A Máfia
3 Capitulo 3 - Sangue, Verdades e Desejo
Todos desceram correndo ao ouvirem tiros — um após o outro — ecoando em frente à porta de entrada da grande mansão. No pátio, caído ao chão, estava Nathan, com um ferimento grave no peito. Renesmee correu até ele, pressionando o local com as duas mãos.
Jacob franziu o cenho, analisando rapidamente a situação ao redor. Claire saiu pela porta e se escondeu ao lado de Amber, atirando na direção de um inimigo que parecia um verdadeiro fantasma — impossível de acertar. Renesmee chamava por Nathan, que mantinha os olhos semicerrados. Os punhos de Jacob se fecharam com força.
Carlisle desceu as escadas às pressas.
— O que está acontecendo? — perguntou, olhando para Jacob.
— O Volturi resolveu invadir minha propriedade para me afrontar — respondeu o moreno entre dentes.
A voz de Renesmee tornou-se embargada quando Nathan deixou de responder, fechando os olhos por completo. Jacob abaixou o olhar para a loirinha; vê-la sofrer pelo amigo só aumentava sua fúria.
De repente, Renesmee se levantou em um único movimento. Retirou a arma do cinto de Jacob e, com uma rapidez fora do normal, avançou até a porta. Seu semblante estava fechado, os lábios crispados em uma linha dura, lágrimas finas escorrendo por seu rosto.
Três tiros secos ecoaram.
O silêncio se instalou.
A loira abaixou a arma lentamente quando o atirador caiu no chão. Claire e Amber se levantaram, fitando Renesmee em silêncio, e então correram até o homem caído no pátio.
— Carlisle, cuide do Nathan. Faça o possível para que ele sobreviva — ordenou Jacob, sem tirar os olhos de Renesmee.
— Claro — respondeu Carlisle, levando Nathan dali.
Renesmee estendeu a arma para Jacob. Ele colocou a mão sobre a dela, puxando-a para si. Retirou a arma com cuidado e a abraçou com força. A garota respirou fundo enquanto ele beijava o topo de sua cabeça.
Claire e Amber retornaram à mansão, ofegantes. Jacob se afastou de Renesmee e as encarou.
— Os tiros não o mataram. O nome dele é Alec Volturi — informou Claire.
Jacob passou as mãos pelos cabelos, nervoso.
— Alec é filho de Aro. Por que diabos ele mandaria o garoto até aqui, sendo que é o protegido? — questionou.
— Não sei, mas precisamos descobrir — respondeu Renesmee. Todos assentiram.
— Onde está meu irmão? — perguntou Amber.
Jacob colocou a mão em seu ombro.
— Está sob os cuidados de Carlisle. Ele vai ficar bem.
— O que faremos com o garoto? — perguntou Claire.
Todos olharam para Jacob.
— Tragam-no para dentro. Levem-no ao porão — ordenou firmemente.
Claire e Renesmee se aproximaram de Alec, que sangrava no chão.
— M-me ajudem… — gaguejou ele.
— Quer ajuda? — provocou Claire, agachando-se diante dele.
Renesmee permaneceu em silêncio.
— S-sim… — respondeu ele.
Claire se levantou e o chutou.
— Jake mandou trazer, não torturar — disse Renesmee, firme, puxando Claire para trás.
— Tá com pena dele? — provocou Claire.
Sem tirar os olhos da amiga, Renesmee sacou a arma e deu um tiro de raspão no braço de Alec, que gritou de dor.
— Isso responde sua pergunta? — retrucou, entre dentes.
Claire sorriu de canto, e juntas o levaram para dentro.
No porão, Alec foi jogado ao chão. Jacob entrou logo depois, acompanhado de Carlisle e Amber.
— Cuide dele. Mantenha-o vivo, nem que seja por pouco tempo — ordenou Jacob.
Após os primeiros socorros, Alec foi amarrado a uma cadeira.
— Como entrou na minha mansão? Por que seu pai o mandou? — perguntou Jacob, a voz baixa e ameaçadora.
— Meu pai não me mandou — respondeu Alec, com dificuldade.
— Então o filho querido de Aro veio por conta própria? Quer morrer? — ironizou Jacob.
— Não sou o filho querido. E vim por conta própria — rebateu Alec.
— Por quê?
— Porque ele queria que eu assumisse seu novo negócio.
— E qual seria a nova merda que ele está fazendo? — perguntou Jacob.
— Tráfico humano. Crianças… mulheres.
— Esse homem é um monstro — murmurou Amber.
— Ele não sente remorso nem pela Jane? — questionou Renesmee.
— Meu pai não sente nada desde que Jacob matou minha mãe, Sulpicia. Desde então, ele se tornou ainda pior.
Jacob permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— E o que isso tem a ver com você quase matar um dos meus? — perguntou, ríspido.
— Eu fugi. Não queria mais fazer parte disso. Pensei que você pudesse me dar abrigo.
— E por que eu acreditaria em você?
— Tenho minha palavra. Além disso, posso ajudar. Sou o melhor estrategista que meu pai tinha.
Jacob o analisou longamente.
— Você ficará. Mas se eu descobrir qualquer traição… eu mesmo te mato.
Alec assentiu.
Carlisle entrou logo depois.
— Nathan está melhor.
O alívio tomou conta do grupo.
— Já que ele está melhor, cuide do Volturi — disse Jacob a Carlisle. — Depois explico. Agora preciso de algo forte.
Jacob puxou Renesmee pela mão e a levou até o quarto dela. Serviu-se de um conhaque e se sentou na cama. Ela permaneceu encostada na parede, em silêncio.
— Não devíamos confiar nele — afirmou.
— Não confio. Confiança se conquista — respondeu Jacob.
— Se ele sobreviver — ironizou ela.
Jacob riu.
— Boa pontaria — comentou, aproximando-se. — Que ruga de preocupação é essa?
— Nada — respondeu, dando de ombros.
Ele a abraçou com força.
— Só fique longe daquele cara.
— Por quê?
— Não gostei do jeito que ele te olha.
— Tá com ciúmes? — provocou ela.
— C-claro que não.
Ela riu e sentou em seu colo.
— Meu pai já sabe.
— Eu sei… só que—
— Só que o quê? Você não quer?
— Eu quero… mas você é muito nova.
— Nova? Jake, eu não sou virgem há muito tempo.
— O quê?! Você só tem 18 anos!
— Eu sou uma assassina profissional, Jake. Você achou mesmo que eu era inocente?
Ele bufou.
— Achei…
Ela se aproximou lentamente.
— Relaxa, Jake. Eu vou com calma.
— Você vai me deixar louco…
— Essa é a intenção.
Ela o beijou, e ele a puxou para si. O desejo falou mais alto. Beijos, toques, corpos em sintonia. Quando finalmente se entregaram, tudo foi intenso — como eles.
Depois, deitados, Jacob a trouxe para seu peito, acariciando seus cabelos com cheiro de jasmim.
— Eu te amo — disse ele, pela primeira vez.
Renesmee o encarou, emocionada.
— Eu te amo também.
Ela se aconchegou em seu peito, e logo adormeceu. Jacob fechou os olhos em seguida, sentindo que, pela primeira vez, tudo fazia sentido.
Fale com o autor