A Nevasca Em Um Dia Especial
1 O Expresso Atrasado
Notas iniciais
como vocês estâo?
Espero que estejam bem :)
Sei que muitos não irão gostar do formato que eu fiz, porém, eu deixei do mesmo jeito e peço que deem uma chance u.u
Espero que vocês gostem da One, pois oficialmente é minha primeira hehehe
Bem, é isso. Espero vê-los nos comentários abraços :)
Eu estava esperando o trem que, de fato, estava atrasado. Hoje era um dia qualquer de um fim estava na estação de trem de Nova York, você já devem ter ouvido falar, é claro. Hoje seria um dia especial, era aniversário de Ronan, o garoto que eu sempre estudei e gostei. Mas não seria só especial por isso, eu iria finalmente dizer a ele o que eu sentia. Meus pais ficaram loucos com a ideia de eu sair em meio à neve e a uma nevasca eminente, mas, ei, quando você gosta de alguém você enfrenta até uma nevasca por ela, certo?
Bem, eu sou Melise, tenho dezoito anos e em breve começarei a faculdade de jornalismo. O que eu venho tentando dizer há muito tempo é que meus pais tem que entender que eu finalmente cresci, e que posso me virar na faculdade, mas não, eles insistem em comprar várias coisas para mim sabendo que eu sei me virar.
Enfim, voltando a história. Lá estava eu na estação em um dos bancos esperando o trem chegar. Tinha uma mulher batendo na máquina de biscoitos, por que provavelmente o dinheiro entrou e o biscoito não saiu — isso sempre acontece
- tinha um garoto ao meu lado sentado, ele não estava com a aparência muito boa, mas como eu também não estava uma Afrodite da vida decidi que era melhor ficar quieta.
Fiquei olhando de cinco em cinco minutos o relógio em meu pulso para me certificar que não chegaria atrasada. O trem que eu iria pegar era os das duas, mas já eram duas e meia e nada dele vir e a festa começaria às três e meia, o que significava que eu tinha uma hora para não me atrasar, mas como o destino me ama — só que nunca — iria acontecer alguma coisa que iria fazer com que eu me atrasasse.
Então, depois de mais quinze minutos, o trem havia chega — finalmente. Eu entrei e sentei em um dos bancos, mas como eu havia dito que o destino adora me sacanear, o trem ficou parado mais cinco minutos até começar a andar.
Algumas pessoas estavam com fones de ouvido, outra estava vendo televisão pelo celular e eu, bem, eu fiquei apenas com minha touca esperando a estação chegar.
Ouço o telejornal pela televisão do celular da mulher. Eles falavam sobre o tempo e que possivelmente uma nevasca estava começando, desejei que aquilo fosse mentira. Por que já não bastasse o trem ter chegado atrasado, uma nevasca ia começar e ia mandar meu programa rumo ao bueiro.
Olhei pela janela, a neva caía lentamente. Voltei a olhar para minhas mãos novamente e quando olhei de novo pela janela, vi que a neve caía agora com mais força e rapidez.
Mas gente? Não deu nem um minuto que tinha olhado e já está assim? Eu pensei indignada.
O trem seguiu e parou na primeira estação, depois continuou. Ele começou a ficar cada vez mais lentos até que o maquinista disse pelo alto falante:
- Estamos com problemas. A neve está muito alta e o trem não consegue seguir adiante. Peço calma e muita paciência nesses instantes.
Que legal, minha vida não podia ficar melhor. Eu pensei.
Peguei meu celular e comecei a mandar mensagem para Jenny, minha melhor amiga que provavelmente já estava na festa. Jenny é o tipo de garota que sempre quis ser das líderes de torcida e nunca conseguiu.
Minha mãe sempre me disse para ficar de olhos abertos nela por que ela sempre pareceu gostar do Ronan, nunca soube se é verdade mas se for, provável que a língua dela já esteja na boca dele.
Afastei o pensamento e escutei o mesmo garoto que estava sentado lá do lado de fora ao meu lado xingar. Ele parecia com pressa e nervoso. Ele olhava toda hora para o celular como se certificasse que nenhuma mensagem chegou. As portas do trem se abriram e o maquinista falou que teríamos que descer.
Ótimo, eu pensei. Meu dia não pode ficar melhor.
Todos se levantaram. O garoto que estava ao meu lado pulou — literalmente — do banco e andou até a porta para sair do trem. Eu esperei algumas pessoas descer, um homem segurou minha mão para que eu descesse sem me machucar. Eu o cumprimentei e andei pelos trilhos cheios de neve que crescia mais e mais.
Eu andava me abraçando. A minha touca não parecia mas tão quente, minhas botas de couros afundava e sempre que eu pisava cada vez mais sentia a friagem subir pela minha perna. O garoto que estava do meu lado no trem andava devagar na minha frente, pois a neve já estava alta e era impossível de se correr.
Eu estava tão ligada em olhá-lo que só fui perceber que havia tropeçado quando meu rosto foi de encontro ao chão fofo cheio de neve. Senti alguém me puxar pelos braços e bati as mãos em meu rosto para tirar a neve que me queimava — o que era meio irônico já que a neve era fria
- vi que a pessoa que havia me ajudado era o garoto que estava ao meu lado no trem e na estação, eu levantei e coloquei as mãos no rosto para esquenta-lo com as luvas.
- Obrigada. – eu disse com o rosto nas mãos. Depois levantei o rosto e vi que o menino sorria.
- Qual seu nome? – ele perguntou e voltamos a andar.
- Melise — eu disse. – e você?
- TJ – ele falou. Eu franzi as sobrancelhas e ele riu. – o que é?
- Quem no mundo tem o nome de TJ? – eu sorri.
- Meu nome é Theo na verdade, mas todos me chamam de TJ. – ele disse.
O trem estava já a alguns metros atrás de nós, as pessoas que haviam saído ou tinham voltado para a primeira estação que ele havia parado ou ia andando na mesma direção que nós, para a próxima estação. A neve caiu com mais intensidade e mais rápida, algumas pessoas tentaram correr para ir para algum lugar só que não havia como e nem aonde ir.
Eu avistei a estação que estava perto de nós. Bati no braço de TJ e apontei para frente, ele assentiu e tentamos andar mais rápido já que a neve agora crescia até perto dos nossos joelhos.
Subimos na plataforma da estação e andamos sobre ela. Não havia muitas pessoas nelas já que, era provável, a estação estar fechada. Uma lanchonete estava aberta, assim como uma cafeteria. Resolvi entrar na lanchonete e sentei em uma das mesas. Tirei o casaco que estava coberto de neve e a touca, TJ fez o mesmo e nós estávamos sentamos de frente um para o outro tentando pensar em algo para falar.
- Você vai pedir algo? – ele perguntou. TJ era diferente, mas um diferente bom. Ele tinha os cabelos pretos e espetados em algumas partes, seus olhos eram castanhos escuros, diferentes dos meus que eram claros, e tinha um olhar... Estranho.
Bem, não era estranho. Parecia que ele havia sofrido alguma coisa, ou alguém estava sofrendo. Deduzi que era melhor não perguntar muito sobre ele e voltei ao mundo quando ele estalou os dedos em minha frente.
- Está tudo bem? – ele disse com as sobrancelhas franzidas.
- Ah, sim, está. — eu disse ainda meio grogue. — não sei.. Você vai pedir algo?
Ele deu de ombros. Eu olhei pela janela, a neve caía cada vez mais rápida, estava nevando muito, mais do que o último inverno. Respirei fundo e a atendente parou em nossa frente.
- O que desejam? – ela perguntou e sorriu delicadamente.
- Hã... Hm.. – eu pensei e olhei o cardápio. – um suco de laranja e um Browne.
- O mesmo que ela. – TJ disse e sorriu. A menina sorriu de volta e assentiu.
Eu olhei até ela entrar na cozinha e me virei para TJ sorrindo maliciosamente. Ele franziu as sobrancelhas para mim.
- O que foi? – ele perguntou.
- Nada, nada não. – eu sorri e olhei pela janela.
Fiquei pensando no que estava acontecendo na casa de Ronan, e como estava indo seu aniversário e se ele estava pensando que eu não havia ido por que havia esquecido ele. Tentei tirar o pensamento de minha cabeça e peguei o celular, por sorte e como eu havia dito que o destino adora me pregar peças, meu celular estava sem bateria e eu teria que esperar aquilo tudo acabar para chegar à casa de Ronan.
A garçonete colocou as coisas na mesa e saiu. Eu bebi um pouco do meu suco e comi um pedaço do meu Browne. TJ olhou seu celular novamente e pareceu ainda mais nervoso, ele olhou pela janela e pareceu chateado ao ver que a neve ainda caía.
- Você era para estar em algum lugar? — eu perguntei limpando minha boca. TJ hesitou e olhou a hora novamente.
- É tipo isso. – ele respondeu. Eu continuei encarando-o. – eu tenho que ver essa pessoa antes que ela parta, antes que ela vá embora.
- Ah, sim. – eu falei. – ela vai viajar e não vai voltar?
- É, tipo isso. – ele falou e deu um sorriso falso.
Decidi que era melhor não perguntar mais nada e não ir mais fundo no assunto. Estava ficando irritada pela neve cair cada vez mais. Depois de vinte minutos percebi que ela estava ficando cada vez mais fraca. Pagamos a lanchonete e saímos, havia algumas pessoas andando, ou pelo menos tentando. Eu percebi que talvez desse para chegar à casa de Ronan já que ela ficava a quatro estações de Nova York.
- Bem. – eu me virei para TJ. – acho que isso é possivelmente um adeus, espero que você consiga falar com a pessoa que vai embora. Ou pelo menos que um dia ela volte.
- É.. – ele sorriu. – quem sabe um dia ela volte.
Eu sorri e me virei andando na neve que já havia parado de cair. Colocou minha touca e abracei meu corpo para me esquentar cada vez mais. Virei para ver TJ pela última vez e dei um tchau, ele retribuiu e eu sorri e voltei a andar rumo à casa de Ronan.
++++
Eu estava atrasado — como sempre. Eu havia acordado às onze horas para sair de casa o mais rápido possível. Eu havia feito à promessa de que chegaria lá antes das duas na verdade, porém, muitas coisas me atrasaram.
Para começar que Kirk ficou falando ao meu ouvido sobre a nova balada e como queria que eu fosse. Depois Neli, a minha cachorra, ficou passando mal e para piorar, meu carro quebrou justo no dia em que eu mais precisava.
Bem, lá estava eu na plataforma de trem de Nova York sentado ao lado de uma garota que não parava de balançar a perna, o que fazia me deixar mais nervoso ainda. Quando o trem das duas horas chegou — que na verdade já era quase três horas — eu não demorei em entrar nele. A neve estava começando a cair cada vez mais forte e eu não sabia se conseguiria chegar a tempo para vê-la.
Afastei o pensamento e fechei os olhos pensando positivo que eu ia chegar a tempo. Todos os problemas parecem crescer ainda mais quando você já tem outros. Eu estava sentado no trem que passou pela primeira estação, depois não demorou para que a neve se transformar em uma nevasca e impossibilitar o trem de seguir a viagem adiante.
O maquinista havia dito que iríamos ter que descer e esperar na segunda estação até que a nevasca parasse. Não perdi tempo e desci do vagão pela porta que já estava aberta. Tentei andar na neve fofa que parecia afundar cada vez mais enquanto eu dava cada passo. Respirei fundo e assim segui devagar.
A garota que estava sentada do meu lado na plataforma do trem parecia me olhar intrigada com alguma coisa, como seu eu fosse suspeito — agora querer chegar correr para chegar a um lugar é ser suspeito, quanta hipocrisia. Eu ouvi um barulho abafado de algo caindo na neve e quando virei à menina tentava se levantar, mas suas mãos afundavam na neve.
Eu revirei os olhos e fui até ela. A peguei pelos braços e a levantei, ela tirou a neve do rosto e me fitou.
- Obrigada. – ela disse e voltamos a andar.
- Qual seu nome? – eu perguntei à ela.
- Melise – ela respondeu. – e você é?
- TJ – eu falei. Ela franziu as sobrancelhas e eu ri. – o que é?
- Quem no mundo tem o nome de TJ? – ela disse rindo.
- Meu nome é Theo na verdade, mas todos me chamam de TJ. – eu esclareci.
Ela sorriu e fez uma cara de quem dizia " ah tá, obrigada por explicar". Andamos até chegar na outra estação de trem, subimos na plataforma que estava completamente vazia, algumas pessoas vinham atrás de nós. Entramos em uma lanchonete e sentamos em uma mesa.
Eu tirei a neve que havia se acumulado em meu casaco e ela havia tirado a sua touca. Eu bati meu gorro para que a neve saísse e ela saiu. Sentamos e esperamos um pouco até alguém dizer algo.
- Você vai pedir algo? – eu perguntei enquanto ela parecia viajar na maionese. Eu a olhei enquanto ela não respondia, sua pele estava bem mais pálida talvez por causa do frio. Seus olhos castanhos claros se destacavam na pele branca.
Ela estava me encarando, mas parecia não estar ali ao mesmo tempo. Eu estalei os dedos em sua frente e ela piscou e se mexeu. Ela olhou em voltar.
- Tá tudo bem? – eu perguntei franzindo as sobrancelhas.
- Ah, sim, está. – ela respondeu. – não sei.. Você vai pedir algo?
Eu dei de ombros. Ela olhou pela janela dando atenção a neve caía cada vez mais rápida. Ela respirou fundo e a garçonete parou em nossa frente.
- O que desejam? — ela perguntou e sorriu.
- Hã... Hm.. – Melise pensou e olhou o cardápio. – um suco de laranja e um Browne.
- O mesmo que ela. – eu falei e sorriu. A menina sorriu de volta e assentiu.
Melise me olhou sorrindo maliciosamente. Ela olhou a garçonete até ela adentrar na cozinha.
- O que foi? — eu perguntei sem entender muita coisa.
- Nada não. – Melise sorriu e olhou pela janela.
Eu olhei o celular para ver as horas. Estava possivelmente muito atrasado, esperava que nada daquilo durasse mais. Eu pensei em como seria vê-la sorrir e ver que ele cumpriu a sua promessa.
A garçonete colocou as coisas na mesa e saiu. Melise bebeu um pouco do suco e comeu um pouco de seu Browne. Eu olhei o meu celular novamente, olhei pela janela vendo a neve cair.
- Era para você estar em algum lugar? – Melise perguntou limpando a boca. Eu hesitei e olhei a hora em meu celular novamente.
- É, tipo isso. – eu respondi. Ela continuou me encarando – eu tenho que ver essa pessoa antes que ela parta, antes que ela vá embora.
- Ah, sim. – ela disse.. – ela vai viajar e não vai voltar?
- É, tipo isso. – eu falei e dei um sorriso não muito verdadeiro.
Ela sorriu e voltou a olhar pela janela. Pela sua expressão parecia irritada, eu esperei pedindo para que aquilo acabasse logo e finalmente depois de vinte minutos a neve havia parado de cair. Pagamos o nosso lanche e saímos da lanchonete. Melise olhou para a próxima estação que estava lá na frente, eu olhei para ela.
- Bem. – ela se virou para mim. – acho que isso é possivelmente um adeus, espero que você consiga falar com a pessoa que vai embora. Ou pelo menos que um dia ela volte.
- É.. – e u sorri. – quem sabe um dia ela volte.
Eu sorri mesmo sabendo que aquilo era possivelmente e tecnicamente impossível. Melise foi andando em direção à próxima estação. Ela se virou e deu um tchau com as mãos e eu retribui. Ela sorriu e continuou andando.
Eu sai da estação e andei dois quarteirões. Aonde eu iria encontrá-la havia um atalho que eu iria pegar de carro, mas como ele havia quebrado, eu iria pegá-lo a pé mesmo. Eu andei por mais vinte e cinco minutos até que cheguei onde queria chegar.
Eu parei em frente a ele olhando a sua estrutura alta e aberta. O amor da minha vida estava indo e eu precisava encontrá-la o mais rápido possível. Eu entrei no lugar, tudo estava um caos, as pessoas não sabiam para onde ir, uma fila enorme estava para ser atendidos e então consegui achar o corredor certo que não havia muita gente.
Entrei no quarto e vi todos sentamos e alguns em pé. Andei até mais a frente e pude vê-la. Segurei sua mão e a apertei bem forte para que ela soubesse que eu estava ali.
Ela virou o rosto e sorriu fraco.
- Você veio. – ela disse baixo. Eu sorri.
- Acha mesmo que eu não iris cumprir a promessa que fiz para minha parceira? – eu disse e ajoelhei ficando perto de seu rosto.
Todos saíram do quarto deixando apenas eu e ela.
- Theo. – ela disse baixo. – ninguém nunca me amou como você amou. – ela tossiu.
- Shh.. – eu disse. – está tudo bem, amor. Você vai ficar bem.
- Theo. – ela disse e as lágrimas desceram pelo seu rosto. – me promete uma coisa?
- Qualquer coisa. – eu falei e senti as lágrimas quentes caírem e acariciei sua testa.
- Me promete que você vai seguir em frente. – ela falou chorando. – me promete que você vai encontrar um novo amor. Prometa-me que você vai seguir em frente e que vai me esquecer. Prometa-me que você vai amar outro alguém e que eu irei ficar apenas em suas lembranças.
- O que você está pedindo é algo muito grande. – eu respondi chorando.
Ela havia sido minha primeira namorada. Começamos a namorar aos quatorze e a dois anos atrás quando tínhamos dezoito ela descobriu um câncer em um estagio avançado, e a cinco meses atrás ele entrou em um estado terminal.
- Me promete isso. – ela disse. – é a única coisa que peço. Não quero que você perca o restante da sua vida pensando em mim. Não vale a pena amar alguém que já se foi, não irá valer a pena você perder os próximos anos de sua vida por mim.
- Eu amo você. – eu apertei sua mão ainda mais forte.
- E eu amo você. – ela disse e sua respiração ficou fraca. – você sempre será o meu amor épico.
- E você o meu. – eu respondi. Ela sorriu sem forças, eu gritei sua mãe e todos apareceram.
- Eu amo vocês. – ela disse fraca. Pude sentir a força se esvair de seu corpo e ela perder a pulsação. — sempre. Adeus amores, quem sabe nos reencontremos, em outra vida.
Ela sorriu, fechou os olhos e não mais falou. Eu coloquei a cabeça na cama e chorei. Sua mãe se segurava para não cair no chão. Não havia mas nada para fazer, tudo que nos restava era chorar. Chorar para que a Malina descansasse em paz a onde quer que ela fosse, e esperar, esperar para que um dia a gente se encontre de novo.
++++
Finalmente eu havia chegado. Já era quase cinco horas da tarde e lá estava eu batendo na porta de Ronan. Sua irmã abriu a porta.
- Lise. Oi. – ela disse animada. – por onde você esteve? Achamos que você não viria.
- É, uma nevasca atrapalhou meus planos. – eu respondi e entrei. – a festa acabou?
- Não, claro que não. – ela falou. – vai lá.
Eu assenti e desci para o porão onde geralmente Ronan faz suas festas, todos estavam lá. Jenny veio em minha direção.
- Ah meu deus! – ela falou olhando para meu estado. – você perdeu toda diversão.
- Desculpe, não foi culpa minha. – eu disse e olhei em volta procurando Ronan.
- Bem, hã... – Jenny tentou falar algo ela parecia nervosa em dizer.
- O que aconteceu? – eu perguntei.
- Lise. — ela me levou para um canto. – Ronan e Cara estão... Bem... Namorando.
- Namorando? – eu disse alto. Jenny fez com que eu falasse baixo. – como assim namorando?
- Ela pediu a ele na frente de todos. – ela olhou em voltar para ver se alguém a olhava. – e ele aceitou dizendo que esperava isso desde a quinta série.
- O que? – eu me irritei. – eu que gosto daquele idiota desde a quinta série.
- Eu sei, amiga. – Jenny disse. – eu tentei te ligar, mas não consegui.
- Não, tudo bem. Você não tem culpa de nada. – eu peguei o copo da mão dela e bebi o que quer que seja que estava lá dentro.
- Tenha outra novidade. – ela falou enquanto eu bebia. – eu beijei Albert.
Eu cuspi a bebida toda — literalmente — no chão. Eu engasguei e tentei respirar um pouco. Jenny me olhava rindo e eu consegui me conter.
- O que? – eu disse alto. – sempre achei que você gostasse do Ronan.
- Ta doida? – ela cruzou os seus braços nos meus e andamos pela festa. – Albert é um nerd bonito, e mesmo que não fosse, convenhamos ele é super legal.
- Mas você não gosta dos caras de futebol? – eu disse ainda confusa.
- Tá, eu tenho uma quedinha sim. – ela me olhou rindo. – mas convenhamos, tem alguns garotos que são bem melhores que os do time de futebol. E mesmo se eu gostasse do Ronan, eu nunca ficaria com ele por que você é minha melhor amiga. Que tipo de amiga eu seria se fizesse isso?
Rimos e eu a abracei. Me arrependi dos anos todos ter desconfiado de Jenny, ela sempre foi fiel no fim de tudo. Iria pedir desculpas a ela em outra hora — até por que ela e Albert estavam ocupados um pouco.
Fiquei na varanda olhando a rua com neve e pensando em TJ.
Será que ele havia conseguido falar com a pessoa que queria falar?
Fiquei torcendo para que ele tivesse conseguido e fiquei pensando em como uma pessoa poderia ser legal em meio à dor. Pensei se um dia iria vê-lo novamente e torci para que isso possa acontecer. Respirei fundo e olhei para a rua enquanto via a neve cair em meio a um dia que era para ser especial.
++++
Dois Anos Depois.
Eu estava indo para o último lugar onde havia visto antes dela partir para baixo da terra. A neve estava caindo bem forte como da última vez que a tinha visto. Eu olhei para o túmulo e lembrei-me dos nossos momentos.
Ajoelhei e fiquei olhando para a sua lápide.
- Me desculpe. – eu disse.
As lágrimas desceram pelo meu rosto e não pude conter o que estava dentro do meu peito. Coloquei a rosa em cima da lápide e a olhei.
Me lembrei de algumas horas mais cedo onde havia encontrado a menina do trem a dois anos atrás quando estava atrasado para vê-la pela última vez.
Eu estava no mercado ne decidindo qual rosa levaria para colocar no túmulo dela quando eu acidentalmente bati no carrinho de Melise.
- Ah, droga. – eu disse e olhei para o alto e lá estava ela. – eu conheço você.
- Eu também conheço você. – ela sorriu tímida. – quem diria não? Dois anos depois a gente se encontra.
- Pois é. Para ver como o mundo é. – eu disse e sorri.
- Você conseguiu ver a pessoa que estava indo embora? – ela perguntou.
- Sim, consegui. – eu disse. – você conseguiu fazer o que queria naquele dia?
- Sim. – ela riu. – mas, bem, eu havia chegado atrasada.
- Ah, que pena. – eu disse.
- Eu tenho que ir. – ela disse. – foi legal te ver de novo, TJ.
Ela passou por mim. Eu havia lembrado das palavras de Malina a dois anos atrás, e ela ecoou novamente em minha mente.
- Me chame de Theo. – eu disse alto e ela parou o carrinho. Ela se virou e sorriu.
- Então, me chame de Lise. – ela riu. Eu sorri de volta.
- Que tal jantar amanhã comigo? – eu perguntei.
- Eu vou adorar. – ela sorriu e andou até a mim. Ela entregou um papel com um número. – me ligue e marcamos direito.
Eu assenti e ela havia voltado para o carrinho.
A lembrança de ver Lise saiu da minha cabeça. Eu estava novamente fitando o túmulo de Malina. Ainda estava tentando seguir em frente, mas ainda era difícil. Amanhã eu posso mudar tudo isso. Amanhã eu irei seguir em frente e finalmente cumprirei minha promessa.
Mas, até lá.
- Desculpe, parceira. — eu disse e coloquei um anel que havia dado no nosso primeiro ano de namoro. Eu levantei e andei, mas antes sussurrei:
- Eu não consegui seguir em frente ainda.
Notas finais
Espero ver vocês nos comentários mas mesmo se eu não ver, ficarei feliz por terem lido,
Bem, até a próxima pessoal! Esperem que talvez Lise e Theo podem aparecer de novo hahaha
Mas, sério agora, até outro dia.
Abraços :D
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