A Natureza do Amor

1 Natureza, Razão e Amor.


Notas iniciais
Bom, como viram no disclaimer, é minha primeira história, relevem erros. Eu queria dedicar essa história ao único e precioso Black, essa história não seria possível sem você, baby. Sem mais delongas, boa leitura.

Deslizava com suavidade, leveza. A brisa balançava a relva com a sutileza de um amante a dedilhar as curvas de sua primeira donzela. Pusera a língua pra fora diversas vezes, provara o gosto da carne no ar, o calor de sua presa. Ah, como adorava isso, estar no controle, ver aquele pobre coelhinho, tão inocente, tão puro... Mas era ele ou ela.

Se nem supremos lordes respeitavam direitos de hóspedes agora, por que ela haveria de respeitar? Era uma víbora! Livre e sábia, e ainda mais, ela não tinha convidado o coelho burro pra seu território, apareceu logo perto de sua toca... Tão tolinho. Mas não teria pena. Seus filhos logo nasceriam, poderia ser uma víbora de Dorne, mas defenderia seus filhos tanto quanto a puta humana Lannister.

Se já tinha ouvido falar? Tinha sim. A humana era dura na queda, seria uma boa víbora caso tivesse nascido com essa sorte, mas talvez não sobrevivesse, era burra demais. Armar a Fé Militante, faça-me o favor. E olha que nunca foi de se meter em políticas, era dor de cabeça demais pra isso. Como sabia disso? Ora! Se há uma coisa que Dorne tinha em Westeros eram informantes, isso não faltava. Não eram lá os mais inteligentes, ou eficientes, mas que tinham, ah, se tinham!

Os nervos do coelho começaram a denunciar medo, pavor. Ela aspirou com deleite e gemeu de satisfacão. Havia chegado a parte mais gostosa... A parte em que a presa sabe que vai morrer, mas ainda sim corre. E foi o que o coelho besta fez. Nem se dispôs a correr, só atirou o veneno. Sentia os nervos do coelho se retorcendo, guinchando de dor, seu coração se enchendo de veneno.

— Coitado.— riu com gosto. Se sentia pena? Se tinha sentimentos? Claro que não. Não iria negar que já teve, sim, claro. Todos tinham que ter, pelo menos alguma vez na vida. Ela era só uma cordinha ambulante descontrolada que começava a aprender a controlar as primeiras flechas de veneno quando o viu. Escamas negras, lustrosas e brilhantes, nunca esqueceria aquelas escamas e maneira como dançaram pelo seu corpo quando tiveram sua primeira noite. Mas víboras não ficavam juntas, era a natureza, não iria negar que o amou, muito, mas tinha que deixá-lo, ele não daria futuro a ela, não dariam futuro juntos.

Ainda riu quando o viu despejar lágrimas cobertas de venenos daqueles tão belos olhos. E que olhos! Pareciam dois rubis, de tão vermelhos que eram, apresentaram a luxúria a ela e o mais ferrenho ódio quando ela o deixou. Se ele a amou, bom, já não importava mais. Sentiu o coração rápido do coelho já não bombear mais, se aproximou, provou o ar... Carne fresca! Afundou suas presas na carne macia, sangue ainda quente fluiu como uma nascente até sua boca, como era gostoso... Mas não tinha tempo pra digerir, os ovos logo chocariam e tinha que estar lá até antes da hora do lobo. Tinha que voltar logo.
Esperou um pouco a digestão, mas repentinamente, seu coração se encheu de pavor, como o do coelho que ainda digeria, ela ouviu um crack, como de ovos se partindo.

Rumou pra casa tão rápido quanto uma víbora podia ir. Mas já sentia no ar, já provava o gosto.
— Pelos deuses, por favor, não — pensou. Chegou a sua toca, e seus olhos platinados não acreditaram no que viam, sibilou com horror e ódio, quando viu seus futuros filhos que jamais nasceriam, ovos partidos, seus conteúdos espalhados no chão como lixo. Sentiu o ódio borbulhar, quente, mas não era só isso que borbulhava. Sentiu-o no momento que entrou, e também o sentiu quando cravou as presas afiadas em suas costas.

— Olá, minha doce Jordan — ele disse, retirando as presas de si. Sentiu o veneno percorrer lentamente seu corpo. Virou a cabeça e o viu. Já não era mais o mesmo, sua pele havia perdido totalmente a cor. Ficou tão platinado quanto os cabelos dos humanos Targaryen. Viu o rosto dele, fendas viperinas ainda carregavam aquele olhar luxurioso, dava pra ver que mesmo sendo seu algoz, ainda continuava louco por ela. Realmente era muito prepotente.
— Que desejos realiza nessa sua mente insana, Sorion? Se delicia me vendo morrer pelas suas mãos? Por que me matar? A mim e seus filhos?! ME PERSEGUIU POR TODA DORNE, MESMO EU ESTANDO GRÁVIDA E DEBILITADA SÓ PRA TER O PRAZER DE ME MATAR? RESPONDA, SEU VERME INSOLENTE! —perguntou, as palavras carregadas de ressentimento.

— Esses filhos não são meus! — retrucou ele. Sua aparencia fisica, assim como a mental, parecia incrivelmente instável. A maneira como seus olhos mexiam era totalmente insana. — Mentiu pra mim, me abandonou, jamais perdoarei você. Jamais. Você sempre me desprezou, me humilhou com esses bastardos e mesmo assim, meu sentimento por você não muda. Como pode ser tão bonita Jordan? Mesmo a morrer, amo-te como jamais amei ninguém. Maldita seja você, Jordan! — entrelaçou-se nela como se fosse a primeira vez. Mas foi descuidado. Ela cravou nele as presas carregadas de veneno.
— Você...? — perguntou.
— Sim. Também amo-te como jamais amei ninguém. Abandonei-lhe porque duvidou de minha palavra, sou uma víbora, rancorosa e odiável, mas mentirosa nunca fui. Deixei-lhe chorando, mas essa é minha natureza, Sorion, o quão tolo você foi, por mais que seja amor, de que ele vale? Nada. O amor de nada vale sem ambição, prestígio e poder.
Essas foram as últimas palavras de Jordan, lágrimas de sangue desciam das fendas viperinas de Sorion. Ela as olhou antes de morrer, foi a última coisa que viu e mesmo assim não teve pena.

Morreu porque quis — pensou.
Jazeram ali mesmo, entrelaçados como um casal. Mas só quem leu a verdadeira história sabe: Ninguém muda por amor, só mudam por vontade própria. Só amor não é suficiente. Só amor não muda a natureza de ninguém.

Notas finais
E aí? Gostaram? Odiaram? Socorro! Hahahahah Comentem e me digam o que acharam, estou a espera de vocês. E você, Black, espero que tenha chegado até aqui e gostado do que viu. Beijos da Gees ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!