A Máfia

20 Um dia aparentemente normal.


Notas iniciais
OLÁ PESSOAS DO MEU CORAÇÃO :)))))))) Desculpe-me pelo atraso, o bloqueio criativo decidiu passar um tempinho aqui comigo zzZZzzz PESSOAL, A MÁFIA JÁ PASSOU DOS 2.000 REVIEWS E DE 50 LEITORES UHUUUL Mas, infelizmente, não passa de dois comentário por capítulo :( Mas já agradeço de coração quem comenta, vocês são divinos comigo haha Outra coisinha... Escrevi esse capítulo umas cinco vezes e espero do fundo do coração que gostem :D E que não me matem no final hihihi É isso, não esqueça das notas finais, ok? Ok.

A caminho do Quartel, fui percebendo que esse não seria um dia normal. E a primeira demonstração disso foi logo no café da manhã, onde Lia e Muriel aguardavam a primeira oportunidade para se esfaquearem e acabarem um com o outro. Foi divertido, confesso, mas sentia certa angustia cada vez que eu pedia para que me passassem a jarra de suco. Não sei o que deu neles, quando cheguei da Itália, algumas semanas atrás, eles estavam um amor que só, já hoje... A segunda foi à movimentação estranha que estava acontecendo no Quartel assim que eu cheguei. Vitor não estava comigo, ele saiu de casa bem cedo e provavelmente já deve estar aqui. E isso me irrita um pouco. Ele está sempre saindo mais cedo de casa e quando volta, não me diz ao certo em que trabalhou e o que fez, sempre desconversando. Eu gosto de estar na Máfia, quero saber tudo o que está acontecendo e se passando, mas Vitor não me ajuda muito nisso. E depois da conversa que tive com meu pai uma pulga se criou atrás da minha orelha, certa desconfiança que eu odeio sentir. Mas vou provar que ele está errado, bom, eu espero que ele esteja errado. Ele tem que estar...

_Vitor, o que está acontecendo? – pergunto ao entrar no escritório.

_Estamos resolvendo alguns problemas e inovando nossa mercadoria. – falou se levantando e se preparando para sair.

_O quê? Como assim?

_Vem comigo que eu te explico melhor.

Vitor me puxou e juntos fomos até o segundo andar, atravessamos diversos corredores até que finalmente chegamos a uma porta preta, onde dois seguranças a protegiam. Eles nos saudaram e abriram a porta e confesso que sou conteúdo me surpreendeu.

Computadores. Diversos computadores. Das ultimas e futuras gerações. Aparelhos enormes, grandes, pequenos e até minúsculos com funções inimagináveis. A sala é grande, porém, toda escura. A única luz aqui é a dos aparelhos, proporcionando um espaço todo azul, com mixes de luzes amarelas e verdes. E no meio de tudo aquilo apenas uma pessoa trabalhava ali. Uma!

_É-é um pra-pra-prazer te conhecer, Valentina.

Um adolescente de uns 17 ou 18 anos se apresentou e estendeu sua mão a mim, nervoso. Ele é magro e é mais ou menos da minha altura, sendo poucos centímetros maior. Sua pele é branca e os cabelos castanhos claros, o óculos quadricular esconde os olhos que parecem ter a cor verde, mas não sei ao certo por conta da má iluminação. Eu o cumprimentei e ele logo tratou de voltar para trás de uma de suas maquinas e a digitar a uma velocidade anormal no teclado. A tela do computador que ele digita é enorme, são várias telas formando uma só, ocupando quase a parede inteira, nela, vários números e letras em verde apareciam e desapareciam. Fiquei meio abobalhada com tudo aquilo e não conseguia tirar os olhos de todos aqueles computadores e aparelhos. De repente Muriel entra com uma expressão nada boa, deduzo que ainda seja por causa da briga que teve com Lia.

_Cheguei. – exclamou.

_Chegou pra quê? – perguntei.

_Ué, pra começarmos o trabalho, hoje temos uma revisão de mercadoria, não sabia? – ele disse.

Revisão de mercadoria... Olho para Vitor já querendo matá-lo.

_Não, eu não sabia. – falei entre os dentes.

Vitor engoliu em seco e falou algo para Mark, que concordou e começou a digitar. Ele me puxou para fora da sala e voltamos para o seu escritório em silêncio.

_Não acredito que não me disse que haveria uma revisão de mercadoria! – esbravejei.

_Sem drama, Valentina, está sabendo agora.

_Vitor, você não é o dono disso aqui, para isso teria que me matar primeiro, mas até lá, você tem que me contar o que diabos acontecem aqui dentro, porra! – grito enquanto gesticulo freneticamente com as mãos.

Meu peito sobe e desce em uma velocidade descompensada. A conversa que tive com meu pai algumas semanas atrás serviu para piorar ainda mais a minha vida. A desconfiança voltou a ser minha melhor amiga e eu odeio isso, odeio viver em pé de guerra comigo mesma, não poder mais confiar em Vitor me mata. E eu achando que minha vida melhoraria resolvendo meus problemas com meu pai...

_Valentina, — Vitor me olhava meio perplexo, confuso e sério. – você não está assim só porque eu não te contei sobre a revisão, está? O que aconteceu? Me conta.

_Tem razão, não é por causa de hoje. – falei. – É por conta de todos os dias e de todas as coisas sobre a Máfia que você anda escondendo de mim! Nem mesmo sobre a reunião geral você me contou!

Vitor suspirou contrariado e me encara sério.

_Quem te contou sobre a reunião?

_Ninguém, tive que descobrir sozinha porque o meu marido não quis me contar.

_Mas eu ia. – falou.

_Quando? – perguntei incrédula. – No momento certo? – ironizei.

_Valentina, para! – gritou irritado.

_Para você de continuar com essa mania estúpida de esconder as coisas de mim! – rebati gritando.

Ele me fitou com seus olhos negros que, agora, brilhavam de ódio. E eu o encarava com as malditas lagrimas nos olhos. Ele abriu a boca algumas vezes, mas nada saia. Respirei fundo e me recompus.

_Irei com você nessa revisão, não me importa o quão perigoso vá ser, eu irei. – falei segura.

Assim que terminei de falar, dei meia volta e meio que sem pensar, fui até a sala de Muriel, onde o mesmo acabava de virar um copo de uísque para dentro de uma forma amargurada. Ele estava em pé perto da janela e olhava para fora pensativo. Entrei sem pedir licença ou permissão e fui até ele, onde também tomei um bom gole.

_Sofrendo por amor, O’Conner? – perguntei enchendo meu copo novamente.

Ele riu.

_Não sou homem de sofrer por amor. – falou.

_Se é o que diz. Mas já sabe, se magoar Lia...

_Corta meu pinto fora, é, eu sei...

_Ótimo, me conte tudo sobre o que irá acontecer hoje, tenho que me preparar. – falei indo até a sua mesa e me sentando em sua cadeira.

_E Vitor sabe disso? – perguntou ele trazendo a garrafa consigo.

_Muriel, apenas faça o que eu digo, tá legal?

Ele riu e tomou mais um gole, parou do meu lado e me olhou torto.

_Você está na minha cadeira. – falou ele.

_E você transando com a minha melhor amiga. – respondi. – Senta ai e cala a boca.

Ele riu e se sentou ao meu lado e durante algumas horas me explicou como seria a revisão de mercadorias. No final, me mostrou quem seria as pessoas com quem iríamos negociar e o local onde nos encontraríamos. Seria em um cassino no centro da cidade, não aqui.

_Por que em um cassino? – perguntei.

_Foi o local combinado. – respondeu dando de ombros.

_Mas e se algo der errado? Não vamos poder sair atirando, tem muitos civis nesses lugares.

_Não se preocupe, apenas mafiosos, traficantes e gente ruim frequentam essa região. – Muriel olhou para o relógio e bufou. – Perdemos a hora do almoço e já está anoitecendo. É melhor começarmos a nos preparar.

Respiro fundo e prendo o cabelo em um coque frouxo.

_Tem razão, chame Josué para que vocês possam organizar o pessoal que irá conosco. Nos vemos mais tarde.

Levantamos e saímos de sua sala, depois cada um foi para um lado. Quer dizer, Muriel foi fazer o que devia e eu fiquei parada no corredor pensando. Não queria ir para o escritório de Vitor, não queria encara-lo depois de nossa briga, quer dizer, queria, mas, não queria encara-lo tendo em mente que ele podia estar me enganado outra vez. Olhar para ele e pensar que ele estava ali só para poder me dar outro golpe me corroí por dentro. Tenho que descobrir o que está se passando na Máfia e o único que pode me dar respostas é Valentin. O desgraçado sabe de muita coisa e com certeza ele tem alguém infiltrado aqui dentro e é essa pessoa que o meu pai quer, não Vitor. E eu tenho que achar o infiltrado e acabar de vez com toda essa merda que vem acontecendo. Valentin morto é a solução!

_Valentina. – Vitor me chama.

Ele está parado no fim do corredor enquanto eu estou sentada no chão do lado de fora da sala de Muriel. Ele tem dois seguranças, um de cada lado, e uma expressão nada legal.

_Sim. – respondo me levantando.

_Está na hora. – disse. – Vamos.

Vitor estava sério e nada contente, com certeza não gostou de ser contrariado. Mas o que posso fazer? Ele só esconde as coisas de mim e eu tenho direito de enfrentá-lo quando eu bem entender. Fui até ele e juntos caminhamos até a saída do Quartel, onde uma fileira de uns cinco carros pretos nos esperavam. Muriel e Josué estavam no segundo carro, eu e Vitor iríamos no terceiro e os outros negociadores e seguranças iriam nos demais. A trajetória até o cassino foi tranquila, Vitor e eu não trocamos uma palavra até lá, porém quando o carro parou, ele segurou minha mão e pediu um minuto.

_Desculpa por não ter te contado, você tem suas razões para ficar brava comigo, mas, por favor, tome cuidado lá dentro. – pediu.

Fiz que sim com a cabeça e me debrucei no banco para lhe dar um beijo. Vitor o aprofundou e o coloco sua mão em minha nuca, me arrepiando.

_É melhor a gente ir. – sussurrei.

Vitor concordou e saímos do carro e junto com Muriel e outros seguranças, entramos no Cassino lotado e fomos para o terceiro andar. Aqui a iluminação é horrível, as lâmpadas falham a cada minuto e o cheiro também não é um dos melhores. Caminhamos até uma sala oval e no meio dela, havia uma porta na cor vinho com dois seguranças a protegendo. Quando nos viu, eles logo abriram passagem e eu, Vitor, Muriel e mais cinco seguranças entramos, o resto ficou lá fora, caso algo dê errado.

_Puta que pariu. – exclamou Muriel quando a porta foi aberta e uma espessa fumaça de maconha saiu de lá. – Maconheiros malditos.

Muriel tapou o nariz e a boca com a mão e fez uma cara feia para um dos homens que abriram a porta do lado de dentro. O cheiro também me incomodou, mas não fiz uma cena como ele. Vitor riu e entramos no local que nada mais era do que uma sala de jogos, onde uma grande mesa verde estava posicionada bem no meio, ao redor, várias pessoas os observavam jogar enquanto bebiam e fumavam a vontade. No centro da mesa estava Marcos, o cara com quem iríamos negociar e fazer a revisão.

_Ora, ora! Vocês chegaram! – exclamou extremamente feliz por conta das drogas. – Finalmente, querem jogar comigo?

Vitor o xingou baixinho em italiano e eu ri. A sala estava completamente tomada pela fumaça e só de ficar ali já comecei a ficar meio drogada.

_Vamos terminar isso logo, por favor, antes que eu tenha uma overdose.

Marcos riu abertamente e se levantou. Caminhou até uma porta que, desde então eu não havia percebido, e a abriu, fazendo um leve aceno com a cabeça para que nós o seguisse por vários lances de escadas até um andar subterrâneo onde a mercadoria estava.

_Sabe, vocês deviam vir mais aqui. Não seria divertido jogar com os maiores criminosos do mundo? – comentou Marcos um sorriso besta no rosto.

_É quem sabe um dia. – falou Muriel dando de ombros.

O que aconteceu a seguir foi muito rápido. Em algum lugar do prédio houve uma explosão que abalou toda a estrutura do prédio, logo depois podia se ouvir uma intensa gritaria. Com certeza são das pessoas que estavam jogando e se divertindo no cassino. Com a explosão, acabei caindo de bunda em um dos degraus e arranhei uma boa parte do meu braço, gemi de dor.

_Mas que caralhos está acontecendo aqui? – gritou Marcos.

_Valentina, você está bem? – perguntou Vitor me ajudando a levantar.

_Acho que sim. – respondi. – Vitor, acho que foi uma emboscada. – sussurrei.

Vitor está muito bravo e só de olhar para ele suas pernas tremem. Ele me ajuda a levantar e desce até onde está Marcos, o jogando com força na parede.

_Mas que caralhos digo eu! Por acaso você armou tudo isso? – Vitor agarrava seu colarinho com tanta força que eu pensei que ele iria matá-lo.

_Chefe, estão roubando nossa mercadoria! – um dos homens de Marcos anuncia. – Acabaram de me passar pelo rádio. E são muitos.

_Está vendo Chiacchio, eu sou a vitima aqui! – Marcos exclama.

Vitor o aberta mais uma vez e o solta, que cai de quatros puxando uma boa quantidade de ar. Vitor começa a andar de um lado para o outro enquanto passa as mãos no cabelo com raiva. E então começamos a ouvir tiros e pelo som, eles deviam estar bem próximos de nós. Ou seja, estamos presos e é uma questão de minutos para que eles cheguem até nós e sabe-se o que irão fazer conosco.

_Vitor, eles estão próximos. – digo. – Temos que dar um jeito de sair daqui.

Vitor para e olha para mim, depois para Muriel e para cada pessoa que estava ali. Virou se para Marcos novamente e perguntou se havia alguma outra saída que não seja pela sala de jogos ou pelo andar subterrâneo, já que lá foi atacado por bomba.

_Não, a saída mais segura agora é lá embaixo, onde estava a mercadoria. Há uma porta que dá nos fundos do cassino. – diz ele.

_Ótimo, então será por lá.

Todos concordam com a cabeça e meu sangue sobe. Muriel me entrega uma arma e hesitando eu a pego. Atirar eu sei, meu pai fez o favor de me ensinar e ter certeza de que eu seria boa nisso, mas o que me incomoda é ter que atirar em alguém. Porém, em uma situação como essas é matar ou morrer e com certeza eu não estou pronta para partir dessa para melhor, então o jeito é não hesitar quando tiver que atirar na cabeça de alguém.

Quando todos estavam prontos, começamos a descer as escadas e Vitor ficou do meu lado o tempo todo. Confesso que isso está sendo aterrorizador, o silêncio é apenas cortado pelo som de nossos pesos pesados, das armas sendo engatilhados e do tiroteio que ocorre em algum lugar desse cassino. Fora isso, ninguém se atreve a dizer uma só palavra, somente quando chegamos ao ultimo lance de escada, próximo à porta onde dava para o lugar onde estava a mercadoria que começaram a falar.

_Quantos homens vocês acham que tem atrás dessa porta? – Alexandre, um dos nossos homens perguntou.

_Treze. – informou um dos Marcos. – Eles estão a nossa direita, a porta, a nossa esquerda.

Todas essas informações foram passadas através do rádio. Engatilhamos as armas e instantes antes de sairmos, Vitor anuncio:

_Muriel, pegue Valentina e leve-a em segurança para casa sem olhar para trás! O resto dê cobertura a eles, vamos!

Antes que eu pudesse contestar Muriel me pegou pelo braço e me arrastou para trás e esperou até que todos tivessem saído para começar a me arrastar com ele até uma pequena porta cinza. O tiroteio foi intenso e eu tentei de todo jeito me soltar de Muriel e ir ajudá-los, eu queria estar com eles. Queria estar com Vitor. O barulho das armas é tão forte que a sensação é de estar com um tambor enorme ao seu lado tocando sem parar. Enquanto corria com Muriel até a maldita porta, uma bala passou de raspão do lado da minha cabeça, fazendo minha franja balançar, assustada, cai no chão de joelhos, me virei para trás e vi Vitor agachado atrás de um enorme caixa.

_Vá. – ele gritou. – Agora!

Olho para ele assustada, não quero sair daqui sem ele. Quero que ele vá comigo! Mas sei que ele é orgulhoso demais para fugir dessa emboscada, ele ficará até o final. Até a última bala. No pensamento idiota de correr até ele, me levantei, mas Muriel me puxou com força pelo braço e no instante depois estávamos fora do cassino.

_Não! – protestei me debatendo em seus braços. – Temos que tirar Vitor de lá! Temos que ajudá-lo!

_Valentina, para. Nós vamos ajudá-lo! O reforço já está vindo e até lá, a única coisa que posso fazer para ajudar Vitor é deixando você a salvo. Agora vem comigo e não crie caso! – mais tiros são disparados e eu fecho os olhos e lagrimas caem contra a minha vontade. – Valentina, já nos metemos em coisas piores, vai ficar tudo bem, mas agora temos que ir.

Concordo de leve com a cabeça e começamos a andar apressadamente até os carros. Viramos a esquina e atravessamos a rua, onde eles estavam. E novamente o que aconteceu a seguir foi muito rápido. Um outro carro apareceu e tiros começaram a ser disparados de dentro dele, com um movimento ágil, Muriel nos jogou no vão do carro de trás com o do frente e se debruçou sobre mim. O carro sobe na mesma velocidade que apareceu e eu solto o ar pela boca que eu nem sabia que estava prendendo.

_Dios, essa foi por pouco. – murmurei.

_Foi atingida? – Muriel me perguntou se sentando e se encostando no carro com a mão na barriga.

_Não, apenas alguns cortes, nada grave. Você está bem?

Muriel dá uma risada curta e tira a mão da barriga, mostrando uma grande mancha vermelha. Desesperada, grito para que um dos motoristas me ajude.

_Oh, meu Deus. Me perdoe Muriel, mas vai acabar tudo bem, ok? Vou levá-lo até a clínica e o Dr. Richard vai cuidar de você.

_Merda, sem sexo por um bom tempo. – murmurou com dor.

Reviro os olhos e com a ajuda de um dos meus seguranças coloco Muriel no banco de trás.

_Nos leve direto para a clínica, entendeu? Atropele o que for preciso, quero chegar lá em menos de cinco minutos!

O carro dá partida e pelo espelho retrovisor, observo chegar vários carros da Costa Nostra e de lá, vários homens descem armados até os dentes. Permito-me suspirar aliviada, eles poderão ajudar Vitor. Ao meu lado, Muriel geme de dor e rapidamente esqueço-me do resto, focando apenas nele.

_Para de resmungar O’Conner, vire homem! – digo na intenção de fazê-lo melhorar.

Ele sorri.

_É esse carinho que eu ganho depois de salvar a sua vida?

Sorrio.

_Não fez mais do que o seu trabalho. Mas acho que posso pensar na possibilidade de te dar algum aumento. O que acha?

_Acho que isso seria leg...

A voz dele morre nesse instante e eu me desespero. Chamo por seu nome por diversas vezes, só que isso não adianta, ele já desmaiou e não irá acordar. Precisa de uma cirurgia agora. Cinco minutos depois chegamos à clínica de Richard, onde ele já nos esperava com uma equipe médica. Desço do carro e eles tiram com cuidado Muriel lá de dentro, o colocando em uma maca e o levando para dentro. Corro atrás dele e uma enfermeira me leva até a sala de espera, onde ando de um lado para o outro durante meia hora, depois disso, me encosto-me à parede e deslizo até o chão.

A enfermeira reaparece e me entrega alguns analgésicos. Tomo eles e a agradeço e ela some pelo corredor branco. A clínica estava vazia e já devia passar das onze horas e uma hora desde que cheguei aqui. E sem nenhuma noticia de Vitor ou de Muriel, me deixando com os nervos a flor da pele. Minha cabeça dói tanto e só de pensar no pior, lagrimas caem livremente e escorregam pelo meu rosto até cair (e encharcar) minha camiseta. Pego o celular e aviso Lia sobre o ocorrido, ela me responde dizendo que já está a caminho. Quinze minutos depois, ela chega e se senta no chão ao meu lado e me abraça.

_Como ele está? – pergunta e mesmo que ela tente esconder, o desespero está presente em seu tom de voz.

_Não sei. Ninguém me diz nada.

_E Vitor? Cadê ele?

Faço que não com a cabeça e respiro fundo.

_Tenho certeza de que ele está bem. – me conforta.

_Eu espero que sim.

Dr. Richard aparece e Lia se coloca de pé nervosa.

_Como ele está? – pergunta ela.

_Retiramos a bala e reparamos o estrago feito. Agora ele está fora de perigo, só precisa de repouso, um longo repouso.

Lia sorri abertamente ao ouvir o médico e seu corpo relaxa.

_Posso vê-lo?

_Não, não agora.

_Quando?

_Assim que o quadro dele se estabilizar.

_E quando isso vai acontecer?

_Eu não sei, querida. Talvez durante a madrugada, quem sabe.

_Então vou ficar aqui esperando.

Eles falam tão rápido que demoro um pouco para raciocinar. Minha cabeça lateja de dor.

_Valentina, acho melhor eu te examinar agora, o que acha? – falou ele. – Vocês, dois, me ajudem a levá-la para o quarto.

Sou carregada e depositada sobre uma cama, aparentemente, confortável. Lia me ajuda a tirar a roupa e a colocar aqueles aventais idiotas de pacientes e depois, Richard tratou dos meus cortes e me medicou.

_Durma um pouco, querida. – disse ele.

_Não... Preciso ver Vitor primeiro...

_Acabei de informá-lo que você está aqui, ele já está a caminho.

Contra a minha vontade, minhas pálpebras começam a se fechar devido ao peso e ao cansaço. Só que ao longe, ouço a voz de Vitor, ou melhor, ouço ele gritar pelo consultório meu nome. Ele entra na sala em que estou e se debruça sobre mim, porém o efeito do remédio e o meu cansaço se misturam e eu fecho os olhos. É questão de segundos para que eu caia no sono. Inferno. Queria tanto vê-lo. Só que não dá outra, o sono me consome e a ultima coisa que sinto é o beijo de Vitor em meus lábios.

Notas finais
ENTÃO BOM NATALLLLLLLL, E UM ANO NOVO TAMBÉMMMMMMMM, QUE SEJAM FELIZES E O RESTO EU NÃO SEEEEEEI HSAUSHAUSAUSUAHSUA Feliz natal leitores, espero que vocês tenham sido boas pessoas esse ano para ganharem presentes, hein! E infelizmente pessoal, A Máfia só volta ano que vem :((((( Minha casa vai lotar de gente e não vai ter como eu escrever :(((( Mas e aí? Gostaram do capítulo? Comentem, favoritem e recomendem e façam uma autora feliz :D Nem que seja só um "feliz natal" nos comentários, sério, isso vai me deixar contente! P.S.: Não sei ao certo, mas acho que o próximo capítulo será narrado pela Lia, o que acham?