A New Chance.
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Enquanto caminhava mais uma noite pela areia fofa e clara da praia de Montauk, ele se recordava da última vez que os dois estiveram ali juntos. A memória dos dois no mar rindo confortou seu coração por apenas alguns segundos. Caminhando a sua frente estava Stella em um profundo silêncio, afundando seus pés descalços na areia enquanto carregava os próprios sapatos nas mãos.
Quando ela finalmente parou e jogou seus sapatos na areia, ele sentiu seu coração acelerar e suas mãos tremerem pelo receio do que poderia vir a seguir. Mac não sabia se deveria tomar um lugar ao seu lado, ou se talvez fosse melhor ficar um pouco afastado atrás dela. Stella ergueu seu olhar para cima e observou o céu estrelado por alguns minutos tão silenciosos quanto o trajeto deles até aquele lugar calmo.
— Você tinha me prometido que pararia de agir feito um idiota, se lembra? – Ela perguntou. – Mas, sabe o que é pior disso tudo, Mac? – Se virou para ele. – O pior não foi sua promessa, nem mesmo foi o fato de você ter quebrado ela. – Cruzou os braços. – O pior de tudo isso foi eu ter acreditado em você cegamente!
— Eu sei que está brava comigo… – Stella soltou uma risadinha, interrompendo-o.
— Brava? Eu estou furiosa com você! – Corrigiu. – Você fez tudo de novo, Mac! Agiu como um completo idiota orgulhoso novamente. – Sua voz se alterou. – Você sumiu mais uma vez e me ignorou como se eu não significasse nada para você, como se mais de uma década de amizade não existisse entre nós dois, como se eu fosse uma de suas ex namoradas. É tão fácil assim virar as costas para mim? É tão fácil assim agir como se eu não existisse ? – Questionou visivelmente magoada.
— Foi você quem me mandou embora, lembra? Naquela noite no hospital… Foi você quem me pediu para ir embora, Stella! – Rebateu arredio.
— Eu pedi para você ir embora do hospital e não da minha vida, seu idiota. – Gritou em plenos pulmões. – E você sabe disso! Mas, só está tentando arrumar uma desculpa para suas burrices. É sempre assim, Mac! Você não mudou nada! – Disse uma Stella visivelmente irritada. – Não me subestime, Mac Taylor, eu conheço você o suficiente para saber quando está fugindo… – Mac a interrompeu.
— Eu me declarei para você e você me ignorou. – Seu tom também se elevou. – Eu me abri para você, eu disse que te amava, Stella e você foi embora! Você simplesmente foi embora! – Desabafou tão alto quanto ela. – Você me deixou plantado naquele telhado! Isso doeu, sabia ? É, me machucou, Stella! Então me desculpe se o meu sumiço magoou você, mas… – Stella tomou a fala.
— Oh eu te machuquei? – Indagou com um tom de surpresa. – Sério, Mac? Depois de tudo o que aconteceu entre nós, fui eu quem te machuquei ? É sério ?
Mac não conseguiu respondê-la, ele sentia não ter voz e nem mesmo uma resposta para aquele momento. Ele havia machucado a grega muito mais e sabia disso, assim como sabia que ela também tinha consciência de ter magoado ele quando foi embora. Ambos sabiam de seus próprios pecados.
Stella respirou fundo tentando manter o controle. Ela pareceu querer falar algo, mas, pensou por mais alguns segundos antes de finalmente fazer.
— Você não me ama, Mac! – Negou calmamente. – Você só está com medo e se sentindo culpado por tudo o que aconteceu entre nós, comigo e até mesmo com você durante esse tempo afastados. – Sua voz tremulou. – Mas, eu não sou a Christine, Mac! – Balançou sua cabeça negativamente. – Eu não sou a Peyton, ou a Ella, ou qualquer mulher que você manteve na sua vida por medo ou culpa. Então, por favor, não me coloque nessa lista. – Ela pediu. – Depois de todos nossos anos juntos, eu mereço mais consideração que isso.
— Você acha mesmo … ? – Sua voz sumiu. Mac suspirou discretamente. – Você está certa sobre o medo e sobre a culpa! – Assentiu – Eu tenho medo de perder você, Stella! Eu me desespero só de pensar ou imaginar isso. Eu também me sinto culpado por tudo o que aconteceu entre nós dois, e eu não me refiro apenas à nossa amizade, ou da forma como te afastei da minha vida. Eu me sinto culpado por não ter enxergado o que sempre senti por você, o que esteve escondido em mim por anos. A forma como me sentia quando estava perto de você, o jeito que você fazia as coisas sempre terem um lado um bom, independente da situação ou do meu humor. – Sorriu apreensivo. – Eu nunca parei para enxergar como meu dia se tornava melhor depois de ter ver, nem que fosse apenas por um segundo enquanto você passava em frente da minha sala ou até mesmo por mim nos corredores. Nunca percebi que sem você, eu não sou engraçado, eu não sou um cara legal, eu sou apenas os escombros de um homem mal humorado e solitário. Eu… – Encarou a areia por cinco segundos. – Sem você eu sou um completo desastre, Stella! – A olhou. – Essa é a maior verdade que existe sobre o Mac Taylor que todos conhecem.
— Você não é um desastre, Mac! – Sua voz parecia embargada. – Não diga mais isso, por favor.
Graças a luz da bela lua que enfeitava o céu estrelado, ele podia ver a face que tanto amava. Não havia nenhuma expressão desenhada em seu rosto, ele estava neutro enquanto os olhos verdes o encaravam.
— O que você quer de mim? – Stella o questionou. – O que quer que eu te diga? Por que mudou de ideia e decidiu me ver ?
— Porque eu não terminei de falar o que eu queria naquela noite. – Se aproximou dela.
— Mac. – Murmurou seu nome. – Eu já te disse… – Ele a interrompeu.
— Eu sei. – Concordou. – Não posso fazer isso com você, não tenho esse direito. Eu me lembro disso. Mas, se eu não fizer isso e ignorar o que eu venho sentido, eu acho que posso me arrepender mais do que já me arrependo. – Forçou um sorriso torto e tristonho.
Stella não recuou nenhuma vez, pelo contrário, ela permaneceu parada com seus braços ainda cruzados, enquanto o assistia parar há menos de dois metros de distância
— Eu amo você, Stella. – Declarou-se. – Eu realmente amo você! Eu- eu amo suas qualidades e também amo seus defeitos, incluindo os piores deles. Eu assumo que sou completamente apaixonado pela mulher incrível, talentosa e maravilhosa que você é! Eu amo a sua bondade, sua inteligência e a sua teimosia, que sempre me deixava maluco. – Sorriu com a recordação. – Eu também amo suas manias, desde as mais irritantes até as que me fazem rir. Você é a única mulher que me fez sentir vivo novamente, que me tirou do fosso e me fez sorrir. O que me lembra do quanto eu sou apaixonado por seus sorrisos, e eu me refiro a todos eles, menos aquele quando você desenha quando está triste e só está tentando me convencer que está bem, mas não está. Eu odiava vê-lo em seu rosto, porque se você estava triste então eu também ficaria de alguma forma. Mas por outro lado, eu amava fazer você sorrir, era um prazer te deixar feliz quando algo te aborrecia. Não existe nada que me deixe tão feliz quanto ver o seu sorriso, principalmente quando ele é para mim. Porque quando ele é para mim, eu me sinto o cara mais sortudo do mundo.
Stella o interrompeu, tomando a frente da conversa antes que ele continuasse a declaração.
— Mac, por favor, para. – Implorou. – Eu-eu … – Gaguejou sem conseguir terminar a frase. – Droga. – Murmurou para si mesma.
Stella pareceu tomar um pouco de folego enquanto desviava seu olhar do dele. Ela observou o mar por um minuto.
— Tem uma coisa que você precisa saber. – O olhou – Anthony e eu conversamos sobre casamento. Ele quer se casar comigo! – Anunciou.
Ele sentiu o mundo parar naquele exato segundo. Mac teve que se esforçar para manter seus pés presos ao chão, senão ele desabaria ali mesmo. Seus olhos nunca ficaram tão presos em alguém como estavam em Stella, que por sua vez parecia ter um olhar receoso sobre ele.
— O que? Você- você vai casar com ele? – Franziu as sobrancelhas. – Quando ?
— Bom, não temos uma data em mente ainda, mas, Anthony não quer esperar muito. Ele quer fazer isso antes da Mia ir passar uma temporada com os avós maternos na Irlanda.
— Você não pode… – Negou quase sem voz. – Você quer isso? Você vai fazer isso, Stella ?
— Por que eu não faria? Anthony não é o tipo de pessoa que fala sobre casamento quando não está realmente disposto. – Deu um sorrisinho curto. – Ele sempre me disse que não queria se casar de novo e agora … – Mac a parou.
— Não faça isso, Stella! Não se case com ele! — Pediu com desespero.
Ele caminhou para mais perto e diminuiu a distância entre os dois, ficando meio metro apenas longe dela. Era perto o suficiente para deixá–lo mais nervoso do que estava, e ainda mais apaixonado por estão tão próximo.
— Por favor. – Insistiu encarando-a carinhosamente. – Me escuta, Stell... – A grega não permitiu.
— Não. – Stella negou dando dois passos para trás. – Não, não, Mac. Por favor sou eu quem peço. – Choramingou. – Não faz isso comigo de novo! – Sua voz parecia sair em súplica
— Stell. – Ele tentou segurá-la, mas, ela se esquivou.
— Não, Mac. – Recuou mais uma vez. – Você não vê que está sendo cruel comigo ? – Perguntou magoada.
— Eu estou sendo cruel? Por que?
— Porque você não pode simplesmente chegar, dizer que me ama e pedir para mim não me casar com o Anthony. – Respondeu impaciente. – Você não tem o menor direito de querer isso de mim depois de … – Ela perdeu sua voz e desviou o olhar. – Eu estive na sua vida por anos, Mac! Não foram dias ou meses, foram mais de dez anos sendo unicamente sua amiga. Esse era o meu papel na sua vida, ser sua melhor amiga, aquela para quem você ligava de madrugada quando queria dar risadas ou apenas conversar. – O encarou diretamente. – A gente saia, bebia e flertava como se fosse a coisa mais normal entre dois amigos, e acho que acabou se tornando para mim... Eu comecei a detestar a palavra normal por sua causa! Porque aquilo não era normal, mas eu precisava acreditar que era para o meu bem e para o bem da nossa amizade. Nós dois sabemos que as coisas entre a gente nunca foram normais, pelo menos não depois de alguns anos juntos, mas insistíamos, certo ?! Apenas melhores amigos! – Deu um sorrisinho de escárnio. – Sabemos bem que amigos não flertam, amigos não agem da forma que agíamos, amigos não se apaixonam um pelo o outro. O nosso maior erro foi achar que estava tudo bem em agir daquele jeito. – Seu olhar demonstrava magoa. – Mas, maior ainda foi eu ter ficado tanto tempo... tanto tempo me fazendo de cega em relação à você, á mim, aos meus sentimentos e á nós dois. Foi um erro meu !
Mac sentia seu peito doer, como se fosse explodir de tristeza. Aquelas palavras que nunca foram ditas em voz alta estavam machucando profundamente por ele entender justamente o que estava acontecendo e o que poderia vir a seguir.
— Isso é uma confissão? – Mac sussurrou. – Você já sentiu algo mais por mim, Stella? – Fez a pergunta tão importante.
— Por muito tempo eu quis acreditar que não. – Murmurou de volta em negação. – Eu me convencia a pensar que era apenas amizade e que era normal esses sentimentos porque éramos muito próximos e … – Sua voz falhou. – E eu consegui manter isso por um bom tempo. É, eu consegui! Mas, é mais difícil do que muitos imaginam, então, houve um momento em que eu não conseguia e nem aguentava mais mentir para mim mesma sobre o que estava se passando comigo... Com a gente. – Corrigiu-se.
— Você nunca me disse nada, Stella!
Stella desviou seu olhar para cima e soltou um sorriso falso.
— Para que, Mac? Para ouvir de você que era coisas da minha cabeça? Que nós dois éramos apenas dois bons amigos ? – O olhou firme. – Para ver se afastar de mim e da minha vida o único homem em que eu confiava plenamente ? – Ela balançou a cabeça negativamente. – Eu não queria perder nossa amizade, e eu sei que se eu te falasse algo, isso aconteceria!
— Não, Stella. – Negou. – Isso não é…. – Ela o interrompeu.
— Por favor, Mac, sejamos sinceros. – Suplicou nervosa. – Você NUNCA olhou para mim de outra forma que não fosse como sua melhor amiga ! Você olharia, notaria e se apaixonaria por qualquer outra mulher, menos por mim. Você sempre escolhia as que iriam te deixar, aquelas que iriam te machucar de algum jeito, era sempre as que você sabia que não dariam certo. Peyton é um bom exemplo disso! Você correu para ela pela segunda vez mesmo sabendo que a vida dela era em Londres e a sua aqui em Nova York. Você sempre preferiu sabotar sua vida amorosa, mas, nunca sequer tentou olhar para mim ou para nós dois. Você diria tudo o que eu tinha medo de ouvir e isso acabaria com nós dois, com a nossa amizade… – Disse com a voz embargada. – Eu escolhi manter você na minha vida apenas como meu amigo, do que arriscar perder você de vez. – Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. – Porque vamos confessar entre nós que seria isso o que aconteceria. – Limpou a lágrima com as costas da mão. – E eu não estava preparada para perder você, eu nunca estive. – Confessou.
Mac abaixou seu olhar e encarou os grãos de areia. Ele sentia que suas pernas estavam perdendo suas forças e seus olhos queimando cada vez mais. Ele estava arrasado por dentro, com seu coração completamente estilhaçado.
— Eu finalmente consegui me permitir viver algo com alguém, Mac! Para mim, eu e Anthony éramos apenas dois colegas que se divertiam juntos depois de um dia exaustivo no trabalho. E eu mantive isso até saber sobre você e Christine! – Revelou soltando um suspiro. – Foi quando todas as minhas curtas, mínimas e quase inexistentes esperanças em relação a você acabaram de vez. – Mac a olhou. – Anthony sempre quis algo mais sério, como nos assumir para as pessoas, uma relação de verdade e pública, mas, eu não me permitia a isso porque de alguma maneira, eu não conseguia. – Soltou um risinho. – Engraçado, certo ?! Mas, quando soube que você estava noivo, foi como uma pancada horrivelmente dolorosa … – Sorriu melancolicamente. – Mas, me ajudou, porque eu acordei para a realidade e finalmente aceitei o amor dele! E eu sei que foi uma boa decisão porque eu não me arrependo dela.
— Isso significa que você o ama?
Os lábios dela se esticaram e o sorriso que antes era melancólico se transformou e um singelo e carinhoso.
— Sabe, desde o dia em que nos conhecemos, ele faz com que eu me sinta bem, alegre e confortável para conversar, desabafar ou apenas chorar se precisar. Ele sabe como me fazer rir e me sentir feliz! Ele é calmo e nunca perde a cabeça comigo e com a minha teimosia. – Ela pareceu pensar no homem por um segundo. – Na verdade, ele é um cara totalmente paciente em relação ao meu jeito e temperamento. O que nós dois sabemos que é bem difícil as vezes, certo?! — Deu um curto risinho. – Se eu o amo? – Soltou um leve suspiro. – Bom, eu acho que sim!
— Acha?
— Sim, eu acho! Eu amo o Anthony de alguma forma, Mac! Eu não sei se é o jeito certo, se é do jeito que eu deveria amá–lo, mas, eu sei que tenho bons sentimentos por ele.
— São bons o suficiente para se casar?
Stella ficou em silêncio por alguns segundos, encarando-o. Ela balançou a cabeça levemente em um sinal de afirmação para a pergunta.
— Sim. – Afirmou. – Eles são bons o suficiente para mim fazer isso!
Mac se controlou para não desabar ou chorar. Ele soltou sua respiração de um modo discreto e calmo, e assentiu em compreensão.
— E quanto a mim? Você não sente mais nada por mim? – Indagou ansioso.
Stella ficou muda por alguns minutos, apenas o olhando atenta e fixamente. Mac arriscou encurtar a distancia entre os dois e se aproximou dela pacientemente, interrompendo o silêncio
— Talvez eu possa sentir algo! – Afirmou calmamente. – Não é tão fácil tomar o seu lugar, Mac! – Soltou um sorriso de canto. – Foram muitos anos apaixonada por você, afinal de contas.
— Eu devo interpretar isso como uma dúvida que ainda existe? – Questionou. – Uma esperança?
— Não, não deve. – Murmurou negativamente. – Eu estive na sua vida como segunda opção durante anos, Mac! E depois de tudo o que passamos, eu não vou ser a mulher que vai correr para você, para os seus braços agora que finalmente decidiu me amar. Eu não vou fazer isso! – Voltou alguns passos para trás. – Não depois passar anos amando você em silêncio!
— Você não pode me culpar por não retribuir. – Argumentou. – Eu nunca tive a chance de saber, Stella. Você nunca me deixou saber sobre como se sentia em relação a mim.
— Quer que eu me desculpe?
— Não, eu não quero. – Negou. – Eu quero que você me responda honestamente. Você quer mesmo se casar com o Anthony? Isso te faria feliz ?
— Por que ? Você está preocupado com a minha felicidade ? – Os olhos dela estavam cheios de lágrimas contidas.
— Sempre. – Afirmou. — Eu poderia soar clichê e dizer que me preocupo com a sua felicidade por amar você, mas, mesmo antes quando não sabia os meus reais sentimentos, isso já me preocupava e importava para mim. Eu sei que não é diferente com você, certo? Eu sei que se preocupa comigo e com a minha felicidade! Me deixe saber, Stell. – Pediu. – Você realmente quer se casar com ele ? Ou só quer fazer isso por punição ? Por achar que é o correto?
— Sabe o que eu realmente quero, Mac ? – Deu um passo a frente. – Eu quero meu melhor amigo de volta ! – Suas lágrimas rolaram por sua face de vez. – Eu sinto falta dele! Eu sinto falta das vezes que ele estava lá por mim no final de um dia cheio ou de um dia tranquilo, eu sinto falta das nossas conversas e risadas, das noites no bar entre cervejas e assuntos diferentes da nossa realidade. Eu saudades disso tudo! E uma das coisas que eu sei sobre a minha vida, é que quero você nela, Mac. – Disse decidida. – Agora me diga: Eu posso ter meu melhor amigo de volta ? Ou eu terei que ficar sem ele mais uma vez ? – Chorou.
— Isso não vai acontecer ! – Garantiu. – Eu nunca cogitei sair da sua vida outra vez. Nunca, ok ?! – Mac respondeu. – Eu não posso fingir que nada aconteceu e que os meus sentimentos por você não são reais, Stella, mas, estou aqui se você ainda me quiser na sua vida. – Sorriu carinhoso. – Eu vou amar você silenciosamente e torcer por sua felicidade. – Tocou o rosto molhado dela. – Assim como você fez por mim durante anos!
Stella o abraçou e silenciosamente chorou em seus braços. Mac inalou seu perfume e mesmo com seu coração apertado, ele a confortou e acariciou suas costas cobertas pelo tricô do seu casaco.
— Só peço que tenha calma comigo e me dê um tempo para aceitar que perdi você, está bem ? – Sussurrou. – Não me convide para o seu casamento com o Keller ou eu posso tentar impedi-lo e te deixar furiosa.
Stella soltou uma risadinha baixa e ele automaticamente sorriu, mesmo sentindo-se quebrado.
— De qualquer forma, se algum dia você se cansar dele… – Stella se afastou e o encarou com os olhos molhados e vermelhos.
— Você ainda estará me esperando? – Murmurou.
Mac segurou o rosto dela delicadamente em suas mãos e acariciou seu rosto com os polegares, limpando qualquer rastro de lágrimas. Ele desenhou um sorriso discreto e observou fixamente os olhos dela por um minuto.
— Com certeza estarei! – Afirmou.
— Mac, você não pode … – Stella tentou falar, mas, Mac não permitiu.
— Eu esperarei por você no meu apartamento, vou estar esperando você tocar a minha campainha e dizer que mudou de ideia. – O sorriso dele se transformou em um cheio de ternura. – Eu sei que esse dia pode não acontecer e você pode ser feliz com o Anthony pelo resto da sua vida, mas, eu ainda vou fazer isso. – Acariciou o rosto dela novamente. – E você não vai poder me impedir.
— Mac, você não entende. – Saiu dos braços dele. – Eu quero ver você feliz ! Eu quero saber que você está bem! Que estará vivendo uma vida normal e sendo feliz com uma mulher legal que você ame e que claro te ame também.
— Está me dizendo que está mudando de ideia? – Provocou.
Stella deu um tapinha no braço dele. Mac sorriu automaticamente para ela.
— Eu não sei se minha palavra e minhas promessas ainda tem validade para você, mas, eu prometo que a partir de hoje, eu vou viver normalmente e trabalhar menos. – Prometeu ele. – Isso significa que não vou viver mais preso dentro do laboratório e nem nas cenas de crimes. Eu vou sair para almoçar no horário certo e vou começar a jantar em casa como uma pessoa normal. Eu vou sair com nossos amigos como sempre fazia quando você ainda aqui em Nova York e aproveitar os momentos. Eu te prometo que não vou dar motivos para ficar preocupada comigo, ok?! Eu prometo viver normalmente, bem e até mesmo tentar ser feliz.
— Sem mais noites intermináveis de trabalho?
Mac assentiu.
— Sem pular refeições e se manter apenas de cafés?
Ele repetiu o gesto positivo.
— E sem mais me ignorar?
Mac sorriu.
—Se você quiser falar comigo as duas, três, quatro da manhã, eu posso parar tudo e te atender. – Stella acabou sorrindo. – Eu não vou me importar com caso, cena ou qualquer outra coisa que estiver fazendo. Eu te atenderei antes do segundo, terceiro toque de espera, eu prometo!
— Mac, até parece que vou ligar para você de madrugada. – Ela disse séria. – Você sabe como prezo pelo meu sono.
Mac deu uma risadinha e Stella acabou o acompanhando, rindo juntos.
— É, eu me lembro disso perfeitamente. – Concordou. – Mas também lembro que você sempre me atendia quando eu te ligava de madrugada.
Stella não desfez seu sorriso e assentiu.
— Porque era você, Mac. – Disse olhando nos olhos dele. – Não importa a noite de sono ou o quanto eu odeie acordar de madrugada, era você! E não se trata de paixão, amor, ou trabalho… – Negou. – Se trata de você! – Deixou um suspiro leve escapar. – Sabemos bem que não importa a hora, o dia, a situação ou o lugar, sempre estaremos lá um pelo outro. – Sorriu. – Seja através de uma ligação, chamada de vídeo ou pessoalmente. Estando brigados ou não. Isso não faz diferença nenhuma quando um precisa do outro.
Mac ficou em silêncio a observando fixamente por alguns minutos. Stella se inclinou levemente preocupada com o amigo.
— O que foi?
— Como eu nunca reparei nisso? – Ele resmungou. – Como eu deixei de notar que era apaixonado por você? Pelo seu sorriso que faz meu coração pular ?
A grega deixou um suspiro de alívio escapar por seus lábios e com uma mão empurrou o ombro dele delicadamente, desenhando um discreto sorrisinho. Mac reparou que ela estava envergonhada e gostou de saber que conseguia provocar aquela reação na grega.
— Eu consegui fazer Stella Bonasera corar? – Provocou.
— O que? É claro que não! – Cobriu suas bochechas medindo a própria temperatura.
Mac riu e recebeu um olhar dela. Stella o empurrou novamente e desviou o olhar.
— Se lembra da última vez que viemos aqui? – Questionou.
— Sim, eu lembro! – Ela sorriu ao se lembrar.
— Poderia ser divertido. – Resmungou.
Stella o olhou curiosa. Ele arqueou as sobrancelhas e olhou em direção ao mar por alguns segundos, voltando a encará–la com um ar provocativo e divertido. A grega lançou um olhar desconfiada.
— Nem pense nisso, Taylor! — Ela repreendeu.
— No que exatamente?— Perguntou segurando a risada.
— Você sabe muito bem! – Respondeu.
Mac deu um passo em direção a ela e Stella deu um passo para trás. Ele tentou se aproximar, mas, ela rapidamente se afastou temendo qualquer ação inesperada da parte do supervisor.
— Mac, para com isso! – Pediu dando risada e andando.
— Está com medo de mim, Bonasera? – Perguntou indo atrás dela. – Por que?
— Porque está frio e eu não posso voltar para casa do Sid e da Susan toda molhada. — Mac gargalhou com a resposta. – Isso poderia gerar interrogatórios, sabia?
— Você pode ficar na minha casa essa noite. – Sorriu provocando-a.
Stella interrompeu seus passos e no mesmo segundo, Mac cessou os dele.
— Você acabou de me cantar, detetive?— Perguntou arqueando as sobrancelhas.
— Talvez. Se você quiser que sim! — Respondeu escondendo o sorriso. – Senão pode ser apenas um convite para minha melhor amiga ficar em casa essa noite já que está tarde. Como melhores amigos. Você já fez isso antes, lembra? Quando você bebia demais e eu te levava para meu apartamento para cuidar de você ?
— Mas, eu não bebi demais hoje. – Argumentou. – Aliás, eu nem bebi.
— O que acha? Quer ir beber? – Perguntou se aproximando dela.
Stella soltou uma risadinha curta, abaixando seu olhar para a areia fofa.
— Seria muito bom. – Ela o olhou. – Talvez uma margarita ? Ou alguns shots de tequila ?
— Da última vez que bebeu isso, você ficou com uma ressaca horrível, se lembra ?— Recordou-se. –E prometeu que nunca mais beberia nenhuma das duas.
— E você acreditou? – Sorriu de canto. — Mas você ainda cuidaria de mim, certo?
— Como sempre fiz! – Afirmou.
Stella lhe desenhou um belo e gentil sorriso. Ela se aproximou dele e ajeitou seu paletó, fechando em seguida um dos botões de cima da camisa social que ele usava. Os olhos dele estavam colados nela tão próxima dele. Mac perdeu sua voz por alguns segundos enquanto se perguntava repetidamente se Stella conseguia ouvir seu coração batendo acelerado e se ela estava tentando brincar com ele. Por fim, ela respirou fundo e alisou os ombros dele, como se estivesse limpando algo ou tentando deixá–lo perfeito. Stella ergueu seu olhar, olhando diretamente nos olhos dele e retirou suas mãos, como se alguma maneira tivesse sido queimada ou levado choque.
— É melhor voltarmos para cidade! – Decidiu a grega. – Antes que você mude de ideia e me carregue para o mar. – Deu um curto sorrisinho de canto. – E eu quebre sua cara por isso!
Mac riu e foi acertado por um leve tapa em seu peito. Ele se controlou e assentiu.
— Claro. – Afirmou controlando-se para não tocá-la ou puxá-la para um beijo. – Mas, você sabe que meu convite estará sempre de pé, certo ?! Seja como o de um amigo que vai cuidar de você, como sempre fiz. – Desenhou um sorrisinho. – Ou como de um cara que é apaixonado e vai esperar por você.
— É, eu sei. – Concordou.
Eles trocaram olhares por alguns segundos silenciosos antes de voltarem para o carro de Mac. Poucos minutos depois, eles voltavam para a cidade de Nova York, rumo a casa de Sid Hammerback.
….
Stella acenou despedindo-se dele da porta de entrada da casa do legista. Já se passava da meia noite e meia, e a rua do bairro afastado estava tão silenciosa quanto a praia de Montauk. Mac Taylor observou pacientemente ela entrar na residência e poucos segundos depois ele viu a luz de um dos cômodos do andar superior acender. Apenas depois disso, ele conseguiu dar partida em direção ao seu apartamento.
…
(Alguns dias depois.)
…
Jo estava dobrando o corredor principal do laboratório ocupada com a pequena pilha de documentos quando avistou seu parceiro Mac Taylor saindo do escritório e caminhando em direção ao elevador. Ela não conteve o sorriso quando viu Stella Bonasera esperando por ele próxima aos elevadores com Lucy que segurava sua mão e conversava animadamente com a grega.
A sub-supervisora admirou de longe a expressão do parceiro quando ele se virou em sua direção totalmente distraído pelas suas acompanhantes. Pela primeira vez, Jo conseguia ver o Mac do qual todos falavam e sentiam falta. Aquele era o Mac Taylor que se tornava alguém diferente, melhor e completo por ter Stella Bonasera em sua vida. Era triste saber que eles continuavam sendo apenas melhores amigos, ainda mais por Jo saber o quanto Mac queria que não fosse somente aquilo.
Jo observou eles entrarem em dos elevadores e sumirem de sua vista entre sorrisos e olhares. Jo olhou o seu relógio de pulso e viu que o turno do parceiro já havia acabado há cinco minutos atrás. A morena acabou dando uma risadinha silenciosa de felicidade pelo seu amigo que estava indo embora feliz com as duas mulheres que amava.
…
( Sexta-feira a noite – Bar do Joe’s )
A noite estava perfeita! Todos reunidos em volta da mesa do bar entre risadas e sorrisos faziam esquecerem de qualquer problema que tiveram durante o dia de trabalho daquela sexta-feira tão esperada.
Toda a família de CSI estava bem ali diante dos seus olhos atentos e admirador. Stella tinha se esquecido de como era bom ouvir os sons daquelas vozes e risadas tão animadas pelo efeito da bebida e da empolgação por estarem juntos. A grega saiu do transe quando sentiu alguém sentar ao seu lado. Ela desviou sua atenção diretamente para Mac Taylor que lhe desenhou um sorriso ao se acomodar.
— Está tudo bem ? – Perguntou curiosa pela repentina ligação que ele saiu para atender. – Houve algum problema ?
Mac negou e pegou sua garrafa de cerveja que estava sobre a mesa. Stella não desviou seu olhar e o observou com cuidado, como se o estudasse por mais alguns minutos. Mac acabou voltando o seu olhar para ela e sorriu. Stella sabia que ele sentiu o seu olhar sobre ele, e por isso voltou a encará-la.
— Não se preocupe, Stell! Não são problemas, pelo contrário, são novidades. – Murmurou. – Eu te conto tudo amanhã, ok ?!
— Promete ? – Sussurrou.
— Eu te prometo. – Garantiu.
Ela sorriu e ambos beberam de suas respectivas cervejas geladas. Lindsay acabou chamando a atenção da grega para um assunto que compartilhava com Jo e Sheldon. Quando ela olhou para Mac de canto, viu ele rindo de algo com Jessica, Danny e Don. Stella escondeu o sorriso e voltou-se para sua conversa.
…
Mac estava encostado no afastado e pequeno balcão de bebidas, que ficava em uma área exclusiva e reformada para os jogos que haviam no famoso bar. O supervisor estava com sua segunda garrafa de cerveja em mãos conversando com o proprietário do local e amigo da maioria dos policiais da cidade, Joseph Connell ou como era mais conhecido, Joe. Na mesa de sinuca, Don, Sid e Danny jogavam entre risadas e conversinhas sobre a pequena aposta que estava rolando por conta daquela partida.
— Faz um bom tempo que não te via por aqui com o resto do pessoal. – Joe comentou atraindo sua atenção. – É bom poder te ver novamente com eles! Dava para ver que sentiam sua falta.
Mac desenhou um sorriso ao olhá-lo.
— Eu sei. – Concordou. – Obrigado, Joe.
— É bom poder ver ela novamente também. – Desviou seu olhar.
Mac seguiu o olhar do homem e parou diretamente em Stella que estava rindo com Jessica, Lindsay, Jo e Susan na mesa que antes todos estavam reunidos. Mac sorriu apaixonado ao admirá-la de longe.
— Nós do bar acompanhamos tudo o que aconteceu pelo noticiário. – Joe disse. – Ficamos tão aliviados quando soubemos que ela estava viva! Eu até liberei cerveja de graça quando soube que ela estava bem. – Sorriu. – Eu não fiz isso nem quando meu filho noivou, acredita ?
O detetive soltou uma risadinha e encarou o homem por trás do balcão que acabou rindo junto.
— Me conta, vocês dois estão juntos ? Ou continuam apenas dois bons amigos ? – Jogou a pergunta com um tom debochado no final. – Porque senão estiverem, eu quero apresentá-la a um amigo meu. – Colocou o pano que limpava os copos por cima do ombro.
Mac negou em silêncio desviando seu olhar para a grega.
— Ela tem namorado! – Informou dando mais um gole em sua garrafa. – Eu cheguei tarde demais ! Ou melhor, eu acordei para vida tarde demais. Mas, fique a vontade para apresenta-o, Joe.
— Oh sinto muito por você. – Murmurou. – Que tal mais uma cerveja ? Essa eu deixo por conta da casa e do pé na bunda. – Brincou.
Mac acabou rindo e se voltou para o mesmo, balançando a cabeça negativamente em recusa à oferta. Uma voz chamou por Joe do outro lado do bar, fazendo com que ele pedisse um minuto para Mac e se afastasse. As risadas de Danny atraíram a atenção do detetive que desviou seu olhar em direção aos amigos.
— Esses foram os quarenta dólares mais fáceis da minha vida. – Se aproximava ainda com o taco em mãos. – A propósito, você é horrível, Donald Flack!
— Você é igual a Stella, sabia ?! – Reclamou Don. – Você roubou, Danny !
— Como se rouba em sinuca, Flack ? – Rebateu o loiro. – Sid, fala para ele aprender a perder, por favor.
O legista riu e parou ao lado de Mac com seu copo de whisky puro. Don e Danny se juntaram aos dois após deixar de canto seus tacos de sinuca. Antes que qualquer um dos quatro pudessem começar a conversar, Adam e Sheldon também se juntaram ao dois.
— E ai, gente. – Adam cumprimentou animado. – O Don perdeu ?
Danny sorriu vitorioso e assentiu.
— Eu não perdi, Adam. – Negou. – O Danny roubou!
— Tem gente que não se toca, não é ?! – Murmurou Adam com ironia – Você é um péssimo perdedor, cara.
— Eu não sou. – Contestou. – O Danny roubou, é sério!
— Aham, é claro. – Sheldon riu. – Você também me acusou de roubar no bingo beneficente do prefeito ano passado.
Mac, Sid e Danny riram por conta daquela lembrança.
— Bom, não é por isso que viemos aqui. – Adam cutucou Sheldon. – Chefe, posso te perguntar uma coisa ?
— Pode falar, Adam. O que foi ? – Respondeu parando de rir.
O técnico sorriu nervoso e olhou para trás por alguns segundos. Os homens seguiram o olhar dele e pararam em uma mesa afastada com três belas e jovens mulheres sentadas apreciando seus drinks e os olhando também. As três moças desviaram seus olhares e soltaram risadinhas entre si. Os homens se olharam curiosos, depois encararam Adam e Sheldon.
— O que foi isso ? – Danny questionou. – Quem são elas ?
— Ah elas são minhas amigas… Quer dizer, a de cabelos preto é minha colega de faculdade. – Contou o ruivo. – O nome dela é Dafne, e as outras duas são amigas dela. – Sorriu. – A ruiva é a Heather e a loira é a Wendy.
— Surpreendente, eu sei. – Sheldon disse sorrindo de canto. – Eu também fiquei chocado!
— Como você conseguiu fazer amizade com aquela mulher, Adam ? – Don perguntou confuso.
— Eu não sei. – Deu ombros. – A gente gostava das mesmas coisas e morávamos no mesmo prédio, éramos vizinhos e ela gostava demais de Star Wars e eu também, então … – Mac o interrompeu.
— O que você queria me perguntar, Adam ? – Insistiu o supervisor.
— Ah é que… – Gaguejou. – Então, chefe, aparentemente a Wendy, a loira gostou você! – Deu um sorrisinho nervoso. – E ela pediu para que eu te convidasse para ir conversar e beber com a gente. O que nos diz ? Quer vir ?
Todos desviaram seus olhares para Mac que estava imóvel e com o olhar fixo em Adam. Após uma fração de segundos, Mac pareceu descongelar e se pronunciou.
— Peças desculpas a ela, mas, eu não posso. – Negou.
— Por que não ? – Sid perguntou prontamente.
Automaticamente todos olharam para o legista, que tinha em seu rosto uma expressão serena e um olhar preso em Mac. Sid arqueou as sobrancelhas e ergueu os ombros discretamente.
— Você é solteiro e uma moça que aliás, é muito bonita está te convidando para uma conversa amigável e talvez um drinque. – Sorriu de canto. – Por que você negaria isso, detetive Taylor ?
Mac não respondeu e continuou olhando para Sid. O legista mais velho assentiu para ele positivamente, incentivando-o a se afastar dali e se juntar a Adam, Sheldon e as três mulheres. Mac desviou o olhar discretamente por alguns segundos e viu Stella bebendo um martíni junto com Jo, totalmente distraída e alegre. Ela riu e colocou a mão na frente da boca evitando que a bebida escapasse durante a risada que compartilhou com as mulheres da mesa.
…
Sid, Danny e Don voltaram juntos para a mesa onde suas mulheres estavam reunidas e se divertindo. Elas estavam conversando animadas e mal se ligaram na aproximação deles, apenas notaram quando Don sentou-se do lado da namorada, Danny e Sid de suas respectivas esposas.
— Oi, vocês já voltaram! – Os recebeu. – Mas, cadê o Mac ? – Su perguntou.
Danny e Don trocaram um discreto olhar e desviaram rapidamente para as diferentes tigelas de petiscos sobre a mesa, atacando-os.
— Ah ele está com o Adam e o Sheldon! – Sid respondeu. – Uma amiga do Adam se interessou por ele e o convidou para se juntar à eles na mesa.
Susan olhou seu marido com um olhar intensamente confuso e curioso. Sid por sua vez ignorou o olhar e passou o braço ao redor da esposa, bebendo um pequeno gole do seu whisky.
— Espera… E ele aceitou ? – Jo indagou levemente surpresa.
— Oh sim. – Afirmou o mais velho. – O nome dela é Wendy senão me engano, certo ? – Olhou para os outros dois homens da mesa. – Ela é bonita e jovem, cabelos loiros e… – Se calou quando Susan o cutucou.
Jessica e Lindsay encararam seu companheiros, que fingiram nem perceber os olhares diretos e continuaram mastigando seus deliciosos petiscos de bar. Jo olhou para Stella e viu ela segurando sua taça de martíni que antes estava cheia agora totalmente vazia. A grega desviou seu olhar para ela e desenhou um sorriso.
— Eu estava com sede. – Colocou a taça na mesa.– Querem tomar um martíni conosco ? – Perguntou Stella ao resto da mesa.
Por alguns segundos a mesa ficou em um completo silêncio e todos olhando para a grega. Ela soltou um sorriso aberto e divertido.
— Eu aprecio a preocupação estampada na cara de vocês, mas, lembrem-se que ele está no direito dele de conhecer alguém, e eu não posso e nem vou ficar magoada, brava ou triste por isso, pessoal ! Relaxem, ok ?! Somos amigos. – Falou pacientemente. – Agora, quem quer martíni ?
Danny e Don se pronunciaram a favor do drinque. sugerido pela grega e Jo aceitou acompanhá–los. Lindsay e Jess decidiram pedir uma bebida diferente e optaram por dois mojitos. Sid permaneceu com seu whisky não terminado e Susan escolheu tomar uma cuba-libre. Danny foi o responsável para ir pedir as bebidas e em menos de cinco minutos ele já havia voltado para a a mesa onde uma conversa animada já rolava. Minutos depois as bebidas alcoólicas começaram a chegar para regar a noite ainda mais.
…
Duas horas depois e o bar já havia se esvaziado bastante, mantendo poucas pessoas no estabelecimento. Danny e Lindsay já tinham ido para casa por conta do horário da babá que estava cuidando de Lucy naquela noite. Jessica e Don saíram em seguida depois de se despedir de todos e partirem rumo ao apartamento do casal, já que no outro dia trabalhariam.
— Eu vou para casa mais tarde, ok ? – Stella avisou o casal mais velho.
— Claro, querida. – Susan concordou. – Divirtam-se vocês duas!
Ela e Sid acenaram e saíram, deixando apenas Jo e Stella na mesa. As duas estavam bebendo e conversando sobre suas experiências de vida enquanto petiscavam amendoins sobre a mesa. Elas riam e bebiam margaritas. Em um momento de distração, Stella se virou e avistou Mac que no mesmo segundo desviou seu olhar em direção á ela. Ela sorriu e fez um sinal com o seu copo, recebendo em troca um sorriso dele que discretamente fez o mesmo e bebeu um pouco de sua bebida, que Stella achava ser whisky.
— Não se importa mesmo ? – Jo perguntou trazendo sua atenção de volta para mesa. – Você não contou á ele sobre… ? Bom, você sabe do que estou falando.
— Ainda não. – Murmurou. – Talvez eu conte amanhã, ou não conte nunca. – Suspirou – Eu não sei.
— Que tal um brinde ? – Sugeriu.
— Aceito! Saúde. – Brindaram.
As duas beberam após o pequeno e simples brinde, elas trocaram sorrisos quando terminaram de beber.
— Segunda margarita depois de alguns martínis e ainda está bem ? Você sabe beber, Danville! Eu gosto disso em uma amiga. – Jogou seu sorriso para os cantos dos lábios.
— Obrigada. – Agradeceu. – Eu também aprecio isso em você! Fazemos uma boa parceria, não acha ?!
— Vamos ver isso amanhã cedo, detetive. – Devolveu o mesmo sorriso. – Amanhã cedo!
Elas riram.
…
Após se afastar da mesa já vazia, Mac caminhou em direção a de Stella e Jô que ainda bebiam, mas, agora estavam no balcão pequeno do bar. O bar estava vazio e prestes a fechar, só faltava os três saírem dali para a felicidade dos bartenders e garçons. Jo foi a primeira que o viu se aproximar e sorriu para o parceiro se levantando do banco onde estava acomodada.
— Hey, detetives. – Ele se anunciou.
Stella o olhou e abriu um belo sorriso para o amigo. Ele se sentou ao seu lado e ela imediatamente encostou nele.
— Acho que alguém bebeu demais! – Comentou baixinho olhando-a de canto. – Você tá bem ? Quer carona ? – Encarou Jo.
— Eu estou bem! Ela bebeu mais do que eu. – Garantiu. – E o Russ está lá fora me esperando. – Sorriu.
— Sério ? – Arqueou as sobrancelhas.
— Não me olha assim e não imagine coisas nessa sua nova cabecinha romântica e apaixonada! Ele estava tomando conta da Ellie em casa e para eu não ficar procurando táxi a essa hora, ele veio me buscar. – Deu um sorriso. – É somente pela segurança da mãe dos filhos dele, ok ?! É algo normal, compreensível e totalmente amigável, Mac !
— Eu não disse nada, Jo. – Escondeu o sorriso.
Ela desfez seu sorriso e suspirou.
— Quer saber ? Tchau. – Jo o fez rir. – Cuida bem da minha amiga, Taylor! A conta já foi paga mais cedo, ok ?!
Mac assentiu.
— Antes de ser sua amiga, ela já era minha. – Sorriu. – E eu sempre cuido bem dela, Danville! Tchau, Jo. Bom descanso. – Despediu-se.
A sub-supervisora acenou despedindo-se e caminhou em direção a segunda saída do bar e atravessou a porta, sumida da vista de Mac. Ele olhou para Stella que estava com a cabeça em seu ombro e olhos fechados.
— Stell ? – Chamou e ela suspirou. – Vamos para casa ?
— Eu acho que é uma boa ideia. – Murmurou baixinho. – É, vamos para casa!
Stella abriu os olhos e desencostou sua cabeça dele. Antes que ela deitasse sobre o balcão de madeira, Mac foi mais rápido e a impediu, fazendo-a se levantar e apoiar-se nele. Ele foi ajudado por uma garçonete que passava e ao vê-lo naquela situação parou e pegou a bolsa de Stella que estava em cima do próprio balcão, colocando-a no outro ombro disponível dele.
— Obrigado. – Agradeceu.
Ela sorriu e se afastou. Mac passou a mão pelas costas dela e segurou a cintura da grega, enquanto Stella automaticamente fez o mesmo segurando a cintura dele e agarrando o tecido da camisa social por baixo do paletó como era de costume. Ela voltou a repousar a cabeça em seu peito e caminhar no ritmo dele, como se soubesse cada passo que ele dava.
Mac a levou calmamente até sua avalanche e a colocou dentro do carro em segurança. Ele deu a volta e entrou do seu lado, ficando do lado do motorista e ela do passageiro. Mac passou o cinto de segurança na grega e descansou seu corpo no banco. Ele a observou dormir pacificamente.
— Stell ? – Chamou por ela. – Para onde vamos ? – Perguntou com um tom calmo.
Ela contorceu o nariz e suspirou. Mac não conteve o sorriso bobo pela cena assistida.
— Me leva para o seu apartamento.— Ela resmungou quase inaudível.
— O seu noivo pode não gostar. – Respondeu ele.
A falta de respostas vindo dela fez com que ele chegasse a conclusão que ela havia caído no sono e dificilmente acordaria para respondê-lo. Ele sabia como era uma Stella bêbada e sabia também que ela só acordaria quando soubesse que havia chegado em casa.
Mac colocou o cinto de segurança e deu partida em direção ao seu apartamento, atendendo o pedido da própria grega.
…
Após mandar uma mensagem para Sid avisando sobre Stella estar com ele e receber uma resposta do legista agradecendo pelo aviso, Mac deixou seu celular de lado e se voltou para a imagem que tinha em sua sala de estar. A grega estava descalça e sem seu casaco, estava sentada no sofá com a cabeça escorada para trás e olhos fechados. Ele caminhou até ela e se sentou ao seu lado.
— Stell ? – Chamou carinhosamente. – Você está bem ?
Ela abriu os olhos e virou seu rosto delicadamente para encará-lo.
— Eu acho que estou bêbada. – Fez uma careta.
Mac não aguentou e soltou uma risada, assentindo em seguida.
— É, eu também acho isso! – Concordou.
Stella respirou fundo lentamente e, por fim, desenhou um sorriso para ele.
— Isso é bom! Faz tempo que não faço isso. – Murmurou.
— O que ? Ficar bêbada ?
— Sim. – Assentiu. – Desde que comecei a namorar o Anthony! Ele não bebe, sabia ?! Quer dizer, ele bebe mas nunca passa de uma, duas taças de vinho ou champanhe. Ele nunca toma mais de uma garrafa ou caneca de cerveja e ele odeia whisky ou qualquer outra bebida alcoólica que seja forte demais. – Contou.
— Ele é mais chato do que eu pensava! – Arqueou as sobrancelhas.
Stella riu e Mac a acompanhou com um sorriso divertido em seus lábios.
— Então, ele nunca te viu assim ? – Questionou.
Ela balançou a cabeça negativamente como resposta.
— Ninguém nunca me viu assim, Mac. – Desenhou um sorrisinho de canto para o amigo. – Apenas você ! Bom, agora a Jo também viu, certo ?! Duas pessoas já me viram assim. – Fez o número com os dedos. – Só duas!
— Não se preocupe, ela sabe guardar segredos! – Disse ele fazendo-a sorrir.
— Eu confio nela! – Seus olhos fecharam por alguns segundos. – Afinal ela cuidou bem de você e da equipe. – Murmurou. – Isso é o bastante para mim!
— Sério ? Isso basta para ganhar sua confiança ? – Perguntou. – Você já foi mais exigente, Stell!
Stella deu uma risadinha e abriu os olhos para encará-lo. Os dois ficaram presos ao silêncio enquanto se olhavam submersos aquele curto momento.
— Para de me olhar assim, Taylor. – Pediu quebrando o silêncio
— Por que ? Está se apaixonando por mim de novo ? – A provocou.
A grega desenhou um sorriso delicado e desviou seu olhar para o teto branco do apartamento. Mac não podia evitar a curta esperança que tomava conta de seu peito em momentos como aqueles.
— Vocês dois se parecem um pouquinho, sabia ? Você e o Anthony.
— Eu acho muito difícil ! – Se encostou no macio sofá cinza.
Stella o olhou.
— Ele não uma pessoa ruim, Mac! – Negou. – Por isso, eu disse que se parecem um pouco. Os dois são pessoas honestas que lutam por aquilo que acreditam e amam! Outro ponto de semelhança é a facilidade de fazer inimigos. – Se ajeitou no sofá, virando seu corpo e ficando de frente para o amigo. – E também não me ouvir, e saber que eu sempre tenho razão ! – Sorriu divertida.
Mac riu.
— Ele já cometeu esse erro também ?
— Muitas vezes! – Murmurou expressando impaciência.
O supervisor pensou por alguns segundos silenciosos se deveria perguntar o que veio em sua mente diante daquela conversa.
— No que está pensando, Mac ? O que quer me perguntar, detetive ? – Escondeu um sorrisinho no canto dos lábios.
— Foi por isso que se interessou por ele ? – Perguntou Mac. – Por ele se parecer comigo ?
Stella riu, mas, aquilo não o ofendeu. Ele a conhecia o suficiente para saber que às vezes, ela dava curtas risadas quando se sentia nervosa ou encurralada. Poderia ela também ter achado graça da pergunta já que estava bêbada e mesmo assim, ele não ligaria. Afinal, nem mesmo sequer ele imaginou fazer aquela pergunta para qualquer mulher que esteve em sua vida, incluindo a própria Stella.
— Foi muito pelo contrário, Mac! – Respondeu aderindo um sorriso amistoso. – Eu me interessei por ele ser o seu oposto.
— Meu oposto ? Pensei que nós nos parecíamos.
— Eu disse que um pouco. – Fez um sinalzinho com a mão. – Vocês dois são muitos diferentes também!
— Me diga uma diferença. – Pediu.
Stella encheu seus pulmões com ar e os soltou de modo calmo e discreto. Seu sorriso ainda estava em seus lábios e seu olhar emitia carinho e serenidade.
— Ele me enxergou, no final das contas! – Recolheu o sorriso aos poucos. – Ele sempre soube o que sentia por mim. – Sussurrou desviando seu olhar do dele. – Ele admitiu que gostava de mim... – Riu bêbada.
Aquelas curtas e sinceras frases que saíam pelos lábios dela fez com que seu peito parecesse ser esmagado por toneladas. Foi difícil encará-la pelos próximos segundos, mas, Mac se manteve firme e não desviou seu olhar.
— Essa é maior diferença entre vocês dois! – Stella o olhou.
— Uma diferença que muda tudo, certo ?!
Ela descansou seu rosto no sofá.
— Não deveríamos estar tendo essa conversa, Mac. – Encolheu seus ombros. – Eu estou bêbada, lembra ?
— Está tudo bem! Se eu bem te conheço, você não vai lembrar disso amanhã. – Sorriu.
— Do que está falando ? – Franziu o cenho.
— Estou falando que você esquece de tudo quando bebe!
— O que ? – Sorriu desacreditada. – Não, eu não esqueço! – Negou.
— Sim, você esquece! Você simplesmente apaga o que aconteceu quando estava bêbada.
Stella o olhou boquiaberta.
— Quando ? – Ergueu seu rosto.
— Sempre! – Soltou uma risadinha. – Você se lembra de alguma conversa nossa quando estava bêbada ?
— Isso não vale! Faz tempo que isso… – Apontou para ele e depois para si mesma. – Não acontece.
— Isso ? Quer dizer que existe algo entre… – Ele repetiu o gesto dela. – Eu e você ?
— Você me entendeu, senhor Taylor!
Mac soltou um risinho.
— Eu vou pegar uma garrafa de água para você, ok ?! Isso vai ajudar com uma possível ressaca amanhã cedo. – Ele se levantou e encarou o relógio de pulso. – Ou hoje cedo. – Corrigiu-se.
Stella sorriu para ele e voltou a repousar seu rosto sobre o sofá delicadamente.
— Obrigada. – Moveu seus lábios.
Mac saiu em direção a sua cozinha, deixando-a sozinha em sua sala de estar. Quinze minutos depois, Mac voltou com uma bandeja em mãos carregando em cima da mesma uma xícara de chá e uma garrafinha de água. Ele parou rapidamente quando a viu dormindo sentada, na mesma posição que estava quando ele saiu. O supervisor deixou a bandeja de canto em um aparador de bebidas que tinha próximo e caminhou para mais perto de sua amiga bêbada e cansada. Mac recordou o seu velho truque e assoprou delicadamente o rosto dela, confirmando o que já estava obvio. Stella estava dormindo profundamente e não acordaria tão fácil. Ele delicadamente passou um de seus braços por baixo do pescoço dela e a desencostou do sofá, puxando para ele e tendo a chance de sentir seu perfume incrível. Mac voltou-se ao foco e descansou o corpo dela no resto do sofá, ajeitando suas pernas para cima em seguida. Ele alcançou uma almofada e colocou por debaixo de seus cachos castanhos.
Satisfeito pela cena que via, Mac caminhou até seu quarto e voltou com uma manta para cobri-la. Stella se virou para o outro lado e acabou soltando um suspiro enquanto dormia. Mac apenas conseguiu sorrir diante aquilo, ele se sentou ao seu lado ao chão e velou seu sono.
…
Stella foi despertada pelo som distante de buzinas vindo das ruas da cidade. Ela soltou um gemido quando tentou abrir seus olhos, mas falhou miseravelmente por causa da luz do sol que batia em seu rosto. A grega piscou por diversas vezes até conseguir se acostumar com a “terrível” claridade.
— Que droga. – Resmungou.
Quando conseguiu finalmente abrir seus olhos e mantê-los abertos, notou que estava em um lugar bem diferente do quarto de hóspedes de Sid e Susan Hammerback, contudo, aquele ambiente lhe era muito familiar, era o apartamento de Mac Taylor. Por alguns segundos tentou se lembrar da noite anterior, mas foi interrompida pela horrível dor de cabeça que tomou conta dela. A grega colocou a mão na cabeça e se esforçou para sentar-se. O barulho e ruídos vindo do trânsito infernal da cidade e do resto do prédio só piorou a situação em que se encontrava.
— Mac ? – Chamou por ele. – Ouch ! – Reclamou de dor massageando as têmporas.
A falta de respostas deixou claro que ele não estava ali. Ela se levantou com dificuldade e cuidado e deu alguns passos em direção ao resto do familiar apartamento. Fazia tempo que ela não andava por aquele lugar, mas ainda sim sabia perfeitamente onde ficava cada cômodo. Stella entrou na cozinha à procura de água para tentar hidratar seu corpo e aliviar um pouco sua dor, mas no meio disso encontrou uma nota pregada na geladeira.
…
“ Me desculpe, mas, eu precisei sair para um caso do outro lado da cidade. Eu simplesmente não tive coragem de te acordar. Espero que não seja um problema.
PS: Está com ressaca ? Imagino que sim! Então, lembre-se de beber bastante água, coma alguma fruta e tome uma aspirina se ainda quiser. Você sabe onde encontrá-las, certo ?! Estão no mesmo lugar de sempre!
Te ligo mais tarde ; Se estiver bem e disposta, vamos nos encontrar ! Tenho novidades :)
— Mac.
…
Stella desenhou um sorriso e amassou o bilhete deixado pelo supervisor. Ela abriu uma das portas da geladeira de aço inox e alcançou uma das garrafinhas de plástico com água mineral. Stella olhou para a tigela de vidro com algumas maças, mas sentiu-se enjoada apenas por olhar e pensar em comer alguma coisa naquele momento.
Ela fechou a geladeira e abriu a sua água, ingerindo-a rapidamente. No meio do seu momento de recomposição, ela ouviu o toque do seu celular vindo de outro cômodo. Stella fechou a garrafa que já estava quase pela metade e a deixou sobre o balcão da cozinha, ela caminhou em direção a sala procurando por sua bolsa. Ao chegar na sala de estar onde havia passado a noite, ela encontrou sua bolsa em cima da poltrona favorita de Mac Taylor. Stella alcançou sua bolsa e pegou seu celular, tendo a visão da tela do aparelho, onde o nome de Mac ocupava o espaço com o aviso de ligação.
“ – Bom dia, detetive. – Ela atendeu.
— Bom dia, Stell. Eu te acordei ? – Perguntou do outro lado.
— Não, eu já estava acordada. – Respondeu se sentando na poltrona de couro preto. – Acabei de acordar para falar a verdade, faz uns dois, três minutos.
— Que bom! Eu me odiaria por ter acordado você!
Stella sorriu.
— Não exagere, Taylor! Quem te ouve falar assim pode imaginar que eu sou uma megera. – Ela ouviu ele rir. — Você cuidou de mim mais uma vez. Obrigada, Mac ! – Agradeceu.
— Eu te disse que faria isso! Não importa quanto tempo passe e mesmo se formos apenas amigos, eu continuarei cuidando de você, Stell. Eu amo você, lembra ?!
Stella formou um sorriso no canto dos lábios.
— Você não desiste ? – Perguntou.
— Eu não consigo fazer isso, Bonasera. – Negou. – Mas, a partir do momento em que se tornar a senhora Keller, eu prometo que vou manter apenas para mim! Eu sei que seria desrespeitoso com você e com o cara que escolheu.
Por alguns curtos minutos, ela não conseguiu falar nada. Seu olhar ficou preso ao ponto infinito do chão da sala tão silenciosa quanto a ligação.
— Stell ? Está ai ? – Questionou visivelmente preocupado.
— O que ? Sim, eu estou! – Afirmou. – E sim, você está certo!
— Ah não ser que desista dele! – Sugeriu. – E ai eu poderia te dizer eu te amo para o resto das nossas vidas. – A voz rouca dele fazia sua respiração falhar, assim como acontecia anos atrás.
— Vamos fazer isso novamente ?
— Eu te disse que não consigo desistir de você. – Murmurou. – Desculpe.
— Está tudo bem ! – Garantiu se levantando e caminhando até a janela da sala.
— Ah propósito, você se lembra de alguma coisa de ontem a noite ? – Perguntou.
Stella congelou por alguns segundos e seu coração acelerou ansiosamente.
— Como assim ? O que eu fiz ontem a noite ? – Indagou preocupada. – Oh meu Deus! Eu fiz alguma besteira ? Eu disse algo constrangedor ou horrível ?
Stella ouviu ele gargalhar do outro lado da linha.
— Está preocupada ? – Perguntou rindo. – Ou está com medo ?
— Medo ? Por que eu ficaria assim ? – Riu nervosa.
— Eu não sei. – Respondeu com um tom mais misterioso. – Talvez de ter feito algo errado, como ter dado um beijo no seu melhor amigo, o mesmo que você dispensou por conta do seu noivo. – Ele enfatizou a última palavra.
Stella fechou os olhos e encostou seu corpo na parede onde a janela estava localizada. Ela lentamente escorregou para o chão, sentando-se sobre o mesmo e tampou sua boca. A grega se esforçou ao máximo para lembrar-se de qualquer coisa em relação a noite anterior.
— Está tentando se lembrar ? – Mac questionou com um tom divertido. – Não se preocupe, não aconteceu nada! – Confessou. – Não aconteceu nada e você também não disse nada de mais.
Ela abriu os olhos e o escutou rindo novamente. A grega soltou sua respiração e mordeu o canto do seu lábio inferior.
— Eu odeio você! – Declarou. – Por que fez isso ?
Antes de ouvir qualquer resposta de Mac, ela teve a oportunidade de ouvir a voz de Danny chamando por ele.
— Eu preciso ir agora. – Avisou ele. – Em relação a sua pergunta anterior: Eu fiz para saber se ainda tinha razão e bom, eu tenho ! Você não se lembra de nada quando fica bêbada. – Stella sabia que ele estava sorrindo, podia imagina-lo. – Mas eu tenho que admitir algo.
— O que ?
— É bom saber que você tentou se lembrar de um beijo nosso. – Sussurrou de um jeito arrepiante. – Se quiser, eu posso resolver isso! Podemos tornar isso uma verdadeira lembrança ! – A boca de Stella se abriu levemente em surpresa. – Me manda mensagem mais tarde se quiser almoçar comigo. Eu tenho novidades!
— Tá- tá bem ! – Concordou. – T-tchau. – Despediu.
— Até mais tarde, Stell. – Respondeu carinhosamente. “
Stella abaixou o celular e o encarou fixamente surpresa por longos minutos. A grega estava acostumada com os pequenos e discretos flertes entre ela e Mac, mas nunca daquele jeito. Ela respirou fundo e encostou sua cabeça na parede assim como suas costas estavam. Sua mente a fez lembrar-se da visita inesperada que recebeu durante a semana e como ela estava se sentindo confusa.
…
O táxi parou em frente a casa onde estava hospedada e ela saltou do carro depois de pagar sua corrida. Stella se sentia melhor, sua cabeça já não doía na mesma intensidade que antes, mas o seu corpo ainda estava cansado e ela ainda se sentia enjoada. Ela caminhou calmamente até a porta da casa e entrou pela mesma.
— Bom dia. – Susan a recebeu.
A senhora estava sentada no sofá lendo um livro.
— Bom dia, Su. – A grega desenhou um sorriso torto e caminhou até ela, sentando-se ao seu lado.
— Ressaca ?
— Um pouco. – Respondeu. – Estou mais cansada como se tivesse sido atropelada por um caminhão e enjoada como se estivesse grávida.
Susan arqueou as sobrancelhas e escondeu o sorriso. Stella devolveu um olhar de descrença para ela.
— É só modo de falar. – Explicou. – Não imagine coisas, senhora Hammerback! – Pediu.
A senhora acabou soltando uma risadinha enquanto fechava seu livro. Ela assentiu em consenso ao pedido.
— Como foi ontem a noite ?
Stella acabou deixando um suspiro escapar por entre seus lábios.
— Eu não sei. – Murmurou. – Eu não me lembro de nada já que estava bêbada.
— De nada ?
A grega negou.
— E vocês já conversaram sobre aquele assunto ? Você já … ?
Stella não deixou ela terminar a pergunta e repetiu a mesma resposta negativa com a cabeça.
— Você acha que eu deveria falar ? – Indagou visivelmente confusa.
Susan se ajeitou no sofá, virando-se completamente para a detetive.
— Eu não sei. – Respondeu calma. – Você já tem uma resposta ? – Rebateu Susan.
Após uma curta fração de silêncio, Stella negou pela terceira vez. Susan segurou a mão dela e a acariciou carinhosamente como se quisesse esquentá-la do frio.
— Eu sei muito bem como é estar nessa posição, minha querida! Eu sei pode ser difícil e confuso, até mesmo deprimente de tão complicado que é! Está com medo ?
— Sim! – Afirmou pela primeira vez.
Susan assentiu delicadamente e apertou levemente suas mãos unidas.
— Você precisa entender o que você quer, Stella! Precisa entender e descobrir que sente, o que deseja, o que espera daqui para frente. Quando finalmente conseguir entender tudo isso, então, você terá suas respostas tão claras quanto águas cristalinas. – Sorriu acolhedoramente.
— Tem certeza ? – Sussurrou.
— Experiência própria, meu bem! Mas por agora, tudo o que tem que fazer é subir e tomar um bom banho. – Soltou suas mãos. – Enquanto isso, eu vou fazer algo para você comer, ok ?! Eu tenho uma receita ótima para ressaca !
Stella soltou um curto porém verdadeiro sorriso pela primeira vez desde o momento que chegara em casa naquela manhã.
— Obrigada, Su. – Agradeceu. – Por tudo o que já fez e ainda faz por mim. De verdade, obrigada. Eu te abraçaria, mas, provavelmente estou cheirando a álcool. – A grega disse. – Eu faço isso depois que sair do banho, ok ?!
Susan riu e concordou positivamente. Stella se levantou e subiu as escadas em direção ao seu quarto. Susan observou ela sumir de sua vida e acabou sorrindo sozinha.
— Eu espero que suas respostas sejam iguais ás minhas! – Murmurou para si mesma.
…
Stella parou em frente ao espelho pregado na parede do banheiro e perdeu-se em seu próprio reflexo por alguns minutos. Com o corpo seco e seus cabelos soltos e molhados, ela se sentia melhor graças ao banho frio que havia acabado de tomar, seu corpo parecia ter melhorado drasticamente, era como se fosse uma nova pessoa.
Com seu roupão felpudo branco cobrindo-a, ela caminhou para fora do banheiro do seu quarto. Stella ouviu o seu celular apitar algumas vezes enquanto carregava no criado-mudo ao lado da cama, ela caminhou diretamente em direção á ele. Ao pegá-lo em mãos, viu as notificações de mensagens enviadas de uma única pessoa, essa mesma pessoa que a fazia rir horrores, era sua melhor confidente e amiga. A grega pegou o celular e decidiu ligar para o contato. Em menos de um minuto, de um toque, ela foi atendida.
“ – Oi, Cath. – Cumprimentou se sentando na cama. – … ”
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