mac ? Sério ? Depois de uma década juntos sendo melhores amigos ? – Ela arqueou as sobrancelhas. – Isso pode colar com as outras pessoas, mas, você sabe que comigo não funciona esse truque. – Ela mantinha um sorriso no canto dos lábios. – Me fala sobre ela! Não precisa ser tudo, apenas um pouquinho.
Mac se ajeitou na poltrona desviando seu olhar e se calando por alguns segundos diante da sensação de estar sendo observado por um olhar insistente e esperançoso de Stella que aguardava qualquer informação. Ele ergueu seu olhar e novamente par de olhos azuis voltaram a ficar em linha reta e única com os olhos verdes.
— Um dia eu te conto. – Stella bufou.
Ele deu sorriso ao vê-la se frustrar.
— Você deveria me ajudar a suportar esse lugar, deveria torná-lo menos chato e entediante ou então para que você serviria ? – Ele riu.
— Eu estou te fazendo companhia. – Stella revirou seus olhos para a resposta. – O que você tem sorte por ter aliás, muitas pessoas dariam tudo para me ter como companhia pelo tempo que quisesse.
Stella deu uma leve e espontânea gargalhada enquanto Mac aproveitava a sua imagem e o som de sua melódica risada.
— Eu acredito nisso. – Ela concordou. – Muitas mulheres dariam tudo por essa chance de ter você, o destemido e misterioso detetive Mac Taylor com seus famosos olhos azuis indecifráveis e o seu precioso tempo só para elas. – Mac riu. – Eu acho que sou a mulher mais sortuda de Nova York.
— Isso está me parecendo uma coisa. – Mac se inclinou para ela. – Está com ciúmes, Stella ? – Mac controlou o seu sorriso e esforçou-se para escondê-lo.
— O que ? – O olhou surpresa escondendo qualquer sinal de risada ou sorriso.
— Eu não sei se você é uma mulher de sorte, mas eu sei que você não precisa se preocupar. – Ele sorriu. – Você ainda é a mulher da minha vida, Bonasera. – Mac voltou a descansar suas costas no respaldo da poltrona.
Depois de alguns segundos quieta apenas o encarando boquiaberta e sem palavras para respondê-lo, ela lhe deu um familiar sorriso. E tudo que Mac conseguiu pensar foi que: Era ele, era aquele sorriso, o famoso sorriso que ele reconhecia facilmente quando via.
— Mas eu sempre soube disso. – Sussurrou. – Assim como eu sempre soube que você não consegue viver sem mim, Taylor. – Se inclinou na direção dele. – Eu até ouvi falar que sentiu minha falta e que ficou mais rabugento e meio sem graça sem eu do seu lado. – Stella falou baixinho como se fosse tudo um grande segredo – Acho que o verdadeiro sortudo aqui é você. – Deu um risinho.
Instantaneamente ao ouvi-la dizer aquelas palavras fez com que ele petrifica-se, era como se ele tivesse brincado com fogo e agora estava queimado. A porta do quarto se abriu interrompendo qualquer futuro momento entre os dois, ele acompanhou ela movendo seu olhar e transformando o seu famoso sorriso em outro bem diferente, um sorriso simpático.
Mac deu sua atenção ao médico que havia acabado de entrar no quarto junto Barbie e uma segunda enfermeira.
— Senhor Taylor. – Mac assentiu para ele em sinal de cumprimento. – Vai ser o acompanhante dela até o seu novo quarto ?
Mac olhou para Stella também o olhou por alguns instantes mas voltou a encarar o médico.
— Claro, doutor. – Afirmou desviando seu olhar para o médico.
— Ele nunca perderia isso, doutor Williams, ele tem medo que eu aproveite essa chance para fugir do hospital. – Disse Stella sorrindo divertida.
O médico sorriu junto com as enfermeiras que se olharam.
— Isso é porque eu a conheço e sei do que ela é capaz.
— Eu vou acreditar no senhor. – Olhou para Mac e depois desviou seu olhar para a grega. – Preparada, senhorita Bonasera ? – O médico indagou. – É hora da sua mudança.
— Eu sempre estou preparada, doutor.
O médico assentiu dando um sorrisinho curto e discreto para Stella que suspirou feliz sob olhar atento de Mac que era observado de longe por Barbie.
…
Stella observava atenta o seu tão aguardado quarto novo, sentada na cadeira de rodas ela era empurrada por Mac para dentro do cômodo.
— Esse é bem melhor que o outro. – Disse a grega animada.
Mac saiu de trás da cadeira de rodas e deu alguns passos olhando ao redor do quarto privativo, era maior que o antigo e havia grandes janelas deixando o ambiente mais iluminado graças a luz do sol que atravessava os vidros.
— Que bom que gostou de suas instalações, senhorita Bonasera. – Barbie disse e Stella sorriu. – Ficamos satisfeitos.
— Eu reconheço a seu deboche, Barbie. – Se virou para ela. – Mas de qualquer forma, eu tenho que gostar já que pago caro pelo meu seguro.
— Você também é metida ? – Arqueou as sobrancelhas e Stella riu.
— Eu fiquei um pouco depois que assumi o meu cargo em Nova Orleans. – A enfermeira sorriu.
A enfermeira desviou seu olhar para uma outra direção e Stella seguiu seu olhar parando em Mac parado em frente as janelas observando a cidade.
— Eu vou conversar com as enfermeiras e volto daqui a pouco para o seu banho. – Sussurrou apenas para a paciente.
Stella a olhou e assentiu.
— Ele é um gato e você é uma mulher de sorte. – Moveu seus lábios.
— Eu quero uma outra enfermeira. É possível ? – Stella imitou a enfermeira.
Ela se conteve em rir e se virou caminhando até a porta aberta onde parou e olhou para Mac uma última vez desviando seu olhar para a grega e dando uma piscadinha seguida de um aceno, deixando-o quarto em seguida. Stella sorriu e balançou a cabeça negativamente reprovando incrédula com a enfermeira responsável por ela.
— Você gostou ?
Ela ouviu a voz de Mac e se virou para ele que estava parado ainda próximo a janela só que dessa vez olhando-a
— Um pouco. – Afirmou. – É só um quarto do hospital, mas, pelo menos nesse eu tenho a luz do sol.
Stella se levantou da cadeira e viu Mac instintivamente se aproximar dela, ele parou qualquer movimento quando a viu olha-lo e desenhar um sorrisinho.
— Você não deve se esforçar. – Ele desviou o olhar para a cidade enquanto voltava os passos dados.
Mac pode senti-la se aproximar dele, ele se esforçou para manter-se intacto com seu olhar parado na cidade lá fora com sua agitação típica de um dia comum.
— O que você me diz ? Eu tenho uma boa vista ? – Perguntou baixinho.
Stella não podia ver ou sequer imaginar, mas o seu coração acelerou naquele instante e um leve arrepio subiu pela espinha de Mac ao ouvi-la tão próxima, de canto ele viu ela parada ao seu lado, bem próxima a ele.
— Acho que gosto mais desse quarto agora. – Disse animada.
O detetive olhou para Stella e naquele momento o tempo parecia ter parado, era como se nada mais existisse e tudo o que ele podia e queria fazer era olhar interminavelmente, ele admirou os cachos soltos em tom de mel caindo sobre seus ombros, a luz do sol que batiam contra seu rosto apenas fazia ele se apaixonar ainda mais pela imagem que tinha só para ele naquele instante, os seus grandes olhos verdes fixos na cidade observando-a atenta brilhavam e isso apenas provava em como ela amava aquela cidade e pelo seu doce sorriso nos lábios ele sabia o quão feliz ela estava por poder estar vendo Nova York novamente.
— Você está feliz ? – Perguntou Mac.
Os olhos verdes se desviaram para sua direção e o seu sorriso aumentou.
—Sabe o que me faria feliz de verdade ?
— Ver a Lucy ?
— Definitivamente isso me deixaria muito feliz. – Assentiu suspirando. – Mas, eu estava pensando em outra coisa, algo mais simples e menos importante que a Lucy, mas, ainda sim é algo crucial na vida de qualquer nova iorquino.
— O que é ? – Perguntou. – Me diz o que é e eu darei um jeito de trazer a você. – Stella deu uma risadinha.
— Sério ? Você promete ? – Mac assentiu.
— Claro. – Afirmou em palavras. – Eu prometo que farei de você a mulher mais feliz de Nova York. – Stella lhe deu um belo sorriso.
— Tudo bem, eu digo! – Concordou. – E agora você vai ter que cumprir essa promessa, Taylor, de um jeito ou de outro. – Apontou para ele que sorriu. – O que deixaria feliz de verdade seria comer uma boa pizza e tomar uma boa caneca de chopp.
— Espera… É isso ? Comer uma pizza e tomar um chopp ? – Franziu as sobrancelhas desacreditado. – Isso te deixaria mais feliz ?
— Eu não estou entendendo esse tom de desdém na sua voz, detetive. – Ele se conteve para não rir. – Estamos falando de duas coisas importantes, Mac, pizza e chopp. – Stella estava com uma expressão séria. – Bom, talvez você não saiba, mas essas duas coisas faz parte da vida de qualquer bom e verdadeiro cidadão nova iorquino, okay ?! Mas é claro que você não entende disso já que você é um cara de Chicago. – Mac deixou o riso escapar.
— E você é grega. – Arqueou as sobrancelhas. – Não pode me julgar, Bonasera.
— Eu cresci em Nova York, isso já me faz diferente de você. – Ele apenas ria dela que deu um tapa nele. – Não ria de mim, Taylor. De qualquer jeito, você me prometeu e terá que cumprir sua promessa.
— Você não quer que eu te traga um chopp aqui no hospital, quer ? – Stella mordeu o canto dos lábios.
— Eu tenho certeza que você vai pensar em algo criativo. – Sorriu e ele arqueou as sobrancelhas. – Você disse que me faria a mulher mais feliz de Nova York, não disse ? – Deu um passo para mais perto de Mac que sentiu o ar faltar em seus pulmões. – Então, prove e me faça a mulher mais feliz dessa cidade.
Aquele sorriso de canto dela estava matando ele, era como se Stella conspirasse contra ele e seu autocontrole, mas ao mesmo tempo era como nos velhos tempos, os flertes escondidos em uma conversa entre dois melhores amigos que sempre tiveram apenas aquele único papel na vida um do o outro e nunca ousaram tentar outro.
— Você quer que a Barbie me chute lá para fora, não é ? – Ela gargalhou. – Basicamente você não quer mais me ver, é isso ?
— Não seja bobo, Mac Taylor, eu sempre quero ver você.
— Sério ? Então eu acho que você tem razão, eu sou o cara de sorte aqui.
Demorou alguns segundos mas ela sorriu para ele e desviou seu olhar para a cidade. Mac apenas seguiu seu exemplo e ambos passaram a observar Nova York em plena luz do dia mais uma vez.
— A Barbie nunca te chutaria lá para fora. – Riu da sua própria frase. – Eu acho que ela tem uma queda por você.
— Assim como qualquer outra mulher desta cidade. – Brincou e a olhou.
Desacreditada com aquela frase ela apenas sorriu e balançou a cabeça negativamente.
— Não seria qualquer outra mulher do mundo ? – Ela também o olhou. – Nova York, Nova Jersey, Londres… – Ela pensava em outros possíveis nomes.
— Está bem ! Eu entendi. – Interrompeu ela que o olhou divertida. – Ponto para você.
— O que aconteceu dessa vez ?
— Como assim ?
— Quando eu fui embora, você e a Peyton estavam tentando novamente. – Mac deixou um suspiro escapar. – O que aconteceu ? Você parecia querer fazer dar certo.
— Eu e ela nunca daríamos certo, Stella. – Ele deixou de olhá-la. – A vida dela está em Londres e a minha em Nova York, percebemos muita coisa sobre nós dois e tomamos a decisão certa. – Mac deu um sorrisinho. – É melhor sermos apenas amigos que vivem suas vidas em mundos e continentes diferentes.
— Finalmente colocaram o ponto final ? – Mac a olhou.
— Por que ? Está interessada ?
Aquelas duas perguntas haviam saído de sua boca sem nem ao menos ele perceber, ele repreendeu seu cérebro por não pensar direito em certos momentos, aquelas provocações estavam se tornando perigosas, principalmente para ele que poderia ser o mais prejudicado no final.
— O que ? – Stella reagiu pasma e nervosa.
Ela estava com as bochechas levemente coradas e Mac por mais que quisesse, não podia negar que vê-la daquele jeito fez com que ele quisesse sorrir para a cena. Em um momento de completo silêncio e sem qualquer sinal de constrangimento entre eles, os dois amigos tinham seus olhos presos um no outro.
— Eu sinto muito por interrom … – Barbie entrou no quarto parou quando viu a cena.
A enfermeira olhou para os dois e se xingou mentalmente por não ter enrolado mais um pouco do lado de fora do quarto, ela quis dar passos para trás mas Stella a olhou.
— É melhor eu voltar ... – Moveu silenciosamente os lábios e Mac a olhou fazendo com que ela parasse. – Eu vou voltar depois. – Se preparou para sair.
O toque desesperado do celular se fez presente no quarto entre os três. Stella olhou para Mac que devolveu o olhar por um segundo.
— Pode ficar, Barbie. – Ele tirou o aparelho do bolso. – Eu preciso atender, me desculpe. – Falou com a grega que deu um sorrisinho tímido.
— Claro. – Concordou sem jeito.
Mac insistiu em olhá-la por mais alguns segundos enquanto segurava o celular tocando, ele desviou seu olhar quando deu os primeiros passos em direção a Barbie e a porta de saída do quarto, ele passou pela enfermeira e lhe deu um sorrisinho sem graça.
— É hora do meu banho finalmente ? – Stella caminhou em direção a cama.
— Ele é só meu amigo. É, tá bom! Eu acredito. – Disse Barbie baixinho mas audível para Stella.
— Eu ouvi isso, Barbie. – Se sentou na cama.
A enfermeira deixou um risinho escapar e caminhou até ela.
— Me desculpa, eu atrapalhei vocês.
— Está tudo bem! Estávamos apenas … – Ela parou e a enfermeira arqueou as sobrancelhas. – Conversando.
— Não, você não estavam. – Negou sorrindo. – Será que ele teria te beijado se eu não tivesse entrado ? E eu não acredito que estraguei isso! – Desviou seu olhar levemente brava. – Eu deveria ter tomado mais um café.
— Eu posso tomar o meu banho ou não ? – A mulher deu uma risadinha.
— Claro, eu te acompanho até o banheiro. – Assentiu.
Stella aceitou e caminhou junto com Barbie até o banheiro do quarto.
…
“ Seus olhos exaustos e pesados piscaram forte por diversas vezes ao ouvir o som distante do assovio cantarolando uma música, a claridade diretamente contra seu rosto irritava seus olhos que permaneceram no escuro por horas, nervosa ela os deixou fechados e soltou um suspiro, cansada tentou mover-se mas algo a impediu, seu corpo parecia estar preso em algum lugar, ainda que tentasse puxar seus braços ela sentia uma dor em seus pulsos ao fazer tal movimento, novamente ela se esforçou para se manter com os olhos abertos mas a sonolência parecia puxá-la para trás.
— Nós vamos nos divertir, eu prometo. – Disse um sussurro em seu ouvido. – Bom, pelo menos eu vou. – Uma mão acariciou seu rosto.”
…
Stella abriu as mãos debaixo do chuveiro e observou a água morna cair sobre suas palmas e depois se derramar sobre o chão, ela sorriu com aquela simples situação, era bom poder tomar um banho sozinha sem estar se afogando e sendo assistida por um lunático.
Ela passou as mãos pelos cabelos molhados e fechou os olhos aproveitando aquele momento debaixo da água. Barbie estava no quarto esperando-a para cuidar do seu curativo, ela agradeceu por ser impermeável e ter chance de tomar um banho decente onde pudesse lavar a cabeça, era algo tão simples mas que parecia lavar a alma quando estava estressada ou cansada de um dia de trabalho.
“ – Você não quer que eu te traga um chopp aqui no hospital, quer ? “
Ela abriu os olhos ao lembrar da cena mais cedo, a voz de Mac em sua cabeça perguntando aquilo fez com que ela soltasse um curto e silencioso riso, ainda sorrindo ela balançou a cabeça negativamente e continuou o seu banho.
…
Encostado na parede do lado de fora do quarto de Stella, Mac aguardava pacientemente até que pudesse voltar para dentro e para o lado dela. Sua mente tinha apenas o último momento juntos, a provocação vinda dele e a longa troca de olhar entre os dois, seu coração estava prestes a sair pela boca senão fosse pela interrupção da enfermeira.
— Detetive Taylor ? – A voz masculina o chamou.
Ao erguer os olhos, ele viu Anthony Keller se aproximando dele, vê-lo foi como uma balde de água fria sendo derramado sobre sua cabeça.
— Como vai, detetive Keller ?
— Pode me chamar de Anthony. – Mac assentiu vendo-o parar do seu lado.
— Mac. – O homem devolveu o gesto positivo. – Stella está com a enfermeira, ela estava tomando banho.
— Eu acho que cheguei atrasado. – Encostou na parede junto com ele.
— O doutor Williams a transferiu mais cedo que o combinado, acho que foi de última hora.
— E você estava com ela ? – Ambos olhavam a parede branca da frente.
— O Flack estava lá quando ela recebeu a notícia, eu cheguei depois e acompanhei tudo.
Anthony desenhou um sorriso.
— Você sente algo por ela ? – Indagou passando a encarar Mac.
Ao ouvir aquela pergunta em um tom de voz tão calmo Mac o olhou.
— Você gosta da Stella, eu sei disso. – Ele fez um gesto positivo com a cabeça. – O que eu quero saber, o que eu preciso saber é se esse sentimento é apenas de bons amigos ou se é algo mais.
Mac respirou fundo antes de qualquer resposta.
— Eu amo a Stella. – Mac declarou. – Não é apenas como um bom amigo, eu realmente amo ela e por muito tempo demorei para ver isso.
O som da porta abrindo e fechando fez com que ambos olhassem para o lado e vissem Barbie saindo do quarto, a enfermeira dividiu seu olhar entre os dois por alguns segundos em silêncio.
— Ela está livre agora. – Avisou e saiu pelo corredor da ala.
…
“ De longe ele a avistou sentada em uma mesa no fundo do restaurante, com o olhar perdido no lado de fora do estabelecimento ela estava apoiada sobre a mesa e sua cabeça se movia ao embalo da música baixa de fundo. Mac se aproximou e se sentou de frente para ela que o olhou assim que sentiu alguém sentar na mesma mesa que ocupava.
— Hey, você chegou. – Desenhou um sorrisinho. – Foi mais rápido do que eu esperava.
— Você disse que era urgente, eu vim o mais rápido que pude. – Mac se apoiou na mesa. – O que aconteceu ? Está tudo bem ?
— Não aconteceu nada e eu estou ótima! – Stella assegurou. – Não se preocupe.
— Você disse que era urgente, Stella. – Ele franziu as sobrancelhas.
— E é urgente ! – Afirmou. – Já provou a pizza desse lugar ?
— Espera... – Mac se afastou da mesa confuso. – Você me trouxe até aqui para comer só uma pizza ?
Stella abriu a boca e o olhou como se ele a tivesse acabado de ofendê-la gravemente.
— Nunca mais diga isso, Mac. – Ela se aproximou mais da mesa. – Esse lugar não vende “só uma pizza”. – Gesticulou com as mãos. – Eles fazem e vendem a melhor pizza dessa cidade. – Disse séria, mas dando um sorriso depois. – Não me olha assim, Taylor ! Apenas confie em mim e você vai provar a melhor pizza da sua vida.
Depois de alguns segundos em silêncio apenas olhando-a sorrir, ele devolveu um sorriso discreto e assentiu.
— Eu espero que a pizza seja realmente muito boa ou eu juro, Bonasera, que vou te acordar na madrugada para trabalhar durante um mês inteiro. – Disse e ela deu uma risadinha.
— Okay ! Valendo minhas horas de sono. – Concordou – Mas, e se eu tiver razão ? O que eu ganho ? Além da razão e da vantagem disso sobre você pelo resto das nossas vidas, é claro. – Mac riu.
— Faça seu preço. – Mandou e ela arqueou as sobrancelhas mordendo o canto do lábio inferior.
— Perfeito, Mac Taylor ! – Disse rindo. – Era o que eu precisava ouvir.
— Eu acho que já estou arrependido de ter dito aquilo.
— Se eu tiver razão e a pizza for muito boa, a melhor que você já comeu… – Parou e fez um curto suspense. – Você vai entrar e sair do laboratório em horários normais, como qualquer pessoa, por um mês, e isso inclui: Sem entrar mais cedo ou sair mais tarde por conta de relatório s e documentos.
— Esse é seu pedido ? – Ela assentiu. – Sério ? – Ela fez o gesto positivo novamente.
— O que acha ? Temos um bom acordo ? – Estendeu a mão para ele por cima da mesa.
— Feito ! Temos um acordo. – Segurou a mão dela e apertando levemente para selar aquelas promessas.
— Stella, é bom vê-la e hoje acompanhada por alguém diferente. – A mulher de cabelos curtos e louros se aproximou. – O que vão querer hoje ? Aproveitem que o Angelo está inspirado.
— Isso é ótimo, Linda. – Sorriu simpaticamente para ela. – Nós vamos querer uma pizza grande como sempre, mas hoje vamos de meia marguerita e meia pepperoni. – Ela anotou. – E também vamos querer duas canecas de chopp.
— Tudo bem! Eu volto logo com o pedido de vocês. – Sorriu para os dois. – Com licença. – Se afastou da mesa, deixando-os a sós.
— Quer dizer que eu não sou o único para quem você apresentou esse lugar ? – Encarou a Stella. – Eu confesso que isso me magoou. – Ela sorriu.
— Eu e a Lucy descobrimos esse lugar juntas, você deveria estar lisonjeado por estar aqui sem a permissão dela. – Mac sorriu. – Ela mesma disse que é a nossa pizzaria e só ela pode vir aqui comigo.
— Você quebrou sua promessa. – Ele pegou um papel no porta guardanapo da mesa. – Mas a sua maior sorte é que eu sou o padrinho dela e ela me ama, eu sou o adulto favorito da Lucy. – Sua atenção estava em suas mãos que dobravam e redobrava a folha. – Eu posso fazer ela te perdoar por ter cometido esse grave erro. – Voltou a olhá-la com um pequeno aviãozinho de papel em mãos. – Eu vou te livrar dessa.
— Agora eu vejo com quem Lucy vem aprendendo a ter tanta modéstia. – Mac sorriu. – Deveria se envergonhar, Mac Taylor. – Ele arremessou levemente o avião contra ela.
Fracassadamente o avião feito por Mac caiu no meio da mesa sem atingir o seu objetivo de chegar até a grega que automaticamente gargalhou ao ver a cena e a cara do detetive de ter falhado. Contagiado pelo som da risada da melhor amiga, ele assistiu ao momento com um sorriso que automaticamente surgiu em seus lábios. “
…
Mac sorriu ao sair daquela lembrança, sentado em sua cadeira de frente para sua mesa ele suspirou frustrado desviando seu olhar para a foto dele com Stella e Lucy.
— De novo aqui ? – Ele procurou pela dona daquela voz e se encontrou com Jo na porta.
— Pelo jeito você me odeia mesmo. – Ela sorriu. – Quer se ver livre de mim, detetive Danville ?
— Tá brincando ? – Entrou na sala dele. – Eu te dou parabéns por aturar esse cargo por tanto tempo. – Mac riu. – É horrível estar sempre no comando, um verdadeiro porre ser sempre a chefe e ter que lidar com tudo ao mesmo tempo. – Se sentou na cadeira da frente. – Você merece o céu por isso.
— Eu sinto muito por ter te sobrecarregado.
— Eu já te disse que está tudo bem! Não precisa me agradecer ou se desculpar, somos parceiros e é o meu trabalho assumir as rédeas quando você não está, de qualquer forma foi uma boa experiência. – Se aproximou da mesa. – E também foi divertido brincar de chefe com o Adam, agora eu entendo como se sente, é muito engraçado o jeito que ele age todo nervoso. – Mac deu uma risadinha.
— Agora faz todo sentido do porque ele perguntou se eu iria voltar logo. – Ela sorriu de um jeito divertido. – Bom trabalho, Jo.
— Mas, me conta como a Stella está. – Apoiou-se na mesa. – E por que você está aqui ?
— Ela está bem! Está mais animada com o novo quarto, ele é bem melhor que o da UTI, é claro. – Contou a Jo que ouvia atenta. – Ele é maior, mais iluminado e tem uma boa vista para a cidade, o que a deixou feliz. – Sorriu ao se lembrar do momento.
— E a segunda pergunta ? – O sorriso se desfez aos poucos. – Ele apareceu, não foi ?! – Mac assentiu.
— Isso já era o esperado! Pelo menos ela está em boas mãos. – Jo apenas ficou o olhando em silêncio. – Me atualiza sobre o caso do Sheldon de hoje mais cedo e sobre o laboratório. Tem algo que eu precise saber ?
— Por que não vai para casa descansar ? – Sugeriu de encostando no respaldo da cadeira onde estava.
— Vamos, Jo ! Eu realmente preciso trabalhar um pouco, isso vai me ajudar mais do que ir para casa. – Ela suspirou.
— Tudo bem. – Concordou.
Mac desenhou um curto e desanimado sorriso para sua parceira que começou a atualiza-lo sobre o caso de mais cedo, esse qual Sheldon e Danny haviam assumido quando ele correu para o hospital após falar com Flack.
…
De volta ao escritório depois de sair para pegar um café, Mac se sentou e olhou para o relógio digital em sua mesa, já havia passado algumas horas desde que voltou do hospital e deixou Stella na companhia de seu namorado. Ele se sentou em sua cadeira e soltou um suspiro enquanto bebia um gole do líquido preto e concentrado.
…
“ Os dois se olharam depois de ver a enfermeira sumir pelo corredor, Anthony tinha uma expressão tranquila, ele deu um passo para mais próximo da porta e encarou Mac.
— Eu não estou disposto a abrir mão da Stella. – Disse calmo.
— Você a ama ? – Mac indagou. – Você pode me prometer que vai fazê-la feliz ? – Anthony se preparou para responder, mas Mac foi mais rápido. – Porque se fizer isso e eu sentir que é verdadeiras suas palavras, então, eu posso desistir dela!
Ele sorriu discretamente.
— Sabe o que é engraçado? Eu aceitaria isso sem pensar duas vezes e prometeria a você que faria Stella a mulher mais feliz de Nova Orleans, isso não seria um problema para mim, mas, apesar de querer te prometer isso, tem uma coisa que eu ainda não sei.
— O que ?
Anthony olhou para a porta do quarto por alguns segundos e respirou fundo.
— O que ela realmente sente por você. – Olhou para Mac. – Eu ainda não sei se ela gosta de você como o melhor amigo, ou se ela se sente da mesma forma que você e esconde isso até mesmo dela.
— O que te faz pensar que ela pode se sentir da mesma forma que eu ?
— Meus instintos dizem que talvez haja algo, eu posso estar errado… – Mac não quis que ele estivesse. – Ou não! E se eu não estiver, eu quero que você me prometa que vai fazê-la feliz, porque nós dois sabemos que ela merece isso. “
…
Mac se levantou de sua cadeira com a caneca de café em mãos e se colocou de prontidão em frente a sua janela, ele se sentia frustrado por não estar ao lado de Stella como queria mas ao mesmo tempo sentia uma ponta de esperança depois da surpreendente conversa com Anthony Keller.
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